Paguem pelos quadrinhos nacionais!
Marcus Ramone, do Universo HQ, escreveu um texto a respeito da realidade dos quadrinhos brasileiros. Achei legal o texto. Como ele mesmo escreveu, seu artigo não ambicionou cobrir todos os pontos relativos ao tema – o que seria não impraticável, mas muito longo e demasiadamente chato.
O que, obviamente, eu adoro ser: verborrágico e inconveniente. Como (infelizmente) não tenho âmbitos de ser cool ou comercial (até porque não existe âmbito comercial nestas bandas e ser cool é muito chato) e se tem um site na internet prá escrever abobrinhas, pego minhas pedras do chão.
Interessou-me que, lendo seu texto, não fora levantado um questionamento que considero relevante: por que “o que se vê é muito, muito trabalho ruim“? A partir deste questionamento decidi escrever este ‘pequeno’ texto.
Antes de mais nada, vou expor alguns pre(con)ceitos:
- Este texto desconsidera obras infantis e de humor. Na prática, estas são os únicos trabalhos remunerados em nosso país (charges/cartuns, tirinhas e até quadrinhos nesta temática) – porque são os que vendem. Quem geram interesse do público leitor. Quer viver de HQ no Brasil? Beleza. É bom que seu trabalho se enquadre nessas áreas.
- Há sim um preconceito por parte do leitor por material brasileiro – e pertinente: ele normalmente possui qualidade questionável. Mas o leitor brasileiro de HQ não possui resistência alguma a um bom trabalho (no estilo/temática que ele está acostumado a ler), seja a nacionalidade que for. O difícil talvez seja os parcos bons trabalhos (autorais, independentes, amadores etc.) nacionais encontrarem o leitor de determinado segmento. As tiragens são irrisórias, a distribuição é uma caca. E pode ser uma ótima HQ com elfos, mas se o cara curtir super-herói, é bem provável que não vai curtir anõezinhos de jardim – e vice-versa em seus diversos estilos e temas. Some isso tudo ao preço de livros de quadrinhos, absolutamente fora da realidade brasileira, que já se percebe o tamanho do problema.
- As editoras são empresas. Empresas objetivam auferir lucro. É um negócio, ora bolas, não uma missão religiosa! As vendas e o mercado nacional de gibis são pequenos, muito pequenos. Está dentro do ridículo, considerando o tamanho continental de nosso país. Pegue as maiores vendas (talvez um pouco acima de vinte mil cópias), versus a quantidade de revistas (que possuem a imensa tiragem de cinco mil cópias) e verá que a média é horripilante. Livros de HQ possuem tiragem menor ainda. E vendem ainda mais lentamente. É nessa realidade que as empresas têm que pagar seus funcionários e tirar o seu. É mais negócio pagar por uma obra de fora, já aprovada em mercados estrangeiros sólidos, que geram vários contratos paralelos, do que pagar mais caro por um autor nacional (sim, é mais barato comprar trabalhos de fora) desconhecido e sem merchandising algum.
- O objetivo aqui é falar de obras nacionais, publicadas aqui – seja fanzine, independente, livros etc. O que tenho visto da opinião do leitor na internet é que um cara que quiser viver de quadrinhos, deve ser desenhista da Marvel, da DC, Image etc. Não um contador de histórias, utilizando como suporte a narrativa dos quadrinhos. Não. Ele deve objetivar desenhar para fora do país. “É estupidez querer ficar aqui”. E pior que está coberto de razão. O que levanta outro ponto: o leitor lê (e paga) sem preconceito material estrangeiro, mas estranha um brasileiro querer publicar… bem… no Brasil – e viver disso… em seu próprio país!!! Contar suas histórias aos seus. Incrível o (leitor) brasileiro não exigir (você leu certo) produção própria. Na verdade isso fala muito sobre o que somos, mas OK – não é o objetivo desse texto também.
Primeiramente esclareço que o ofício de quadrinhos é moroso. Muito trabalhoso, muito demorado. Não confunda com ‘apenas desenhar’. Não estou falando de fazer páginas e mais páginas de gente se enchendo de porrada ou parecendo ser gostosa para se alcançar uma cópia técnica do desenhista sensação do momento. Falo de contar histórias, bem contadas. Isso demanda tempo. Experiência. Um autor nacional, com cinco, dez anos de ‘carreira’, tem o quê? Cinquenta páginas produzidas? Talvez cem. Em quanto tempo se consegue isso num mercado consolidado e remunerado que tanto amam comparar? Um mês? Quatro meses? Por que o autor nacional tem um portfólio tão pequeno? Porque o brasileiro é vagabundo?
Todo mundo se acha um Neil Gaiman (mais a frente vou retomar esta que nossos escritores são ruins) ou aquele baita desenhista. Entretanto da concepção à produção, percebe-se que as ideias não são tão bem lapidadas: o trabalho final sempre fica aquém da expectativa inicial. Somente com o exercício interrupto que nossa criatividade se molda perto da realidade, do resultado. Senhores: isso em qualquer área da produção humana. Acontece que lá, em mercados normalmente comparados ao nosso, produzir quadrinhos é profissão. Então o jovem mancebo quadrinhista busca aperfeiçoamento para poder viver disso, vencer a concorrência, ter seu lugar ao Sol. E aí ele produz, por muito tempo, com muito tempo – isso porque sabe que pode ser recompensado por isso. Aqui, não. Nem os caras que têm editora por trás recebem algo que os sustente. Então chega um momento na vida (em nosso país pobre), que o autor tem de buscar seu sustento, seu ganha-pão para pagar as contas. E os quadrinhos ficam em segundo plano. Um hobby. Quando dá, do jeito que dá. Tenha isso em mente: quando dá, do jeito que dá. Nada de quantidade nem continuidade. E lá se vai, esgoto abaixo, a possibilidade de aprimoramento (autocrítica) e amadurecimento da produção por parte do autor. Ressalto: é hobby por falta de perspectiva, não por opção. Tem gente que não admite isso – que o que fazemos por aqui é hobby. Chegam ao ponto de afirmar que se isso fosse verdade, não faríamos sites/blogs/fotologs por diversão, mostrando nosso (duvidoso) trabalho. Bom… não é necessário ter muito mais que um neurônio para perceber que, se isso fosse verdade, não existiriam 99,99% dos blogs na internet. Ou sites pessoais de artesanato e crochê (prá citar algo que MUITA gente faz). Espaços de paixões particulares. Para quem quiser ver.
Incrível também como isso normalmente não é aceito por muitos leitores de quadrinhos: que só existe bons e contínuos trabalhos (em quantidade satisfatória), porque há mercado. Porque se paga por bons trabalhos. Se existe profissionalismo é porque… bem, se retribui por ele. Para cobrar algo você tem que pagar por isso. Em qualquer área, em qualquer profissão. Como qualquer emprego. Pense em qualquer produto/serviço que é bom. Porque ele é assim? Porque existe mercado – há grana envolvida, e assim, a competição para se conseguir a maior fatia possível dessa bufunfa. Alguns já citaram que mesmo o mercado estrangeiro teve um início difícil e tal. Mas para ter uma noção da diferença de realidades, o que se pagava há cinquenta anos, nestes trabalhos primevos lá fora, é até mais do que se paga hoje, a um autor nacional. Feia a coisa. Escrevem que quem é bom, é bom de qualquer jeito – e é fato: temos excelentes obras onde seus autores não tiveram remuneração, mas são esparsas e praticamente desconhecidas. Já toda a obra estrangeira que um leitor pôs a mão foi remunerada. Então me pergunto contra o que há a comparação, se ela não é válida?
