Histórias em Quadrinhos • DS.art.br

Silêncio, por favor.

Velharia de ‘Sobre HQ’


Desleal

Eu particularmente me sinto mal ao pintar meus quadrinhos. É loucura minha, eu sei, eu sei.

Não adianta. Cor muda tudo. Acho meio esquisito. Com certeza a imensa maioria discorda, eu sei, eu sei.

Abrace-me

Ao menos tenho uma ou outra página minha em PB para aprender a colorir.

Ahn… esta página é a desta HQ.

Matriz • Preâmbulo

Tenho um monstro na minha frente. Ele me encara há meio ano, quieto e ameaçador como qualquer monstro realmente perigoso. Esperando pelo bote certeiro. Fatal.

Não tenho como fugir dele.

O monstro é obviamente uma história. Um conto escrito pela minha mãe, a meu pedido.

Sem entrar em detalhes, o conto usa como alicerce uma passagem da (nossa) história brasileira.

Apesar de tê-lo solicitado, não gosto de HQs que usam este artifício: história (do Brasil). Os resultados pelos quais cruzei são enfadonhos, na imensa maioria. É difícil ser imparcial. É difícil ser universal.

Quadrinhos brasileiros que li, quando utilizam fundamentos históricos, tendem a ser panfletários. Desta ideologia ou daquele grupo. Imprecisos e enganadores, apresentam-se através de um recorte parcial – de uma leitura pessoal que se deseja difundir, como se fossem o definitivo – o passado. Vestindo a intimidadora pele de aconteceu assim, é verdade, isso é história, acabam por levar seus leitores ao erro, à ignorância – que será perpetrada por estes. Esta mentira, ou no máximo uma realidade selecionada, é um perigo. Uma recrutadora de mais pequenas verdades e grandes mentiras. Pior ainda são histórias em quadrinhos didáticas – neutras e superficiais. Chatas. Tem muito disso sendo produzido no país – de olho nas licitações e compras do governo. Pobre país… o que fazemos (ou deixamos fazer) dele! Sem falar nos quadrinhos, que podem ficar estigmatizados como suporte narrativo leviano – tolo e raso, pelas novas gerações de leitores surgidos das escolas.

Outro grande perigo é o bairrismo. Ou regionalismo, para ser politicamente correto. Não me identifico com quadrinhos de cangaceiros, por exemplo. Não em sua maioria. E acredito que o pessoal do norte e nordeste não deva se identificar com os pampas gaúchos, também. Acho muito chato essas HQs pregadoras de que o país é a Amazônia ou a Caatinga. O brasileiro é cordial entre si, mas não vejo em nós uma identidade unificadora muito maior que nossa língua. Elencar uma parte do país para contar uma história em quadrinhos é se isolar do todo. De nós mesmos.

Um trabalho que considero ímpar neste sentido é Chibata! João Cândido e a Revolta que Abalou o Brasil. Claro que a história é mais urbana, mais contemporânea e isso ajuda. Mas vejo uma neutralidade invejável considerando tudo que escrevi: o livro não pesou mais para este lado (político) ou aquele. Não caiu na armadilha de ser regional (e podia muito bem ter sido). E se não fora perfeitamente preciso é porque se preocupou em contar os dramas de suas personagens. E não contar a história da história (…). É um bom modelo para se iniciar um trabalho que tem como estopim o nosso passado.

O conto está ali. Parado. Tenho medo de enfrentá-lo, pois facilmente ele me engoliria.

A vingança dos derrotados!

Marko Adjaric, do Neorama dos Quadrinhos, mandou um link prá cá – especificamente para este texto. Êba!

Curiosamente, ele associou ao link o seguinte questionamento: colocar suas HQs online piora sua sensação de derrota?

Opa. Ambíguo.

Como um bom e velho telecurso 2000, vamos pensar um pouco. Ou melhor: olhar pro passado e no que temos hoje.

Sou do tempo de fanzines impressos em xerox. Yap. Iniciozinho da década de 90. Era um saco ter um zine. Não pelo zine, mas pela comunicação entre zineiros e interessados. Você pode até não acreditar, mas não existia internet na época. Toda comunicação era muito lenta e o alcance, muito limitado. Não fosse pelo trabalho incansável de Edgard Guimarães (cuja recompensa é impossível, tamanha grandiosidade e generosidade do seu esforço) com o Informativo de Quadrinhos Independentes, acredito que sequer existiria algo.

