Nanquim Descartável
Nanquim Descartável #1 | Outubro de 2007 | 32 páginas | 17cm x 26cm | capa colorida e miolo P&B
Teoricamente é fácil falar sobre Nanquim Descartável. Fácil porque é uma história em quadrinhos surpreendentemente boa. Só não é fácil por dois motivos: minha incapacidade de entender como se conseguiu chegar a este resultado. O outro motivo é obviamente minha inveja. É brabo falar desse pessoal que nos dá uma camaçada de pau (terminho aqui dos pampas) que você nem sabe de onde vieram os tapas, pontapés e socos.
Sempre fico muito surpreso quando um escritor (e não escritora) escreve sobre o universo feminino.
Conheço muitas HQs feitas por homens que dedicam seus roteiros e contos a personagens femininas, todavia a linha que separa o ridículo/forçado e o natural/suave, normalmente não é bem equilibrada. Porco chauvinista e ignorante que sou, acredito que esta tênue divisão é justamente característica da alma feminina, tão incompreendida pelos homens. É dito que todos os homens são iguais. Bom meninas, Daniel Esteves não é. Vão atrás de Daniel Esteves*! Em Nanquim Descartável ele nos trás “As loucas aventuras de Ju e Sandra” (parace ter saído de chamadas de filmes da sessão da tarde), duas estudantes universitárias que dividem apartamento e se ‘aventuram’ em relações amorosas, trabalhos, festas, estudo e… quadrinhos. Sim, histórias em quadrinhos. Ju (cujo nome não é Juliana), estudante de jornalismo, escreve as histórias enquanto Sandra (cujo nome é Sandra), estudante de artes plásticas, desenha os quadrinhos.
De fato é impressionante o tom de realidade que você encontra neste trabalho. Esteves conseguiu imprimir uma personalidade aos personagens e seus diálogos que não consigo encontrar paralelos no mercado. Se você está pensando em Estranhos no Paraíso, esqueça. Depois de ler Nanquim Descartável vais considerar a obra de Terry Moore caricata e distante. Quem quiser chiar, que leia primeiro o Nanquim antes de abrir o bico. O texto é tão verossímil que parece que estão narrando alguma parte de sua vida cotidiana quando se tem vinte, vinte e poucos anos. E sem aquele lenga-lenga chato e aborrecido que são as chamadas “histórias adultas”. E muito menos aquele humorzinho fácil, senão nem estaria gastando meu tempo escrevendo esse achismo. Impressionante mesmo. Não sabia que podia ser feito isso nem desta forma.
A qualidade gráfica da edição não deixa a desejar – impressa em offset com papel apropriado. Os desenhistas – e eles são muitos, são competentes e percebe-se em todo o projeto um tom profissional e bem planejado. O que é outro destaque da revista. A idéia de misturar desenhistas – mantendo uma certa linha de ilustração, entre páginas apresentadas fora de uma ordem sequencial é fantástica. Contribuem nesta edição Wanderson de Souza, Julio Brilha, Alex Rodrigues, Wagner de Souza, Mário Mancuso, Bira Dantas, Carlos Eduardo com diagramação de Esteves e Rodrigo Priolo.
Queria ter a suavidade e compreensão do mundo que estas meninas possuem ao enfrentar a ‘louca aventura’ da vida.
Para saber mais sobre o trabalho acesse a HQ em Foco – e reclama prá eles lá uma dúzia de páginas de preview (pode dizer que fui eu que pedi). Você vai se surpreender.
*Meninas, já ia esquecendo: ele ainda por cima levou o HQ Mix de Roteirista Revelação.
Ganhadores do 24º Prêmio Angelo Agostini (2008)
Ou: não ganhamos nada.
O Oggh deixou de ser um quase roteirista mas ainda não levou nada com isto. A não ser uma ou outra zoação.
* Melhor Desenhista de 2007: Laudo Ferreira Junior.
- Laudo desenha melhor do que eu, sem dúvida. Velho conhecido do meio há mais de uma década – ainda mais depois de tia Aninha (ou alguma coisa assim). Todos o conhecem pelo seu bom humor, sua boa vontade, seu trabalho incansável e ele merece se dar bem mesmo. Peraí… a votação era de melhor desenhista ou de cara legal – ouquei, eu não ganharia em nenhuma das duas de qualquer forma. : )
* Melhor Roteirista de 2007: Anita Costa Prado.
- O Oggh perdeu para esta escritor…a.
* Melhor Cartunista de 2007: Marcio Baraldi.
- Não leio cartum. E acho que quem lê cartum não deve ler Vertigo. A maioria ao menos. O Júnior ao meu lado relutou comigo… fez mil ressalvas… não concordou.
* Melhor Lançamento de 2007: Menino Caranguejo.
- Menino… Caranguejo. Não li. Quem quiser pode me enviar um exemplar. De graça.
* Melhor Fanzine de 2007: Justiça Eterna (Sergio Chaves).
- Merecido.
* Troféu Jayme Cortez: Eloyr Pacheco.
- Este tipo de premiação eu me abstenho.
* Mestres do Quadrinho Nacional: Aníbal Barros Cassal, Antônio Luiz Cagnin, Diamantino da Silva, Fernando Dias da Silva, Ofeliano de Almeida e Salatiel de Holanda.
- OK.
Conclusões
Agostini é do “público leitor”, juri popular – não tem jeito – quanto mais conhecido um nome – independente da qualidade do trabalho, vai ganhar. Se quiser ganhar isso, faça propaganda – não necessariamente produza alguma coisa. Voto popular deveria ser apenas por obra. O resto deveria haver votação através de juri + produtores cadastrados. Transparência de votos e apuração. Particularmente não acho que devia levar prêmio algum por 10 Centavos – não é choradeira ou dor de cotovelo, foram lançados muitos trabalhos melhores que 10 Centavos. Mas houveram obras e autores excelentes que eu percebi que foram de certa forma desmotivados por esta premiação. Agora… falando bem sério: se você está preocupado com concurso, você está fazendo alguma coisa errada.