Mas… peraí – quer dizer que todo o quadrinhista que faz alguma coisa neste país é (perdeu) prayboy? Ah, sim – escrevi errado de propósito. A resposta é simples: não. Os álbuns que atualmente têm sido publicados em nosso país têm sido um esforço inacreditável de seus criadores. Sem serem igualmente remunerados. Eu nem arrisco mensurar o que tiveram de abdicar pela sua paixão. Mas sei seu seus nomes. E os respeito. Mais até: os venero. Mas é isso: estamos destinados a poucos e desconhecidos heróis solitários. Ok – já li muito que na Europa é parecido, mas… bem… a Europa possui estabilidade financeira melhor, caso não saiba. Lá, há muito mais gente que se pode dar ao luxo disso. No Brasil, não. Repito: no Brasil, absurdamente, infelizmente, não. E aí acabam os sonhos de 99% dos jovens quadrinhistas nacionais.
Interlúdio
Aproveitando esta questão de que quadrinhistas que continuam a produzir possuem condição econômica estável…
É engraçado como no Brasil ter grana é motivo de vergonha e escárnio. Quer dizer… todos querem ter dinheiro, mas desfazem, invejam e atacam quem já o tem… somos todos muito, muito engraçados.
Fim do interlúdio
Lamentável que, com 50 anos de HQ (é mais, eu sei) sempre recorremos aos mesmos, em uma discussão. Tipo… quantas HQs são publicadas mensalmente nos EUA? Cem? Trezentas? Seiscentas revistas? Quantos artistas estão envolvidos nestas edições hoje em dia? E nas produções dos últimos… há… cinco anos? Dez? Vinte anos? Mas, bacanas que somos, recorremos às exceções daqueles cinco ou seis nomes sempre citados como brilhantes autores de quadrinhos. Com uma monstruosa e interrupta produção destas, em meio século, surgiram cinco ou dez nomes ‘indiscutíveis’. Porque então esperar do Brasil um grande roteirista se, em mercados muito maiores, mal e mal se consegue um ou outro? A produção (em quantidade) em um mês nos EUA é maior do que é publicado em dez anos, por aqui. Sinceramente não entendo.
Até escrevem por aí que Moore seria Moore mesmo sem ganhar. Bom, meus queridos Nostradamus de plantão, eu não sei se seria feito algo que merecesse destaque em nosso país, se os artistas daqui fossem remunerados. Neste texto ensaio do porquê não existir muita coisa pela qual o leitor chore de prazer ao lê-las. Mas assim como é fato que não fizemos algo que tenha parado o planeta, tudo que tenha o feito (parado o planeta, cabeção), fora criado através de (boa e contínua) remuneração. N E N H U M trabalho que você citar, fugirá disso. Se Moore seria Moore sem ser pago? Eu sei lá – isso nunca aconteceu. Se você é tão certeiro em previsões do futuro (SE isso, SE aquilo), não perca seu tempo: aposte na mega sena e seja feliz.
Resumindo – coisa que devia ter feito desde o início: não haverá uma quantidade ou continuidade de trabalhos (considerados bons?), que satisfaça a grande parcela de leitores, enquanto não houver remuneração (segura) para seus autores (nacionais). E não teremos isto porque a venda de HQs nacionais (e gibis como um todo) beiram o inacreditável, de tão pequenas. Estamos, muito provavelmente, na melhor fase de todos os tempos em publicação de obras nacionais por editoras – livros. Aproveitemos isto! Mas deve-se ter em mente que excelentes autores nacionais (publicados por por editora) têm tiragem de mil a três mil exemplares e… encalham! Para termos bons trabalhos, ficamos na dependência de quadrinhistas em condição financeira favorável (ou tempo disponível), qualificação artística eficiente e uma paixão ardente. Complicado. Raro. E isso não se limita a quadrinhos e sim a boa parcela de áreas e profissões por aqui – mas especialmente aquelas ligadas à cultura e entretenimento. Apenas um reflexo da pobreza de nosso país.
Mas o panorama é favorável (como nunca foi antes) e espero que frutifique cada vez mais com trabalhos ainda melhores. Se vai colar? Prá onde vamos? Não tenho nenhuma ideia. Sou apenas um mané que trabalha. Não com quadrinhos, obviamente. Isso porque HQ não paga as minhas contas vencidas.
Lamentavelmente.
Mas curto fazer meus quadrinhos lá de vez em quando e colocá-los na web.
Felizmente.
Buscas
- Me Morte e Rafael Pereira atrás de antídotos em seu Cotidiano Alternativo.
- Marcelo Lima e Fabiano Gummo enfileram A Marcha da Maconha. (Mas aqui tá melhor de ler)
- A. Moraes procura desenhista.
- Detetive Miguel Matoso na caça de um assassino. Seis. Impressionante trabalho de Bruno Bispo e Victor Freundt.
- Marco estava sorrindo.
- HQs online do Leão Negro.
- O excelente Necronauta vai ter uma edição online pela OI Quadrinhos, segundo o Danilo badmothafucka Beiruth. Atualmente já tem por lá Charges & Tiras de J. Belo Jr, Fausto Delfim de Guilherme de Sousa e Daniel Dias, Ação e Reação de Marcelo Santarem da Silva e Allan Alex (bei – era fã desse cara – tava sumido) e O Investigador de Carlos Felipe Figueiras e Rodrigo Martins (nosso chapa, o Soldado).
- HQs que eu criaria se soubesse desenhar.
- PDF Comics.
- Uma edição conjunta, com vários profissionais, tem mais força e sai mais barato que esforços independentes.
- 10 anos preso num pesadelo. + uma da Candyland por Olavo Rocha e Guilherme Caldas.
- Gus Moraes nos mostra a geração que jamais crescerá – ou como vencer a infância em doze passos.
- O sr. Okada rules. Surrou ao fazer suas versões da Luluzinha (aqui, aqui e aqui). Trouxe a Mônica para nossa realidade. Agora é a vez do velho Tio Patinhas. (achei que faltou um pouco de Scrooge, but that’s ok).
Quadrinhos brasileiros
- O Brasil é o país do Carnaval. Eu acho. Da revista Samba, com certeza.
- Incrível o trabalho de Rodrigo dMart e Indio San – Um Outro Pastoreio. Tá com lançamento confirmado pela Conrad. Quando Everson Nazari ficar rico e famoso com quadrinhos vou dizer que era colega de universidade dele. Mas só depois dele ficar rico e famoso.
- Vagner Francisco e Anderson Cossa são assombrados.
- Quer publicar suas webcomis? NHQ!
- No Farrazine #5 tem a HQ de Leonardo Vidal e Lobo: Urubu.
- Deu nisso?
- Rafael Campos entende que o rancor nos toma por completo. Se deixarmos.
- Raphael Posteraro e Vinicius Postero e seus Contos do Coveiro. Um e dois.
- Spacca nos apresenta Jubiabá versus Capitães de Areia.
- A verdade sobre o mercado brasileiro de histórias em quadrinhos.
- Um extensivo e detalhado processo de produção de quadrinhos: Anita Garibaldi.
- A lista do HQ Mix 2009 saiu. Lembraram de mim, inacreditavelmente. Graças a Muertos, eu e meu irmão estamos nas categorias publicação independente especial, desenhista e roteirista revelação.
