Histórias em Quadrinhos • DS.art.br

Daniel Pereira dos Santos

História de Ninar

3 exposições sagazes e comedidas

História de Ninar

Um conto de Jeffrey Whitmore
Adaptado para HQ online por Daniel Pereira dos Santos


Apático

Interessante voltar a escrever aqui.

(Aprendi – desde cedo, que, quando alguém diz que algo é interessante pode ser qualquer coisa – menos interessante).

Interessante a apatia que me toma.

Não tenho interesse algum sobre quadrinhos. Ou quase qualquer coisa. Enfim.

É interessante como nos jogamos a desconhecidos com a finalidade de REconhecimento.

E, no fim, nem isso se consegue. HQ no Brasil? Não há leitores nem para o Batman, coitado. Imagina o resto. Eisner com tiragem de cinco mil e encalhando? Bagaceiro dizendo que já vendeu mais que o dobro disso e ganhando prêmio? Mauríco de Souza ovacionado (dono de pastelaria que, a pau e corda, credita seu autores-robôs no expediente)? Psst. Elogios para todos os lados. Tem que ter muito amigo/gente-que-quer-também-produzir. Mas leitor que é bom… Comecei a ler HQ com o MSP também – e, com certeza, é uma indústria que funciona e que pouco se pode criticar. MAS é uma empresa defendendo o seu – and just that. Também vejo pretensas ceblebridades digitais que se rodeiam de amigos que também almejam ser ‘conhecidos do meio HQ brasileira’. Não me dá desgosto, nojo ou mesmo (o que deveria) vergonha alheia. Apenas desinteresse. Um bando de desenho/história/HQ chata bajulado por gente ‘descolada’ esperando que também, um dia, seja bajulada. Gente ‘do movimento’. Muitas aspas. Pouco conteúdo. Não vejo em blogs, fóruns, twitters e orkuts da vida o pessoal escrevendo: “que legal aquilo lá, leiam”. Aliás, até vejo… mas depois tu descobre que é cupincha do tal ‘autor’. É autor retwittando um mísero apoio comprometido. Tsk.

Estranho ter um blog na internet. Tantas vozes dizendo o que está certo e o que está errado (estou incluso nessa?), quando não se há certeza de coisa alguma. Tanta gente dizendo quem é o culpado (estou incluso nessa?), onde não há crime. Procurando e apontando salvação (estou incluso nessa?) quando sequer há danação. Bom mesmo são os que trabalham pro estrangeiro – não falam nada, até porque representam o que fazem pelo país. Hilário os malas-contra-HQ-brasileira – gente que queria fazer, mas não tem capacidade alguma prá isso, mas inveja suficiente prá ter um blog (estou incluso nessa?).

Mas não se engane: há bons e honestos trabalhos aí fora. E genuinante brasileiros, por incrível que pareça. Tem editora que ou tem muita sorte ou está fazendo o dever de casa. Não dou o nome as cobras pelo simples fato que, ainda que os leia, também sou fanzineiro e aí minha opinião se torna ainda mais escrota e sem validade que a tua. Então, deixa estar.

Aos que entram por aqui buscando informação sem sequer possuir interesse, paciência ou mesmo capacidade de leitura, meus sinceros vai se foder. Aos amigos, estou vivo e feliz, obrigado.

A vida continua. Fora da internet, acredite se quiser. E ainda nela (internet ou vida afora) talvez eu não tenha nada a dizer. Talvez já tenha dito. Talvez nunca diga nada. Melhor é o silêncio.

Apenas meu ego não deixa que delete este blog. Mas estamos dialogando. Enquanto isso, escrevo este tipo de texto prá te trazer ao meu inferno. Seja bem-vindo.

Meus prá têm acento. Interessantíssimo, como já disse.

Haiti

Há um ano e meio atrás, graças ao trabalho que fiz na Turma do Ique, fui chamado para um projeto que trataria sobre o Haiti. Era bem na época que muitos soldados brasileiros (inclusive daqui de Santa Maria) estavam na dita missão de paz da ONU. Prá resumir, a idéia era produzir um livro ilustrado com um olhar sobre o local e sua política. Tentaram levantar verba nem lembro de onde, mas – enquanto a grana não vinha, pediram uma imagem para apresentação/venda do trabalho. Como era um projeto meio altruísta, fiz na boa vontade – coisa que um ilustrador profissional (quem vive disso) JAMAIS deve fazer. Saiu a ilustração vetorial + Photoshop (bem Ziraldo, diga-se de passagem) abaixo.

