Histórias em Quadrinhos • DS.art.br

Silêncio, por favor.


Vamu quebra tudo

Tenho estado quieto. O motivo é simples. Três coisas têm preenchido meu tempo: o site, os contatos e os desenhos. Bom… eu trabalho e sinceramente não dou conta de tudo isto. Então tive que sacrificar uma destas atividades. Obviamente o site.

Penso em ficar ainda mais quieto. Minha visão sobre o Mundo mudou e penso que talvez este site não me sirva mais. Talvez seja hora de zerá-lo, um novo leiaute e apenas com HQs.

Sem este blá-blá-blá desnecessário. Minhas visitas irão a zero, provavelmente.

Mas é a vida.

E eu gosto de mudanças.

*PS – sinceramente não sei como esse pessoal de edições independentes consegue ter site, contatos, fazer HQ e ainda por cima VENDER seus revistas. Poutz. Quero mudar de emprego.

Onde estão os escritores?

Ontem gastei uma grana do caramba.

Comprei 7 livros de histórias em quadrinhos nacionais.

O desenhos de todos os quadrinhos estavam – no meu gosto pessoal, na média ou acima dela. Apenas um dos ilustradores me decepcionou.

Agora, o que me assustou foi a qualidade dos textos. Não achei nenhum soberbo. Os melhores eram ou bons ou bonzinhos. Nada de muito bom ou ainda excelente e a maioria estava era meia boca, prá ser bem sincero. Sem falar dos preços – inacreditavelmente salgados. Poucas dezenas de páginas e muitas dezenas de Reais é pedir demais pro vivente. Se ainda fossem obras geniais, passava.

Não sou bobo e não vou dar nome aos bois, até porque o objetivo disto aqui é ser meu espaço pessoal e não sou crítico profissional. Mas na boa, fiquei bem desapontado com a qualidade dos argumentos. Faltaram conflitos pessoais, tramas mais elaboradas ou mesmo liçõezinhas de moral – pontos que acho cruciais numa HQ. Ou mesmo numa história, simplesmente.

Onde estão os roteiristas nacionais? De excelentes desenhistas estamos lotados, mas e escritores?

O interessante é que fui em busca da ‘crítica especializada’ sobre todas as obras que adquiri – e foi aí que tomei um susto maior ainda. Acho que na boa dezena de sites – ou mais, que olhei sobre estes livros, apenas um ou outro teceu comentários menos elogiosos sobre determinado trabalho – ou mesmo sobre o preço. O restante simplesmente enalteceu todas as edições que comprei, dizendo que eram a última bolachinha recheada do pacote. O engraçado é que aqueles sites que fazem resenhas também sobre os independentes, são mais realistas (sóbrios?) em suas críticas quando o trabalho não é um “livro publicado por editora”.

Perá lá! Posso não ser um profissional da área, mas passo longe de ser bobo – assim como todo leitor que paga mais de trinta reais por um livro. Esses ‘críticos profissionais’ devem ter mais cuidado na hora de escrever suas opiniões sobre quadrinhos nacionais ou este e aquele lançamento… não é porque estamos em um momento de expansão editorial tupiniquim que tudo são rosas.

Acho melhor as editorias começarem a cuidar melhor dos escritores e obras nacionais/autorais que publicam, senão isso tudo não vai passar de fogo rasteiro e a ressaca vai ser enorme.

Acho melhor a crítica parar de babar sobre os trabalhos em livros só por serem brasileiros, senão vai ficar mal falada.

E pior: assim como os livros de HQ nacional, deixar de ser lida.

