Bolo Podre
A Desilusão, a Verdade e algumas xícaras de café surgiu num fim-de-semana que… bom, não tinha nada para fazer. Queria uma HQ curta para testar técnicas de traço que ainda não havia feito… sabia que seria complicado, então não quis me delongar muito.
Podia ter feito eu mesmo algum poeminha, viagem visual/textual, mas não optei por este caminho. Sempre há escritores demais para desenhistas de menos. Fui à cata de um texto na internet e… tomei um susto.
Na prática, não existem argumentos online. Nada de roteiros na internet, voltados para histórias em quadrinhos. Até levantei a questão em um ou outro fórum da vida e as respostas foram parecidas: é muito fácil plagiar um texto alheio. Mais que um desenho, ao menos.
Inegável, mas… pensando um pouco… e os livros que temos contato? Filmes? Eles não podem ser… hã, também base para idéias? Eles não estão aí? Pues.
Estou falando de textos para HQs de poucas páginas, não um novo Watchmen. Inclusive, considerando a realidade, é pouco provável que – principalmente na rarefeita produção amadora brasileira, surja um novo Watchmen desta forma – ao contrário que o autor pode (se) achar. Se surgir, o brilhante escritor não terá dificuldades em encontrar um parceiro rapidamente, não se preocupe.
Falo (escrevo) de colocar textos online pelo simples motivo de contrapartida. Explico: é comum um argumentista topar com um desenhista na rede e enviar o recado – não quer fazer uma história minha? Clássico. Ele sabe o que esperar do desenhista, já este, não. Seria legal um artista encontrar um texto na rede, que ele curta e escreva pro escritor: gostei, posso desenhar?
Foi o que eu fiz. Enquanto espaços virtuais para argumentos de HQs são rarefeitos, fui atrás de sites com contos online. Eles são milhares. Milhões, mundialmente? Será que possuem esta preocupação de serem copiados? Com certeza. A ponto de travar e divulgar sua produção? Com toda certeza, não.
Encontrei por fim o site de Alexandre Simas Dias. Gostei bastante de Bolo Podre. Escrevi para ele. Muito atencioso, deu liberdade de adaptação do seu texto para uma banda desenhada (ele é de Portugal, diga-se de passagem). Fico grato a ele por tamanha atenção e voto de confiança. Mudei seu título apenas para reduzir ao máximo o recurso de falas, balões etc. É interessante perceber que um pequeno conto de poucas palavras, deu origem a tantos quadros e duas páginas de desenho. Se for colocar seus roteiros online, pense em HQs de diversos tamanhos, para aumentar sua chance de parcerias.
Adoro a internet. Pode ser lugar de baixaria e perda de tempo, mas também é de produção e confluência de idéias. E idéias são metais que se confundem.
Ou algo assim.
Sem achismos sobre o quadrinho nacional
Já que o pessoal que curte HQ não lê mais que um parágrafo de texto, vou aproveitar e xingar todo o universo. Todo mundo curte um bafafá e este tipo de coisa dá ibope (no caso, acessos). Alguém mais atento pode perceber que o xingamento é como atirar pedra no telhado do vizinho, tendo seu próprio telhado de vidro. Mas eu vejo que é mais como cuspir prá cima.
- O quadrinhista nacional adora chorar pela falta de retorno, de reconhecimento. Realmente, é uma linha de raciocínio engraçada.
- Não há reconhecimento, porque não há público interessado. Se não há leitor, então não há mercado. Havendo mercado, haveria dinheiro, que move a bagaça, que interessa a todos (viver de quadrinhos, se você está confuso), que cria a competição e que por, fim também gera reconhecimento.
- Dos melhores, é claro.
- Por que não há público leitor interessado? Bom é porque as histórias em quadrinhos nacionais ou são muito ruins ou não objetivam o leitor médio, a maioria. Escolha o que seu ego deixar.
- Há a desculpa da distribuição também, se você quiser. Mas com internet hoje em dia… onde o que gera interesse, queima feito rastilho de pólvora… Você vai precisar de um ego muito bem treinado para se enganar desta forma.
- Ah, sim. A desculpa dos enlatados inundando as bancas, não cola mais. Lamento.
- Cada vez sê lê menos? Fato. Cada vez se lê menos em suportes e mídias tradicionais? É uma tendência.
- A desculpa de ter que trabalhar para se sustentar e não poder se dedicar aos quadrinhos é por demais válida.
- Só não me vem chorando depois que ninguém tem interesse pelo seu parco trabalho.
- É dá ou desce.
- Suspeito que a maior parte dos autores nacionais que tiveram destaque nestes dez anos passados, viviam com os pais ou alguém os sustentava, de alguma forma. Sem problemas – eu queria estar nesta fatia!
- Como não existe mercado, não há salários e produção contínua, nem amadurecimento por parte do autor. Sem amadurecimento, a obra do cara não cresce em leitores.
- Baita círculo vicioso.
- Complicadíssimo sair dele – mais fácil é se iludir e se achar um Frank Miller ou um desenhista qualquer que você curte.
- Mas no mundo real, quem decide isso são os leitores – não aqueles seus dez amigos, não você. Se você não tem leitores suficientes… Well. Ficamos restritos a autores apaixonados/amadores que não pensam seu trabalho de forma mais comercial (até porque ela não existe). Quem vai culpá-los?
- Para crescer como autor, a coisa vai ter que ser por amor. Por um bom tempo. Até achar o caminho: leitores. Lamento.
- Amar é não pedir nada em troca. Muito menos reconhecimento.
- O álbum de histórias em quadrinhos brasileiras que mais vendeu nos últimos anos deve ter alcançado, uns dois mil exemplares. O autor deve ter ganho entre 8 e 12 mil reais. Há quem diga que mal vendeu quinhentos exemplares. E até me destilaram que ele topou publicar de graça (espero sinceramente que não seja verdade)!
- É um trabalho de um ano ou mais. É normal um trabalho destes, no Brasil, levar três anos de produção. Alguns demoram até cinco anos.
- Agora pegue o que ele ganhou e divida pelo tempo de trabalho. É. Qualquer desenhista razoável ganha mais que isso em uma agência de publicidade, escritório de design ou produtora de vídeo. Mesmo as furrecas. E por mais escravizado que ele seja nestes lugares, é menos trabalho que um projeto destes. Claro, não estou escrevendo agora sobre realização pessoal.
- Na última década não devem ter havido cinco autores nacionais que alcançaram metade deste marco – em vendas e valores. Estou desconsiderando, obviamente, obras infantis/humorísticas e vendas para o Estado.
- O(s) autor(es) que consegue lançar um livro, o faz(em) por interesse próprio – está a fim de contar as histórias deles, não aquelas que seriam assimiladas por uma grande massa. Não vejo absolutamente nada de errado nisso. Eu mesmo queria poder fazer isso.