Discussão
Mais um post imenso. Gosto disso – é muito mais divertido (e fácil) escrever um monte de besteiras do que produzir quadrinhos.
Como sou uma pessoa muito ocupada, vez ou outra entro nesses espaços que permitem trocas de opinião (sobre quadrinhos, obviamente). São lugares onde se permutam novidades, se expressam opiniões ou ainda, dividem experiências. Como é comum a nossa raça, vez ou outra, surge um (ou mais criaturas) que gosta de… apimentar a discussão. Ou simplesmente travá-la, mesmo – de qualquer forma, “entra rachando” (ui!). Há os mais variados motivos e razões para isto – mas ego é sua força motriz, com certeza. Uma forma de se afirmar que existe e que se é importante. Eu me divirto muito com esse tipo de coisa. Tem sempre um ou outro indivíduo (nunca ninguém famoso ou conhecido – apenas um zé ninguém como eu) que larga tantas pérolas, num espaço tão curto de mensagens, que não há como não se estourar de tanto rir. Gosto tanto que decidi compilar um conjunto de frases, afirmações que parodiam situações comuns a quem participa de grupos de discussão, fórum, ou qualquer rede social de nossos dias. Infelizmente essa paródia por vezes se aproxima demais da realidade, o que não as torna tão engraçadas assim… Sinceramente, espero que você não (se) reconheça (em) nenhuma destas frases…
- O papel do autor (argumentista e/ou ilustrador) é editar – ter uma visão do todo: de vendas/mercado, de distribuição etc. Onde já se viu um escritor curtir escrever ou um desenhista gostar de desenhar? São uns cabeças ocas!!!
- Você produz (desenha/escreve) bem – mas nada além disso! Por que você não vira editor?
- É muito imbecil um autor, que sabe produzir, precisar de um editor, que sabe editar.
- Vocês são tão retardados que só querem ser subservientes (escravos) de alguém! Trabalhem prá mim que eu mostrarei a verdade!
- Nunca vi coisa mais idiota: se o cara não consegue publicar, cria um site para mostrar seu trabalho e ficar se masturbando com ele – eu jamais faria isto! Ah – aproveitando: visitem meu blog, que tem capítulo novo do meu projeto!
- O objetivo desses caras é trabalhar para os outros – não pensam em desenvolver seu próprio universo e ficar rico como eu fiquei!
- Não é questão de publicar o seu universo, é fazer algo que dê certo, pros leitores e editores – que dê grana!
- Pô – vocês só pensam em dinheiro!
- Autor brasileiro é burro – não quer ganhar dinheiro – só quer alcançar o “sonho de ganhar grana”!
- O sonho não é ganhar dinheiro com seu trabalho! Sonho é conseguir viver do seu trabalho! Vocês não entendem?
- Brasileiro só quer fama – por que ele vai ser querer ser reconhecido lá fora ao invés de não ser reconhecido aqui? Um absurdo!
- Esse pessoal só quer dinheiro – por que ele vai ganhar grana lá fora e não aqui, que não recebe nada?
- Publicar onde pagam não é motivo de orgulho. Quero ver é fazer isso aqui, onde não pagam nada!
- Sim. Eu poderia estar publicando lá fora, ganhando uma boa grana com meu trabalho (desenhos/textos/personagens) e viver bem com isso. Mas não. Prefiro ter uma vida difícil, sem ganhar nada nem conseguir publicar, porque… porque… porque eu adoro meu país.
- Tá certo que o capitalismo é soma da ganância de todos, que se revela niveladora do mercado, mas onde fica a ideologia? Vocês só querem dinheiro, dinheiro! Não pensam em algo maior! Na criação de um mercado tupiniquim: no bem comum, seus parvos!! Enquanto pensam, comprem minhas histórias em quadrinhos.
- Minha filosofia é: não publicar nada, falar de tudo e de todos prá caramba, viver na pindaiba e me achar a última bolachinha recheada do pacote.
- Eu sei como fazer – todas as respostas, tenho toda uma vida bem sucedida, olha o que eu produzi e vendi na última década – sou uma unanimidade nacional.
- Ah. Não quero sucesso, nem fama. Minha religião não permite. Só quero ser reconhecido por todos e vender prá caramba.
- Pow! Se conseguiu ser publicado no estrangeiro, por que não publicou aqui antes? Que burrice! As editoras pagam dez vezes menos aqui!
- Essas editoras incompetentes esperam um autor nacional ser publicado e fazer sucesso no exterior para então publicar aqui! Que estupidez! Só porque elas pagam quatro vezes menos o que gastariam para publicar o sujeito originalmente aqui, não é desculpa! Menos ainda por ter um trabalho já testado e aprovado por um mercado muito maior que o nosso!
- Claro que comparar vendas e aceitação de obras infantis e humorísticas com gibis de heróis, mangás etc faz todo o sentido! Eles têm todo um histórico nacional de mesma aceitação e vendas, diabos! Olha só os últimos dez, vinte anos: Turma da Mônica vende até menos que Vertigo!
- Até caixas de fósforo e paracetamol possuem uma forma organizada de produção – eles primeiro vendem no Brasil, para depois exportar! Por que HQ – um item muito mais essencial e de muito maior alcance do que jogos prá PC, não fazem o mesmo?
- Vocês são muito manés: pagam quarenta conto por um livro de quadrinhos quando poderiam pagar vinte pila pelo meu livro!
- Não faz sentido algum desenhar pros estangeiros! O cara ganha grana por dois, três… até cinco anos e… puff Acabou – vai virar professor de quadrinhos!!! Ele deveria era ficar aqui e não ganhar nada nunca!
- Esse pessoal tem que aprender a se editar, investir sua grana e produzir sua própria revista! Eu mesmo corro atrás disso há uma década. Já tenho minha própria e reconhecida editora que distribui nacionalmente minha obra e vivo muito bem disso, obrigado.
- Nã há mérito algum em publicar no exterior – lá aceitam tudo, tudo vende e todos ficam ricos e felizes! Não há concorrência e todos se amam.
- Autor nacional só segue ele mesmo – sua própria visão das coisas. Um paspalho, com certeza. Ele deveria seguir a minha visão das coisas.
- Não quero ser exemplo de nada, quero apenas que sigam minhas idéias. E comprem meu trabalho.
- Publicação impressa de HQ é tolice! Editores interessados em tolices, por favor, entrem em contato no private.
- Se é tão bom, por que não publicam o trabalho dele?
- Publicação por ‘editora’ de fanzine não tem valor nenhum! Bom mesmo são minhas revistas independentes!
- Publicou lá porque é amigo do editor! Onde já se viu algo que seja publicado senão por amizade???
- Publicou aqui? Quero ver publicar lá fora!
- Publicou pela editora estrangeira A? Quero ver publicar pela editora estrangeira B!
- Publicar lá fora é baba! Quero ver publicar aqui!
- Meus amiguinhos, vocês não acham aquele autor rodeado de puxa-saco, um babaca?
- Existe dois tipos de pessoas – as legais que curtem meu trabalho e as insuportáveis, que não sabem o que é bom.
- Só detono quem merece! Já viu eu falando mal de mim?
- Tenho tamanha capacidade de julgamento na produção de quadrinhos que, ao analisar uma obra, só falo mal do autor.
- Ah, sim. O trabalho dele? Não li. Mas nem se compara ao meu.
