Café Espacial #2
Revista Café Espacial #02 | 2008 | 60 páginas | 14cm x 21cm | capa colorida e miolo PB
Chegou em minhas mãos o tão aguardado Café Espacial. Tão aguardado porque simplesmente amei o primeiro número. Muito bem feito, muito bem pautado e organizado.
E foi justamente por isto que tomei um susto nesta segunda edição.
Não que ela tenha um conteúdo mal selecionado e nem de longe está desorganizado, pois a Café é apenas independente, não amadora.
Com 60 páginas, este número está 20% maior que o anterior. Mas este crescimento de espaço não fora reservado ao conteúdo referente a HQs. O que aconteceu foi o inverso. No primeiro número foram dedicadas 22 páginas à histórias em quadrinhos o que dá, descontando a capa e contracapa, 50% da edição voltada para a banda desenhada (ora, pois). Nesta edição possuímos 18 páginas de HQ – cerca de 30% da revista.
Se parar para pensar, não há nada de errado nisto. Mas me pergunto o que Sérgio Chaves pensou para tamanha mudança de perfil editorial. Será que ele quis tornar a Café mais aceitável, mais informativa através de seus textos, deixando as HQs em segundo nível de importância? Diria até mais comercial, pois indiscutivelmente revistas (de textos, notícias, artigos) vendem mais do que HQ. Estaria Sérgio Chaves (parece novela mexicana) tentando trazer novos leitores paras as HQs (nacional ou não) utilizando como isca o recurso de uma revista mais textual? Acompanhem os próximos capítulos. Ou não conseguiu colaboradores? Duvido muito disto porque até eu – se tivesse qualidade requerida, gostaria de estar numa revista destas. Talvez o Café Espacial esteja migrando para outro campo: o de informação E HQ, não o de HQ E informação. Sou mais deste último, mas ele não deve se preocupar, pois acredito – olhando qualquer banca, que sou minoria.
Mas vamos ao conteúdo.
O muro de cada um - com um texto introspectivo de Alan Ledo, Eder Saragiotto nos traz uma belíssima arte de uma HQ que tive de ler duas vezes. Tá bom. Três vezes.
Amore lupus – de Bárbara Stracke e Laudo Ferreira. Bárbaro. Apesar de Laudo neste número ter mudado de parceiro para os textos, sua arte continua com vigor e personalidade – até icônica. Daqui uns dias vira um Sr. Colin – este sr. com S maiúsculo; não porque morreu mas porque tenho toda a obra dele que cruzei pela frente. Com um texto competente da sra. Strack achei muito bacana esta HQ. Que o Laudo continue com este tipo e nível de trabalho!
Há ainda os trabalhos em quadrinhos A desmemoriada de Samanta Flôor, A chuva de Mario Cau, e Dorothy de Ebbios. A HQ do senhor Cau dispensa apresentações – de fato, eu já havia lido este trabalho (está online no site do autor) e vocês mesmos podem ver que o sr. Cau é do cauralho (ô trocadilho ruinzinho).
Na antiga revista tiveram textos que não li: sobre as bandas Órfãos do Governo e Biggs – até por isto não comentei a respeito. Não era o tipo que gosto de ler. Adendo: senhores eu leio Scientific American, não leio muita literatura mas me esforço para manter a média de um livro por mês, acompanho uma revista semanal ou outra e ainda assino dois jornais locais para dar um bizu e saber o que anda acontecendo. Ou seja: eu não leio só HQ – mas quando um assunto não me atrai, simplesmente não leio. Surpreendente, não? Hum. Por que porra (sic) estou me justificando? Nesta edição admito que estava meio desanimado a ler suas matérias, mas o fiz até para saber sobre o que se tratam e poder divulgá-las aqui – apesar de não ser meu objetivo escrever aqui nada que não seja HQ, preferencialmente nacional.
Há uma entrevista com Daniel Galera onde afirma que o rótulo webdesigner (projetista web) não existe mais. Estou desrotulado. Um bom conto (quadrinizável) chamado A invenção do fim de Filipe Teixeira e ainda The girl has the taste of paçoca on her lips, de Laudo Ferreira e Dificuldades no relacionamento de Lean Basoli. E para finalizar, do próprio site do Café Espacial “A edição traz também: ilustrações de Lese Pierre; a seção DiaboA4, falando sobre o escritor Lima Barreto e o o mito dos Heróis e Anti-heróis (por Lídia Basoli e Rafael Rodrigues); a seção Mais uma dose (por Talita Prado); a seção Arte revelada, com fotografias de Paula Mello; [...] e na seção Cafeína pura! entrevista com a banda The Dead Rocks (São Carlos/SP), com seu surf music/rock’n’roll alucinante!”
Admito que me senti deslocado – esperava quadrinhos e recebi resenhas, entrevistas, artigos e contos. Sem sombra de dúvida o próximo número irá definir (sem sombra de dúvida o KCT) o perfil da Café Espacial. Talvez o sr. Chaves ainda decida tornar seu Café um lugar de pura experimentação, hora indo prá cá, hora indo prá lá – e novamente, não há nenhum problema nisso. A questão é se ele consegurá manter fiel sua base de leitores. Espero que não demore muito para o terceiro número, que obviamente irei comprar. Mas não gostaria de estar na pele do sr. Chaves tendo tantas opções e escolhas a serem tomadas.