- Histórias autorais são nichos, uma parcela que existe dentro dos tipos existentes de quadrinhos. Cada um objetiva o que quer. E tem o retorno que merece. O interessante é que trabalhos autorais são normalmente uma minoria, dentro do universo/mercado de publicações nos quadrinhos – mas no Brasil são a supremacia atual do que é publicado, quando se refere a autores nacionais. Ah, sim. Não existe mercado, então estamos apostando na elite que compra quadrinhos. O que acho um bom negócio, não extamente uma boa idéia.
- Culpa das editoras? O investimento para lançar um autor brasileiro nacionalmente é muito maior que comprar quadrinhos estrangeiros. E com muito mais riscos. Vocês comprariam um gibi do Alan Moore, Grant Morrison ou do Daniel Mané?
- Claro que há politicagem na publicação e em editoras. Em que mundo você vive? Existe politicagem até na compra e venda de carnes, pro açougue mais fuleiro. Você não vai fugir dela, em nenhuma área. Mas com um trabalho acima da média, você fura a politicagem.
- As editoras são livres para fazerem o que quiserem – vivemos em um estado capitalista, se você ainda não percebeu.
- A saber (tem muita gente que nem faz idéia do que é o capitalismo), este regime basicamente permite que você trabalhe no que quiser, ganhe o quanto puder e gaste esta grana no que der na telha. Obviamente, há leis que gerenciam e limitam esse monstro, como em qualquer regime – então não seja mala. Injusto? Com certeza – tudo feito pelo homem é. Mas prefiro este regime a um que limita no que você pode trabalhar, até quanto vai ganhar e não deixar gastar no que quiser.
- Então depende de você, e apenas de você, correr atrás do prejuízo. Você quer? É contigo – corre atrás. Chorar, lamento, não adianta. Não vão te dar (ou comprar) teu gibizinho, só porque você quer. Ninguém se interessa por choradeira – agora, por um trabalho bem feito, é possível. Quem decide o que é bom, pode até ser você – mas quem paga pelo seu trabalho é o leitor, então… bom, deixa prá lá.
- Agora, se você quer imprimir (ou participar de) um gibi e ninguém está interessado em bancar, por menor que seja o valor ou a tiragem, não existe a possibilidade do trabalho… não for bom? Enviei Muertos a umas três editoras – nenhuma se interessou. Gosto de pensar que o desenho não estava a altura da história, mas resigno-me ao fato que meu trabalho não teria boa aceitação – não venderia o suficiente para valer a pena.
- Incrível também como o quadrinhista brasileiro acha que o caminho é conseguir verba pública.
- Quer dizer… pode até ser – prever o futuro é estupidez. Acho bem legal o Estado colocar HQs na escolas, como meio narrativo ou ainda, educacional.
- Mas me pergunto: se não há interesse por parte da iniciativa privada (entenda-se: de uns poucos) colocar dinheiro em um projeto destes porque não há público, mercado etc e não haveria retorno, por quê seria correto torrar grana da união (entenda-se: de todo mundo) em algo assim?
- Há quanto tempo isso é feito no cinema nacional mesmo? Quantos destes projetos se pagaram?
- Ah! Aquele projeto se pagou? Então não precisa de verba pública, ora bolas!!!
- Aindassim, a desculpa de ajudar, de ser uma iniciativa, é válida.
- Mas é isso, uma iniciativa: uma coisa é capacitar, auxiliar inicialmente para que depois se caminhe com as próprias pernas. Outra é sustentar, viciando no investimento sem cobranças, objetivos e responsabilidades. Sem rodinhas, por favor, a certeza do futuro está em pedalar sozinho.
- Não há almoço grátis – alguém está pagando por ele. E se está pagando, tem de ter retorno, senão é insustentável.
- Enquanto isso, vou me inscrever em algum edital também.
- Distribuição. Grande problema.
- Envolve muita grana, muito risco. Coisa que ninguém sensato faria. Ricos e idealistas são poucos hoje em dia. Isso existe mais em mercados caóticos. Estamos em uma economia estável e muito bem calculada sobre custos/benefícios.
- O Brasil já teve uma economia caótica. Curioso como nessa época haviam tiragens tão altas, não?
- Eu sempre me pergunto como conseguiram abandonar (ou eliminar) tantos leitores entre as décadas de sessenta e oitenta. Não consigo nem imaginar um boa resposta sobre isto, por mais que me esforce.
- O negócio é internet, distribuição alternativa, segmentada, associada a pequenos distribuidores de produtos variados e semelhantes (ou nem sempre). Juntar-se a outros e trocar figurinhas. Sofrido. Demorado.
- O trabalho autoral independente imprime em gráfica as suas revistas – de quinhentos a mil exemplares. Estas cópias podem demorar anos para escoarem, atualmente. Muito trabalho, muito tempo. Tem que estar a fim. Não acho o melhor caminho, mas pode dar certo, tendo saco, tempo e grana. Com sorte, muita sorte, você empata ou tem pouco prejuízo.
- Animador?
- Super-heróis (brasileiros). Tema delicado. Não tenho nada contra. Sério.
- Não há dúvida que para, efetivamente viver de quadrinhos – por mais que poucos meses ou anos, você tem que criar seu universo, seus personagens (heróis, mangá, infantil, etc). Mas sempre algumas coisas me vêm à mente quanto a isto… e elas se aplicam a qualquer temática, estilo etc – vou usar ‘heróis’ porque sempre leio muito sobre isso.
- Muitos choram que as editoras não tem interesse nesse tipo de coisa. Será? Ok – você faz gibi de heróis… mas desenha como o Marc Silvestri? Olha o ego…
- Ah, desenha igual? Tudo bem, eles não querem o Marc Silvestri, porque eles já tem o Marc Silvestri. E sai muito mais barato que você. E é provável que ele seja mais conhecido também…
- Sinceridade: por que alguém se interessaria num personagem (brasileiro ou não) com os poderes do Super-Homem, com a roupa do Spawn com as histórias do X-Men? Bom, você talvez até goste deste tipo de coisa, sem problema – é um mundo livre. Uma coisa é usar o deus grego Morpheus outra é usar o personagem/histórias criadas por Gaiman no Sandman.
- Já eu, preferiria os originais.
- Aí vem a questão. Você é original? Eu não sou.
- É muito difícil ser original. Precisa de muito trabalho, muito tempo e nenhuma choradeira. É mais fácil usar a estepe de outros (personagens, histórias etc) e chorar. Ou fingir que é original. Os estrangeiros mesmo vivem se ‘inspirando’ entre eles – não é uma característica regional, não se preocupe. Lá fora, quando a cópia dá certo, usualmente é porque seus autores já são famosos e possuem seu séquito que os sustentem.
- No fim eu não choro (mais). Estou nessa de HQB há menos de um ano, mas aprendi bastante. Parei de chorar.
- Quadrinhos, no Brasil, é passatempo.
- Como croché, artesanato, quebra-cabeça de 10 mil peças… a maioria dos caras que fazem quadrinhos no Brasil trabalha com outra coisa e quando dá, faz um quadrinho ou outro.
- Por que eu não fui fazer croché?
- Vendo a bagaça como passatempo, você não cria ilusões – ser amado, premiado, remunerado blábláblá. Não criando ilusões, você não se desilude.
