Prá que e prá quem?
Escrevo sobre um objetivo complexo quando se fala de quadrinhos no Brasil. Em nosso amado país salve salve não há para onde ir. Não há onde publicar e muito obter sustento disso. Até onde sei, nas últimas décadas, todos os autores que obtiveram algum destaque, possuiam alguma fonte que os permitiam trabalhar a finco em seus álbuns. Que paixão! Acho que se eu tivesse grana, ficava só enchendo a cara e não fazia nada.
De volta. Destinado a mero passatempo (não por que se quer, mas é pelo que se pode), os quadrinhos amadores dificilmente passarão disto. É uma área que exige muito, muito esforço, horas de vôo. Continuamente. Competir sua atenção com o ganha-pão é, obviamente, infrutífero. Ou contraproducente, tornando o crescimento lento, cheio de perigos e desistências. Dizer que se deve viver a arte é coisa prá quem não tem contas atrasadas – ou de hipócritas mesmo.
Todavia, ao colocarmos nossos trabalhos na web, queremos atenção (como qualquer blog sobre qualquer assunto na internet – o nosso, no caso, é HQ). Esse interesse em ser lido, perigosamente, pode tomar um crescente e acaba por trazer questionamentos ao seu autor. O que fazer. Como. Prá onde. Parece ser fácil responder, mas na prática é impossível. Como não envolve dinheiro, não existe um parâmetro confiável de ‘onde acertou’, ou quanto. Pode ter as ferramentas de estatísticas que for (e eu as tenho), você nunca sabe de fato o quanto foi… bem, lido. E aceito.
Com o passar das estações, você percebe que mesmo tendo ultrapassado milhares de visitantes, você não sabe qual a receptividade do seu trabalho. Não havendo retorno financeiro, é inevitável que você deixe de se importar com ela. O caminho amador é belíssimo, mas suicida quando não há pr’aonde ir. E é tolice esperar outra coisa – no planeta inteiro, apenas dois países e meio (o meio é a França, sempre a França coitada…) conseguem gerar interesse suficiente a ponto de sustentar seus artistas de quadrinhos. Quem mandou se apaixonar por uma hidra? Então tudo se torna intimista, dentro da satisfação pessoal. Perigoso. Quando der. O que der. Da forma que interessa a cada autor.
Aperfeiçoar-se?