Haiti

Nunca mais tive um retorno sobre este projeto, desde que entreguei este desenho. Nenhuma satisfação ou contato – nem mesmo tomei conhecimento de que fim deu.

Moral da história? Altruísmo não paga as contas e de boas intenções…

Turma do Ique – VI

O desenho dos personagens “humanos” foram todos baseados na edição anterior da Turma do Ique. Alguns mudaram mais, outros menos – apesar da troca no estilo de desenho.  Com fins educativos e didáticos, chegou-se a discutir o tipo de traço e caracterização dos personagens.

Optei por modificar completamente os agentes paralelos da HQ – glóbulos brancos, glóbulos vermelhos, plaquetas etc. Tentei ‘atualizar’ a linguagem anteriormente produzida. Apareceram robôs, leucócitos descolados, super-heróis e até verdadeiros monstrinhos. As mudanças foram bem aceitas.

Próxima atualização: assine as atualizações daqui, aqui ou aqui e saiba quando sair a próxima página.

Aprenda a desenhar!

Se você desenha, vez ou outra já deve ter ouvido: como aprendo a desenhar? Quais são os materiais que você usa? Que curso você fez? Qual é o sentido da vida?

Seu problemas acabaram! Segue aqui passo-a-passo do meu “processo” e material que utilizo, para sanar de vez questões tão pertinentes:

1. Pego um bloco de notas vagabundo que ganhei de alguma empresa (sim, aqueles pequeninhos que tem uma marquinha d’água).

2. Utilizo alguma caneta esferográfica comum (uma BIC é muito sofisticada para mim) que ganhei de brinde de alguma empresa (sim – aquelas que tem uma marquinha da empresa e que param de funcionar na segunda semana).

3. Faço um elaborado desenho de base, como mostrado abaixo. Demoro um tempão nisso – algo em torno de um a três minutos. Até uma terceira perna surgiu no exemplo abaixo, pois estava em dúvida na posição da personagem.

Esboço

4. Pego o rascunho e digitalizo num scanner sucrilhos – daqueles que custam uma fortuna do tipo R$ 100,00. Scanner sucrilhos era como o Volnei que chamava. É que de é tão vagabundo, você compra um sucrilhos qualquer e dentro vem o scanner. Quem é Volnei?

4.1. Estou fazendo Nada a Perder no formato 30cm x 45cm em 600 DPI. Um exagero, eu sei. Acredito que para trabalhos amadores/independentes/autorais/ruins (chame como quiser) como os meus, você precisa de apenas um quarto desta resolução. Mesmo os profissionais usam metade disso, acho. Sou um exagerado. Como curiosidade, esclareço que o temporário deste arquivo pode chegar a 1Gb, quando a página está concluída. Só faça este tipo de estupidez, se você tiver uma máquina que comporte isso – ou você vai sofrer. Segue abaixo o fomato de página que eu uso. Não esqueça das áreas de “sangramento”. Áreas extras necessárias para impressão, mas que serão perdidas – não coloque informações/desenhos importantes nela. Abaixo duas imagens – o formato da página (o tal do “formato americano”) e um detalhe da área de sangramento (0,5cm) e área principal – o quadrado central, onde usualmente se coloca o texto, informações e desenhos importantes. Este formato e medidas não são ‘oficiais’ – são as que eu uso. Faça um curso para descobrir as medidas exatas. Ou pergunte para um profissional.

5. Eu digitalizo o meu esboço em baixa e depois interpolo (amplio o esboço, mandando a resolução para as cucuias) ao meu bel prazer – é um rascunho, não se esqueça. Faço tudo no Photoshop.

6. Ilustro com uma mesa de desenho digital. Uma tablet. Não, não acho que este tipo de coisa fará de você um desenhista melhor ou pior. A minha é uma Wacom Intuos 3 6×8 (a área útil dela se aproxima de um A5). Posiciono o esboço onde quero na página e mando bala. O resultado está abaixo.