A saber: o IQI (posteriormente QI) é um fanzine (que existe até hoje) que divulga, gratuitamente, todas as edições (fanzines ou não) recebidas – do país inteiro. Não somente de HQs, vale lembrar. Isso há mais de dez anos. Edgard é o cara entre os caras.

Bom, onde quero chegar é que, na época, um fanzine de sucesso, alcançava uma venda de 50 exemplares (para outros fanzineiros obviamente). Ou seja: seu trabalho tinha um alcance a, no máximo, 300 pessoas. Claro que fanzines, feitos em (grandes) capitais com distribuição local, poderiam alcançar números muito, mas muito, mais expressivos. Mas fora do seu gueto não ‘vendiam’ nada. Comecei com o Informativo Perry Rhodan, junto ao meu irmão Alexandre e (segundo ele) o IPR teve seu ápice com 110 assinantes. Somos do interior do Rio Grande do sul, caso não saibas. Posteriormente tive meu zine de quadrinhos e, segundo me recordo, ele nunca obteve 30 compradores. TRINTA! E era bem bom.

Bom². Com a internet tudo mudou (sério?). A tecnologia chegou e temos hoje ‘revistas independentes’ com excelente acabamento gráfico e impressão de mil exemplares ou mais. Impressionante. Certo que muitas encalham, poucas esgotam e que sua venda é lenta que nem corrida de caramujo. Mas elas existem e crescem a cada dia. Mas interessante é perceber que HQs nacionais ‘profissionais’ (publicadas por editoras que fujam da temática humor/infantil) não possuem uma tiragem com expressividade muito maior. Apesar de estarmos numa ‘explosão’ da HQ nacional, inclusive com reimpressão de títulos (será que isso aconteceu antes nos últimos vinte anos?), as vendas destes livros de quadrinhos ainda é tímida. Mas estamos muito bem, acredito. Como jamais estivemos. A HQB caminha para as livrarias e temos de dar-nos por feliz em estar conquistando um nicho. O primeiro, talvez. Espero que não o último.

Ioqueco? Bom… aonde quero chegar é que publicar HQs na rede é um excelente negócio, se parar para pensar. Seja lá qual for sua finalidade – se divertir, profissionalizar-se etc, HQ online é uma oportunidade ao alcance de todos. Mesmo que você tenha 50 acessos por dia ou mês, comparativamente, você pode até ser mais lido (e conhecido) que muito autor publicado por editora. E um alcance impensável há pouco mais de uma década. O Quarto Mundo publica, religiosamente, uma página de HQ por dia e já deve ter (um chute no escuro – eu não tenho idéia) uns 2.000 visitantes ao dia – senão o dobro disso. Muertos, depois de um ano, já rendeu por aqui mais de duzentos mil visitas, com mais de meio mihão de páginas visitadas. Ou seja: mesmo que apenas 1% sejam visitantes únicos e tenham lido o trabalho, é uma exposição excelente ao seu material. Não é à toa que sites e blogs de HQ pipocam mais e mais a cada dia. E isso é ótimo. Seja na qualidade e finalidade que for. Os ‘melhores’ (que tiverem mais sinergia com o público) se destacarão, com certeza – mas espero que todos se divirtam!

Liçãozinha do dia: webcomics são um bom começo e podem render ótimos negócios. Já que estamos em um excelente momento editorial impresso, você pode aproveitar a rede para se mostrar ao mundo. Se um dia você pretende publicar ‘oficialmente’, não há lugar melhor para experimentar e ver reações dos leitores. Ainda que incerta e cheia de perigos, a rede permite retornos específicos e mensuráveis. E o contato com possíveis/prováveis leitores é muito mais próximo, rápido e barato do que em publicações impressas.

Se você quiser, faça-o sem medo.

Paguem pelos quadrinhos nacionais!

Marcus Ramone, do Universo HQ, escreveu um texto a respeito da realidade dos quadrinhos brasileiros. Achei legal o texto. Como ele mesmo escreveu, seu artigo não ambicionou cobrir todos os pontos relativos ao tema – o que seria não impraticável, mas muito longo e demasiadamente chato.