Links sobre quadrinhos

Juro que às vezes nem eu entendo a internet… apesar de ‘linkar’ muita gente, quase ninguém retorna os links – sejam em notícias. Apesar disto, tenho tido um constante crescimento de acessos diários e contatos. Eu amo o Google e mais ainda você que tem a paciência de me aguentar e acompanhar Muertos (a HQ grátis daqui). Mesmo a maioria dos integrantes do grupo o qual participo – o Quarto Mundo, não manda links prá cá. Não entendo a internet como disse, já as pessoas, deixei de entendê-las faz tempo. Ok, já implorei e rastejei por divulgação, vamos aos links de sexta-feira:

  • Grande Castelo – muito boa esta história em quadrinhos de Marcelo Fontana e Thiago Magalhães Francisco. Podiam colocar alguma navegação entre as páginas para facilitar a leitura online.
  • O imperdível Nanquim Descartável, do sr. Daniel Esteves, chegou ao seu segundo número e ganhou até blog.
  • O Banco Itaú por vezes pode ser cultural; HQ com textos e desenhos de Júlio Brilha.
  • Não faltam desenhistas ao mundo: conheçam Rafael Cravo (ou será Raphael?).
  • Com o fim da greve dos Correios, nesta próxima semana – ou ainda na outra, vou encomendar uma porrada de coisas. Entre elas, o Necronauta, e conhecer melhor os belos trabalhos de Danilo Beyruth.
  • Falando em pedir, estou em dúvida ainda quanto ao Prontuário 666. Não há dúvida da beleza do trabalho de Samuel Casal… como será o texto de Adriana Brunstein? Não questiono o quanto ela entende de Zé do Caixão, já que parece ser uma especialista do assunto…
  • Ei – cs notaram que os nomes? DANIEL, DANIlo, RafaEL, SamuEL… Medo.
  • Prá quem curte passar medo, convido-os a conhecer o (já famoso) Boca do Inferno. Prá quem conhece, sempre vale uma visitinha, prá quem não conhece – é hora de deixar de ser um herege.
  • Fabio Cobiaco. Esse criaria boas capas para HQs de terror
  • Gus Morais é aquele cara que te deixa de mau humor (não preciso disso, estou sempre de mau humor); leia os quadrinhos de Sinestesia.
  • Uma HQ online precisa destes pontos que já falei… O pessoal do Armagem Herética pelo visto jogou tudo pro alto, mas aindassim há novidade sobre o Homem Morto.
  • Como estou escrevendo sobre temas como medo, morte e horror – só coisas alegres como eu, há uma última infeliz notícia: Desvio encontrou seu caminho. Sem volta. De repente, tendo uns 10 mil acessos diários eles voltam. Com esta quantidade de acessos eu também continuaria…

Bom final de semana, pessoal.

HQs Online

Talvez muitos chiem. Mas na próxima página da história em quadrinhos online Muertos, nem todos os desenhos são… mera coincidência. Poderia culpar o texto que praticamente me obrigou a isto, mas… nãããã. A oportunidade era boa demais para deixar passar em branco. Eis mais uma página de quadrinhos de Muertos.

Excepcionalmente nesta quarta-feira não terei quadrinhos das antigas para postar. Para me redimir, publicarei uma nova página da HQ gratuita Muertos. Então voltem na quarta, pessoal.

E se puderem divulgar, agradeço. Tendo uma maior frequência de visitas ou entrando em contato mais regularmente, torno padrão a publicação de duas páginas por semana. É com vocês. Vocês mandam. Sintam-se à vontade. A casa – de fato, é de vocês.

Até quarta!

Venda de gibis

Então você fez um fanzine, uma edição independente, uma revista em quadrinhos. Ou seria uma graphic novel? Independentemente do suporte e acabamento é um gibi, porra! Desculpe pelo ‘porra’. Não escrevo mais ‘porra’. Vamos chamá-lo de gibi de quadrinhos, por conveniência. É o nome mais curto para digitar. Gibi.

Fizeste teu gibi e agora quer vendê-lo. Anunciou até no estimado idolatrado salve salve Quadrinhos Independentes, do grande Edgard Guimarães. Vendeu cinco exemplares. Não satisfeito com a saída do gibi, entrou em contato com uma porrada de outros zineiros. Mandou trinta cartas. Para se certificar, ainda entrou para o universo digital e enviou mais cinquenta e-mails. Depois de tudo isso você alcançou a inacreditável venda de vinte e cinco edições da sua revista independente.

Você tenta se matar.