Final

6.1. Não, não faço passos intermediários. Raramente desenho a página inteira – normalmente faço os esboços separados e os encaixo no Photoshop. Mas uso uma guia (storyboard para os sofisticados) de como será a página (dividindo quadros e textos). Abaixo um exemplo para mostrar sua complexidade (caso não indentifiquem – às vezes nem eu entendo meus rabiscos, é a guia desta página).

7. Faço as letras, balões, onomatopéias etc no Corel. Mas você pode fazer no InDesign, Illustrator etc. Ao gosto do freguês.

Tcha-ram! Está pronto! Você já está apto a ser um desenhista profissional (eu não sou, mas você pode virar um). Acho que depois desta aula tão didática e útil, vou virar professor de histórias em quadrinhos.

Aquele velho ditado: quem não sabe fazer, ensina.

PS – para desenhar eu não acho tempo, mas para escrever besteiras… ô!

PS2 – faltou o sentido da vida. Fica prá próxima.

Ao fazer histórias em quadrinhos…

eu sempre recordo de coisas que aprendi nestes anos. Seguem as coisas:

  1. Ninguém te obriga a fazer HQs.
  2. Não, você não terá o carro do ano nem beberá aquele bom uísque fazendo histórias em quadrinhos.
  3. Ninguém vira um gênio dos quadrinhos com apenas uma obra (a mídia e a crítica pode até dizer o contrário – mas dá meia década prá ver se o cara é lembrado).
  4. A única forma que conheço para aprender a fazer quadrinhos, é fazendo quadrinhos. E muitos.
  5. Cursos, técnicas e materiais não farão de você um grande quadrinhista.
  6. Ninguém consegue viver de quadrinhos no Brasil (feitos e publicados aqui). Ok, não me venham com a exceção – ela deve existir para confirmar a regra.
  7. Poucos vivem de HQ por mais que uns poucos anos (no mundo inteiro).
  8. Podem haver vários motivos para as HQs (produzidas e vendidas) no Brasil não frutificarem, mas na minha lista não constam nem editores nem leitores. Ou – se constarem, devem ter um peso mínimo ou perto do zero.
  9. Na verdade eu considero os maiores culpados os próprios autores.
  10. Não, não vou justificar este último ponto.
  11. As editoras não são o demônio, apenas querem o maior lucro possível com o menor custo alcançável. Como toda empresa que têm de pagar seus funcionários do próprio bolso. Em qualquer área.
  12. Ninguém é obrigado a gostar do seu trabalho.
  13. Nem as editoras, nem a crítica, nem os leitores são obrigados a falar (bem ou mal) de você. A única forma de ganhar (e manter) seu espaço é pelo seu trabalho. Não importa o que você fala ou pensa.
  14. Ninguém é obrigado a comprar seus fanzines/edições independentes/revistas.
  15. Os leitores compram o que gostam, o que consideram bom (nos seus mais diversos e subjetivos valores de “bom”).
  16. Ok. A distribuição/distribuídores no país é um baita pepino.
  17. O mercado de HQs existe – pode ser pequeno, mas ao olhar uma banca qualquer, os quadrinhos estão lá.
  18. Poucos trabalhos são tão demorados, complexos e desgastantes quanto fazer uma história em quadrinhos.
  19. Vá fazer medicina ou direito. E tenha o carro do ano e aquele bom uísque que você gosta.
  20. O desenho pode ser o corpo de uma HQ. E ele deve ser atraente para a proposta que se escolhe. O primeiro olhar que gera o interesse é o corpo. Mas antes de quadrinhos é história. E a história é a alma de uma HQ. E, na maioria das vezes, amamos e lembramos por toda uma vida da alma, não do corpo. Ok, adolescentes, esqueçam o que eu disse.

Ao recordar todos estes meus estimulantes (pre)conceitos, deixo o lápis de lado e vou ver TV, estudar, ler um livro. Qualquer coisa. Menos desenhar.

Ninguém me obriga a desenhar quadrinhos.

O Circo de Lucca

Circo de Lucca | Dezembro de 2007 | 136 páginas | 16,5cm x 24cm | capa colorida e miolo… às vezes também

LuCCA. JoZZ.