- Sei ser imparcial e comedido, seu puxa-saco filha da…
- Como assim… descontrolado? Vai tomar no…
- Não publico nada porque sou tão qualificado que nenhuma editora está ao meu nível. Nem os leitores estão!
- Abomino gente que se diz fã. Eu jamais vou ter fãs! Abomino esse tipo de pessoas ou mesmo a fama! Só quero gente que compre sempre meu trabalho.
- A galera delira quando detono alguém! Uma porrada de gente aplaude de pé!!! Infelizmente os que acomponham meu trabalho, é apenas um ou outro delirante.
- Aliás… por que todo mundo divulga as porcarias que eu falo ou escrevo e não as porcarias que eu produzo?
- Já consegui falar mal de todo mundo! Agora só falta conseguir todo mundo falar bem de mim!
- O que você já fez pelo quadrinho nacional? O que você fez? Nada! Enquanto eu, nos últimos dez anos eu já… eu… fiz! Eu fiz!
- Nã-nã-nã! Não me venha dar idéias que não sejam minhas. Muito menos uma que contrarie as minhas ou os meus interesses.
- Olha – o objetivo aqui não é publicar livros de HQ. Ao menos não um que eu não coordene, edite e participe.
- Claro, você pode se unir a nós para alavancar juntos nossos trabalhos – o meu e dos meus amigos. Aqueles três ali do canto.
- Não sou dissimulado coisa nenhuma! Claro que eu posso ser um filha da… com você e dar uma de cara legal com os outros. Normal.
- Vamos ser democráticos – nada de chefes! Mas aqui dentro quem manda sou eu e quem contrariar, tá fora.
- Não me interessa o que os outros acham! Nem me importa o que dizem! Onde já se viu dar bola prá isso dentro de um grupo?
- Meu, estamos em um grupo de discussão, então quando eu falo tu tem duas opções: ou ficar quieto ou cair fora. Todo mundo que tá aqui dentro concorda com isso!
Esse é um post hermético prá caramba. Talvez só quem participa de redes sociais, fóruns, grupos ou listas de discussão consiga entender… Se você nunca viu isso, sorte sua – mas é possível ter ouvido algo parecido numa conversa de bar. Se você não frequenta comunidades muito… abertas, um aviso: tenha estômago forte se quiser participar. São normalmente pessoas muito jovens que largam estas pérolas. Desvirtuam a discussão e começam uma quebra-de-braço interminável e aborrecida para convencer o outro que sua versão, digo, visão da realidade é a correta.
Vocês sabem como são os jovens, têm a síndrome de salvador: ou precisam ser seguidos ou seguir alguém.
Eu já sai da adolescência faz tempo.
Sem achismos sobre o quadrinho nacional
Já que o pessoal que curte HQ não lê mais que um parágrafo de texto, vou aproveitar e xingar todo o universo. Todo mundo curte um bafafá e este tipo de coisa dá ibope (no caso, acessos). Alguém mais atento pode perceber que o xingamento é como atirar pedra no telhado do vizinho, tendo seu próprio telhado de vidro. Mas eu vejo que é mais como cuspir prá cima.
- O quadrinhista nacional adora chorar pela falta de retorno, de reconhecimento. Realmente, é uma linha de raciocínio engraçada.
- Não há reconhecimento, porque não há público interessado. Se não há leitor, então não há mercado. Havendo mercado, haveria dinheiro, que move a bagaça, que interessa a todos (viver de quadrinhos, se você está confuso), que cria a competição e que por, fim também gera reconhecimento.
- Dos melhores, é claro.
- Por que não há público leitor interessado? Bom é porque as histórias em quadrinhos nacionais ou são muito ruins ou não objetivam o leitor médio, a maioria. Escolha o que seu ego deixar.
- Há a desculpa da distribuição também, se você quiser. Mas com internet hoje em dia… onde o que gera interesse, queima feito rastilho de pólvora… Você vai precisar de um ego muito bem treinado para se enganar desta forma.
- Ah, sim. A desculpa dos enlatados inundando as bancas, não cola mais. Lamento.
- Cada vez sê lê menos? Fato. Cada vez se lê menos em suportes e mídias tradicionais? É uma tendência.
- A desculpa de ter que trabalhar para se sustentar e não poder se dedicar aos quadrinhos é por demais válida.
- Só não me vem chorando depois que ninguém tem interesse pelo seu parco trabalho.
- É dá ou desce.
- Suspeito que a maior parte dos autores nacionais que tiveram destaque nestes dez anos passados, viviam com os pais ou alguém os sustentava, de alguma forma. Sem problemas – eu queria estar nesta fatia!
- Como não existe mercado, não há salários e produção contínua, nem amadurecimento por parte do autor. Sem amadurecimento, a obra do cara não cresce em leitores.
- Baita círculo vicioso.
- Complicadíssimo sair dele – mais fácil é se iludir e se achar um Frank Miller ou um desenhista qualquer que você curte.
- Mas no mundo real, quem decide isso são os leitores – não aqueles seus dez amigos, não você. Se você não tem leitores suficientes… Well. Ficamos restritos a autores apaixonados/amadores que não pensam seu trabalho de forma mais comercial (até porque ela não existe). Quem vai culpá-los?
- Para crescer como autor, a coisa vai ter que ser por amor. Por um bom tempo. Até achar o caminho: leitores. Lamento.
- Amar é não pedir nada em troca. Muito menos reconhecimento.
- O álbum de histórias em quadrinhos brasileiras que mais vendeu nos últimos anos deve ter alcançado, uns dois mil exemplares. O autor deve ter ganho entre 8 e 12 mil reais. Há quem diga que mal vendeu quinhentos exemplares. E até me destilaram que ele topou publicar de graça (espero sinceramente que não seja verdade)!
- É um trabalho de um ano ou mais. É normal um trabalho destes, no Brasil, levar três anos de produção. Alguns demoram até cinco anos.
- Agora pegue o que ele ganhou e divida pelo tempo de trabalho. É. Qualquer desenhista razoável ganha mais que isso em uma agência de publicidade, escritório de design ou produtora de vídeo. Mesmo as furrecas. E por mais escravizado que ele seja nestes lugares, é menos trabalho que um projeto destes. Claro, não estou escrevendo agora sobre realização pessoal.
- Na última década não devem ter havido cinco autores nacionais que alcançaram metade deste marco – em vendas e valores. Estou desconsiderando, obviamente, obras infantis/humorísticas e vendas para o Estado.
- O(s) autor(es) que consegue lançar um livro, o faz(em) por interesse próprio – está a fim de contar as histórias deles, não aquelas que seriam assimiladas por uma grande massa. Não vejo absolutamente nada de errado nisso. Eu mesmo queria poder fazer isso.
- Histórias autorais são nichos, uma parcela que existe dentro dos tipos existentes de quadrinhos. Cada um objetiva o que quer. E tem o retorno que merece. O interessante é que trabalhos autorais são normalmente uma minoria, dentro do universo/mercado de publicações nos quadrinhos – mas no Brasil são a supremacia atual do que é publicado, quando se refere a autores nacionais. Ah, sim. Não existe mercado, então estamos apostando na elite que compra quadrinhos. O que acho um bom negócio, não extamente uma boa idéia.
- Culpa das editoras? O investimento para lançar um autor brasileiro nacionalmente é muito maior que comprar quadrinhos estrangeiros. E com muito mais riscos. Vocês comprariam um gibi do Alan Moore, Grant Morrison ou do Daniel Mané?