Mas não desiste. Digamos que você tenha tido uma preocupação maior com acabamento e a imprimiu em offset, capa colorida bonitaça, mil exemplares. Gastou aquela nota. Começou a divulgar na internet coisa e tal. Dali três meses você já tem uma cota de vendas impressionantes: cento e cinquenta exemplares vendidos. Você está saltitante. Ao menos até perceber que sua lista de contatos com outros autores possui a exata quantidade de gibis vendidos.

Depressão.

Reação: você tem que “furar a bolha”. Alcançar o leitor. Vai na banca do seu coração, na comic shop mais perto e naquela livraria que o dono é seu amigo – coloca vinte cópias em cada estabelecimento. Semana após semana você retorna aos pontos de venda para perceber que não vendeu um único exemplar. Após sofridos dois meses, seu amigo-dono-da-livraria já está puto que você não tira aquela tranqueira de lá. Você deprimido retira todos seus zines dos locais de venda. Após o terceiro mês, é claro. Até que não foi tão mal. Vendeu oito exemplares. Em três meses.

Por uma iluminação digna dos maiores santos – até porque são todos loucos, você percebe seu erro desde o início. Falta distribuição! Uma andorinha não faz o verão e três bancas não completam sua coleção. Já que torrou grana imprimindo mil exemplares, o que é um punzinho (gostaram do punzinho?) para quem agora está contratando uma distribuidora? Para mil exemplares, como a distribuidora que é camarada sua, vai cobrar apenas 50% do preço da capa. Nesta quantidade eles normalmente cobram 55%, 60%. Ah. Adiantados. E lá vai seu gibi com distribuição para todo estado. Hã? País? Melhor ainda. Ahn…? Ok. País, mas só capitais.

Passam-se mais três meses. Das mil revistas, você vendeu duzentos e vinte e duas. Foi bem até. A distribuidora, já puta da cara contigo (porque todas as bancas, comic shops e livrarias querem se livrar daquele lixo faz uns sessenta dias – imagina um gibi ficar mais de um mês em uma banca!) exige que você decida se vai querer só as capas das revistas ou vai pagar o reembolso, para tê-las inteiras. Você, quebrado, não tem opção. Dali três semanas você recebe aquela maçaroca de capas.

Após um mês sem falar com ninguém, você decide trabalhar com outra coisa. Publicidade, design… sei lá. Qualquer coisa. Quando perguntado – pelo resto da vida, o que deu errado, você sempre responderá que “não há mercado”.

Apesar das bancas – abarrotadas de HQ, dizerem o contrário…

Mas então o que deu errado? Não sei. Mas posso levantar três pontos que percebi e que vejo pouco sendo falado sobre a decisão na compra de um leitor de quadrinhos. Podem ser um ou mais destes pontos, que levam alguém a comprar sua edição. São eles:

  • A editora é conhecida. Poucos comprarão algo da ds.art.br comics. E provavelmente quem o fizer, deverá ser outro autor – mesmo que amador (desenhista, escritor etc). Mas muitos se arriscariam a gastar seu rico dinheirinho se o que estiver por trás é uma grande editora.
  • O autor é conhecido. Um Zé Mané como eu não vende. Mas um Alan Moore impresso em papel jornal pela ds.art.br-comics-fundo-de-quintal vende às pampas.
  • O obra é conhecida. Um Zé Mané como eu continua não vendendo. Mas um Zé Mané que teve boa acolhida pela mídia especializada, vai dar mais saída que prostituta (eu escrevi prostituta…) a dé reau.

Há ainda aquela possibilidade de a revista ser tão boa, mas tão boa – normalmente em desenhos (pobres roteiristas), que acaba vendendo. Mas é um ponto que não elenco como principal, pois sofre de muitas variantes. Primeiro é julgar a qualidade – quem faz isso é o leitor que compra, não você, autor. Afinal o objetivo é venda, então qualidade é encontrar saída para seu trabalho. O que usualmente conflita com o “faço o que gosto”. Ou “quero”. Ou ainda: “sei fazer”.

Há milhares de outras coisas. Eu mesmo não sei a solução. Se soubesse já tava rico vendendo gibi. Nem as editoras grandes sabem. Elas também lançam edições que vendem mal. E muito mais do que elas gostariam.