O que, obviamente, eu adoro ser: verborrágico e inconveniente. Como (infelizmente) não tenho âmbitos de ser cool ou comercial (até porque não existe âmbito comercial nestas bandas e ser cool é muito chato) e se tem um site na internet prá escrever abobrinhas, pego minhas pedras do chão.

Interessou-me que, lendo seu texto, não fora levantado um questionamento que considero relevante: por que “o que se vê é muito, muito trabalho ruim“? A partir deste questionamento decidi escrever este ‘pequeno’ texto.

Antes de mais nada, vou expor alguns pre(con)ceitos:

  1. Este texto desconsidera obras infantis e de humor. Na prática, estas são os únicos trabalhos remunerados em nosso país (charges/cartuns, tirinhas e até quadrinhos nesta temática) – porque são os que vendem. Quem geram interesse do público leitor. Quer viver de HQ no Brasil? Beleza. É bom que seu trabalho se enquadre nessas áreas.
  2. Há sim um preconceito por parte do leitor por material brasileiro – e pertinente: ele normalmente possui qualidade questionável. Mas o leitor brasileiro de HQ não possui resistência alguma a um bom trabalho (no estilo/temática que ele está acostumado a ler), seja a nacionalidade que for. O difícil talvez seja os parcos bons trabalhos (autorais, independentes, amadores etc.) nacionais encontrarem o leitor de determinado segmento. As tiragens são irrisórias, a distribuição é uma caca. E pode ser uma ótima HQ com elfos, mas se o cara curtir super-herói, é bem provável que não vai curtir anõezinhos de jardim – e vice-versa em seus diversos estilos e temas. Some isso tudo ao preço de livros de quadrinhos, absolutamente fora da realidade brasileira, que já se percebe o tamanho do problema.
  3. As editoras são empresas. Empresas objetivam auferir lucro. É um negócio, ora bolas, não uma missão religiosa! As vendas e o mercado nacional de gibis são pequenos, muito pequenos. Está dentro do ridículo, considerando o tamanho continental de nosso país. Pegue as maiores vendas (talvez um pouco acima de vinte mil cópias), versus a quantidade de revistas (que possuem a imensa tiragem de cinco mil cópias) e verá que a média é horripilante. Livros de HQ possuem tiragem menor ainda. E vendem ainda mais lentamente. É nessa realidade que as empresas têm que pagar seus funcionários e tirar o seu. É mais negócio pagar por uma obra de fora, já aprovada em mercados estrangeiros sólidos, que geram vários contratos paralelos, do que pagar mais caro por um autor nacional (sim, é mais barato comprar trabalhos de fora) desconhecido e sem merchandising algum.
  4. O objetivo aqui é falar de obras nacionais, publicadas aqui – seja fanzine, independente, livros etc. O que tenho visto da opinião do leitor na internet é que um cara que quiser viver de quadrinhos, deve ser desenhista da Marvel, da DC, Image etc. Não um contador de histórias, utilizando como suporte a narrativa dos quadrinhos. Não. Ele deve objetivar desenhar para fora do país. “É estupidez querer ficar aqui”. E pior que está coberto de razão. O que levanta outro ponto: o leitor lê (e paga) sem preconceito material estrangeiro, mas estranha um brasileiro querer publicar… bem… no Brasil – e viver disso… em seu próprio país!!! Contar suas histórias aos seus. Incrível o (leitor) brasileiro não exigir (você leu certo) produção própria. Na verdade isso fala muito sobre o que somos, mas OK – não é o objetivo desse texto também.

Primeiramente esclareço que o ofício de quadrinhos é moroso. Muito trabalhoso, muito demorado. Não confunda com ‘apenas desenhar’. Não estou falando de fazer páginas e mais páginas de gente se enchendo de porrada ou parecendo ser gostosa para se alcançar uma cópia técnica do desenhista sensação do momento. Falo de contar histórias, bem contadas. Isso demanda tempo. Experiência. Um autor nacional, com cinco, dez anos de ‘carreira’, tem o quê? Cinquenta páginas produzidas? Talvez cem. Em quanto tempo se consegue isso num mercado consolidado e remunerado que tanto amam comparar? Um mês? Quatro meses? Por que o autor nacional tem um portfólio tão pequeno? Porque o brasileiro é vagabundo?