- Claro que há politicagem na publicação e em editoras. Em que mundo você vive? Existe politicagem até na compra e venda de carnes, pro açougue mais fuleiro. Você não vai fugir dela, em nenhuma área. Mas com um trabalho acima da média, você fura a politicagem.
- As editoras são livres para fazerem o que quiserem – vivemos em um estado capitalista, se você ainda não percebeu.
- A saber (tem muita gente que nem faz idéia do que é o capitalismo), este regime basicamente permite que você trabalhe no que quiser, ganhe o quanto puder e gaste esta grana no que der na telha. Obviamente, há leis que gerenciam e limitam esse monstro, como em qualquer regime – então não seja mala. Injusto? Com certeza – tudo feito pelo homem é. Mas prefiro este regime a um que limita no que você pode trabalhar, até quanto vai ganhar e não deixar gastar no que quiser.
- Então depende de você, e apenas de você, correr atrás do prejuízo. Você quer? É contigo – corre atrás. Chorar, lamento, não adianta. Não vão te dar (ou comprar) teu gibizinho, só porque você quer. Ninguém se interessa por choradeira – agora, por um trabalho bem feito, é possível. Quem decide o que é bom, pode até ser você – mas quem paga pelo seu trabalho é o leitor, então… bom, deixa prá lá.
- Agora, se você quer imprimir (ou participar de) um gibi e ninguém está interessado em bancar, por menor que seja o valor ou a tiragem, não existe a possibilidade do trabalho… não for bom? Enviei Muertos a umas três editoras – nenhuma se interessou. Gosto de pensar que o desenho não estava a altura da história, mas resigno-me ao fato que meu trabalho não teria boa aceitação – não venderia o suficiente para valer a pena.
- Incrível também como o quadrinhista brasileiro acha que o caminho é conseguir verba pública.
- Quer dizer… pode até ser – prever o futuro é estupidez. Acho bem legal o Estado colocar HQs na escolas, como meio narrativo ou ainda, educacional.
- Mas me pergunto: se não há interesse por parte da iniciativa privada (entenda-se: de uns poucos) colocar dinheiro em um projeto destes porque não há público, mercado etc e não haveria retorno, por quê seria correto torrar grana da união (entenda-se: de todo mundo) em algo assim?
- Há quanto tempo isso é feito no cinema nacional mesmo? Quantos destes projetos se pagaram?
- Ah! Aquele projeto se pagou? Então não precisa de verba pública, ora bolas!!!
- Aindassim, a desculpa de ajudar, de ser uma iniciativa, é válida.
- Mas é isso, uma iniciativa: uma coisa é capacitar, auxiliar inicialmente para que depois se caminhe com as próprias pernas. Outra é sustentar, viciando no investimento sem cobranças, objetivos e responsabilidades. Sem rodinhas, por favor, a certeza do futuro está em pedalar sozinho.
- Não há almoço grátis – alguém está pagando por ele. E se está pagando, tem de ter retorno, senão é insustentável.
- Enquanto isso, vou me inscrever em algum edital também.
- Distribuição. Grande problema.
- Envolve muita grana, muito risco. Coisa que ninguém sensato faria. Ricos e idealistas são poucos hoje em dia. Isso existe mais em mercados caóticos. Estamos em uma economia estável e muito bem calculada sobre custos/benefícios.
- O Brasil já teve uma economia caótica. Curioso como nessa época haviam tiragens tão altas, não?
- Eu sempre me pergunto como conseguiram abandonar (ou eliminar) tantos leitores entre as décadas de sessenta e oitenta. Não consigo nem imaginar um boa resposta sobre isto, por mais que me esforce.
- O negócio é internet, distribuição alternativa, segmentada, associada a pequenos distribuidores de produtos variados e semelhantes (ou nem sempre). Juntar-se a outros e trocar figurinhas. Sofrido. Demorado.
- O trabalho autoral independente imprime em gráfica as suas revistas – de quinhentos a mil exemplares. Estas cópias podem demorar anos para escoarem, atualmente. Muito trabalho, muito tempo. Tem que estar a fim. Não acho o melhor caminho, mas pode dar certo, tendo saco, tempo e grana. Com sorte, muita sorte, você empata ou tem pouco prejuízo.
- Animador?
- Super-heróis (brasileiros). Tema delicado. Não tenho nada contra. Sério.
- Não há dúvida que para, efetivamente viver de quadrinhos – por mais que poucos meses ou anos, você tem que criar seu universo, seus personagens (heróis, mangá, infantil, etc). Mas sempre algumas coisas me vêm à mente quanto a isto… e elas se aplicam a qualquer temática, estilo etc – vou usar ‘heróis’ porque sempre leio muito sobre isso.
- Muitos choram que as editoras não tem interesse nesse tipo de coisa. Será? Ok – você faz gibi de heróis… mas desenha como o Marc Silvestri? Olha o ego…
- Ah, desenha igual? Tudo bem, eles não querem o Marc Silvestri, porque eles já tem o Marc Silvestri. E sai muito mais barato que você. E é provável que ele seja mais conhecido também…
- Sinceridade: por que alguém se interessaria num personagem (brasileiro ou não) com os poderes do Super-Homem, com a roupa do Spawn com as histórias do X-Men? Bom, você talvez até goste deste tipo de coisa, sem problema – é um mundo livre. Uma coisa é usar o deus grego Morpheus outra é usar o personagem/histórias criadas por Gaiman no Sandman.
- Já eu, preferiria os originais.
- Aí vem a questão. Você é original? Eu não sou.
- É muito difícil ser original. Precisa de muito trabalho, muito tempo e nenhuma choradeira. É mais fácil usar a estepe de outros (personagens, histórias etc) e chorar. Ou fingir que é original. Os estrangeiros mesmo vivem se ‘inspirando’ entre eles – não é uma característica regional, não se preocupe. Lá fora, quando a cópia dá certo, usualmente é porque seus autores já são famosos e possuem seu séquito que os sustentem.
- No fim eu não choro (mais). Estou nessa de HQB há menos de um ano, mas aprendi bastante. Parei de chorar.
- Quadrinhos, no Brasil, é passatempo.
- Como croché, artesanato, quebra-cabeça de 10 mil peças… a maioria dos caras que fazem quadrinhos no Brasil trabalha com outra coisa e quando dá, faz um quadrinho ou outro.
- Por que eu não fui fazer croché?
- Vendo a bagaça como passatempo, você não cria ilusões – ser amado, premiado, remunerado blábláblá. Não criando ilusões, você não se desilude.
- Tem muita gente que faz desta forma (um passatempo). Como um bom passatempo, você faz e joga prá dentro da gaveta.
- Não há como ter idéia do tamanho, quantidade ou qualidades de HQs feitas assim – elas não saem da gaveta, lembra?
- Todavia há gente que possui tamanha paixão (leia-se ego) que gosta de mostrar o que faz. Mostra para encontrar seus iguais, para ser elogiado, para ter maior conhecimento da existência do seu trabalho. Normal. Busque sites/blogs de artesanato na internet.
- Este site é um exemplo disso.
- Há aqueles que não somente satisfeitos em ter um site, propagam pelos mais diversos meios digitais sua existência (olha eu de novo). Querem que suas histórias sejam mais conhecidas. É a velha máxima: qual o sentido de contar histórias senão para alguém ouvir? E também querem mais elogios, óbvio. Faz parte da brincadeira. Já que, dinheiro que é bom…
- O problema é que de toda ação, vem uma reação (sic). E esta reação pode ser… nada. Nenhum acesso, nada de links, nadica de nada.