Na primeira cruzada que tive com esta edição, ela não me atraiu muito. Canalha como sou, vejo antes desenho que coração. Os traços estavam todos lá, em uma mesma história, misturados em técnica e estilo. Páginas coloridas e outras PB. Esquisito. O problema prá mim nem era tanto a qualidade técnica das ilustrações, mas sim que elas beiravam muito ao cômico. Tinha algo de Estranhos no Paraíso no traço, o que me deixou confuso e sendo uma obra brasileira, inseguro. Devir??? Realmente, muito esquisito. Infelizmente talvez seja o que muitos podem pensar ao folhear este lançamento – o que é uma pena.

Semanas depois acabei lendo uma resenha sobre o livro no Quarto Mundo. E meu preconceito ignorante se foi, substituido pela urgência em adquirir o exemplar. Corri para a banca, esperançoso que ainda estivesse lá. Estava. Após ter lido, agradeço aos céus que não a tivessem vendido. Mas espero sinceramente que venda muito e – se estiver me lendo, que seja um dos agraciados pela leitura de tão belo trabalho.

O livro brinca com o tema de biografia e isto me deixou intrigado. Autobiografia? O projeto vem da conclusão de curso em Desenho Industrial, que Jozz frequentou, e tem como idéia a narrativa da personagem Lucca em fazer uma história em quadrinhos. A personagem cursa Desenho Industrial. O texto revira a metalinguagem dos quadrinhos – imagine alguns dos tópicos dos livros de McCloud e Eisner cruzando por uma HQ, mas com a orientação do autor/personagem para contar uma história. E que história!

(Metalinguagem da HQ? Putz Essa doeu. Deve ter rolado cada papo cabeça no desenvolvimento deste trabalho… zulivre.)

A história é leve, rápida e – enquanto somos levados junto com o autor/personagem na criação de seu trabalho, é muito divertida de se ler. Divertida sem ter aquele humor besta facinho. Trata muito do cotidiano do desenhista/escritor/roteirista e aí que fico me perguntando o quanto de Jozz tem em Lucca. Mas com certeza muito de Lucca ficou em Jozz. Claramente vemos no decorrer de toda a HQ o esforço e dedicação do autor na produção deste trabalho. As horas de desenho, o sacrifício em desenvolver hercúleo, inteligente e sensível projeto. Imagino a percepção sobre quadrinhos que Jozz deve ter ganho ao finalizar o Circo de Lucca. Uma percepção compartilhada a todos que a lerem.

Leitura obrigatória meninos. E meninas.

Sou formado em Desenho Industrial pela Universidade Federal de Santa Maria. Vi muita gente fazendo seu trabalho de conclusão de curso sobre quadrinhos – não foi meu caso. Eram Scott McClouds prá lá e Will Eisners prá cá. Todos reclamavam que não havia muita bibliografia. No final do livro ainda foi colocado o desenvolvimento teórico, (des)escrito, da TGI. Há boas referências e conceituações a serem exploradas – bem como a própria bibliografia que usou. Se estiverem pensando em trabalhar na sua dissertação de final de curso com histórias em quadrinhos, a leitura do Circo de Lucca é indispensável.

Se quiser trabalhar profissionalmente com HQ, também.

Compre a sua. Visite o site do autor.

* Atualização – 14/07/08
Bom. Aqui não é lugar de resenhas. Eu não faço resenhas. Isto é coisa de crítico e não sou um crítico. O que exponho aqui são meus achismos – minha visão sobre a experiência que tenho ao ler determinada obra. Por isso também não tenho preocupação maior em descrever a obra – seu enredo, desenvolvimento, etc. Como perguntaram, vou colocar algumas palavras extras sobre O Circo de Lucca.

O Circo de Lucca trata sobre algo que talvez seja familiar a todos que produzem quadrinhos: a criação de uma HQ… que faça diferença! Talvez se aplique mais a escritores (Jozz escreve e desenha a edição), mas com certeza também atinge os desenhistas, que querem seu lugar ao Sol. A trama se desenrola através do cotidiano de Lucca em busca da criação de uma personagem marcante, única – um herói. Sim. Uma personagem pode ser um herói e necessariamente não precisa voar. Imerso na preocupação de produzir um marco nas HQs (exageros incluídos), surge numa daquelas sacadas/insights inexplicáveis algo que insiste em atormentá-lo de forma onírica e engraçada: um palhaço. A trama se desenvolve em um crescente, paralelamente entre o cotidiano do artista e a construção do conceito de o que é um herói: a utilização do tema aplicada aos quadrinhos é que vem toda a brincadeira da metalinguagem genialmente sacada por Jozz. O que é uma HQ e como ela pode ser feita? O entrosamento da narrativa é ágil, muito bem construído e seu final – que obviamente não irei contar, é soberbo. Imperdível, como já disse.

