Ao fazer histórias em quadrinhos…
eu sempre recordo de coisas que aprendi nestes anos. Seguem as coisas:
- Ninguém te obriga a fazer HQs.
- Não, você não terá o carro do ano nem beberá aquele bom uísque fazendo histórias em quadrinhos.
- Ninguém vira um gênio dos quadrinhos com apenas uma obra (a mídia e a crítica pode até dizer o contrário – mas dá meia década prá ver se o cara é lembrado).
- A única forma que conheço para aprender a fazer quadrinhos, é fazendo quadrinhos. E muitos.
- Cursos, técnicas e materiais não farão de você um grande quadrinhista.
- Ninguém consegue viver de quadrinhos no Brasil (feitos e publicados aqui). Ok, não me venham com a exceção – ela deve existir para confirmar a regra.
- Poucos vivem de HQ por mais que uns poucos anos (no mundo inteiro).
- Podem haver vários motivos para as HQs (produzidas e vendidas) no Brasil não frutificarem, mas na minha lista não constam nem editores nem leitores. Ou – se constarem, devem ter um peso mínimo ou perto do zero.
- Na verdade eu considero os maiores culpados os próprios autores.
- Não, não vou justificar este último ponto.
- As editoras não são o demônio, apenas querem o maior lucro possível com o menor custo alcançável. Como toda empresa que têm de pagar seus funcionários do próprio bolso. Em qualquer área.
- Ninguém é obrigado a gostar do seu trabalho.
- Nem as editoras, nem a crítica, nem os leitores são obrigados a falar (bem ou mal) de você. A única forma de ganhar (e manter) seu espaço é pelo seu trabalho. Não importa o que você fala ou pensa.
- Ninguém é obrigado a comprar seus fanzines/edições independentes/revistas.
- Os leitores compram o que gostam, o que consideram bom (nos seus mais diversos e subjetivos valores de “bom”).
- Ok. A distribuição/distribuídores no país é um baita pepino.
- O mercado de HQs existe – pode ser pequeno, mas ao olhar uma banca qualquer, os quadrinhos estão lá.
- Poucos trabalhos são tão demorados, complexos e desgastantes quanto fazer uma história em quadrinhos.
- Vá fazer medicina ou direito. E tenha o carro do ano e aquele bom uísque que você gosta.
- O desenho pode ser o corpo de uma HQ. E ele deve ser atraente para a proposta que se escolhe. O primeiro olhar que gera o interesse é o corpo. Mas antes de quadrinhos é história. E a história é a alma de uma HQ. E, na maioria das vezes, amamos e lembramos por toda uma vida da alma, não do corpo. Ok, adolescentes, esqueçam o que eu disse.
Ao recordar todos estes meus estimulantes (pre)conceitos, deixo o lápis de lado e vou ver TV, estudar, ler um livro. Qualquer coisa. Menos desenhar.
Ninguém me obriga a desenhar quadrinhos.













