Histórias em Quadrinhos • DS.art.br

Silêncio, por favor.

Velharia de ‘Babaquices’


Até logo!

Coisa que não curto é entrar num site e ver que ele não é atualizado há um tempão e nenhuma informação a respeito do seu abandono. Eu mesmo já fiz isso – logo que criei este site, deixei-o à sorte, sem nunca publicar nada nele, por mais de ano. Bom. Dessa vez não vai ser assim.

Uma das minhas mais felizes idéias que já tive foi a de retornar a desenhar depois de velho. Quando fiz 10 Centavos prometi (a mim mesmo) fazer umas dez ou quinze páginas por ano. Acabei fazendo mais quando retornei com Muertos (estou livre dessa, graças ao bom Deus) e não quis largar o osso. Viciei. Mas é hora de dar um tempo. Tentei levar o quanto pude, mas não adianta eu me enganar… tudo anda meio tumultuado e não tenho como levar isso aqui adiante. Há meses não publico uma HQ online com mais páginas e não existe perspectiva alguma que isso mude dentro em breve.

Abomino a idéia de deixar este site largado à sorte, mas é a vida. Espero que não seja definitivo. Posso voltar mês que vem. Ou no próximo ano. Ou nunca. Vou colocar um aviso da hibernação deste endereço aos incautos. Já mudei prum servidor baratinho e… se um dia eu tiver saco, faço o site rodar como rodava antes. Mas é mais provável que ele vá pro espaço mais dia, menos dia.

Agradeço a todos os visitantes deste período. 99% caiu aqui sem querer, mas sou eternamente grato aos 1%, que acompanharam meu trabalho, xingaram, comentaram e aos poucos – e bons : D, que o aprovaram. Vou sentir falta de todos vocês.

Obrigado a todos e…

Gueto

187.000.000 = 100% (população brasileira)
18.700.000 = 10% (a grande São Paulo)
1.870.000 = 1% (cidade de Curitiba)
187.000 = 0,1% (leitores da turma da mônica)
18.700 = 0,01% (provavelmente a maior venda de gibis não-humor nem infantil)
1.870 = 0,001% (o máximo que um autor brasileiro vende em um ano)
975 = 0,0005% (tiragem de zines auto-publicados – mas nunca vendidos)

Bom… quando você (se) perguntar por que não existe mercado brasileiro de HQs… quando você acha que é grande coisa sendo um (pseudo) autor importante de quadrinhos nacionais…

Bueno… lembre-se destes números.

VIP or RIP?

E dentro em breve será o QI do Edgard Guimarães que partirá. Semana passada escrevi sobre ele. Sincronicidade? Recebi ontem o nonagésimo oitavo número. É a primeira vez que Edgard fala abertamente sobre o que acontecerá após o derradeiro número cem.

É intrigante perceber como os zineiros neste país, em dezessete anos de existência do Quadrinhos Independentes, nunca conseguiram se organizar a ponto de ter uma produção crescente ou que interessasse à massa. O que sucedeu – segundo o próprio Edgard, foi o contrário. Nem mesmo os ditos produtores de ‘cultura’ (e eles adoram dizer isso) se interessam pela produção alheia, alternativa ou auto publicada. Interessante como a leitura infantil vai de vento em popa. “Não leio nada, meu filho, mas (sei que) é importante ler”. (!!!). Peraí, melhor: ??? Aliás…que diabos o podcast do Diego Mainardi está fazendo aqui?

Na década de 60 éramos ‘eu existo’. Em 70 foi ‘nós somos’. Na de 80 era ‘eu importo’. Em 90, ‘nós não sabemos’. Agora é ‘não ligo’.  Nosso interesse em entretenimento hoje se restringe a 140 caracteres e vídeos esclarecedores. E que não se paguem por eles. Mesmo que roubado de um 4shared da vida ou um torrent na esquina. Quem ainda paga por música?

É uma tendência curiosa, esse esfarelamento – essa asfixia por falta de interesse e consideração. O mainstream dos quadrinhos (americanos) acabará por morrer? Viraremos todos fanzineiros (traduza por não-remunerados)? O próximo lema é ‘eu gostaria de ser’?

Quero ver essa. Já estou aqui, dentro do camarote, assistindo a bagaça. Desde que use poucas palavras. Ou que não tenha mais de 60 segundos de duração.

Paguem pelos quadrinhos nacionais!