- O que significa isso? Que você está a frente do seu tempo? Pode ser. Que você é um incompreendido? Com toda a certeza do mundo. Mas – se o seu interesse é ser compreendido, lido, sai de baixo da cama, pare de chorar e faça algo que gere interesse, acessos e links. Ou não. Ah: ter leitores das porcarias que você escreve sobre o trabalho alheio e não leitores da porcaria do trabalho que você escreve/desenha, acredite – não é um bom negócio…
- Mas cada um vive na realidade que lhe convém ser mais feliz.
- A propósito: pare de ler isso aqui e vá ler as HQs que eu fiz!
- Por favor?
- Pelamorde…?
- Outra reação possível é a opinião alheia. Ela é sempre bem-vinda quando positiva e um um desastre quando negativa? Muito pelo contrário.
- Melhor um carrasco que te decapita a um ‘amigo’ que faz você queimar lentamente na fogueira. Dói mais, ao meu ver. É muita presunção achar que todos irão amar o que você faz. E pior ainda é destratar aquele que – educadamente, diz que não gostou do seu trabalho.
- Claro que há de se separar o joio do trigo. A opinião pode ser ofensiva e desnecessária e isso não é opinião: é xingamento. Chamar o cara de idiota, imbecil (para não cair nos termos de baixo calão), torna a crítica muito pessoal e completamente irrelevante.
- Já vi boas resenhas (nem sempre tão positivas) de trabalhos que se estragaram por chamarem o autor de panaca… ou algo pior. É comum confundir o trabalho e o autor. É comum ter mais gente disposta a escrever mal de alguém ou algo do que encontrar um disposto a apoiar. Apoio dá mais trabalho, é comprometedor e pode ser vexatório. Destruir é rápido e indolor.
- Gostar ou não gostar sem dizer porquê complica tudo e tem de ser mágico para entender uma opinião, tirar o melhor proveito dela. Boa ou ruim. Mas ouça/leia de qualquer forma. Sempre.
- Se forem opiniões negativas, não fique arrasado, não desista, não desanime. Se quiseres começar a ter retornos mais positivos, muito pelo contrário: faça melhor. Faça mais. Traga uma resposta no seu trabalho. Não em respostas à opinião. Mas isso depende de você e do que você quer. Você pode inclusive se cercar de amigos que só te querem bem e nunca o criticam de fato. Qual o problema nisso?
- O caminho que for, dane-se o mundo. Siga o caminho que te faz feliz.
- Tem gente mais doente ainda que busca a crítica especializada. Manda seus trabalhos a jornalistas, revistas e sites.
- Tipo eu.
- Antes de mais nada – não são os desenhistas ou escritores uns babacas convencidos. Uns exibidos insuportáveis. Como escrevi dia destes no Orkut, quando estamos entre nossos pares, tentamos sempre parecer mais que somos – nos mais diversos aspectos pelos mais estranhos motivos. Cerceando pelo tema (área de atuação), é só olhar qualquer encontro de professores, engenheiros, advogados, administradores, médicos, publicitários etc. Percebe-se um certo ódio e arrogância entre colegas de profissão. O ego não cabe apenas aos quadrinistas (eu prefiro quadrinhistas – de quadriNHos), ele é natural, uma característica da condição humana.
- Voltando. Essa crítica pode vir (o cara publicar no site, revista, jornal etc) ou não. Se não vier, quer dizer que você não se encaixa no perfil da publicação (o Omelete não é o inimigo – eles publicam o que querem, pô!) ou o seu trabalho… bom, você sempre pode recorrer à lógica da raposa, onde as uvas estão verdes. Aliás – só o fato de se dar ao trabalho ao apresentar alguma análise de um trabalho suspeito como o meu, como aconteceu em Muertos, é prova que há o interesse dela (a crítica) em alavancar nossos próprios criadores. Nenhum crítico é obrigado a ceder espaço com material brasileiro. Não se esqueça disso nem dos que o fazem.
- Acho muito complicado criticar. Tanto que parei com meus achismos sobre outros trabalhos. A crítica especializada, o jornalista, tem o dever de equilibrar valores, julgá-los e apresentar de forma inteligível, justificada e interessante.
- Duvido que alguém tenha lido até aqui, mas este texto é um exemplo claro disto: eu não sei fazer isso.
- Na verdade acredito que muito poucos sabem – mesmo entre os ditos críticos.
- E é complicadíssimo, ao crítico, falar de HQB. Ele não lê isso, normalmente. E quando leêm é mais complicado ainda – (os bons críticos) provavelmente sabem decor e salteado tudo que escrevi aqui. E aí tudo se torna relativo.
- Daí surge a crítica ‘chapa branca’. O que é um baita pepino – pode atrapalhar mais que ajudar por simplesmente tendenciar o leitor ao erro e a decepção. Decepção esta que ele vai, para sempre, associar ao quadrinho nacional.
- Uma coisa é divulgar. Outra é falar bem por falar – apenas por ser HQ brasileira. Há também as iniciativas opostas – que pensam ser válidas por humilharem as outras. Ao meu ver, aquele que se considera crítico/resenhista ‘profissional’ não pode produzir quadrinhos. Ao também fazer HQ, toda sua visão fica comprometida e é comum que suas críticas sejam aplicadas… a eles mesmos! O crítico que escreve sobre você hoje é aquele que te convidou pruma parceria ontem (e você não pôde aceitar seja qual motivo for): bom, eu não queria estar na tua pele.
- Criticar não é puxar o saco. Também não é falar mal. É interpretação. E muito poucos conseguem interpretar coisa alguma. Eu já vi de tudo: inclusive crítica escrita por gente que não leu o trabalho analisado.
- Sério.
- Sim. Há muita picaretagem no meio. Amigos dos amigos. Ego. Eu sei: é impossível fugir do ego (ele serve entre tantas outras coisas, como ferramenta para ter a consciência de que… bom, se existe). Ele é humano e em boa parte, responsável por avanços, evoluções, insurreições ou revoluções. O que é bom.
- Mas há o ego prejudical, malicioso. Aquele pelo qual se usa os outros apenas para se dar bem, pelo qual se fala mal do alheio, para colocar alguém para baixo e fechar portas que nada interessariam ao detrator.
- Isso é normal em um mercado – competição e tals. Mas… não existe mercado! Ninguém ganha grana e todos perdem com este tipo de atitude! Falar mal do cara ao lado, que faz quadrinhos nacionais – existindo tão poucos leitores, é falar mal sobre as HQs nacionais! Então acho engraçado. Hilário.
- Ajudem-se. Amem-se. Daniel para presidente (ou autor de livros de auto-ajuda)!
- Eu tenho predileção por HQB – não fosse não escreveria tanto sobre, nem compraria tanto material nacional. Tenho admiração e respeito por tamanha paixão e heroísmo numa luta inglória e sem medalhas. Fico impressionado quando alguém – sem ganhar um tostão ainda por cima, surpreende com um trabalho de qualidade ímpar. E curto fazer também minhas historinhas, é óbvio. Ali, quando dá. Na manha.
- Mas precisamos nos unir de alguma forma, sem iniciativas demagogas, falácias ou meias verdades.
- Não precisamos de salvadores. Precisamos de uma visão maior, sobre o todo, que deve ser construída em conjunto. E bons trabalhos que falem por si.
