Nada a Perder
Estava lá eu, num belo dia, angustiado por qual próxima HQ começar.
Sei que queria testar novos estilos, voltar as linhas e aos cenários que o alto contraste das histórias em quadrinhos 10 Centavos e Muertos não me permitiam. Queria também me livrar daquela diagramaçãozinha quadradinha e certinha destes dois trabalhos.
Pensei em engatar um novo projeto do tamanho da webcomic Muertos, mas sinceramente não me deu tesão. 40 páginas de HQ online? Blérgh.
Fui em busca de algo menor. Medo. A gente nunca sabe o que pode acontecer numa situação destas. Já escrevi bastante sobre isso. Implorava uma coisa: que o texto já estivesse pronto. Vá que eu não terminasse o projeto, o argumentista (roteirista?) não me mataria por isso. Um escritor (ok, escritor) mandou prontamente o roteiro de uma HQ de oito páginas – o sr. A. Moraes.
Era um argumento/roteiro, daqueles com descrição quadro-a-quadro, que eu tenho pânico de fazer (sempre disse que eu era um beócio com graves limitações).
Exigências dele? Que eu o adaptasse da forma que eu quisesse. Sem restrições. Que tornasse estes quadrinhos tão meus quanto dele. “Arte seqüencial é colaboração”. Palavras dele. O que mais? Nada. Nenhuma observação. Nadica. Aliás, uma: que eu me sentisse à vontade para quaisquer experimentações – e era justamente o que eu buscava.
Assim é muito fácil trabalhar com alguém. Sem exigências, sem promessas. Mantendo a expectativa dentro de nossas realidades. Assim temos todos muito a ganhar.
Ou mesmo nada a perder.