Marcus Ramone, do Universo HQ, escreveu um texto a respeito da realidade dos quadrinhos brasileiros. Achei legal o texto. Como ele mesmo escreveu, seu artigo não ambicionou cobrir todos os pontos relativos ao tema – o que seria não impraticável, mas muito longo e demasiadamente chato.

O que, obviamente, eu adoro ser: verborrágico e inconveniente. Como (infelizmente) não tenho âmbitos de ser cool ou comercial (até porque não existe âmbito comercial nestas bandas e ser cool é muito chato) e se tem um site na internet prá escrever abobrinhas, pego minhas pedras do chão.

Interessou-me que, lendo seu texto, não fora levantado um questionamento que considero relevante: por que “o que se vê é muito, muito trabalho ruim“? A partir deste questionamento decidi escrever este ‘pequeno’ texto.

Antes de mais nada, vou expor alguns pre(con)ceitos:

  1. Este texto desconsidera obras infantis e de humor. Na prática, estas são os únicos trabalhos remunerados em nosso país (charges/cartuns, tirinhas e até quadrinhos nesta temática) – porque são os que vendem. Quem geram interesse do público leitor. Quer viver de HQ no Brasil? Beleza. É bom que seu trabalho se enquadre nessas áreas.
  2. Há sim um preconceito por parte do leitor por material brasileiro – e pertinente: ele normalmente possui qualidade questionável. Mas o leitor brasileiro de HQ não possui resistência alguma a um bom trabalho (no estilo/temática que ele está acostumado a ler), seja a nacionalidade que for. O difícil talvez seja os parcos bons trabalhos (autorais, independentes, amadores etc.) nacionais encontrarem o leitor de determinado segmento. As tiragens são irrisórias, a distribuição é uma caca. E pode ser uma ótima HQ com elfos, mas se o cara curtir super-herói, é bem provável que não vai curtir anõezinhos de jardim – e vice-versa em seus diversos estilos e temas. Some isso tudo ao preço de livros de quadrinhos, absolutamente fora da realidade brasileira, que já se percebe o tamanho do problema.
  3. As editoras são empresas. Empresas objetivam auferir lucro. É um negócio, ora bolas, não uma missão religiosa! As vendas e o mercado nacional de gibis são pequenos, muito pequenos. Está dentro do ridículo, considerando o tamanho continental de nosso país. Pegue as maiores vendas (talvez um pouco acima de vinte mil cópias), versus a quantidade de revistas (que possuem a imensa tiragem de cinco mil cópias) e verá que a média é horripilante. Livros de HQ possuem tiragem menor ainda. E vendem ainda mais lentamente. É nessa realidade que as empresas têm que pagar seus funcionários e tirar o seu. É mais negócio pagar por uma obra de fora, já aprovada em mercados estrangeiros sólidos, que geram vários contratos paralelos, do que pagar mais caro por um autor nacional (sim, é mais barato comprar trabalhos de fora) desconhecido e sem merchandising algum.
  4. O objetivo aqui é falar de obras nacionais, publicadas aqui – seja fanzine, independente, livros etc. O que tenho visto da opinião do leitor na internet é que um cara que quiser viver de quadrinhos, deve ser desenhista da Marvel, da DC, Image etc. Não um contador de histórias, utilizando como suporte a narrativa dos quadrinhos. Não. Ele deve objetivar desenhar para fora do país. “É estupidez querer ficar aqui”. E pior que está coberto de razão. O que levanta outro ponto: o leitor lê (e paga) sem preconceito material estrangeiro, mas estranha um brasileiro querer publicar… bem… no Brasil – e viver disso… em seu próprio país!!! Contar suas histórias aos seus. Incrível o (leitor) brasileiro não exigir (você leu certo) produção própria. Na verdade isso fala muito sobre o que somos, mas OK – não é o objetivo desse texto também.

Primeiramente esclareço que o ofício de quadrinhos é moroso. Muito trabalhoso, muito demorado. Não confunda com ‘apenas desenhar’. Não estou falando de fazer páginas e mais páginas de gente se enchendo de porrada ou parecendo ser gostosa para se alcançar uma cópia técnica do desenhista sensação do momento. Falo de contar histórias, bem contadas. Isso demanda tempo. Experiência. Um autor nacional, com cinco, dez anos de ‘carreira’, tem o quê? Cinquenta páginas produzidas? Talvez cem. Em quanto tempo se consegue isso num mercado consolidado e remunerado que tanto amam comparar? Um mês? Quatro meses? Por que o autor nacional tem um portfólio tão pequeno? Porque o brasileiro é vagabundo?