Toda esta historinha é fictícia. Mas ela já aconteceu muitas e muitas vezes do Oiapoque ao Chuí (aqui do lado). Acho que é um compêndio de um dos assuntos que se discute no fórum do Quarto Mundo: o Quinto Mundo. Há propostas sobre o assunto. Dá uma passada lá.

Vai que no próximo empreendimento você chega até a número dois do seu gibi. Com lucro, é claro.

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Vampiro: A Máscara

Acho que todos os que tinham algum tipo de interesse em quadrinhos, contos, desenhos, artes e ilustração devem ter se apaixonado pela obra de Mark Rein Hagen. Detalhe: nem comentei os jogadores de RPG. Vampire: The Masquerade, quando foi lançado pela Devir, trazia em uma edição incomparável de luxo à época e o livro, por sí só, foi um marco no campo de role playing games. A trama era digna dos melhores livros de horror (terror?), com um tema intrigante que perdura os séculos (vampiros, caso esteja em dúvida) e a arte… bom… acho que tenho até hoje wallpapers das imagens deste livro. Curiosamente eu conheci a obra – se minha memória não está me enganando, em 93 graças ao Informativo Perry Rhodan e o tive em minhas mãos em São Paulo na Rhodancon. Uma história em quadrinhos claramente guiada por Vampiro: a Máscara, eis que – 12 anos depois, apresento a HQ Primeiro Fratricida.

Prismarte

Após alguns atropelos, recebi os Prismartes que comprei no Bodega. #36 e #45. Junto, gentilmente me foi enviado o Informativo do Quarto Mundo #0. José Valcir ainda me anexou uma carta (provavelmente padrão) expondo que estava saltitante por ter adquirido exemplares. Não meninos, ele não escreveu saltitante. E perguntou:

Aproveito a oportunidade e gostaria de saber o que você gostou?

Prismarte #36 | Outubro de 2006 | 32 páginas | 14cm x 20,5cm | capa colorida e miolo P&B

Possui as seguintes HQs:

  • O Morro dos Ventos Uivantes com texto de Magno e arte de Bia Selva
  • Ciúmes com texto de Leonardo Santana e arte de Milton Estevam
  • O Inferno de Acordo (com as histórias cabeludas de Rodrigo) com texto de Bruno Machado e arte de Silvio dB
  • O Machado com texto de Abs Morais e Léo Andrade
  • O Chamado com texto de Leonardo Santana e arte de Gérson Borges

Ainda conta com o conto (…) Viola de Abs Morais, introdução da edição e contra-capa com divulgação do próximo número. No meu urmiude (humilde, para quem sabe escrever) achismo, os destaques ficam para os pustas (não falei putas) desenhos de Milton Estevam, o bom roteiro de dB e a arte da primeira página de Leo Andrade. Primeira página? Continuando. Todavia o trabalho que mais chamou minha atenção fora o conto de A. Moraes. Muito bom e bem quadrinizável, apesar de não ter gostado muito de sua conclusão. Moraes, em uma idéia simples, dá uma aula de narrativa e construção de diálogos, com parágrafos precisos, palavras bem escolhidas e no ritmo certo. Até me senti meio nostálgico, talvez por ter me identificado de certa forma com o texto.

Prismarte #45 | Novembro de 2007 | 40 páginas | 14cm x 20,5cm | capa colorida e miolo P&B

Possui as seguintes HQs:

  • Kwi-Uktena com texto de Wilson Vieira, arte de Fred Macêdo e letras de Felipe Lima
  • Sutileza da Morte com texto e arte de Rafael Pereira
  • Precisa-se com texto e arte de Bira Dantas
  • Fuga com texto de Alexandre Lobão e arte de E. C. Nickel
  • A Volta do Papa-Figo com texto de Leonardo Santana e arte de Dell Rocha

Figuram em seu conteúdo: editorial, um texto sobre o que pretendem em 2008 e contracapa com divulgação do próximo número. Ainda possui O Pecado um conto de Leonardo Santana e A Loira do Banheiro de Alexandre da Costa. Esta edição surpreende até os mais experientes na leitura do terror. Não saberia destacar alguém aqui – todos os trabalhos estão num nível surpreendente e asseguro, àqueles que adquirem a revista, que não irão se arrepender. A Loira do Banheiro me deixou especialmente perturbado mas todas as parcerias (ou solos) neste número trabalham com extrema habilidade. Tenho comprado aqui e ali lançamentos voltadas ao terror – algumas com alcance nacional, mas levam um banho deste número da Prismarte

O que lhe chamou mais a atenção para adquirir a Prismarte?