Todo mundo se acha um Neil Gaiman (mais a frente vou retomar esta que nossos escritores são ruins) ou aquele baita desenhista. Entretanto da concepção à produção, percebe-se que as ideias não são tão bem lapidadas: o trabalho final sempre fica aquém da expectativa inicial. Somente com o exercício interrupto que nossa criatividade se molda perto da realidade, do resultado. Senhores: isso em qualquer área da produção humana. Acontece que lá, em mercados normalmente comparados ao nosso, produzir quadrinhos é profissão. Então o jovem mancebo quadrinhista busca aperfeiçoamento para poder viver disso, vencer a concorrência, ter seu lugar ao Sol. E aí ele produz, por muito tempo, com muito tempo – isso porque sabe que pode ser recompensado por isso. Aqui, não. Nem os caras que têm editora por trás recebem algo que os sustente. Então chega um momento na vida (em nosso país pobre), que o autor tem de buscar seu sustento, seu ganha-pão para pagar as contas. E os quadrinhos ficam em segundo plano. Um hobby. Quando dá, do jeito que dá. Tenha isso em mente: quando dá, do jeito que dá. Nada de quantidade nem continuidade. E lá se vai, esgoto abaixo, a possibilidade de aprimoramento (autocrítica) e amadurecimento da produção por parte do autor. Ressalto: é hobby por falta de perspectiva, não por opção. Tem gente que não admite isso – que o que fazemos por aqui é hobby. Chegam ao ponto de afirmar que se isso fosse verdade, não faríamos sites/blogs/fotologs por diversão, mostrando nosso (duvidoso) trabalho. Bom… não é necessário ter muito mais que um neurônio para perceber que, se isso fosse verdade, não existiriam 99,99% dos blogs na internet. Ou sites pessoais de artesanato e crochê (prá citar algo que MUITA gente faz). Espaços de paixões particulares. Para quem quiser ver.

Incrível também como isso normalmente não é aceito por muitos leitores de quadrinhos: que só existe bons e contínuos trabalhos (em quantidade satisfatória), porque há mercado. Porque se paga por bons trabalhos. Se existe profissionalismo é porque… bem, se retribui por ele. Para cobrar algo você tem que pagar por isso. Em qualquer área, em qualquer profissão. Como qualquer emprego. Pense em qualquer produto/serviço que é bom. Porque ele é assim? Porque existe mercado – há grana envolvida, e assim, a competição para se conseguir a maior fatia possível dessa bufunfa. Alguns já citaram que mesmo o mercado estrangeiro teve um início difícil e tal. Mas para ter uma noção da diferença de realidades, o que se pagava há cinquenta anos, nestes trabalhos primevos lá fora, é até mais do que se paga hoje, a um autor nacional. Feia a coisa. Escrevem que quem é bom, é bom de qualquer jeito – e é fato: temos excelentes obras onde seus autores não tiveram remuneração, mas são esparsas e praticamente desconhecidas. Já toda a obra estrangeira que um leitor pôs a mão foi remunerada. Então me pergunto contra o que há a comparação, se ela não é válida?

Mas… peraí – quer dizer que todo o quadrinhista que faz alguma coisa neste país é (perdeu) prayboy? Ah, sim – escrevi errado de propósito. A resposta é simples: não. Os álbuns que atualmente têm sido publicados em nosso país têm sido um esforço inacreditável de seus criadores. Sem serem igualmente remunerados. Eu nem arrisco mensurar o que tiveram de abdicar pela sua paixão. Mas sei seu seus nomes. E os respeito. Mais até: os venero. Mas é isso: estamos destinados a poucos e desconhecidos heróis solitários. Ok – já li muito que na Europa é parecido, mas… bem… a Europa possui estabilidade financeira melhor, caso não saiba. Lá, há muito mais gente que se pode dar ao luxo disso. No Brasil, não. Repito: no Brasil, absurdamente, infelizmente, não. E aí acabam os sonhos de 99% dos jovens quadrinhistas nacionais.

