Histórias em Quadrinhos • DS.art.br

Silêncio, por favor.

Portão 6

3 exposições sagazes e comedidas

Portão 6

Consegui chegar à segunda página. Inacreditável. Agradeço ao Jr. pela opinião nas cores e no esboço do anjinho. Anjinho? Vamos continuar do jeito que der esse conto do Oggh. Já perdi o controle sobre este trabalho. Espero conseguir terminar esta HQ online algum dia…

Acompanhe as atualizações destes quadrinhos por aqui.

Até logo!

Coisa que não curto é entrar num site e ver que ele não é atualizado há um tempão e nenhuma informação a respeito do seu abandono. Eu mesmo já fiz isso – logo que criei este site, deixei-o à sorte, sem nunca publicar nada nele, por mais de ano. Bom. Dessa vez não vai ser assim.

Uma das minhas mais felizes idéias que já tive foi a de retornar a desenhar depois de velho. Quando fiz 10 Centavos prometi (a mim mesmo) fazer umas dez ou quinze páginas por ano. Acabei fazendo mais quando retornei com Muertos (estou livre dessa, graças ao bom Deus) e não quis largar o osso. Viciei. Mas é hora de dar um tempo. Tentei levar o quanto pude, mas não adianta eu me enganar… tudo anda meio tumultuado e não tenho como levar isso aqui adiante. Há meses não publico uma HQ online com mais páginas e não existe perspectiva alguma que isso mude dentro em breve.

Abomino a idéia de deixar este site largado à sorte, mas é a vida. Espero que não seja definitivo. Posso voltar mês que vem. Ou no próximo ano. Ou nunca. Vou colocar um aviso da hibernação deste endereço aos incautos. Já mudei prum servidor baratinho e… se um dia eu tiver saco, faço o site rodar como rodava antes. Mas é mais provável que ele vá pro espaço mais dia, menos dia.

Agradeço a todos os visitantes deste período. 99% caiu aqui sem querer, mas sou eternamente grato aos 1%, que acompanharam meu trabalho, xingaram, comentaram e aos poucos – e bons : D, que o aprovaram. Vou sentir falta de todos vocês.

Obrigado a todos e…

Vencedores HQ Mix 2009

Yap. Saiu a lista.

Tenho e li TUDO (de autoria nacional) que foi pré-indicado neste ano e tenho certeza que todos os votantes compartilham comigo este conhecimento – posso então afirmar sem dúvida alguma que os merecedores levaram a tão desejada estatueta. Hm. Droga. Não tenho o Aú Capoeirista, Macaco Albino, Gatipos, a Samba e boa parte da (Publicação de) tiras e cartuns.

Hm. Quanto a Muertos, no dia que soube da (pré-) seleção apostei (uma garrafa de uísque) com meu irmão que o Laudo levava essa. Já expliquei aqui porquê. Pena eu não ter essas previsões certeiras na megasena… Este tipo de premiação é um carinho: você (aquele que ganha) deve continuar trabalhando, está no caminho certo.

Aos ganhadores, meus parabéns pela Mirza.

Já eu… terei de me contentar com o Johnnie.

Gueto

187.000.000 = 100% (população brasileira)
18.700.000 = 10% (a grande São Paulo)
1.870.000 = 1% (cidade de Curitiba)
187.000 = 0,1% (leitores da turma da mônica)
18.700 = 0,01% (provavelmente a maior venda de gibis não-humor nem infantil)
1.870 = 0,001% (o máximo que um autor brasileiro vende em um ano)
975 = 0,0005% (tiragem de zines auto-publicados – mas nunca vendidos)

Bom… quando você (se) perguntar por que não existe mercado brasileiro de HQs… quando você acha que é grande coisa sendo um (pseudo) autor importante de quadrinhos nacionais…

Bueno… lembre-se destes números.

Caiu na rede…

Linques

Desleal

Eu particularmente me sinto mal ao pintar meus quadrinhos. É loucura minha, eu sei, eu sei.

Não adianta. Cor muda tudo. Acho meio esquisito. Com certeza a imensa maioria discorda, eu sei, eu sei.

Abrace-me

Ao menos tenho uma ou outra página minha em PB para aprender a colorir.

Ahn… esta página é a desta HQ.

Malditooooooooooooo!

…ok. Eu sempre ouvi falar do Corel Painter. Mas nunca me animei muito em usá-lo (com aquela interface assustadora).

painter

Né que é legal?

Só tem um pequeno detalhe: não roda na minha máquina.

Matriz • Preâmbulo

Tenho um monstro na minha frente. Ele me encara há meio ano, quieto e ameaçador como qualquer monstro realmente perigoso. Esperando pelo bote certeiro. Fatal.