Definitivamente o tema de terror. Foi o que me fez comprar estas edições em específico. Sou um aficcionado por terror/horror. A utilização de prévias no Bodega foi decisiva na minha compra. Aconselho a vocês a utilizarem o mesmo recurso no catálogo de vocês, no site da Prismarte.

Onde a conheceu: saite, comentário de alguém?

Conheci anos atrás – através de buscas na internet – não lembro exatamente como, mas me interessou muito. Todavia do conhecimento da existência à compra, foram anos até surgir o Bodega. Aliás – escrevi uma ou outra vez para vocês… mas os formulários sempre davam pau (essas coisas a gente não deve expor na internet, como fiz agora).

Quais são suas perpectivas com nosso trabalho?

Hm. Não entendi. Perspectivas? Acho interessante a proposta atual do Prismarte – de fazerem números ‘temáticos’, mas – também graças a isso, acho difícil manter uma regularidade de leitores. Quem compra terror, compra mangá? Estou sempre atento ao site de vocês. Vamos ver os próximos movimentos.

Se pretende adquirir (outros números) ou fazer assinatura da Prismarte?

Olhei o site de vocês e não encontrei assinaturas. Vocês dispõem de que vantagens aos assinantes? Desconto de quanto?

São respostas que muito nos interessa para construir uma revista sólida e comprometida com o leitor.

E assinou. O sr. Valcir além de gentil é muito humilde. Prismarte JÁ é uma revista sólida e comprometida com o leitor e NÃO precisa de um mané como eu para confirmar isto. Não conheço ninguém no mercado independente que tenha o fôlego e preocupação que esse pessoal têm nas suas já 47 edições (!!!).

Bem impressa e editada, com trabalhos de alto nível, são edições essenciais na coleção de qualquer leitor de quadrinhos que se preze. Compre no Bodega (#36 e #45 que comprei) ou entre em contato diretamente com o pessoal da PADA – Produtora Artística de Desenhistas Associados.

Ah – e peça que coloquem amostras de páginas no catálogo deles! Será que sou o único que insiste com isso? (Só não diz que falei isso, que já tô começando a receber ameaças por encher o saco com isso).

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Quadrinhos na internet

  • Guia do Ilustrador. De Ricardo Antunes. Boa pedida. Tanto se você JÁ trabalha com desenhos e ilustrações ou pensa em começar isto. Aliás. Possui dicas válidas para todas as áreas – não só de desenhistas. Como iniciar um portfólio, como negociar e cobrar seu trabalho e o que é e se comportar na vida de ilustração. Se eu tivesse lido isto há uns dez anos…
  • Sergio Chaves promove “Qual o melhor momento para apreciar um café espacial?”. O primeiro colocado levará nada menos que um exemplar das edições Café Espacial nº01, Café Espacial nº02, Buttons da Café Espacial, Homem-Grilo nº42, Alienz, Isto não é uma revista… de Terror!, Sideralman nº01, Defensores da Pátria nº01, Tempestade Cerebral nº01, Justiça Eterna Zine nº27, Nanquim Descartável nº01, Quadrinhópole nº04 e um Informativo Quarto Mundo. Os 2º e 3º colocados ganharão um exemplar das edições de Café Espacial nº01, Buttons da Café Espacial, Justiça Eterna Zine nº27, Tempestade Cerebral nº01, Homem-Grilo nº42, Alienz e um Informativo Quarto Mundo. Simbora prá lá!
  • Boca do inferno #2. Pedidos aqui. Ainda estou esperando as páginas de prévia… reclama prá eles também!
  • Totem para download.
  • Dead End – terceira parte. Da HQ Alternativa.
  • O Marlon Tenório colocou ampliações dos trabalhos dele. Reclamar adianta. Mas no fim, acho que ele está utilizando NextGEN Gallery ou algum outro plugin que integra o Flickr com o Wordpress e que permite ampliações até o tamanho médio… o que está dando pau em algumas páginas. Para ampliações de imagens maiores, somente pagando ao Flickr. Aqui faço tudo manualmente. Querendo, explico como.
  • Da Super HQO Pequeno Ninja!
  • As coisas tem que ser feitas na munheca!
  • Mas afinal de contas… quem diabos é o Crânio???
  • 7.
  • Ai não sei, mas adorei seus óculos!
  • Diz o Lorde Lobo que é mais uma hora dos penitentes começarem a pagar pelos seus pecados.
  • A sociedade pode, por vezes, ser radioativa.
  • Todo mundo acha que que alguém que fica numa piscina por dois meses é um idiota.
  • Como este post, eu nunca sei a hora de parar.