Interlúdio
Aproveitando esta questão de que quadrinhistas que continuam a produzir possuem condição econômica estável…
É engraçado como no Brasil ter grana é motivo de vergonha e escárnio. Quer dizer… todos querem ter dinheiro, mas desfazem, invejam e atacam quem já o tem… somos todos muito, muito engraçados.
Fim do interlúdio

Lamentável que, com 50 anos de HQ (é mais, eu sei) sempre recorremos aos mesmos, em uma discussão. Tipo… quantas HQs são publicadas mensalmente nos EUA? Cem? Trezentas? Seiscentas revistas? Quantos artistas estão envolvidos nestas edições hoje em dia? E nas produções dos últimos… há… cinco anos? Dez? Vinte anos? Mas, bacanas que somos, recorremos às exceções daqueles cinco ou seis nomes sempre citados como brilhantes autores de quadrinhos. Com uma monstruosa e interrupta produção destas, em meio século, surgiram cinco ou dez nomes ‘indiscutíveis’. Porque então esperar do Brasil um grande roteirista se, em mercados muito maiores, mal e mal se consegue um ou outro? A produção (em quantidade) em um mês nos EUA é maior do que é publicado em dez anos, por aqui. Sinceramente não entendo.

Até escrevem por aí que Moore seria Moore mesmo sem ganhar. Bom, meus queridos Nostradamus de plantão, eu não sei se seria feito algo que merecesse destaque em nosso país, se os artistas daqui fossem remunerados. Neste texto ensaio do porquê não existir muita coisa pela qual o leitor chore de prazer ao lê-las. Mas assim como é fato que não fizemos algo que tenha parado o planeta, tudo que tenha o feito (parado o planeta, cabeção), fora criado através de (boa e contínua) remuneração. N E N H U M trabalho que você citar, fugirá disso. Se Moore seria Moore sem ser pago? Eu sei lá – isso nunca aconteceu. Se você é tão certeiro em previsões do futuro (SE isso, SE aquilo), não perca seu tempo: aposte na mega sena e seja feliz.

Resumindo – coisa que devia ter feito desde o início: não haverá uma quantidade ou continuidade de trabalhos (considerados bons?), que satisfaça a grande parcela de leitores, enquanto não houver remuneração (segura) para seus autores (nacionais). E não teremos isto porque a venda de HQs nacionais (e gibis como um todo) beiram o inacreditável, de tão pequenas. Estamos, muito provavelmente, na melhor fase de todos os tempos em publicação de obras nacionais por editoras – livros. Aproveitemos isto! Mas deve-se ter em mente que excelentes autores nacionais (publicados por por editora) têm tiragem de mil a três mil exemplares e… encalham! Para termos bons trabalhos, ficamos na dependência de quadrinhistas em condição financeira favorável (ou tempo disponível), qualificação artística eficiente e uma paixão ardente. Complicado. Raro. E isso não se limita a quadrinhos e sim a boa parcela de áreas e profissões por aqui – mas especialmente aquelas ligadas à cultura e entretenimento. Apenas um reflexo da pobreza de nosso país.

Mas o panorama é favorável (como nunca foi antes) e espero que frutifique cada vez mais com trabalhos ainda melhores. Se vai colar? Prá onde vamos? Não tenho nenhuma ideia.  Sou apenas um mané que trabalha. Não com quadrinhos, obviamente. Isso porque HQ não paga as minhas contas vencidas.

Lamentavelmente.

Mas curto fazer meus quadrinhos lá de vez em quando e colocá-los na web.

Felizmente.

Prá que e prá quem?

Escrevo sobre um objetivo complexo quando se fala de quadrinhos no Brasil. Em nosso amado país salve salve não há para onde ir. Não há onde publicar e muito obter sustento disso. Até onde sei, nas últimas décadas, todos os autores que obtiveram algum destaque, possuiam alguma fonte que os permitiam trabalhar a finco em seus álbuns. Que paixão! Acho que se eu tivesse grana, ficava só enchendo a cara e não fazia nada.