Não tenho como fugir dele.

O monstro é obviamente uma história. Um conto escrito pela minha mãe, a meu pedido.

Sem entrar em detalhes, o conto usa como alicerce uma passagem da (nossa) história brasileira.

Apesar de tê-lo solicitado, não gosto de HQs que usam este artifício: história (do Brasil). Os resultados pelos quais cruzei são enfadonhos, na imensa maioria. É difícil ser imparcial. É difícil ser universal.

Quadrinhos brasileiros que li, quando utilizam fundamentos históricos, tendem a ser panfletários. Desta ideologia ou daquele grupo. Imprecisos e enganadores, apresentam-se através de um recorte parcial – de uma leitura pessoal que se deseja difundir, como se fossem o definitivo – o passado. Vestindo a intimidadora pele de aconteceu assim, é verdade, isso é história, acabam por levar seus leitores ao erro, à ignorância – que será perpetrada por estes. Esta mentira, ou no máximo uma realidade selecionada, é um perigo. Uma recrutadora de mais pequenas verdades e grandes mentiras. Pior ainda são histórias em quadrinhos didáticas – neutras e superficiais. Chatas. Tem muito disso sendo produzido no país – de olho nas licitações e compras do governo. Pobre país… o que fazemos (ou deixamos fazer) dele! Sem falar nos quadrinhos, que podem ficar estigmatizados como suporte narrativo leviano – tolo e raso, pelas novas gerações de leitores surgidos das escolas.

Outro grande perigo é o bairrismo. Ou regionalismo, para ser politicamente correto. Não me identifico com quadrinhos de cangaceiros, por exemplo. Não em sua maioria. E acredito que o pessoal do norte e nordeste não deva se identificar com os pampas gaúchos, também. Acho muito chato essas HQs pregadoras de que o país é a Amazônia ou a Caatinga. O brasileiro é cordial entre si, mas não vejo em nós uma identidade unificadora muito maior que nossa língua. Elencar uma parte do país para contar uma história em quadrinhos é se isolar do todo. De nós mesmos.

Um trabalho que considero ímpar neste sentido é Chibata! João Cândido e a Revolta que Abalou o Brasil. Claro que a história é mais urbana, mais contemporânea e isso ajuda. Mas vejo uma neutralidade invejável considerando tudo que escrevi: o livro não pesou mais para este lado (político) ou aquele. Não caiu na armadilha de ser regional (e podia muito bem ter sido). E se não fora perfeitamente preciso é porque se preocupou em contar os dramas de suas personagens. E não contar a história da história (…). É um bom modelo para se iniciar um trabalho que tem como estopim o nosso passado.

O conto está ali. Parado. Tenho medo de enfrentá-lo, pois facilmente ele me engoliria.

VIP or RIP?

E dentro em breve será o QI do Edgard Guimarães que partirá. Semana passada escrevi sobre ele. Sincronicidade? Recebi ontem o nonagésimo oitavo número. É a primeira vez que Edgard fala abertamente sobre o que acontecerá após o derradeiro número cem.

É intrigante perceber como os zineiros neste país, em dezessete anos de existência do Quadrinhos Independentes, nunca conseguiram se organizar a ponto de ter uma produção crescente ou que interessasse à massa. O que sucedeu – segundo o próprio Edgard, foi o contrário. Nem mesmo os ditos produtores de ‘cultura’ (e eles adoram dizer isso) se interessam pela produção alheia, alternativa ou auto publicada. Interessante como a leitura infantil vai de vento em popa. “Não leio nada, meu filho, mas (sei que) é importante ler”. (!!!). Peraí, melhor: ??? Aliás…que diabos o podcast do Diego Mainardi está fazendo aqui?

Na década de 60 éramos ‘eu existo’. Em 70 foi ‘nós somos’. Na de 80 era ‘eu importo’. Em 90, ‘nós não sabemos’. Agora é ‘não ligo’.  Nosso interesse em entretenimento hoje se restringe a 140 caracteres e vídeos esclarecedores. E que não se paguem por eles. Mesmo que roubado de um 4shared da vida ou um torrent na esquina. Quem ainda paga por música?

É uma tendência curiosa, esse esfarelamento – essa asfixia por falta de interesse e consideração. O mainstream dos quadrinhos (americanos) acabará por morrer? Viraremos todos fanzineiros (traduza por não-remunerados)? O próximo lema é ‘eu gostaria de ser’?

Quero ver essa. Já estou aqui, dentro do camarote, assistindo a bagaça. Desde que use poucas palavras. Ou que não tenha mais de 60 segundos de duração.

A vingança dos derrotados!