Todo mundo se acha um Neil Gaiman (mais a frente vou retomar esta que nossos escritores são ruins) ou aquele baita desenhista. Entretanto da concepção à produção, percebe-se que as ideias não são tão bem lapidadas: o trabalho final sempre fica aquém da expectativa inicial. Somente com o exercício interrupto que nossa criatividade se molda perto da realidade, do resultado. Senhores: isso em qualquer área da produção humana. Acontece que lá, em mercados normalmente comparados ao nosso, produzir quadrinhos é profissão. Então o jovem mancebo quadrinhista busca aperfeiçoamento para poder viver disso, vencer a concorrência, ter seu lugar ao Sol. E aí ele produz, por muito tempo, com muito tempo – isso porque sabe que pode ser recompensado por isso. Aqui, não. Nem os caras que têm editora por trás recebem algo que os sustente. Então chega um momento na vida (em nosso país pobre), que o autor tem de buscar seu sustento, seu ganha-pão para pagar as contas. E os quadrinhos ficam em segundo plano. Um hobby. Quando dá, do jeito que dá. Tenha isso em mente: quando dá, do jeito que dá. Nada de quantidade nem continuidade. E lá se vai, esgoto abaixo, a possibilidade de aprimoramento (autocrítica) e amadurecimento da produção por parte do autor. Ressalto: é hobby por falta de perspectiva, não por opção. Tem gente que não admite isso – que o que fazemos por aqui é hobby. Chegam ao ponto de afirmar que se isso fosse verdade, não faríamos sites/blogs/fotologs por diversão, mostrando nosso (duvidoso) trabalho. Bom… não é necessário ter muito mais que um neurônio para perceber que, se isso fosse verdade, não existiriam 99,99% dos blogs na internet. Ou sites pessoais de artesanato e crochê (prá citar algo que MUITA gente faz). Espaços de paixões particulares. Para quem quiser ver.

Incrível também como isso normalmente não é aceito por muitos leitores de quadrinhos: que só existe bons e contínuos trabalhos (em quantidade satisfatória), porque há mercado. Porque se paga por bons trabalhos. Se existe profissionalismo é porque… bem, se retribui por ele. Para cobrar algo você tem que pagar por isso. Em qualquer área, em qualquer profissão. Como qualquer emprego. Pense em qualquer produto/serviço que é bom. Porque ele é assim? Porque existe mercado – há grana envolvida, e assim, a competição para se conseguir a maior fatia possível dessa bufunfa. Alguns já citaram que mesmo o mercado estrangeiro teve um início difícil e tal. Mas para ter uma noção da diferença de realidades, o que se pagava há cinquenta anos, nestes trabalhos primevos lá fora, é até mais do que se paga hoje, a um autor nacional. Feia a coisa. Escrevem que quem é bom, é bom de qualquer jeito – e é fato: temos excelentes obras onde seus autores não tiveram remuneração, mas são esparsas e praticamente desconhecidas. Já toda a obra estrangeira que um leitor pôs a mão foi remunerada. Então me pergunto contra o que há a comparação, se ela não é válida?

Mas… peraí – quer dizer que todo o quadrinhista que faz alguma coisa neste país é (perdeu) prayboy? Ah, sim – escrevi errado de propósito. A resposta é simples: não. Os álbuns que atualmente têm sido publicados em nosso país têm sido um esforço inacreditável de seus criadores. Sem serem igualmente remunerados. Eu nem arrisco mensurar o que tiveram de abdicar pela sua paixão. Mas sei seu seus nomes. E os respeito. Mais até: os venero. Mas é isso: estamos destinados a poucos e desconhecidos heróis solitários. Ok – já li muito que na Europa é parecido, mas… bem… a Europa possui estabilidade financeira melhor, caso não saiba. Lá, há muito mais gente que se pode dar ao luxo disso. No Brasil, não. Repito: no Brasil, absurdamente, infelizmente, não. E aí acabam os sonhos de 99% dos jovens quadrinhistas nacionais.