- Jamais escreva algo sobre o que expus – ou da forma que fiz. Você acaba por ganhar muitos desafetos.
- Mas… e aí? Por que nunca deu certo? Não nos falta sermos mais honestos e abrirmos nossas portas? Para não repetirmos mais os mesmos erros? Não nos falta auto-crítica? O que é outro ponto interessante: não podemos nos criticar? Ter opiniões? Mesmo que diferentes? Você pode ter uma visão diferente da minha e, respeitando-me, não vai se tornar meu inimigo, acredite.
- Eu na verdade vou ficar de olho em você, bem de perto. E prezá-lo como alguém (no mínimo, ao menos) que tenta, que pensa. Claro – isso se você tiver algo a dizer, além de xingar os outros. Ou de tramar retaliações por baixo dos panos, entre seus pares.
- Nenhum destes pontos acima são indiscutíveis, confirmáveis ou criveis. São meus achismos, até agora. Posso mudar de opinião amanhã. Faço isso o tempo todo. Tenho a ilusão que corro à busca de amadurecimento. Ego, com certeza.
- Duvido que alguém leia isto. Muito grande. Nem eu leria. Quem está interessado? Nem eu estou!
Ok, esta última é mentira. Mais uma, entre 100.
Turma do Ique – I
A Turma do Ique é um centro de convivência que apóia a criança e o adolescente em tratamento contra o câncer. Uma iniciativa da universidade federal daqui, a UFSM (Santa Maria, RS), que existe desde o início da década de noventa. Era 1999 quando o a equipe responsável pelo centro entrou em contato com o curso de Desenho Industrial, em busca de desenhista, a fim de reformular uma espécie de manual que eles tinham feito anos antes. O ‘manual’, era uma história em quadrinhos, que era dado a crianças que sofriam de leucemia ou alguma espécie de câncer e começariam seu tratamento pelo centro. Tinham o objetivo didático de apresentar os principais termos e situações que teriam de enfrentar a partir de então, bem como explicar – de forma sucinta e educacional voltada para os muito jovens, o que era a doença que elas possuiam. HQ e educação. Educação através dos quadrinhos – existe idéia melhor?
Por fim fui escolhido como o ilustrador desta HQ institucional.
Conheçam a Turma do Ique.
Próxima atualização: assine as atualizações daqui, aqui ou aqui e saiba quando sair a próxima página.
O Circo de Lucca
Circo de Lucca | Dezembro de 2007 | 136 páginas | 16,5cm x 24cm | capa colorida e miolo… às vezes também
LuCCA. JoZZ.
Na primeira cruzada que tive com esta edição, ela não me atraiu muito. Canalha como sou, vejo antes desenho que coração. Os traços estavam todos lá, em uma mesma história, misturados em técnica e estilo. Páginas coloridas e outras PB. Esquisito. O problema prá mim nem era tanto a qualidade técnica das ilustrações, mas sim que elas beiravam muito ao cômico. Tinha algo de Estranhos no Paraíso no traço, o que me deixou confuso e sendo uma obra brasileira, inseguro. Devir??? Realmente, muito esquisito. Infelizmente talvez seja o que muitos podem pensar ao folhear este lançamento – o que é uma pena.
Semanas depois acabei lendo uma resenha sobre o livro no Quarto Mundo. E meu preconceito ignorante se foi, substituido pela urgência em adquirir o exemplar. Corri para a banca, esperançoso que ainda estivesse lá. Estava. Após ter lido, agradeço aos céus que não a tivessem vendido. Mas espero sinceramente que venda muito e – se estiver me lendo, que seja um dos agraciados pela leitura de tão belo trabalho.
O livro brinca com o tema de biografia e isto me deixou intrigado. Autobiografia? O projeto vem da conclusão de curso em Desenho Industrial, que Jozz frequentou, e tem como idéia a narrativa da personagem Lucca em fazer uma história em quadrinhos. A personagem cursa Desenho Industrial. O texto revira a metalinguagem dos quadrinhos – imagine alguns dos tópicos dos livros de McCloud e Eisner cruzando por uma HQ, mas com a orientação do autor/personagem para contar uma história. E que história!
(Metalinguagem da HQ? Putz Essa doeu. Deve ter rolado cada papo cabeça no desenvolvimento deste trabalho… zulivre.)
A história é leve, rápida e – enquanto somos levados junto com o autor/personagem na criação de seu trabalho, é muito divertida de se ler. Divertida sem ter aquele humor besta facinho. Trata muito do cotidiano do desenhista/escritor/roteirista e aí que fico me perguntando o quanto de Jozz tem em Lucca. Mas com certeza muito de Lucca ficou em Jozz. Claramente vemos no decorrer de toda a HQ o esforço e dedicação do autor na produção deste trabalho. As horas de desenho, o sacrifício em desenvolver hercúleo, inteligente e sensível projeto. Imagino a percepção sobre quadrinhos que Jozz deve ter ganho ao finalizar o Circo de Lucca. Uma percepção compartilhada a todos que a lerem.
Leitura obrigatória meninos. E meninas.
Sou formado em Desenho Industrial pela Universidade Federal de Santa Maria. Vi muita gente fazendo seu trabalho de conclusão de curso sobre quadrinhos – não foi meu caso. Eram Scott McClouds prá lá e Will Eisners prá cá. Todos reclamavam que não havia muita bibliografia. No final do livro ainda foi colocado o desenvolvimento teórico, (des)escrito, da TGI. Há boas referências e conceituações a serem exploradas – bem como a própria bibliografia que usou. Se estiverem pensando em trabalhar na sua dissertação de final de curso com histórias em quadrinhos, a leitura do Circo de Lucca é indispensável.
Se quiser trabalhar profissionalmente com HQ, também.
Compre a sua. Visite o site do autor.
* Atualização – 14/07/08
Bom. Aqui não é lugar de resenhas. Eu não faço resenhas. Isto é coisa de crítico e não sou um crítico. O que exponho aqui são meus achismos – minha visão sobre a experiência que tenho ao ler determinada obra. Por isso também não tenho preocupação maior em descrever a obra – seu enredo, desenvolvimento, etc. Como perguntaram, vou colocar algumas palavras extras sobre O Circo de Lucca.
O Circo de Lucca trata sobre algo que talvez seja familiar a todos que produzem quadrinhos: a criação de uma HQ… que faça diferença! Talvez se aplique mais a escritores (Jozz escreve e desenha a edição), mas com certeza também atinge os desenhistas, que querem seu lugar ao Sol. A trama se desenrola através do cotidiano de Lucca em busca da criação de uma personagem marcante, única – um herói. Sim. Uma personagem pode ser um herói e necessariamente não precisa voar. Imerso na preocupação de produzir um marco nas HQs (exageros incluídos), surge numa daquelas sacadas/insights inexplicáveis algo que insiste em atormentá-lo de forma onírica e engraçada: um palhaço. A trama se desenvolve em um crescente, paralelamente entre o cotidiano do artista e a construção do conceito de o que é um herói: a utilização do tema aplicada aos quadrinhos é que vem toda a brincadeira da metalinguagem genialmente sacada por Jozz. O que é uma HQ e como ela pode ser feita? O entrosamento da narrativa é ágil, muito bem construído e seu final – que obviamente não irei contar, é soberbo. Imperdível, como já disse.