- Tem muita gente que faz desta forma (um passatempo). Como um bom passatempo, você faz e joga prá dentro da gaveta.
- Não há como ter idéia do tamanho, quantidade ou qualidades de HQs feitas assim – elas não saem da gaveta, lembra?
- Todavia há gente que possui tamanha paixão (leia-se ego) que gosta de mostrar o que faz. Mostra para encontrar seus iguais, para ser elogiado, para ter maior conhecimento da existência do seu trabalho. Normal. Busque sites/blogs de artesanato na internet.
- Este site é um exemplo disso.
- Há aqueles que não somente satisfeitos em ter um site, propagam pelos mais diversos meios digitais sua existência (olha eu de novo). Querem que suas histórias sejam mais conhecidas. É a velha máxima: qual o sentido de contar histórias senão para alguém ouvir? E também querem mais elogios, óbvio. Faz parte da brincadeira. Já que, dinheiro que é bom…
- O problema é que de toda ação, vem uma reação (sic). E esta reação pode ser… nada. Nenhum acesso, nada de links, nadica de nada.
- O que significa isso? Que você está a frente do seu tempo? Pode ser. Que você é um incompreendido? Com toda a certeza do mundo. Mas – se o seu interesse é ser compreendido, lido, sai de baixo da cama, pare de chorar e faça algo que gere interesse, acessos e links. Ou não. Ah: ter leitores das porcarias que você escreve sobre o trabalho alheio e não leitores da porcaria do trabalho que você escreve/desenha, acredite – não é um bom negócio…
- Mas cada um vive na realidade que lhe convém ser mais feliz.
- A propósito: pare de ler isso aqui e vá ler as HQs que eu fiz!
- Por favor?
- Pelamorde…?
- Outra reação possível é a opinião alheia. Ela é sempre bem-vinda quando positiva e um um desastre quando negativa? Muito pelo contrário.
- Melhor um carrasco que te decapita a um ‘amigo’ que faz você queimar lentamente na fogueira. Dói mais, ao meu ver. É muita presunção achar que todos irão amar o que você faz. E pior ainda é destratar aquele que – educadamente, diz que não gostou do seu trabalho.
- Claro que há de se separar o joio do trigo. A opinião pode ser ofensiva e desnecessária e isso não é opinião: é xingamento. Chamar o cara de idiota, imbecil (para não cair nos termos de baixo calão), torna a crítica muito pessoal e completamente irrelevante.
- Já vi boas resenhas (nem sempre tão positivas) de trabalhos que se estragaram por chamarem o autor de panaca… ou algo pior. É comum confundir o trabalho e o autor. É comum ter mais gente disposta a escrever mal de alguém ou algo do que encontrar um disposto a apoiar. Apoio dá mais trabalho, é comprometedor e pode ser vexatório. Destruir é rápido e indolor.
- Gostar ou não gostar sem dizer porquê complica tudo e tem de ser mágico para entender uma opinião, tirar o melhor proveito dela. Boa ou ruim. Mas ouça/leia de qualquer forma. Sempre.
- Se forem opiniões negativas, não fique arrasado, não desista, não desanime. Se quiseres começar a ter retornos mais positivos, muito pelo contrário: faça melhor. Faça mais. Traga uma resposta no seu trabalho. Não em respostas à opinião. Mas isso depende de você e do que você quer. Você pode inclusive se cercar de amigos que só te querem bem e nunca o criticam de fato. Qual o problema nisso?
- O caminho que for, dane-se o mundo. Siga o caminho que te faz feliz.
- Tem gente mais doente ainda que busca a crítica especializada. Manda seus trabalhos a jornalistas, revistas e sites.
- Tipo eu.
- Antes de mais nada – não são os desenhistas ou escritores uns babacas convencidos. Uns exibidos insuportáveis. Como escrevi dia destes no Orkut, quando estamos entre nossos pares, tentamos sempre parecer mais que somos – nos mais diversos aspectos pelos mais estranhos motivos. Cerceando pelo tema (área de atuação), é só olhar qualquer encontro de professores, engenheiros, advogados, administradores, médicos, publicitários etc. Percebe-se um certo ódio e arrogância entre colegas de profissão. O ego não cabe apenas aos quadrinistas (eu prefiro quadrinhistas – de quadriNHos), ele é natural, uma característica da condição humana.
- Voltando. Essa crítica pode vir (o cara publicar no site, revista, jornal etc) ou não. Se não vier, quer dizer que você não se encaixa no perfil da publicação (o Omelete não é o inimigo – eles publicam o que querem, pô!) ou o seu trabalho… bom, você sempre pode recorrer à lógica da raposa, onde as uvas estão verdes. Aliás – só o fato de se dar ao trabalho ao apresentar alguma análise de um trabalho suspeito como o meu, como aconteceu em Muertos, é prova que há o interesse dela (a crítica) em alavancar nossos próprios criadores. Nenhum crítico é obrigado a ceder espaço com material brasileiro. Não se esqueça disso nem dos que o fazem.
- Acho muito complicado criticar. Tanto que parei com meus achismos sobre outros trabalhos. A crítica especializada, o jornalista, tem o dever de equilibrar valores, julgá-los e apresentar de forma inteligível, justificada e interessante.
- Duvido que alguém tenha lido até aqui, mas este texto é um exemplo claro disto: eu não sei fazer isso.
- Na verdade acredito que muito poucos sabem – mesmo entre os ditos críticos.
- E é complicadíssimo, ao crítico, falar de HQB. Ele não lê isso, normalmente. E quando leêm é mais complicado ainda – (os bons críticos) provavelmente sabem decor e salteado tudo que escrevi aqui. E aí tudo se torna relativo.
- Daí surge a crítica ‘chapa branca’. O que é um baita pepino – pode atrapalhar mais que ajudar por simplesmente tendenciar o leitor ao erro e a decepção. Decepção esta que ele vai, para sempre, associar ao quadrinho nacional.
- Uma coisa é divulgar. Outra é falar bem por falar – apenas por ser HQ brasileira. Há também as iniciativas opostas – que pensam ser válidas por humilharem as outras. Ao meu ver, aquele que se considera crítico/resenhista ‘profissional’ não pode produzir quadrinhos. Ao também fazer HQ, toda sua visão fica comprometida e é comum que suas críticas sejam aplicadas… a eles mesmos! O crítico que escreve sobre você hoje é aquele que te convidou pruma parceria ontem (e você não pôde aceitar seja qual motivo for): bom, eu não queria estar na tua pele.
- Criticar não é puxar o saco. Também não é falar mal. É interpretação. E muito poucos conseguem interpretar coisa alguma. Eu já vi de tudo: inclusive crítica escrita por gente que não leu o trabalho analisado.
- Sério.
- Sim. Há muita picaretagem no meio. Amigos dos amigos. Ego. Eu sei: é impossível fugir do ego (ele serve entre tantas outras coisas, como ferramenta para ter a consciência de que… bom, se existe). Ele é humano e em boa parte, responsável por avanços, evoluções, insurreições ou revoluções. O que é bom.