Interlúdio
Aproveitando esta questão de que quadrinhistas que continuam a produzir possuem condição econômica estável…
É engraçado como no Brasil ter grana é motivo de vergonha e escárnio. Quer dizer… todos querem ter dinheiro, mas desfazem, invejam e atacam quem já o tem… somos todos muito, muito engraçados.
Fim do interlúdio

Lamentável que, com 50 anos de HQ (é mais, eu sei) sempre recorremos aos mesmos, em uma discussão. Tipo… quantas HQs são publicadas mensalmente nos EUA? Cem? Trezentas? Seiscentas revistas? Quantos artistas estão envolvidos nestas edições hoje em dia? E nas produções dos últimos… há… cinco anos? Dez? Vinte anos? Mas, bacanas que somos, recorremos às exceções daqueles cinco ou seis nomes sempre citados como brilhantes autores de quadrinhos. Com uma monstruosa e interrupta produção destas, em meio século, surgiram cinco ou dez nomes ‘indiscutíveis’. Porque então esperar do Brasil um grande roteirista se, em mercados muito maiores, mal e mal se consegue um ou outro? A produção (em quantidade) em um mês nos EUA é maior do que é publicado em dez anos, por aqui. Sinceramente não entendo.

Até escrevem por aí que Moore seria Moore mesmo sem ganhar. Bom, meus queridos Nostradamus de plantão, eu não sei se seria feito algo que merecesse destaque em nosso país, se os artistas daqui fossem remunerados. Neste texto ensaio do porquê não existir muita coisa pela qual o leitor chore de prazer ao lê-las. Mas assim como é fato que não fizemos algo que tenha parado o planeta, tudo que tenha o feito (parado o planeta, cabeção), fora criado através de (boa e contínua) remuneração. N E N H U M trabalho que você citar, fugirá disso. Se Moore seria Moore sem ser pago? Eu sei lá – isso nunca aconteceu. Se você é tão certeiro em previsões do futuro (SE isso, SE aquilo), não perca seu tempo: aposte na mega sena e seja feliz.

Resumindo – coisa que devia ter feito desde o início: não haverá uma quantidade ou continuidade de trabalhos (considerados bons?), que satisfaça a grande parcela de leitores, enquanto não houver remuneração (segura) para seus autores (nacionais). E não teremos isto porque a venda de HQs nacionais (e gibis como um todo) beiram o inacreditável, de tão pequenas. Estamos, muito provavelmente, na melhor fase de todos os tempos em publicação de obras nacionais por editoras – livros. Aproveitemos isto! Mas deve-se ter em mente que excelentes autores nacionais (publicados por por editora) têm tiragem de mil a três mil exemplares e… encalham! Para termos bons trabalhos, ficamos na dependência de quadrinhistas em condição financeira favorável (ou tempo disponível), qualificação artística eficiente e uma paixão ardente. Complicado. Raro. E isso não se limita a quadrinhos e sim a boa parcela de áreas e profissões por aqui – mas especialmente aquelas ligadas à cultura e entretenimento. Apenas um reflexo da pobreza de nosso país.

Mas o panorama é favorável (como nunca foi antes) e espero que frutifique cada vez mais com trabalhos ainda melhores. Se vai colar? Prá onde vamos? Não tenho nenhuma ideia.  Sou apenas um mané que trabalha. Não com quadrinhos, obviamente. Isso porque HQ não paga as minhas contas vencidas.

Lamentavelmente.

Mas curto fazer meus quadrinhos lá de vez em quando e colocá-los na web.

Felizmente.

Brazil

Eu me controlo para não tornar este site algo como um Twitter – não fugir do tema de quadrinhos (nacionais) ou mesmo (fazer) pequenas divagações.

Eu não curto super-heróis. Não os leio há… mais de quanto? 10, 15 anos?

Herói brasileiro nunca colou.

A HQ (nacional) de terror (horror?) naufragou há muito tempo.

Sou apenas uma mané amador.

Hm.

Definitivamente eu não devo tornar este site algo vago e viajante como meu Twitter.

É viver

Decidi participar do Nossas Expressões. A saber: é um evento organizado pelo grêmio estudantil da universidade federal daqui – seu objetivo é apresentar a produção contemporânea da cultura local. Seria uma oportunidade a mais de, sacumé, exibição (no sentido egocêntrico de ser). Pensei imprimir Nada a Perder em um A3 e entregar à comissão, para que ela exponha onde ela quiser expor (parece que os trabalhos terão vários locais de exposição, cidade afora).

Fui no site, baixei a inscrição e comecei a preenchê-la. Beleza. Nome, endereço, e-mail etc. O último item tinha a seguinte pergunta:

Você faz seu trabalho pra quê? Pra quêm?

Intrigante. Fui ver o regulamento – lá estava esclarecido que o não preenchimento da questão anularia a inscrição. Deus do céu! Eu não sei quem elaborou essa questão mas devo meu parabéns a ela. Mais direto ao ponto impossível. Acredito que esse é o enigma da esfinge de quem produz.