Venda de gibis
Então você fez um fanzine, uma edição independente, uma revista em quadrinhos. Ou seria uma graphic novel? Independentemente do suporte e acabamento é um gibi, porra! Desculpe pelo ‘porra’. Não escrevo mais ‘porra’. Vamos chamá-lo de gibi de quadrinhos, por conveniência. É o nome mais curto para digitar. Gibi.
Fizeste teu gibi e agora quer vendê-lo. Anunciou até no estimado idolatrado salve salve Quadrinhos Independentes, do grande Edgard Guimarães. Vendeu cinco exemplares. Não satisfeito com a saída do gibi, entrou em contato com uma porrada de outros zineiros. Mandou trinta cartas. Para se certificar, ainda entrou para o universo digital e enviou mais cinquenta e-mails. Depois de tudo isso você alcançou a inacreditável venda de vinte e cinco edições da sua revista independente.
Você tenta se matar.
Mas não desiste. Digamos que você tenha tido uma preocupação maior com acabamento e a imprimiu em offset, capa colorida bonitaça, mil exemplares. Gastou aquela nota. Começou a divulgar na internet coisa e tal. Dali três meses você já tem uma cota de vendas impressionantes: cento e cinquenta exemplares vendidos. Você está saltitante. Ao menos até perceber que sua lista de contatos com outros autores possui a exata quantidade de gibis vendidos.
Depressão.
Reação: você tem que “furar a bolha”. Alcançar o leitor. Vai na banca do seu coração, na comic shop mais perto e naquela livraria que o dono é seu amigo – coloca vinte cópias em cada estabelecimento. Semana após semana você retorna aos pontos de venda para perceber que não vendeu um único exemplar. Após sofridos dois meses, seu amigo-dono-da-livraria já está puto que você não tira aquela tranqueira de lá. Você deprimido retira todos seus zines dos locais de venda. Após o terceiro mês, é claro. Até que não foi tão mal. Vendeu oito exemplares. Em três meses.
Por uma iluminação digna dos maiores santos – até porque são todos loucos, você percebe seu erro desde o início. Falta distribuição! Uma andorinha não faz o verão e três bancas não completam sua coleção. Já que torrou grana imprimindo mil exemplares, o que é um punzinho (gostaram do punzinho?) para quem agora está contratando uma distribuidora? Para mil exemplares, como a distribuidora que é camarada sua, vai cobrar apenas 50% do preço da capa. Nesta quantidade eles normalmente cobram 55%, 60%. Ah. Adiantados. E lá vai seu gibi com distribuição para todo estado. Hã? País? Melhor ainda. Ahn…? Ok. País, mas só capitais.
Passam-se mais três meses. Das mil revistas, você vendeu duzentos e vinte e duas. Foi bem até. A distribuidora, já puta da cara contigo (porque todas as bancas, comic shops e livrarias querem se livrar daquele lixo faz uns sessenta dias – imagina um gibi ficar mais de um mês em uma banca!) exige que você decida se vai querer só as capas das revistas ou vai pagar o reembolso, para tê-las inteiras. Você, quebrado, não tem opção. Dali três semanas você recebe aquela maçaroca de capas.
Após um mês sem falar com ninguém, você decide trabalhar com outra coisa. Publicidade, design… sei lá. Qualquer coisa. Quando perguntado – pelo resto da vida, o que deu errado, você sempre responderá que “não há mercado”.
Apesar das bancas – abarrotadas de HQ, dizerem o contrário…
Mas então o que deu errado? Não sei. Mas posso levantar três pontos que percebi e que vejo pouco sendo falado sobre a decisão na compra de um leitor de quadrinhos. Podem ser um ou mais destes pontos, que levam alguém a comprar sua edição. São eles:
- A editora é conhecida. Poucos comprarão algo da ds.art.br comics. E provavelmente quem o fizer, deverá ser outro autor – mesmo que amador (desenhista, escritor etc). Mas muitos se arriscariam a gastar seu rico dinheirinho se o que estiver por trás é uma grande editora.
- O autor é conhecido. Um Zé Mané como eu não vende. Mas um Alan Moore impresso em papel jornal pela ds.art.br-comics-fundo-de-quintal vende às pampas.
- O obra é conhecida. Um Zé Mané como eu continua não vendendo. Mas um Zé Mané que teve boa acolhida pela mídia especializada, vai dar mais saída que prostituta (eu escrevi prostituta…) a dé reau.
Há ainda aquela possibilidade de a revista ser tão boa, mas tão boa – normalmente em desenhos (pobres roteiristas), que acaba vendendo. Mas é um ponto que não elenco como principal, pois sofre de muitas variantes. Primeiro é julgar a qualidade – quem faz isso é o leitor que compra, não você, autor. Afinal o objetivo é venda, então qualidade é encontrar saída para seu trabalho. O que usualmente conflita com o “faço o que gosto”. Ou “quero”. Ou ainda: “sei fazer”.
Há milhares de outras coisas. Eu mesmo não sei a solução. Se soubesse já tava rico vendendo gibi. Nem as editoras grandes sabem. Elas também lançam edições que vendem mal. E muito mais do que elas gostariam.
Toda esta historinha é fictícia. Mas ela já aconteceu muitas e muitas vezes do Oiapoque ao Chuí (aqui do lado). Acho que é um compêndio de um dos assuntos que se discute no fórum do Quarto Mundo: o Quinto Mundo. Há propostas sobre o assunto. Dá uma passada lá.
Vai que no próximo empreendimento você chega até a número dois do seu gibi. Com lucro, é claro.
Ops…
Aí, Daniel!
Valeu pela publicidade no teu site, cara.
Mas dizer que nunca leu nada que escrevi é dose, prum cara que linkou (IN)VERSÃO, POÇO e faltou, claro, FIM. todas publicadas no blog (daquele grupo que não quer você lá e se quiser talvez quem sabe um dia te convide para fazer parte mas provavelmente não), diga-se (de passagem?).
Ouquei.
Tenho que começar a pensar antes de postar. O xingamento óviamente (a falta do b é proposital) é do sr. Moraes. Ou A. Moraes, caso queiram. Aqui se faz aqui o wordpress se apaga.
Ah (ops2). O post que ele se refere é este aqui. O cara é foda – mas nos links acima você tira suas próprias conclusões, e ele continua a busca de desenhistaSSSS. O projeto – segundo me escreveu, pode ser particionado, por isso não se assuste com a quantidade de páginas. Não associei o nome dele as obras pelo simples fato de ter lido todas as webcomics listadas no post no mesmo dia, na mesma botada (ops3).
Ei, psit!
Vocês aí atrás. É, vocês em silêncio. Direto do Quinto Mundo: A. Moraes busca desenhistas. Nunca li nada que lembre do A. Moraes, que não fosse Desvio. Mas se for metade do que ele faz nas tiras, já está entre os melhores escritores brasileiros que já li. Segundo as palavras (ou textos, já que digitou) dele:
procuro desenhista ou equipe de desenhistas prum trampo de louco numa hq de fc de aproximadas 60 páginas.
tenho o segundo tratamento do roteiro pronto e estou disposto a mexer no material se, e somente se, aparecer algum colaborador que tenha disponibilidade de, bem, colaborar.
interessados podem me contatar via fórum mesmo, através das mensagens privadas.
Bom. Ou vai no fórum ou no site dele e troca uma letra com o sr. Moraes.
Tenho que melhorar estes títulos dos meus posts…