- Mas há o ego prejudical, malicioso. Aquele pelo qual se usa os outros apenas para se dar bem, pelo qual se fala mal do alheio, para colocar alguém para baixo e fechar portas que nada interessariam ao detrator.
- Isso é normal em um mercado – competição e tals. Mas… não existe mercado! Ninguém ganha grana e todos perdem com este tipo de atitude! Falar mal do cara ao lado, que faz quadrinhos nacionais – existindo tão poucos leitores, é falar mal sobre as HQs nacionais! Então acho engraçado. Hilário.
- Ajudem-se. Amem-se. Daniel para presidente (ou autor de livros de auto-ajuda)!
- Eu tenho predileção por HQB – não fosse não escreveria tanto sobre, nem compraria tanto material nacional. Tenho admiração e respeito por tamanha paixão e heroísmo numa luta inglória e sem medalhas. Fico impressionado quando alguém – sem ganhar um tostão ainda por cima, surpreende com um trabalho de qualidade ímpar. E curto fazer também minhas historinhas, é óbvio. Ali, quando dá. Na manha.
- Mas precisamos nos unir de alguma forma, sem iniciativas demagogas, falácias ou meias verdades.
- Não precisamos de salvadores. Precisamos de uma visão maior, sobre o todo, que deve ser construída em conjunto. E bons trabalhos que falem por si.
- Jamais escreva algo sobre o que expus – ou da forma que fiz. Você acaba por ganhar muitos desafetos.
- Mas… e aí? Por que nunca deu certo? Não nos falta sermos mais honestos e abrirmos nossas portas? Para não repetirmos mais os mesmos erros? Não nos falta auto-crítica? O que é outro ponto interessante: não podemos nos criticar? Ter opiniões? Mesmo que diferentes? Você pode ter uma visão diferente da minha e, respeitando-me, não vai se tornar meu inimigo, acredite.
- Eu na verdade vou ficar de olho em você, bem de perto. E prezá-lo como alguém (no mínimo, ao menos) que tenta, que pensa. Claro – isso se você tiver algo a dizer, além de xingar os outros. Ou de tramar retaliações por baixo dos panos, entre seus pares.
- Nenhum destes pontos acima são indiscutíveis, confirmáveis ou criveis. São meus achismos, até agora. Posso mudar de opinião amanhã. Faço isso o tempo todo. Tenho a ilusão que corro à busca de amadurecimento. Ego, com certeza.
- Duvido que alguém leia isto. Muito grande. Nem eu leria. Quem está interessado? Nem eu estou!
Ok, esta última é mentira. Mais uma, entre 100.
Decifra-me ou não te leio
Eu tenho uma quantidade de acessos absurda. Ao menos para a média de sites de quadrinhos. Eu acho, ao menos. Não – não é um milhão por dia. Eu sou apenas um babaca desconhecido. Agradeço a todos que visitam o babaca desconhecido que vos escreve.
Abri este site prá publicar 10 Centavos online. E abandonei. Voltei (mais de ano depois?) com Muertos. Depois de Muertos o site alcançou uma quantidade de visitantes diários que anteriormente só alcançava em 3, 4 meses.
Com Nada a Perder, está sendo maior ainda a visitação. Não confunda visitas com pageview/páginas visitadas/hits. Pesquise no Google para saber qual a diferença. É capaz de dobrar a quantidade de visitantes com a HQ do sr. A. Moraes (mérito do sr. Moraes).
Hum. E daí? Quero me exibir? Cadê os números? Onde estão as provas?
Do início. Fiz 10 Centavos e Muertos por passatempo. Diversão. Queria ser visto por mais gente que as versões impressas permitiriam, claro, e por isso fiz o site – mas a realidade que me trazia ao chão, apontava que não seria muito mais que isso. E, em Muertos, até que foi. Antes que me joguem pedras sobre exibimento, quem não quer ser notado sequer fala. Ou escreve. E muito menos desenha.
Todavia, lentamente, comecei a levar a sério a parada. E o primeiro ponto destoante que percebi foi a quantidade de comentários a cada página publicada. Ok, o Google Analytics (uso 3 sistemas de estatísticas diferentes – sou um doente, eu sei) me avisa quantas pessoas vieram, prá onde foram e por quanto tempo ficaram – ele até compara com sites de perfis semelhantes. Está tudo um mar de rosas segundo o Google.
Mas e os comentários?
A quantidade de comentários não batem com a quantidade de acessos e tempo que o leitor fica aqui pelo site – e mais uma vez, agradeço a você por isso. Não, não espero que escrevam: “você é ótimo”, “é o melhor trabalho que já li” ou megalomanias do tipo. Mas percebi a falta do “li”, do “ok”, do “legal saber que seu trabalho existe” (é uma bela duma porcaria, mas existe). Ou mesmo as pedradas – “que porcaria”, “nunca vi algo tão ruim” etc para manter um determinado verniz social. Pessoal, vocês podem não gostar de detrminado trabalho, mas expor suas opniões em baixo calão é se rebaixar mais que o trabalho porco que você odiou.
Fui olhar à volta.
Vejo que muito do que é publicado por aí – impresso ou digital, é feito no amor, na paixão. Inclua-me aqui. E como tal, encontram outros enamorados que acabam por se juntar em tamanha paixão não-correspondida. E daí pululam os comentários nos fotologs, blogs e sites da vida: “ótimo”, “fantástico”, “você é o cara”. O pessoal que comenta são outros ‘produtores’ (escritores, desenhistas, editores etc). E mais que amigos, são seus parceiros na produção – no fim, estes são responsáveis por boa parte do cara continuar trabalhando feito um camelo, sem ganhar nada, fazendo suas histórias em quadrinhos por puro prazer. Tenho absoluta certeza que todos estes colegas que comentam não são apenas lembrados, mas também estão na preces diárias de cada “dono de um site”. Estão nas minhas preces, ao menos.
Mas… e o ‘apenas leitor’? Aquele que não produz HQ e acabou no seu site, para ler seu trabalho? Onde estão seu comentários de “primeirão”? Eu mesmo pouco comento em sites alheios, então não espero que façam diferente de mim. Mas este tipo de comentário é importante se você começa a levar a coisa a sério. Eu não levo – mas algo em meu espírito começa a principiar o contrário. O ‘apenas leitor’ possui peso fundamental. Se não há comentários de vocês (ou deles – agora me confundi) significa que você (ou eu, no caso) está no caminho errado. Porque nem o trabalho de dizer que estava ruim, seu leitor quis escrever no site, post etc.
E aí – você está nos quadrinhos por ego ou por alcançar leitores do seu trabalho? Leitores das histórias que você conta. Em quadrinhos.
Bom, seja qual for meu caminho, obviamente estou no errado.
Onde estão os escritores?
Ontem gastei uma grana do caramba.
Comprei 7 livros de histórias em quadrinhos nacionais.
O desenhos de todos os quadrinhos estavam – no meu gosto pessoal, na média ou acima dela. Apenas um dos ilustradores me decepcionou.