Como fazer uma história em quadrinhos

  • Então você pensa em ser desenhista de HQ? Então NÃO visite a galeria com os trabalhos de Shiko. Se depois de visitar, você jogar seus rabiscos fora e optar por ser advogado, a culpa não é minha. Uma vez escrevi pro Shiko. Nunca respondeu. Uma pena.
  • Ok. Você é daqueles que não se importa taaaanto com desenho, mas o importante é a mensagem, um lance mais autoral. Bom, péssimas notícias: o Gus Morais já faz isso. Quando vi este trabalho, os piores impropérios surgiram na minha cabeça. E eu conheço muitos impropérios. Se ele faz trabalhos melhores que você? Bom… acessa lá por sua conta e risco – agora se depois correr em prantos pros braços da mãezinha, nem me viu…
  • Calma, não desista ainda. Você tem que ser forte, seguir em frente. Ser Zen. Zen chance de zer tão bom quanto quanto ezte cara. E tá vindo livro novo aí, geeeente!
  • Falando em boa pedida, o dono do Contos em Quadrinhos – Leandro Dóro me escreveu. Dóro achou que eu tinha feito 10 Centavos em vetor. Tá louco de fazer uma história em quadrinhos em vetor. Mas ele tem belos trabalhos vetoriais.
  • Aliás. Eu JÁ fiz uma HQ toda em vetor – a Turma do Ique. Vou ver se acho e posto na quarta-feira das quinquilharias. E o mais engraçado é que o Ique ainda por cima era cartum…
  • Caso não saibas, não sou muito de cartum: sou bem perseguido por não apreciar o estilo, mas vivo tirando o meu da reta. É rindo que se ri.
  • Quem se diverte às minhas custas é o sr. Moraes. Inclusive é curioso que ele insista que eu trabalhe com roteiros descritivos para HQs. Até largou a idéia por alto de trabalharmos juntos… vou pedir para ele perguntar pro sr. Danton o que ele acha da idéia.
  • Aliás – fazer fiasco com o sr. Moraes depois dele ter trabalhado com o sr. Okada? Falasério! Autocrítica é algo que não me falta.
  • Tô até famoso, o próprio sr. Diniz já está falando dos profissionais traíras.
  • Antes que algum engraçadinho se pronuncie – eu não sou profissional, não se esqueçam. Ao menos nunca ganhei um real com quadrinhos. Mas já gastei e perdi vários. Vou gastar ainda mais. Espero perder cada vez menos.
  • Finalizando: falei sobre a Prismarte dia destes e comentei sobre um conto do supra citado sr. Moraes. Este cara vai virar sócio do blógue daqui a pouco… Eis Viola e outros textos do ilustre autor. Boa dica para quem procura contos e quadrinhos para desenvolver um projeto.
  • Levei um pito do sr. Valcir. A carta que ele me escreveu não é padrão.
  • Graças ao Bigorna, recebi também um link do Impulso HQ. Meu muito obrigado ao sr. Renato Lebeau.
  • A FNAC divulgou o regulamento final do Prêmio FNAC Novos Talentos – Edição 2008 HQ. Realmente os “apenas escritores” ficaram de fora. Visto a qualidade do prêmio e respectiva organização do evento, definitivamente não entendo esta decisão… Que colocassem então só cartunistas e retirassem o termo ‘HQ’ – porque visto as restrições e o juri, não acredito que um trabalho que fuja do cômico tenha alguma chance de ganhar… Uma história em quadrinhos que não seja engraçadinha e que tenha alguma mensagem em uma página? Rá! Só se for daquele tipo poesia ou viagem…
  • Sobre concursos: você não quer levar uma porrada de gibis na faixa? Então participe da Promoção Quarto Mundo com Café (Espacial).
  • Ô post miserável que não acaba mais. Estou morto. Hm. Acho que já vi isto antes

Mark Novoselic

Retirada do Continuum,segue carta endereçada por um amigo – quase irmão, mais que íntimo, de Novoselic – Francinildo Sena; colega de aventuras que sempre nos trará vigor – e exemplo, de alguém que acreditou e lutou pelo que você também acredita. Pense nisso.