Marko Adjaric, do Neorama dos Quadrinhos, mandou um link prá cá – especificamente para este texto. Êba!

Curiosamente, ele associou ao link o seguinte questionamento: colocar suas HQs online piora sua sensação de derrota?

Opa. Ambíguo.

Como um bom e velho telecurso 2000, vamos pensar um pouco. Ou melhor: olhar pro passado e no que temos hoje.

Sou do tempo de fanzines impressos em xerox. Yap. Iniciozinho da década de 90. Era um saco ter um zine. Não pelo zine, mas pela comunicação entre zineiros e interessados. Você pode até não acreditar, mas não existia internet na época. Toda comunicação era muito lenta e o alcance, muito limitado. Não fosse pelo trabalho incansável de Edgard Guimarães (cuja recompensa é impossível, tamanha grandiosidade e generosidade do seu esforço) com o Informativo de Quadrinhos Independentes, acredito que sequer existiria algo.

A saber: o IQI (posteriormente QI) é um fanzine (que existe até hoje) que divulga, gratuitamente, todas as edições (fanzines ou não) recebidas – do país inteiro. Não somente de HQs, vale lembrar. Isso há mais de dez anos. Edgard é o cara entre os caras.

Bom, onde quero chegar é que, na época, um fanzine de sucesso, alcançava uma venda de 50 exemplares (para outros fanzineiros obviamente). Ou seja: seu trabalho tinha um alcance a, no máximo, 300 pessoas. Claro que fanzines, feitos em (grandes) capitais com distribuição local, poderiam alcançar números muito, mas muito, mais expressivos. Mas fora do seu gueto não ‘vendiam’ nada. Comecei com o Informativo Perry Rhodan, junto ao meu irmão Alexandre e (segundo ele) o IPR teve seu ápice com 110 assinantes. Somos do interior do Rio Grande do sul, caso não saibas. Posteriormente tive meu zine de quadrinhos e, segundo me recordo, ele nunca obteve 30 compradores. TRINTA! E era bem bom.

Bom². Com a internet tudo mudou (sério?). A tecnologia chegou e temos hoje ‘revistas independentes’ com excelente acabamento gráfico e impressão de mil exemplares ou mais. Impressionante. Certo que muitas encalham, poucas esgotam e que sua venda é lenta que nem corrida de caramujo. Mas elas existem e crescem a cada dia. Mas interessante é perceber que HQs nacionais ‘profissionais’ (publicadas por editoras que fujam da temática humor/infantil) não possuem uma tiragem com expressividade muito maior. Apesar de estarmos numa ‘explosão’ da HQ nacional, inclusive com reimpressão de títulos (será que isso aconteceu antes nos últimos vinte anos?), as vendas destes livros de quadrinhos ainda é tímida. Mas estamos muito bem, acredito. Como jamais estivemos. A HQB caminha para as livrarias e temos de dar-nos por feliz em estar conquistando um nicho. O primeiro, talvez. Espero que não o último.

Ioqueco? Bom… aonde quero chegar é que publicar HQs na rede é um excelente negócio, se parar para pensar. Seja lá qual for sua finalidade – se divertir, profissionalizar-se etc, HQ online é uma oportunidade ao alcance de todos. Mesmo que você tenha 50 acessos por dia ou mês, comparativamente, você pode até ser mais lido (e conhecido) que muito autor publicado por editora. E um alcance impensável há pouco mais de uma década. O Quarto Mundo publica, religiosamente, uma página de HQ por dia e já deve ter (um chute no escuro – eu não tenho idéia) uns 2.000 visitantes ao dia – senão o dobro disso. Muertos, depois de um ano, já rendeu por aqui mais de duzentos mil visitas, com mais de meio mihão de páginas visitadas. Ou seja: mesmo que apenas 1% sejam visitantes únicos e tenham lido o trabalho, é uma exposição excelente ao seu material. Não é à toa que sites e blogs de HQ pipocam mais e mais a cada dia. E isso é ótimo. Seja na qualidade e finalidade que for. Os ‘melhores’ (que tiverem mais sinergia com o público) se destacarão, com certeza – mas espero que todos se divirtam!

Liçãozinha do dia: webcomics são um bom começo e podem render ótimos negócios. Já que estamos em um excelente momento editorial impresso, você pode aproveitar a rede para se mostrar ao mundo. Se um dia você pretende publicar ‘oficialmente’, não há lugar melhor para experimentar e ver reações dos leitores. Ainda que incerta e cheia de perigos, a rede permite retornos específicos e mensuráveis. E o contato com possíveis/prováveis leitores é muito mais próximo, rápido e barato do que em publicações impressas.

Se você quiser, faça-o sem medo.