Eu nunca mais falo nada na minha vida. Tá bom, é mentira. Mas com certeza não falo mais coisas do tipo “este é o melhor” ou “foi o melhor” sobre o quadrinho nacional – ‘ainda’ que de HQs independentes. Somente nas últimas semanas tenho recebido materiais impresssionantes que desconhecia – ou conhecia apenas de nome. Como Avenida, Penitente, Schem ha-Mephorash, Alexandria, Quadrinhópole, Cão… sem falar nos que já conhecia, como o Prismarte e o Café Espacial.
Lendo estas edições você encontra obras fantásticas, histórias em quadrinhos de primeiro gabarito e que – lamentavelmente, não são divulgadas ou reconhecidas na mídia como verdadeira expressão cultural que representam. Cultura nossa. Brasileira.
Cheguei a conclusão que não conheço nada do mercado que – infimamente, participo. Penso nestas premiações como o Ângelo Agostini ou mesmo o HQ Mix. Pergunto como selecionam alguém… têm os tão falados mil e duzentos votantes do HQ Mix as obras que citei há pouco? Apenas estas oito revistas que entre as dezenas (centenas?) de obras sugeridas em sua lista? Difícil, considerando as tiragens destas edições e onde o que mais ouço falar de seus editores ou é encalhe ou uma venda muito pequena e demorada. E o Ângelo Agostini, que possui votação aberta? Como escolhem? Pelo nome que lembram, independente da obra referida? Tantos trabalhos valiosos perdidos, esquecidos, nunca conhecidos. Quem não é visto não é lembrado, amigo. Mas a culpa é minha também. E sua.
Quantas revistas compraste? Quantos gibis leu? Às vezes me parece que o mundo independente (fanzines estão aqui também) é um grupo de pessoas gritando: LEIAM MINHA PRODUÇÃO! Mas não lêem a dos outros. Neste famigerado espaço virtual não tenho os milhões de acessos de um Bigorna.net, mas neste último mês são visitas suficientes (e eu agradeço sinceramente a todos vocês, por isso) para esgotar as cópias de boa parte das edições que falei acima.
Agora fica a pergunta: se os editores, escritores e desenhistas não compram a produção do vizinho – e falo em comprar não me vem com escambo, como esperam que o “apenas leitor” compre a deles? Como criar um mercado se não há compra e venda? Viver de HQ como? A mesada dos pais acaba um dia e você não vive de luz solar, amigo. Sei que boa parte compra. Mas será esta boa parte a maioria? Duvido! E sem desculpas. Se há desculpas prá quem produz, imagina a dos que ‘apenas lêem’ – que é o objetivo de toda esta brincadeira.
Se estiver vivo no próximo Ângelo Agostini, vou estar preparado para meu voto. Não por ter uma opinião importante ou que deva ser considerada, mas porque espero ter um bom conhecimento sobre o que foi lançado neste ano. Não vou votar porque é meu amigo nem porque lembro o nome do cara e aquele outro trabalho era legal. Vou votar porque comprei e li o que foi produzido. Acho que você deveria fazer o mesmo.
PS – pelamordemeusfilinhos, eu tenho que aprender a:
- escrever ;
- escrever menos;
- escrever menos besteira;