“Meus Amigos,

É com muita tristeza que venho lhes informar que Realmente é verdade.

Meu Grande amigo MARK NOVOSELIC nos deixou mesmo no último Domingo(Dia 1 de junho). Vítima de um Enfarte Fulminante. O sepultamento ocorreu ontem Segunda (dia 2 de junho). Essa manhã (dia 3 de junho) consegui finalmente falar por telefone com a esposa dele. Ela me falava chorando do empolgamento dele ao falar da HQ PRIMOGÊNITO que estava fazendo e que considerava como sendo o seu melhor trabalho com o CRÂNIO.

Infelizmente meu amigo não teve tempo de concluir a HQ e em Respeito a ele darei um tempo na HQ que deveria ser concluída em CRÂNIO n17 e publicarei outras HQs.Os último trabalhos INÉDITOS dele que tenho são duas HQs Curtas do CRÂNIO.Uma que está saindo em O MELHOR DO CRÂNIO Vol. 1 e outra que sairá no Volume 2.

NOVOSELIC era um cara de muitas qualidades. Era apaixonado por Rock e Quadrinhos. Bom esposo,bom pai honesto e amigo.Usava este nome como pseudônimo mas, o seu verdadeiro nome era GIOVANI MENDONÇA CONTANI.

OS Quadrinhos Nacionais Independentes perderam muito.

Eu Perdi um GRANDE AMIGO

O CRÂNIO perdeu O SEU MAIOR ARTISTA

Todos ESTAMOS DE LUTO.

Que meu Grande Amigo DESCANSE EM PAZ ao lado do PAI CELESTIAL

FRANCINILDO SENA”

A morte, senhores, é uma merda.

Meus mais profundos pesares a todos amigos. Todos que o conheceram. E a todos que compartilharam com ele – muito mais que o sonho, o seu trabalho.

Coisas que li

Fun Home
Em bom carioquês: caraca, maluco! Fazia muitos (muitos mesmo) anos que eu não lia algo tão bom. Mais uma prova da importância da história e do ritmo como ela é contada – porra, a gente não precisa de provas, precisa é de conscientização. Considero (quem diabos sou eu?) um marco nas histórias em quadrinhos adultas. E o desenho não importa – o que importa é uma boa e bem contada história (agora criei guerra).

Alison Bechdel é uma menina qua não se identifica com o padrão estereotipado que mulheres devem se vestir de rosa e brincar de casinha. Na verdade quem gosta de brincar de casinha é o pai dela – sério. Bruce Bechdel (o pai) possui um controle rígido sobre os filhos e o seu prazer é reconstruir uma velha casa vitoriana – onde moram, em seus menores e mais fidedignos detalhes. Além de professor de literatura em uma pequena cidade do interior ele possui outro afazer, herdado de sua família: cuidar da funerária da cidade (daí Fun Home). Em uma obra biográfica daquelas que nos deixa desconfortável, Alison nos apresenta sua infância de traumas e fobias em um ambiente literário fantástico – cheio de cultura e intimidação no relacionamento entre ela e seu pai. Ainda que absurdamente completo de referências textuais a diversos autores, a leitura obrigatória deste livro – que gibi o que!!!, é leve e muito rápida. Absolutamente perfeito. Adendo: impressionante é o cuidado do traço de Alison – mesmo não sendo técnico, possui acurada preocupação com sua realidade. Vai comprar logo, cabeção que a edição ainda por cima é de primeira, muito bem cuidada.

Da Conrad: “Eleito o livro do ano em 2006 pela revista Time, figurou na lista de livros mais vendidos do The New York Times e faturou diversos prêmios (entre eles, o Eisner Awards de Melhor Não-Ficção).”

Links de HQ (ou alguma coisa relacionado a isto) – prá variar um pouco

Quadrinho Digital – http://www.quadrinhodigital.com.br/
Bem legal a proposta – um compêndio de webcomics. Mandei o link daqui prá lá. Vamos ver o que acontece.

Um dia de Morte – http://graffiti76.com/
A qualidade dos colaboradores da Graffiti dá vontade de chorar. É uma merda que não se encontre este tipo de publicação em bancas. É uma merda pior que todo esse pessoal não consiga viver dignamente produzindo histórias em quadrinho. Há lá atualmente Um dia de Morte, HQ online das buena.