Avenida

Avenida #01 e #02 | Março e Julho de 2007 | 32 páginas | 17cm x 25cm | capa colorida e miolo preto & branco

André, Rui e Wellington.

Três amigos. Gostam de quadrinhos e decidem fazer uma revista. O que fazer, como fazer? Qual abordagem?

Acho que fora este o ponto de partida do independente Avenida. Ou ainda como a primeira edição apresenta:

Seja bem-vindo a Avenida. Seria um lugar comum se não fosse os acontecimentos e histórias que o tempo deixou para trás, as pessoas que nela vêm e vão diariamente, os segredos e mistérios guardados atrás de cada parede e em cada esquina.

Há mais de quinze anos atrás, meu irmão – Alexandre, entrou no “ramo de fanzines”. Acabei indo junto. E lá se foram o Informativo Perry Rhodan, (não lembro o nome do meu outro zine, acho que era) Fã Zine e Caos. As coisas eram simples, porém mais trabalhosas na edição de um exemplar. Tinha um doisoitomeia, era tudo na base de redução de xerox e as cópias não ultrapassavam trinta ou cinquenta cópias. Hm. Acho que o IPR passou disso.

Hoje, com a revista independente Avenida, vejo como as coisas mudaram. Mesmo tendo comprado nas últimas semanas mais de dez (apenas dez?) edições independentes, Avenida se destaca também em seu cuidado gráfico. Explica-se: Wellington trabalha no meio da produção gráfica, por mais que ele deva (re)negar isso. Com impressão, papel e design ímpares – Avenida já deixa, de largada, a maioria das edições que se encontra em bancas no chinelo. E pode botar as grandes editoras na lista. Das edições que tenho aqui, é a mais primorosa e requintada no seu acabamento. E isso, senhores, vende.

Sem querer estragar nenhuma surpresa maior, posso adiantar que a proposta da revista é que cada um dos três autores possam contar suas histórias, nos seus próprios estilos, mas que tenham algum entrelaçamento entre suas obras. Achei muito bem sacado e excelentemente resolvido.

Rui Silveira nos apresenta no primeiro número uma introdução da proposta do projeto, em um magestral texto com desenhos muito, muito bem cuidados. No segundo número vem com uma HQ que continua na brincadeira do mote da edição. Achei legal demais. Quando você chega no segundo número você já saca como funciona e é simplesmente divertido e empolgante ler a revista.

Wellington Marçal nos apresenta seu personagem Primo Biu. Os desenhos são muito bons, mas vou ser sincero: não gosto muito de humor. Não sou crítico e apenas exponho neste espaço minha opinião inválida e pessoal. Primo Biu possui excelentes desenhos e uma narrativa rápida e engraçada. Mas no humor eu sou mais daquele sarcástico, politicamente incorreto e mal humorado (ou ainda humor negro, optando chamar desta forma).

André Caliman. Escreve e desenha nos dois números. Virei fã do sr. Caliman. Comprei Quadrinhópole também – ele está lá. Vou falar mais adiante destas edições. Li o Undeadman inteiro (o arco que foi feito ao menos). E estou admirado que como ele escreve bem nas HQs do Avenida, além de seu desenho solto e pessoal. Na minha visão ele consegue se destacar numa edição de primeiro nível que é o Avenida. Apresenta José Silva – uma história em quadrinhos no ritmo policial meio clichezão na medida exata – com direito a suicídios, mortes, máfia, traições e conspirações. Bota f***! Bom demais. Agora… ser história em quadrinhos com final a ser concluído também é f***!

