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Daniel Pereira dos Santos


Penitente #1

Penitente #01 | 2007 | 20 páginas | 17cm x 26cm | capa e miolo coloridos

Recebi a revista independente do Penitente (adoro esta rima) que comprei no Bodega – uma loja de quadrinhos independentes, que muito provavelmente só vende gibis de vocês-sabe-quem. Meu amigo… o que dizer do Penitente? Eu tenho muitas, muitas, muuuuuuuuuuuuuitas ressalvas sobre histórias em quadrinhos de super-heróis. Não de heróis brasileiros – de super-heróis de qualquer nacionalidade. Já disse que tenho MUITAS ressalvas? Pois bem.

Penitente vale a pena ser comprada e lida. São duas histórias na revista. O editor-autor-fazedor-de-cafezinho da revista teve um cuidado exemplar na edição. Com direito a introdução, meiquinhófe, apresentação do processo de criação e por fim uma contracapa vendedora. Preocupação com detalhes. Este é um dos fatores do sucesso de um trabalho – divulgação e distribuição são outros.

As histórias são simples e eficientes. Os desenhos são competentes e a colorização está de acordo. Tem uma boa impressão e achei muito adequado o formato e o papel escolhido – lembrou muito as edições da Cedibra da década de 80 (Badger – acho que era o nome). Não conheço muito o mercado de heróis hoje em dia, mas não creio que tenha mudado vertiginosamente em relação ao meu tempo – os desenhos e qualidade de impressão devem ter ido as alturas (assim como o preço), mas não devem ter havido maiores mudanças que isto. Achei que Penitente não deve a nenhum “número um” de qualquer HQ de heróis – seja a nacionalidade ou editora que for. Mesmo as grandes.

O Junior (um cara que trabalha ao meu lado e passa o dia inteiro lendo webcomics e, egoísta como só ele, não me passa um linkezinho) disse que era igual a Spawn (como se escreve isso?). O próprio autor comenta sobre isso. Tenho a Spawn #1 (e só a #1) e – após ler Penitente, apesar do mote ser paralelo, percebe-se claramente as diferenças. Mas só nas histórias seguintes que veremos para onde o escritor/argumentisa vai enveredar. Gostei da idéia do orar pela alma do cara. Vamos ver.

O que vejo de complicado é a continuidade. Este tipo de gibi tem que ter sequência e regularidade. Todo mês edição nova e de fácil acesso ao leitor. O que acredito ser impossível sendo independente e tendo que ter outro trabalho para pagar as contas no final do mês. Uma pena. Parabéns ao Lobo, porque me conquistou e vou comprar a #2, quando sair.

Muitos dos fanzineiros, que fizeram fanzines, e hoje gostam de se chamar independentes, fizeram quadrinhos de heróis. Eu mesmo me encaixo no perfil. Vejo em Penitente um excelente começo que, fosse jovem, gostaria de fazer parte – pois na revista nota-se claramente o vigor juvenil e a força da personagem. É o tipo de projeto que escreveria pro autor dizendo “sou desenhista e queria desenhar uma HQ do Penitente”.

Gostaria de ser jovem novamente.