Neste ritmo, tenho certeza absoluta, que a pergunta da próxima edição do Nossas Expressões será: qual é o sentido da vida?

INTERLÚDIO

Tenho uma mente fértil. Do tipo chão adubado com esterco de galinha.

Um dia eu e minha mente fértil fomos a um evento imaginário de quadrinhos. Lá tinham seus leitores imaginários, vendedores imaginários e autores imaginários. Por fim um autor (imaginário, é claro), se aproximou e perguntou:

- Tu é o cara de Santa Maria, certo? O do Muertos.

Sorri, com meu sorriso amarelo (eu fumo prá caramba) contumaz e confirmei, discretamente. Ele continuou, em nossa conversa imaginária:

- Então cara, estou lançando minha revista independente também. Tu vai ver que ela vai ser sucesso. Já tô bem conhecido no país e tô com em contato com várias editoras – vou ser o próximo autor nacional famoso. Tu tem que ver os desenhos irados que eu tô fazendo!

Minha mente fértil retrucou – em pensamento, é claro.

- Muertos é um fanzine impresso em gráfica – só isso. Que diabos é uma revista independente?

Ela continuou me atormentando:

- Sucesso? Que sucesso? HQ brasileira vende menos que pneu recauchutado. Ninguém lê essas porcarias – pega o exemplo daquele autor nacional famoso, ele nunca ganhou nada com isso. Apesar de ser muito bom, nunca vendeu mais que poucas centenas de edições. Aliás – alguém no Brasil já ganhou algum dinheiro com histórias em quadrinhos?

Quando pensei que minha mente fértil ia me deixar em paz, ela arrematou:

- Desenhos irados? Porra! E a droga da história?

Olhei para o autor imaginário ao meu lado e retruquei:

- Com certeza. Vejo que você já tem tudo planejado.

E fui andar à volta. Minutos depois um segundo autor imaginário se aproximou de mim. Este era um autor nacional imaginário famoso, um grandão da atualidade. Perguntou:

- Tu é o cara do Muertos?

Respondi que não. Que eu sequer existia – que era fruto da imaginação dele – e fui embora.

Olhando prá trás percebi que muitos amadores, como eu, se (auto) elegem como a esperança do país, na (futura) produção nacional de quadrinhos. Pior: muita gente aposta neles. Que o Criador nos proteja se isso se tornar realidade.

FIM DO INTERLÚDIO

Como Édipo meia boca, respondi à desafiadora questão:

Sou apenas mais um que conta histórias. Para quem quiser ouvir.

Mas era mentira. Até hoje não sei porque eu faço o que eu faço. Ou prá quem (meus prá sempre têm  acento). Ego é uma resposta óbvia e não me satisfaz. Enquanto não sei porquê, continuo fazendo.

Mas já estou pronto para responder, na ponta da língua, a pergunta seguinte – ano que vem.

Discussão

Mais um post imenso. Gosto disso – é muito mais divertido (e fácil) escrever um monte de besteiras do que produzir quadrinhos.

Como sou uma pessoa muito ocupada, vez ou outra entro nesses espaços que permitem trocas de opinião (sobre quadrinhos, obviamente). São lugares onde se permutam novidades, se expressam opiniões ou ainda, dividem experiências. Como é comum a nossa raça, vez ou outra, surge um (ou mais criaturas) que gosta de… apimentar a discussão. Ou simplesmente travá-la, mesmo – de qualquer forma, “entra rachando” (ui!). Há os mais variados motivos e razões para isto – mas ego é sua força motriz, com certeza. Uma forma de se afirmar que existe e que se é importante. Eu me divirto muito com esse tipo de coisa. Tem sempre um ou outro indivíduo (nunca ninguém famoso ou conhecido – apenas um zé ninguém como eu) que larga tantas pérolas, num espaço tão curto de mensagens, que não há como não se estourar de tanto rir. Gosto tanto que decidi compilar um conjunto de frases, afirmações que parodiam situações comuns a quem participa de grupos de discussão, fórum, ou qualquer rede social de nossos dias. Infelizmente essa paródia por vezes se aproxima demais da realidade, o que não as torna tão engraçadas assim… Sinceramente, espero que você não (se) reconheça (em) nenhuma destas frases…