Estevão Ribeiro – http://www.estevaoribeiro.com.br
Criador do Tristão, distribui boas HQs online – entre elas A Demente e recentemente o álbum Contos Tristes. Vale a pena ler.

Sad Comics – http://odyr.tripod.com/
Se eu fosse desenhista, queria desenhar assim.

Projeto Continuum – http://www.projetocontinuum.com/
Sempre passo lá. Tem sempre muito espaço para material nacional – inclusive recebi palavras incentivadoras sobre 10 Centavos.

Lucio Rubiro – http://www.comicspace.com/lucio_rubira/
Se eu começar a colocar links de desenhistas brasileiros fodaças aqui, eu nunca mais vou parar. Realmente. De desenhistas o país vai bem… mas e… roteiristas…? Lembro duma frase genial que lí séculos atrás (acho que era do Cerito) que dizia mais ou menos que “uma HQ antes de ser Quadrinhos, é História”. E aí?

Nostalgia do Terror – http://www.nostalgiadoterror.com/
Taí algumas HQs de terror, online. Material dos bons, bons mesmo. Alguns tu chega a chorar de raiva de tão bons. Não se faz mais esta linha de trabalho hoje em dia?

José Aguiar – http://www.joseaguiar.com.br/
Trabalhos do José aguiar – do Quadrinhofilia. Pena não haver uma ou outra HQ online.

Mario Cau – http://www.pieces.mariocau.com/
Bota foda as histórias desse cara. Vá dar uma olhada.

Bodega – http://www.leonardosantana.com.br/loja/ProdutosLoja.aspx
Quer comprar uma revista independente? Ou fanzine mesmo…

O Divulgador – http://odivulgador.zip.net/
Blog com notícias e lançamentos – muito mercado nacional. Lexy Soares teve a boa vontade de apresentar 10 Centavos lá e deixou uma criança feliz.

Blog dos Quadrinhos – http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/
Um clássico. Gosto dos textos e da forma que são apresentados lançamentos sobre (ou de) HQ

HQB Universo HQ – http://universohq.com/quadrinhos/news_brasil_indice.cfm
O lado brazuca do universo HQ.

Infernotícias – http://infernoticias.blogspot.com/
Atualizações sobre o universo do terror (horror?), ficção & fantasia, quadrinhos, música e afins. Muito bem feito. 10 Centavos foi anunciado lá. Falando nisso… Onde se encontra HQs de terror/horror online?

Alisson Borges (Reencontro) – http://www.webcomix.com.br/webcomix/templates/interna_revista.html?id_revista=13&id_pagina=73
Não sou muito de mangá, mas só pelo fôlego deste cara, vale a pena dar uma olhada.

Desvio – http://desvio.art.br/
Eu não gosto de nada nesta vida, muito menos de tiras ou cartuns. Mas A. Moraes e J. Okada são hilários neste trabalho.

Arteiro Verde – http://www.arteiroverde.blogspot.com/
Webcomic em produção. Vai ter gás assim na… hum. Eu gostaria de ter um gás assim.

Diálogo com a Morte
Primeira, segunda e terceira versão para um mesmo roteiro. Gostei.

Yangoverso – http://yangoverso.blogspot.com/
Duas HQs onlines.

Nova Hélade – http://novahelade.homemgrilo.com/
Não sou o único maluco que vai colocando HQ página a página. Muito legal a a nova versão da terra dos helenos. Me deu uma saudade de Dreadstar.

Ervilha – http://www.mediafire.com/?ml10nzle2km
Eu não gosto de ler em PDF. Mas é um puta trabalho.

Soldado – http://www.rodrigosoldado.xpg.com.br/
já disse que não gosto de um monte de coisas? Bom. Eu não gosto deste tipo de desenho, mas gostei disso, disso pt 1 e disso pt 02. Não gostar é uma coisa. Se fechar é outra. Tem também o blog do cara, que me lembrou do Viko Loco.

The Major – http://www.themajor.org/
Achei duas HQs lá. Impressionante a qualidade de ambas.

Contos em Quadrinhos – http://contosemquadrinhos.blogspot.com/
Histórias em quadrinhos ao estilo conto“.