De volta. Destinado a mero passatempo (não por que se quer, mas é pelo que se pode), os quadrinhos amadores dificilmente passarão disto. É uma área que exige muito, muito esforço, horas de vôo. Continuamente. Competir sua atenção com o ganha-pão é, obviamente, infrutífero. Ou contraproducente, tornando o crescimento lento, cheio de perigos e desistências. Dizer que se deve viver a arte é coisa prá quem não tem contas atrasadas – ou de hipócritas mesmo.

Todavia, ao colocarmos nossos trabalhos na web, queremos atenção (como qualquer blog sobre qualquer assunto na internet – o nosso, no caso, é HQ). Esse interesse em ser lido, perigosamente, pode tomar um crescente e acaba por trazer questionamentos ao seu autor. O que fazer. Como. Prá onde. Parece ser fácil responder, mas na prática é impossível. Como não envolve dinheiro, não existe um parâmetro confiável de ‘onde acertou’, ou quanto. Pode ter as ferramentas de estatísticas que for (e eu as tenho), você nunca sabe de fato o quanto foi… bem, lido. E aceito.

Com o passar das estações, você percebe que mesmo tendo ultrapassado milhares de visitantes, você não sabe qual a receptividade do seu trabalho. Não havendo retorno financeiro, é inevitável que você deixe de se importar com ela. O caminho amador é belíssimo, mas suicida quando não há pr’aonde ir. E é tolice esperar outra coisa – no planeta inteiro, apenas dois países e meio (o meio é a França, sempre a França coitada…) conseguem gerar interesse suficiente a ponto de sustentar seus artistas de quadrinhos. Quem mandou se apaixonar por uma hidra? Então tudo se torna intimista, dentro da satisfação pessoal. Perigoso. Quando der. O que der. Da forma que interessa a cada autor.

Aperfeiçoar-se?

Menos do mesmo

A vida anda meio estranha e o tempo escasso. Nem comento da minha paciência. Por isso a bagaça anda abandonada por aqui. Mas minha vontade de contar histórias (em quadrinhos) continua alta. Ao contrário de ficar chorando as pitangas, estou buscando alternativas para continuar… narrando visualmente. O jeito era desenhar mais rápido… ou desenhar menos. Optei por rascunhar alguns quadrinhos com o mínimo de recursos ‘ilustrativos’ (entenda-se linhas) possíveis… mas ficou… tosco. Solução?

Cor.

Eu sempre colori uma ou outra página das histórias em quadrinhos que ajudei a produzir. Mas nunca me agradei do resultado, então nunca os postei. É difícl eu me agradar. Não me refiro aos outros. A mim mesmo. Mas admito que a cor dá um charme todo especial à criança. Ela, a cor, salva muitos trabalhos ruins (como os meus). Um exemplo do que falo está abaixo – testes com Nada a Perder que nunca passaram disso: testes.

Abaixo outra experimentação, utilizando o mínimo de risquinhos. E apelando para que a colorização me salvasse. Não salvou. Então fui prá outro estilo. Você pode verificar o resultado que adotei presta nova HQ – Um Imbecil Decididoassinando os feeds, se você se interessar em acompanhá-la.

E viva o Photoshop.

Eu não sei desenhar!

História. Em quadrinhos. Como se pode ver você não precisa ser um grande ilustrador para narrar algo usando esta linguagem. Mesmo quem não sabe desenhar pode alcançar resultados interessantes. Pode até virar um ‘indie’ cultuado. Que diabos é indie? Se eu consigo, você também consegue. É só se esforçar.

O problema maior é ter saco e tempo, mesmo. Coisas que andam em falta prá mim, admito.

Mais fácil é falar. Ou escrever, no caso.

Infelizmente, para todos nós, fazer é o que conta.

Trófeu HQ Mix 2009

Caraca. Uma boa notícia a todo aquele fanzineiro que não mora em capital nem possui um networking digno de nota. Apesar do zé mané aqui não conhecer ninguém e morar no raio que o parta, 20 quilômetros depois que Judas perdeu as botas, estou na lista indicada do Troféu HQ Mix deste ano. Publicação Independente Especial. Quem diria que eu e meu irmão iríamos tão longe. Se nós conseguimos, com certeza, você fará melhor. Nunca desista. Nunca se renda.

Boa sorte a todos nós (se nós levarmos, prometo nunca mais mentir na minha vida) e parabéns aos vencedores. Segue a lista de pré-indicados (os quais não há obrigatoriedade de voto – vale ressaltar).