  1. O papel do autor (argumentista e/ou ilustrador) é editar – ter uma visão do todo: de vendas/mercado, de distribuição etc. Onde já se viu um escritor curtir escrever ou um desenhista gostar de desenhar? São uns cabeças ocas!!!
  2. Você produz (desenha/escreve) bem – mas nada além disso! Por que você não vira editor?
  3. É muito imbecil um autor, que sabe produzir, precisar de um editor, que sabe editar.
  4. Vocês são tão retardados que só querem ser subservientes (escravos) de alguém! Trabalhem prá mim que eu mostrarei a verdade!
  5. Nunca vi coisa mais idiota: se o cara não consegue publicar, cria um site para mostrar seu trabalho e ficar se masturbando com ele – eu jamais faria isto! Ah – aproveitando: visitem meu blog, que tem capítulo novo do meu projeto!
  6. O objetivo desses caras é trabalhar para os outros – não pensam em desenvolver seu próprio universo e ficar rico como eu fiquei!
  7. Não é questão de publicar o seu universo, é fazer algo que dê certo, pros leitores e editores – que dê grana!
  8. Pô – vocês só pensam em dinheiro!
  9. Autor brasileiro é burro – não quer ganhar dinheiro – só quer alcançar o “sonho de ganhar grana”!
  10. O sonho não é ganhar dinheiro com seu trabalho! Sonho é conseguir viver do seu trabalho! Vocês não entendem?
  11. Brasileiro só quer fama – por que ele vai ser querer ser reconhecido lá fora ao invés de não ser reconhecido aqui? Um absurdo!
  12. Esse pessoal só quer dinheiro – por que ele vai ganhar grana lá fora e não aqui, que não recebe nada?
  13. Publicar onde pagam não é motivo de orgulho. Quero ver é fazer isso aqui, onde não pagam nada!
  14. Sim. Eu poderia estar publicando lá fora, ganhando uma boa grana com meu trabalho (desenhos/textos/personagens) e viver bem com isso. Mas não. Prefiro ter uma vida difícil, sem ganhar nada nem conseguir publicar, porque… porque… porque eu adoro meu país.
  15. Tá certo que o capitalismo é soma da ganância de todos, que se revela niveladora do mercado, mas onde fica a ideologia? Vocês só querem dinheiro, dinheiro! Não pensam em algo maior! Na criação de um mercado tupiniquim: no bem comum, seus parvos!! Enquanto pensam, comprem minhas histórias em quadrinhos.
  16. Minha filosofia é: não publicar nada, falar de tudo e de todos prá caramba, viver na pindaiba e me achar a última bolachinha recheada do pacote.
  17. Eu sei como fazer – todas as respostas, tenho toda uma vida bem sucedida, olha o que eu produzi e vendi na última década – sou uma unanimidade nacional.
  18. Ah. Não quero sucesso, nem fama. Minha religião não permite. Só quero ser reconhecido por todos e vender prá caramba.
  19. Pow! Se conseguiu ser publicado no estrangeiro, por que não publicou aqui antes? Que burrice! As editoras pagam dez vezes menos aqui!
  20. Essas editoras incompetentes esperam um autor nacional ser publicado e fazer sucesso no exterior para então publicar aqui! Que estupidez! Só porque elas pagam quatro vezes menos o que gastariam para publicar o sujeito originalmente aqui, não é desculpa! Menos ainda por ter um trabalho já testado e aprovado por um mercado muito maior que o nosso!
  21. Claro que comparar vendas e aceitação de obras infantis e humorísticas com gibis de heróis, mangás etc faz todo o sentido! Eles têm todo um histórico nacional de mesma aceitação e vendas, diabos! Olha só os últimos dez, vinte anos: Turma da Mônica vende até menos que Vertigo!
  22. Até caixas de fósforo e paracetamol possuem uma forma organizada de produção – eles primeiro vendem no Brasil, para depois exportar! Por que HQ – um item muito mais essencial e de muito maior alcance do que jogos prá PC, não fazem o mesmo?
  23. Vocês são muito manés: pagam quarenta conto por um livro de quadrinhos quando poderiam pagar vinte pila pelo meu livro!