Agora, o que me assustou foi a qualidade dos textos. Não achei nenhum soberbo. Os melhores eram ou bons ou bonzinhos. Nada de muito bom ou ainda excelente e a maioria estava era meia boca, prá ser bem sincero. Sem falar dos preços – inacreditavelmente salgados. Poucas dezenas de páginas e muitas dezenas de Reais é pedir demais pro vivente. Se ainda fossem obras geniais, passava.
Não sou bobo e não vou dar nome aos bois, até porque o objetivo disto aqui é ser meu espaço pessoal e não sou crítico profissional. Mas na boa, fiquei bem desapontado com a qualidade dos argumentos. Faltaram conflitos pessoais, tramas mais elaboradas ou mesmo liçõezinhas de moral – pontos que acho cruciais numa HQ. Ou mesmo numa história, simplesmente.
Onde estão os roteiristas nacionais? De excelentes desenhistas estamos lotados, mas e escritores?
O interessante é que fui em busca da ‘crítica especializada’ sobre todas as obras que adquiri – e foi aí que tomei um susto maior ainda. Acho que na boa dezena de sites – ou mais, que olhei sobre estes livros, apenas um ou outro teceu comentários menos elogiosos sobre determinado trabalho – ou mesmo sobre o preço. O restante simplesmente enalteceu todas as edições que comprei, dizendo que eram a última bolachinha recheada do pacote. O engraçado é que aqueles sites que fazem resenhas também sobre os independentes, são mais realistas (sóbrios?) em suas críticas quando o trabalho não é um “livro publicado por editora”.
Perá lá! Posso não ser um profissional da área, mas passo longe de ser bobo – assim como todo leitor que paga mais de trinta reais por um livro. Esses ‘críticos profissionais’ devem ter mais cuidado na hora de escrever suas opiniões sobre quadrinhos nacionais ou este e aquele lançamento… não é porque estamos em um momento de expansão editorial tupiniquim que tudo são rosas.
Acho melhor as editorias começarem a cuidar melhor dos escritores e obras nacionais/autorais que publicam, senão isso tudo não vai passar de fogo rasteiro e a ressaca vai ser enorme.
Acho melhor a crítica parar de babar sobre os trabalhos em livros só por serem brasileiros, senão vai ficar mal falada.
E pior: assim como os livros de HQ nacional, deixar de ser lida.
Como fazer quadrinhos
Este post vai ser grande. Prepare-se. Se eu estou avisando – já que sempre escrevo demais, você deveria levar a sério. Fazer HQ não é moleza, então por que você achar que dicas de como fazê-la seriam? É até bom. Faz a concorrência desistir no início.
Vou procurar emprego de cão farejador da polícia. Fuçando a internet encontrei esta preciosidade do sr. Hector Lima – criador do Major. (É uma pena que não conseguirei comprar uma versão impressa da edição desta revista…).
No texto ele expõe com a sagacidade da experiência dicas para os roteiristas, escritores e argumentistas que querem fazer suas histórias em quadrinhos e ainda viver disso. Foca bastante a questão prática objetivando o profissionalismo e a publicação por editoras. Escreve claramente e sem rodeios – apresenta muito de sua opinião pessoal, sem frescuras, e somente por isto deve ter sido a melhor lista de dicas a respeito de como escrever uma HQ que já li.
Acesse e leia agora: como ser roteirista de HQ em 15 passos.
Aproveitando o excelente tema, vou fazer uma proposta completamente baseada (copiada) de seu pontos, mas voltada a desenhistas de quadrinhos. Como desenhar uma HQ. Não sou profissional e não creio que um dia me torne um. Então minha opinião é prá lá de suspeita porque não vivo de HQ, mas a idéia insana de tentar fazer ao menos um projeto totalmente voltado ao mercado, à publicação por editoras, começa a passar pela minha mente. Estes pontos – os mesmos do sr. Lima, são minha visão pessoal. Não possuem validade alguma como afirmação definitiva. Mas até aí… quem tem algo que seja definitivo? Vejo que este texto seja mais voltado a quem está ‘começando’, ou mesmo àquele que está a um passo de começar a ganhar grana com quadrinhos. Não falo sobre cursos de HQ, mas é proposital – quero retornar ao tema no futuro. Outrossim, como o próprio sr. Lima escreveu, gostaria de ter lido estes tópicos dez anos atrás.
REGRAS ABSOLUTAS PARA SE TORNAR UM DESENHISTA DE HQs
- Você só será desenhista de HQs desenhando. Lamento.
- Você só será desenhista de HQs desenhando muito, por muito tempo – por vezes anos, sem retorno algum. Você terá de desenvolver seu próprio método de paciência e controle de frustrações. Lamento.
- Você só será desenhista de HQs desenhando muito mais que sua preguiça queria e muito menos do que você precisa. Terá de criar por sua conta a rotina, prazos e objetivos – a maior inimiga de um desenhista é a não-prática. Lendo HQ ou vendo ilustrações excelentes não torna você um desenhista melhor. Lamento.
- Provavelmente há poucas coisas/profissões tão chatas quanto ser desenhista de HQ. Cada página leva horas. Às vezes dias. E uma história sempre tem muitas páginas. Lamento.
OS 15 PONTOS (E MEIO) PARA SER UM DESENHISTA DE HQ
- Leia livros. Sério. A leitura de livros além de estimular raciocínio, força sua imaginação. Ao ler um livro, você tem que construir visualmente o que se passa naqueles letrinhas insuportáveis. E imaginação visual é tudo para um desenhista. Maior é o desenhista quanto mais próximo de sua imaginação ele de fato consegue transpor ao papel. Como consegue isto? Praticando – vá desenhar.
- Veja filmes. A proximidade entre cinema e HQ é óbvia e exaustivamente levantada por todos. A vantagem é que ela traz referências visuais que somente esta mídia permite – cenários, efeitos visuais, maquiagens, tecnologias. Tudo isso vira referência para você. O que eu faço com estas referências? Pratique – vá desenhar.
- Consuma Moda e Arte. Seja vendo maquinários, bens de consumo, embalagens, imagens de livros de design e ilustração. Isto vai virando uma poderosa biblioteca de informações para seu cérebro poder cruzar os dados e fazer surgir em você um artista com estilo próprio e reconhecido. Como conseguir virar um artista referencial? Praticando – vá desenhar.
- Interaja com as pessoas. Não adianta você ‘consumir’ tamanha informação e não levantar outras visões, outras perspectivas. Não adianta você só praticar fechado no seu mundinho. Veja como são as outras pessoas – visualmente, e como elas agem – psicologicamente. Depois disso? Pratique – vá desenhar.
- Tenha curiosidade pelo que está acontecendo. Conhecer o mundo a sua volta é essencial. As notícias vigentes, para poder retratar o mundo a sua volta – sejam idéias, cenários ou mesmo pessoas. Você faz uma HQ brasileira que parece se passar em Nova Iorque? Ter um conhecimento sobre história (humana/da arte) muitas vezes é fundamental para se criar uma história que tenha embasamento suficiente para que o leitor acredite nela. Você deve ter veracidade com a realidade/proposta que está desenhando. Como alcançar isto? Praticando – vá desenhar.