Desenhista Nacional

Desenhista Estrangeiro

Roteirista Nacional

Roteirista Estrangeiro

  • Alan Moore (“Promethea” – Pixel)
  • Ai Yazawa (“Nana” – JBC)
  • Brian Wood (“DMZ” – Panini; “Local” – Devir)
  • Charles Burns (“Black Hole” – Conrad)
  • David B. (“Epiléptico” – Conrad)
  • Geoff Johns (“Lanterna Verde”; “JSA” – Panini)
  • Grant Morrison (“Grandes Astros Superman” – Panini)

Desenhista Revelação

Roteirista Revelação


Ilustrador Nacional

Tira Nacional

Web Quadrinhos

Publicação Infanto-Juvenil

Publicação de Clássico

Publicação de Humor

Publicação Mix

Publicação Erótica

Publicação de Aventura/Terror/ Ficção

Edição Especial Nacional

Edição Especial Estrangeira

Publicação Independente de Autor

Publicação Independente de Grupo

Publicação Independente Especial

Publicação de Tiras

Publicação de Charges

Publicação de Cartuns

Livro Teórico

Projeto Editorial

Adaptação para Outro Veículo

  • Aline (tevê)
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas (cinema)
  • O Caderno da Morte – Death Note (teatro)
  • A Noite dos Palhaços Mudos (teatro)
  • Homem de Ferro (cinema)
  • Persépolis (cinema)
  • Hellboy II – O Exército Dourado (cinema)

Adaptação para os Quadrinhos

Mídia sobre Quadrinhos

Editora do ano

E se não levar, paro de fazer quadrinhos. Huehuehue.

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

CBR

Há muito eu tô devendo essa.

Minhas HQs estão disponíveis para download no formato CBR. Em cada página correspondente há o link prá (adoro prá – com acento) baixar a história em quadrinhos pro seu computador.

O leitor de arquivos CBR é o CD Display – aqui você consegue ele.

Muita gente falou, sugeriu e me escreveu para que eu fizesse isso. Agora foi. Agradeço a todos pelo apoio.

Hora de voltar para o limbo.

Sim, eu quero comprar seu trabalho!

Ok.

Na última semana tenho feito um pedido aqui e outro lá, das minhas queridas revistas independentes, fanzines, gibis autorais etc etc etc. Mas admito que é necessário paciência e querer MUITO isso, porque dá trabalho!

Como é difícil comprar no Brasil!

Tenho conta no Banco do Brasil (ô propaganda!) e internet banking – o que puder pagar e comprar pela rede, eu faço. Quando o autor/vendedor/editor não possui conta no BB… xi, marquinhos… sou muito preguiçoso, não nego.

Dou preferência a comprar na Bodega do Leo (casa nova, hein sr. Santana? Ficou bacana!) simplesmemente por que ele tem BB. Pago até mais caro só para não ter que me deslocar até um banco (físico).

Quer vender sua publicação? Beleza! Eu quero comprar (o que me gusta em minhas preferências pessoais, of course)! Acho que muita gente como eu também quer comprar edições que vêem (esse circunflexo não caiu?) por aí, mas desistem pois o processo é complicado e penoso – faz o pedido, recebe a conta prá depósito, vai no banco, manda comprovante por e-mail puf, puf, puf. Fiz isso trocentas vezes ano passado e já não acho mais graça na brincadeira. Também sofri muito com desistência de pedidos quando vendi Muertos e compreendo porquê (e esse circunflexo, não caiu também?): o cara quer pagar pelo seu trabalho e você ainda por cima dá um cansaço no loco? Errado com certeza. Se você está lendo isso aqui e quer vender seu trabalho, existem formas de venda mais… digitais, as quais qualquer um pode ter acesso. Vou usá-las se/quando editar meu próximo fanzine.

Uma boa pedida é o PagSeguro, do UOL (ô propaganda²! Vou querer comissão, UOL – não tá a fim de patrocinar meu site?). Mesmo com as taxas, vale a pena o cara dar opção de pagamento ao leitor.

Lembrem-se: somos leitores e queremos pagar. Mas não queremos suar a camiseta prá isso.