  24. Não faz sentido algum desenhar pros estangeiros! O cara ganha grana por dois, três… até cinco anos e… puff Acabou – vai virar professor de quadrinhos!!! Ele deveria era ficar aqui e não ganhar nada nunca!
  25. Esse pessoal tem que aprender a se editar, investir sua grana e produzir sua própria revista! Eu mesmo corro atrás disso há uma década. Já tenho minha própria e reconhecida editora que distribui nacionalmente minha obra e vivo muito bem disso, obrigado.
  26. Nã há mérito algum em publicar no exterior – lá aceitam tudo, tudo vende e todos ficam ricos e felizes! Não há concorrência e todos se amam.
  27. Autor nacional só segue ele mesmo – sua própria visão das coisas. Um paspalho, com certeza. Ele deveria seguir a minha visão das coisas.
  28. Não quero ser exemplo de nada, quero apenas que sigam minhas idéias. E comprem meu trabalho.
  29. Publicação impressa de HQ é tolice! Editores interessados em tolices, por favor, entrem em contato no private.
  30. Se é tão bom, por que não publicam o trabalho dele?
  31. Publicação por ‘editora’ de fanzine não tem valor nenhum! Bom mesmo são minhas revistas independentes!
  32. Publicou lá porque é amigo do editor! Onde já se viu algo que seja publicado senão por amizade???
  33. Publicou aqui? Quero ver publicar lá fora!
  34. Publicou pela editora estrangeira A? Quero ver publicar pela editora estrangeira B!
  35. Publicar lá fora é baba! Quero ver publicar aqui!
  36. Meus amiguinhos, vocês não acham aquele autor rodeado de puxa-saco, um babaca?
  37. Existe dois tipos de pessoas – as legais que curtem meu trabalho e as insuportáveis, que não sabem o que é bom.
  38. Só detono quem merece! Já viu eu falando mal de mim?
  39. Tenho tamanha capacidade de julgamento na produção de quadrinhos que, ao analisar uma obra, só falo mal do autor.
  40. Ah, sim. O trabalho dele? Não li. Mas nem se compara ao meu.
  41. Sei ser imparcial e comedido, seu puxa-saco filha da…
  42. Como assim… descontrolado? Vai tomar no…
  43. Não publico nada porque sou tão qualificado que nenhuma editora está ao meu nível. Nem os leitores estão!
  44. Abomino gente que se diz fã. Eu jamais vou ter fãs! Abomino esse tipo de pessoas ou mesmo a fama! Só quero gente que compre sempre meu trabalho.
  45. A galera delira quando detono alguém! Uma porrada de gente aplaude de pé!!! Infelizmente os que acomponham meu trabalho, é apenas um ou outro delirante.
  46. Aliás… por que todo mundo divulga as porcarias que eu falo ou escrevo e não as porcarias que eu produzo?
  47. Já consegui falar mal de todo mundo! Agora só falta conseguir todo mundo falar bem de mim!
  48. O que você já fez pelo quadrinho nacional? O que você fez? Nada! Enquanto eu, nos últimos dez anos eu já… eu… fiz! Eu fiz!
  49. Nã-nã-nã! Não me venha dar idéias que não sejam minhas. Muito menos uma que contrarie as minhas ou os meus interesses.
  50. Olha – o objetivo aqui não é publicar livros de HQ. Ao menos não um que eu não coordene, edite e participe.
  51. Claro, você pode se unir a nós para alavancar juntos nossos trabalhos – o meu e dos meus amigos. Aqueles três ali do canto.
  52. Não sou dissimulado coisa nenhuma! Claro que eu posso ser um filha da… com você e dar uma de cara legal com os outros. Normal.
  53. Vamos ser democráticos – nada de chefes! Mas aqui dentro quem manda sou eu e quem contrariar, tá fora.
  54. Não me interessa o que os outros acham! Nem me importa o que dizem! Onde já se viu dar bola prá isso dentro de um grupo?
  55. Meu, estamos em um grupo de discussão, então quando eu falo tu tem duas opções: ou ficar quieto ou cair fora. Todo mundo que tá aqui dentro concorda com isso!