- Uma HQ é algo entre um livro e o teatro, cinema ou TV. Estude a tal metalinguagem dos quadrinhos. Instintivamente você vai utilizá-la, mas é uma boa ter os conceitos fortes sobre o que é uma história em quadrinhos e como ela funciona. Ninguém sabe tudo e é muito provável que se surpreendas com o que estudares, descobrindo novos métodos e truques. O que diabos você vai fazer isto? Pratique – vá desenhar.
- HQ é Arte Sequencial. Muito do ponto acima sobre metalinguagem da HQ. Você tem de saber casar o texto com o desenho – ritmo, diagramação, balões/caixas de texto. Lembre-se que nem tudo que está no roteiro precisa estar escrito na página. Não se preocupe com o estilo que desenhas nem a técnica ou material que utilizas. Com o tempo e habilidade necessária, você naturalmente terá as respostas para isto. Não é um pincel com pêlo de castor ou uma Wacom que fará de você um grande artista – e sim seu treino, muito esforço… e tempo. É a habilidade do desenhista em descrever visualmente numa linha de tempo o que o escritor fez, que o torna alguém de destaque. Se consegue isto de um jeito: praticando – vá desenhar. Mesmo que comece com caneta BIC imitando o Deodato.
- Mostre pro escritor o que ele precisa ver. Por mais descrita que sejam as cenas de cada quadro, espera-se de um desenhista mais referências visuais que o escritor. Surpreenda seja com mais detalhes que os descritos ou mesmo outras tomadas. Ou ainda com uma visão completamente diferente e inovadora do texto. O charme de um ilustrador de primeiro nível está em trazer elementos a mais ao roteiro – mostrar como desenhar quadrinhos. Como? Pratique – vá desenhar.
- Seja forte, mas flexível. “Isso vai soar extremamente arrogante, mas você é o” desenhista. Ninguém lembra do pobre escritor – apesar dele ser a alma de uma HISTÓRIA em quadrinhos. Abs Moraes já escreveu que o roteiro é uma guia, não a droga do mapa. Ou algo assim. Achando que pode trazer ganho a história, proponha mudanças em como ela pode ser mostrada – é muito bom antes de iniciar o projeto, fazer uma diagramação de quadros e tomadas para discutí-la com o escritor. Também saiba quando seguir o que o texto diz como um bom cachorrinho. Se a HQ não for comprada ou falada (bem), a culpa é do desenhista. Só vão lembrar do pobre escritor se o texto estiver acima da média (detalhe – não falei nem bom nem genial). E é inacreditavelmente difícil escrever uma boa história. Apesar de achar que desenhar é um milhão de vezes mais trabalhoso que escrever, alcançar o mérito de ser um bom desenhista é mais fácil do que ser um bom escritor. De que forma? Praticando – vá desenhar.
- Estabeleça prazos para você mesmo e pro escritor. Isto é muito importante. Se você conseguir se planejar quantas HQs você vai fazer em determinado período e que resultado você quer com isto, é meio caminho para se obter sucesso. Percorrer a outra metade é que é dureza. Pratique – vá desenhar.
- Experimente. E no final, junte-se a quem pensa como você. Você é livre e está em vantagem. Existem dez bilhões de escritores para cada desenhista. Comece com HQs bem pequenas. Com a experiência, vá aumentando as páginas e a complexidade. Eu nunca peguei um texto “encomendado”. A não ser de um famoso escritor e me dei mal. A culpa não é dele, apenas minha – devia ter aceitado em fazer a HQ só depois de ler o roteiro, jamais tê-lo pedido – insistido, em fazer o que fosse e eu o faria. Primeiro leia e aprove o texto, seja por estilo ou por capacidade – DE FATO, se conseguir desenhá-los. Depois se comprometa a fazê-lo. Com o tempo você vai achar seus parceiros mais frequentes de letras. Tornando-se um profissional habilitado, remunerado, não terá de se preocupar com isto. Só se consegue isto praticando – vá desenhar.
[adendo] 11.5 – tenha um parceiro por vez, não se comprometa com o que não vai cumprir. O que mais ouço e leio é de escritor chorando que o desenhista pediu um texto e não fez. Tudo fruto da inexperiência – eu mesmo caí nesta, dia destes. Sou a favor da pré-aprovação de roteiros. O escritor que escolhe um desenhista já sabe o que esperar dele (mais ou menos) em relação ao seu desenho. O mesmo não acontece com os desenhistas. O ilustrador que pede uma história ‘no escuro’ a um roteirista que fez uma baita história ontem, pode receber uma bela droga amanhã. A regularidade de qualidade é muito mais fácil de se encontrar em desenhos que textos. Somente procure por outro texto e/ou escritor APÓS finalizar o projeto anterior. Se conseguir isto, meu amigo, você será o próximo _________________ (preencha com o seu artista favorito). - Em último caso, considere pagar um adiantamento pro artista. Esquece. Como disse, você está em vantagem. Talvez isto seja válido se você quiser arriscar seus primeiros passos no mercado profissional, com alguma obra mais autoral entre você e determinado escritor. Mas sei não… Enquanto isto, pratique – vá desenhar.
- Saiba pra qual editor mandar sua HQ e como lidar com rejeição. Nunca fiz isto. Achei os pontos do sr. Hector bastante válidos também para desenhistas. Abstenho-me então de escrever a respeito – você continue praticando – vá desenhar.
- Saiba contar a sinopse da sua história em poucas palavras. Novamente – o escritor faz umas letrinhas e você pode sofrer por semanas e meses – leia o texto que originou estes tópicos e deixe a cargo do roteirista esta fria enquanto pratique – vá desenhar.
- Publique sua HQ, publique muitas HQs, mostre pro mundo que você existe. Concordo com (quase) cada palavra de o sr. Lima escreveu. Sejam fanzines, revistas, livros ou web. Divulgue – mostre sua cara (até para baterem). Todavia acho que o único ponto que discordo do texto original também está aqui: saiba também a diferença entre ser chato e apenas insistente. Prá mim não existe esta diferença. Quando se está iniciando, divulgando em todos os lugares, você sempre vai ser um chato. Agora se o seu trabalho se sobrepor, evoluir a ponto de não precisar mais procurar divulgação ou lugar para publicação, nem insistente você vai ser – você vai ser é remunerado e reconhecido. Praticando, óbvio. Vá desenhar.
Cansou de ler tudo isto? Espero que ainda leias o original.
Como fazer uma história em quadrinhos
- Então você pensa em ser desenhista de HQ? Então NÃO visite a galeria com os trabalhos de Shiko. Se depois de visitar, você jogar seus rabiscos fora e optar por ser advogado, a culpa não é minha. Uma vez escrevi pro Shiko. Nunca respondeu. Uma pena.