O que me deixa nos nervos é estas histórias com continuação. No fim tive o azar de não conhecer – ou não comprar, o Avenida antes. Mas também sorte porque logo, logo, tem o #3 que poderei adquirir. Agora imagina o pobre leitor que leu a história do José Silva, há um ano atrás e nem sabe o que aconteceu com o coitado. Ele deve odiar profundamente o Caliman por isso. Eu odiaria. Mas entendo que complicaria a proposta e a edição como um todo.

Minha nota não é 10. É 11. Se um leitor não muito acostumado com o quadrinho alternativo, independente, perguntasse qual revista eu indicaria para que começasse a ler este tipo de revista, aconselharia os Avenidas. Fácil.

Então não perca mais tempo.

Se não gostar, pode vir tirar satisfações comigo.

Penitente #1

Penitente #01 | 2007 | 20 páginas | 17cm x 26cm | capa e miolo coloridos

Recebi a revista independente do Penitente (adoro esta rima) que comprei no Bodega – uma loja de quadrinhos independentes, que muito provavelmente só vende gibis de vocês-sabe-quem. Meu amigo… o que dizer do Penitente? Eu tenho muitas, muitas, muuuuuuuuuuuuuitas ressalvas sobre histórias em quadrinhos de super-heróis. Não de heróis brasileiros – de super-heróis de qualquer nacionalidade. Já disse que tenho MUITAS ressalvas? Pois bem.

Penitente vale a pena ser comprada e lida. São duas histórias na revista. O editor-autor-fazedor-de-cafezinho da revista teve um cuidado exemplar na edição. Com direito a introdução, meiquinhófe, apresentação do processo de criação e por fim uma contracapa vendedora. Preocupação com detalhes. Este é um dos fatores do sucesso de um trabalho – divulgação e distribuição são outros.

As histórias são simples e eficientes. Os desenhos são competentes e a colorização está de acordo. Tem uma boa impressão e achei muito adequado o formato e o papel escolhido – lembrou muito as edições da Cedibra da década de 80 (Badger – acho que era o nome). Não conheço muito o mercado de heróis hoje em dia, mas não creio que tenha mudado vertiginosamente em relação ao meu tempo – os desenhos e qualidade de impressão devem ter ido as alturas (assim como o preço), mas não devem ter havido maiores mudanças que isto. Achei que Penitente não deve a nenhum “número um” de qualquer HQ de heróis – seja a nacionalidade ou editora que for. Mesmo as grandes.

O Junior (um cara que trabalha ao meu lado e passa o dia inteiro lendo webcomics e, egoísta como só ele, não me passa um linkezinho) disse que era igual a Spawn (como se escreve isso?). O próprio autor comenta sobre isso. Tenho a Spawn #1 (e só a #1) e – após ler Penitente, apesar do mote ser paralelo, percebe-se claramente as diferenças. Mas só nas histórias seguintes que veremos para onde o escritor/argumentisa vai enveredar. Gostei da idéia do orar pela alma do cara. Vamos ver.

O que vejo de complicado é a continuidade. Este tipo de gibi tem que ter sequência e regularidade. Todo mês edição nova e de fácil acesso ao leitor. O que acredito ser impossível sendo independente e tendo que ter outro trabalho para pagar as contas no final do mês. Uma pena. Parabéns ao Lobo, porque me conquistou e vou comprar a #2, quando sair.

Muitos dos fanzineiros, que fizeram fanzines, e hoje gostam de se chamar independentes, fizeram quadrinhos de heróis. Eu mesmo me encaixo no perfil. Vejo em Penitente um excelente começo que, fosse jovem, gostaria de fazer parte – pois na revista nota-se claramente o vigor juvenil e a força da personagem. É o tipo de projeto que escreveria pro autor dizendo “sou desenhista e queria desenhar uma HQ do Penitente”.

Gostaria de ser jovem novamente.