Esse é um post hermético prá caramba. Talvez só quem participa de redes sociais, fóruns, grupos ou listas de discussão consiga entender… Se você nunca viu isso, sorte sua – mas é possível ter ouvido algo parecido numa conversa de bar. Se você não frequenta comunidades muito… abertas, um aviso: tenha estômago forte se quiser participar. São normalmente pessoas muito jovens que largam estas pérolas. Desvirtuam a discussão e começam uma quebra-de-braço interminável e aborrecida para convencer o outro que sua versão, digo, visão da realidade é a correta.

Vocês sabem como são os jovens, têm a síndrome de salvador: ou precisam ser seguidos ou seguir alguém.

Eu já sai da adolescência faz tempo.

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Espírito travesso

Se vos causamos enfado por sermos sombras, azado plano sugiro: é pensar que estivestes a sonhar; foi tudo mera visão no correr desta sessão. Senhoras e cavalheiros, não vos mostreis zombeteiros; se me quiserdes perdoar, melhor coisa hei de vos dar. Sou, honesto e bravo; se eu puder fugir do agravo da língua má da serpente, vereis que não minto. Liberto, assim, dos apodos, eu digo boa-noite a todos. Se a mão me derdes, agora, vamo-nos, alegre, embora.

Atualizações

Página nova da webcomic Nada a Perder.

A coisa anda lenta pros lados de cá. O tesão de fazer histórias em quadrinhos reduz a cada dia. Mas eu sabia que ia ser assim. Tudo sobre controle. Espero.

Quanto a 2008? Só me resta dizer buenas, 2009!

(Como eu queria estar na praia!)

Buenas 2009

DS diz (31.12.2008 | 23:09):
ainda estou pensando sobre o q perguntaste…
2008
diz (31.12.2008 | 23:15):

bom, ruim ou neutro?
DS
diz (31.12.2008 | 23:21):

sinceramente não sei
2008 diz (31.12.2008 | 23:22):
well, aposto q você nunca teve tantos leitores
2008
diz (31.12.2008 | 23:22):

isso é positivo
DS diz (31.12.2008 | 23:27):
é. fiz um trabalhinho – me livrei de fantasmas e até fui bem aceito. eu acho. no fim a gente sempre tem esperança, mas nunca sabe de verdade
voltei a ler quadrinhos. descobri muitas coisas… aprendi muito
DS diz (31.12.2008 | 23:27):
soube de iniciativas legais e que mesmo nelas nem sempre tudo é tão legal
estamos todos tentando… mas também não precisamos nos matar no processo…
não sei – ficou um gosto meio amargo na boca
DS diz (31.12.2008 | 23:28):
atualmente, não creio que seja possível viver de quadrinhos – mesmo a médio prazo…
2008 diz (31.12.2008 | 23:30):
é
2008 diz (31.12.2008 | 23:31):
mas ainda acho ser possível
2008 diz (31.12.2008 | 23:31):
é um quebra cabeça
DS diz (31.12.2008 | 23:33):
sonhos foram construídos e destruídos
2008 diz (31.12.2008 | 23:35):
você aprendeu muito nestes 6 meses
e no fim, isso que conta
2008 diz (31.12.2008 | 23:35):
isso que me torna bom
DS diz (31.12.2008 | 23:39):
mas no fim… não dá prá viver disso
além disso, tem muito ego de gente que nem paga é e só perde nesta politicagem
estraga a brincadeira. acho que todos perdemos com isso
e aí vem o gosto amargo
2008 diz (31.12.2008 | 23:46):
besteira. politicagem sempre vai existir. em tudo que é lugar
está reclamando porque a politicagem não beneficiou você
e
well, ninguém disse que eu seria fácil ou justo
2008 diz (31.12.2008 | 23:47):
nem que você iria conseguir ganhar a vida fazendo HQ…
DS diz (31.12.2008 | 23:48):
é. você está certo. mas foram ótimos meses, eu admito
DS diz (31.12.2008 | 23:48):
parabéns
2008 diz (31.12.2008 | 23:49):
obrigado
2008 diz (31.12.2008 | 23:52):
planos prá quando o outro chegar?
DS diz (31.12.2008 | 23:53):
Tive algumas idéias. Mas… sem muita esperança, sem muita expectativa. Uma coisa que aprendi com você é que planejamento nesta área de histórias em quadrinhos, no Brasil, é perda de tempo
2008 diz (31.12.2008 | 23:53):
:D
2008 diz (31.12.2008 | 23:57):
bom. Acho que vou nessa
DS diz (31.12.2008 | 23:57):
é. eu vi. vou sentir sua falta
2008 diz (31.12.2008 | 23:58):
estarei sempre na lembrança, DS. vc não admite, mas fui ótimo desta vez. Espero que o outro também o seja
DS diz (31.12.2008 | 23:58):
ok, ok. Obrigado
2008 diz (31.12.2008 | 23:59):
: )
2008 diz (31.12.2008 | 23:59):
hasta!
DS diz (31.12.2008 | 23:59):
adeus 2008
2009 diz (01.01.2009 | 00:01):
buenas DS!

* obrigado ao Rodrigo Soldado que, involuntariamente (e sem saber ou ser consultado), ajudou nisto tudo