- Ok. Você é daqueles que não se importa taaaanto com desenho, mas o importante é a mensagem, um lance mais autoral. Bom, péssimas notícias: o Gus Morais já faz isso. Quando vi este trabalho, os piores impropérios surgiram na minha cabeça. E eu conheço muitos impropérios. Se ele faz trabalhos melhores que você? Bom… acessa lá por sua conta e risco – agora se depois correr em prantos pros braços da mãezinha, nem me viu…
- Calma, não desista ainda. Você tem que ser forte, seguir em frente. Ser Zen. Zen chance de zer tão bom quanto quanto ezte cara. E tá vindo livro novo aí, geeeente!
- Falando em boa pedida, o dono do Contos em Quadrinhos – Leandro Dóro me escreveu. Dóro achou que eu tinha feito 10 Centavos em vetor. Tá louco de fazer uma história em quadrinhos em vetor. Mas ele tem belos trabalhos vetoriais.
- Aliás. Eu JÁ fiz uma HQ toda em vetor – a Turma do Ique. Vou ver se acho e posto na quarta-feira das quinquilharias. E o mais engraçado é que o Ique ainda por cima era cartum…
- Caso não saibas, não sou muito de cartum: sou bem perseguido por não apreciar o estilo, mas vivo tirando o meu da reta. É rindo que se ri.
- Quem se diverte às minhas custas é o sr. Moraes. Inclusive é curioso que ele insista que eu trabalhe com roteiros descritivos para HQs. Até largou a idéia por alto de trabalharmos juntos… vou pedir para ele perguntar pro sr. Danton o que ele acha da idéia.
- Aliás – fazer fiasco com o sr. Moraes depois dele ter trabalhado com o sr. Okada? Falasério! Autocrítica é algo que não me falta.
- Tô até famoso, o próprio sr. Diniz já está falando dos profissionais traíras.
- Antes que algum engraçadinho se pronuncie – eu não sou profissional, não se esqueçam. Ao menos nunca ganhei um real com quadrinhos. Mas já gastei e perdi vários. Vou gastar ainda mais. Espero perder cada vez menos.
- Finalizando: falei sobre a Prismarte dia destes e comentei sobre um conto do supra citado sr. Moraes. Este cara vai virar sócio do blógue daqui a pouco… Eis Viola e outros textos do ilustre autor. Boa dica para quem procura contos e quadrinhos para desenvolver um projeto.
- Levei um pito do sr. Valcir. A carta que ele me escreveu não é padrão.
- Graças ao Bigorna, recebi também um link do Impulso HQ. Meu muito obrigado ao sr. Renato Lebeau.
- A FNAC divulgou o regulamento final do Prêmio FNAC Novos Talentos – Edição 2008 HQ. Realmente os “apenas escritores” ficaram de fora. Visto a qualidade do prêmio e respectiva organização do evento, definitivamente não entendo esta decisão… Que colocassem então só cartunistas e retirassem o termo ‘HQ’ – porque visto as restrições e o juri, não acredito que um trabalho que fuja do cômico tenha alguma chance de ganhar… Uma história em quadrinhos que não seja engraçadinha e que tenha alguma mensagem em uma página? Rá! Só se for daquele tipo poesia ou viagem…
- Sobre concursos: você não quer levar uma porrada de gibis na faixa? Então participe da Promoção Quarto Mundo com Café (Espacial).
- Ô post miserável que não acaba mais. Estou morto. Hm. Acho que já vi isto antes…
Cidade Fantasma
Na onda do mote de escritores versus desenhistas, publico mais uma HQ gratuita online dos velhos tempos.
Já falei com alguns escritores sobre o tema e inclusive o sr. A. Moraes publicou em seu diário virtual algo sobre o assunto. A questão de roteiros para HQs. Sempre digo que me assusta aqueles textos todos descritos, quadro a quadro, da narrativa de uma história em quadrinhos. E sempre fugi disso que que nem o Zé do Caixão da cruz. Hm. Zé do Caixão não foge da cruz, desdenha-a. Enfim, todos os meu trabalhos sempre foram baseados em contos. Gostava de terminada história e decidia desenhá-la. Entrava em contato com o escritor para ver a possibilidade de tornar o conto em quadrinhos e – na secura de desenhistas dispostos no mercado que é até hoje, nenhum autor jamais se recusou. Se arrependiam mais tarde, é verdade, mas aí já era.
Das HQs atualmente publicadas Muertos, Dez centavos, Abrace-me, Sétimo filho, Save the Wolves – apenas Pandora figura em seu argumento original com uma descrição minuciosa que acontecia no decorrer do enredo. As outras histórias fui eu, desenhista calhorda com ampla liberdade, que coordenei o que acontecia. Nunca pedi para um roteirista um texto. Meses atrás fiz minha primeira tentativa de ‘texto solicitado’- logo com Gian Danton. Desastre. Acho que tive uma pancreatite, falha nos rins e fígado por causa disso. Mas volto a esta história mais no futuro.
Texto do sr. Renato Rosatii. Desenhos do mestre (doutor, PhD… sei lá… esse cara só fica tirando titulação..) Volnei Matté: a agora webcomic Cidade Fantasma.
Alexandria
Eu admito. Quando compro um gibi, eu folheio ele e começo a lê-lo a partir do desenhista que mais me atrai. É. Escritor sofre – sempre dependendo destes malditos e temperamentais desenhistas. A alma de uma HQ é o texto, mas a mundana raça humana (adoro rimas bestas) vê antes carne que coração. Para a felicidade dos escritores eu desisto se a história em quadrinhos melhor desenhada, que elenco como primeira para leitura, não engrena na segunda, terceira página. E assim, vou desordenadamente – de história em história, até terminar de ler a revista inteira. SE – e apenas se, gostei da edição, leio sua introdução, editorial, notas etc.
De antemão, esclareço: Alexandria não é exatamente o tipo de linha que gosto. Ela mistura estilos e temas. Eu gosto de vários estilos e temas – sem nenhum problema. Mas não em uma mesma edição. Sou chato, antiquado e nunca neguei isso. Em Alexandria #1 e #2 temos histórias de foco histórico-filosófico, policiais, textos urbanos, humor cotidiano, fantasia e ficção científica, mangás-medievais e mangás puros. E histórias com continuação. Odeio histórias com continuação em revistas sem periodicidade definida – que é o caso dos independentes. Olhando em volta, sei que a maioria vai dizer: mas isso é uma maravilha. Eu não acho, não em uma revista só. Deve ser por isso que nunca engoli direito a Heavy Metal. Ok. Podem jogar as pedras.
Mas peraí. “Cê dedicou tempo e escreveu toda essa p**** somente para falar mal do trabalhos dos caras?”
Nopes. Justamente pelo contrário. Vou admitir que ainda estava em dúvida em relação a Alexandria – quando decidi ler seu editorial. Mas aí minha insegurança se dissipou em um toque de mágica. Segue um pedacinho do editorial do primeiro número:
Lendo nosso zine esperamos estar compartilhando com você nossas paixões: a literatura, os quadrinhos e tantas outras referências como os animês e o cinema que nos influenciam no gosto de contar histórias.
Caraca. Até senti vergonha do que estava pensando das edições. Aliás… por que diabos exponho nesta m**** de lugar que é meu site estas minhas burrices e erros? Bom. Reli TODO o material de novo (sério!). Cheguei a algumas conclusões:
- Os caras sabem o que fazem – o trabalho está muito acima da maioria e em destaque o sr. Matias Streb. O sr. Streb é um p*** profissional com uma p*** (tou de saco cheio destes asteriscozinhos de merda) arte do c***lho. É uma pena que tenham não tenham usado fotolito para impressão (o Prismarte faz igual) e prejudicou de certa forma vários trabalhos o moiré na impressão (o moioque?). Mas é um ponto intermediário entre o xerox e o offset RTP (?). Custos, eu sei, e concordo que é a melhor solução. Nas capas (com fotolito) eu garanto que vocês irão chorar (de raiva, de inveja) tamanha qualidade de Streb.
- Os caras são muito legais – chamam sua obra de fanzine. Pensei comigo mesmo. Hoje alguns até se ofendem se chamam seus trabalhos de zines. Porra. Estas duas edições dão um banho no zine Dez Centavos que lancei, isso sem comentar meu passado negro – mas me orgulho dele, antes que venham com gracinhas. Os Alexandria dão uma surra em algumas edições que comprei e que possuem todo um caráter profissional de edição, impressão e que exigem ser chamadas “revistas independentes” e jamais fanzines.
Esquece cara. Infelizmente não continuarei comprando algumas revistas independentes que adquiri internet afora, mas vou continuar comprando a revista independente Alexandria. Sim, você leu certo.
Aconselho você a fazer o mesmo, nem que seja para dar seu veredicto através do contato:
artefinal {arroba} ocorreio . com . br ou pelo fotolog deles: http://fotolog.terra.com.br/alexandriaquadrinhos
Mas e o que você tem comprado?
Eu nunca mais falo nada na minha vida. Tá bom, é mentira. Mas com certeza não falo mais coisas do tipo “este é o melhor” ou “foi o melhor” sobre o quadrinho nacional – ‘ainda’ que de HQs independentes. Somente nas últimas semanas tenho recebido materiais impresssionantes que desconhecia – ou conhecia apenas de nome. Como Avenida, Penitente, Schem ha-Mephorash, Alexandria, Quadrinhópole, Cão… sem falar nos que já conhecia, como o Prismarte e o Café Espacial.
Lendo estas edições você encontra obras fantásticas, histórias em quadrinhos de primeiro gabarito e que – lamentavelmente, não são divulgadas ou reconhecidas na mídia como verdadeira expressão cultural que representam. Cultura nossa. Brasileira.
Cheguei a conclusão que não conheço nada do mercado que – infimamente, participo. Penso nestas premiações como o Ângelo Agostini ou mesmo o HQ Mix. Pergunto como selecionam alguém… têm os tão falados mil e duzentos votantes do HQ Mix as obras que citei há pouco? Apenas estas oito revistas que entre as dezenas (centenas?) de obras sugeridas em sua lista? Difícil, considerando as tiragens destas edições e onde o que mais ouço falar de seus editores ou é encalhe ou uma venda muito pequena e demorada. E o Ângelo Agostini, que possui votação aberta? Como escolhem? Pelo nome que lembram, independente da obra referida? Tantos trabalhos valiosos perdidos, esquecidos, nunca conhecidos. Quem não é visto não é lembrado, amigo. Mas a culpa é minha também. E sua.
Quantas revistas compraste? Quantos gibis leu? Às vezes me parece que o mundo independente (fanzines estão aqui também) é um grupo de pessoas gritando: LEIAM MINHA PRODUÇÃO! Mas não lêem a dos outros. Neste famigerado espaço virtual não tenho os milhões de acessos de um Bigorna.net, mas neste último mês são visitas suficientes (e eu agradeço sinceramente a todos vocês, por isso) para esgotar as cópias de boa parte das edições que falei acima.
Agora fica a pergunta: se os editores, escritores e desenhistas não compram a produção do vizinho – e falo em comprar não me vem com escambo, como esperam que o “apenas leitor” compre a deles? Como criar um mercado se não há compra e venda? Viver de HQ como? A mesada dos pais acaba um dia e você não vive de luz solar, amigo. Sei que boa parte compra. Mas será esta boa parte a maioria? Duvido! E sem desculpas. Se há desculpas prá quem produz, imagina a dos que ‘apenas lêem’ – que é o objetivo de toda esta brincadeira.
Se estiver vivo no próximo Ângelo Agostini, vou estar preparado para meu voto. Não por ter uma opinião importante ou que deva ser considerada, mas porque espero ter um bom conhecimento sobre o que foi lançado neste ano. Não vou votar porque é meu amigo nem porque lembro o nome do cara e aquele outro trabalho era legal. Vou votar porque comprei e li o que foi produzido. Acho que você deveria fazer o mesmo.
PS – pelamordemeusfilinhos, eu tenho que aprender a:
- escrever ;
- escrever menos;
- escrever menos besteira;
Desabafo
Quero quinze dias de férias. Só quinze.
Nestes últimos três ou quatro anos eu nunca tirei quinze dias corridos de férias. Aliás… neste últimos três ou quatro anos eu não tirei quinze dias de férias no período um ano.
Só quinze. Com quinze dias eu terminaria Muertos. Quinze diazinhos corridos eu me livrava desta HQ que me assombra. Vou confessar para vocês: é exaustivo, para mim, fazer HQ. Ter de trabalhar se estressando durante o dia e ainda desenhar depois do expediente é f…ogo. Eu não consigo. Posso escrever dez mensagens pro site, posso ler um livro, ver filmes, sair… agora, desenhar? Muito difícil. A solução é fazer um quadro por dia e no final de semana – quando você quer descansar, correr com uma página, uma página e meia. Muito pesado. Desenhar quadrinhos é escravizante, é lento e é por demais cansativo.
Acho que todos os escritores, argumentistas e roteiristas de HQ reclamam que desenhista é preguiçoso. Bom, vem pro lado de cá, que vais ver o que é bom prá tosse. E o engraçado, NUNCA VI um desenhista falando alguma coisa sobre escritores, talvez apenas sobre a carga de trabalho que é desenhar. O escritor, tendo tempo, experiência e dedicação escreve uma história em quadrinhos em um dia (tá bom exagerei, dois dias, três prá revisão – haha, sacaneei). O desenhista não. Um artista profissional, com estilo técnico detalhista e extremamente experiente (nenhum destes casos se aplica a mim), com sorte faz uma página e meia por dia. Tenta falar com ele no final do dia. Enquanto o escritor está tomando seu chopinho no final da tarde, o desenhista não consegue nem pronunciar seu nome, tamanha exaustão.
Não desmereço o escritor nem digo que é fácil escrever, se o fosse não teríamos tanta porcaria por aí. Mas eu acredito que desenhar HQ é trabalho para poucos, muito poucos. Sinceramente eu me pergunto como essas pessoas conseguem desenhar continuamente, profissionalmente para as grandes editoras estrangeiras. Imagino sua vida, de 12 horas diárias de trabalho, de segunda a segunda correndo contra os prazos. Esses caras devem ficar com o cérebro queimado depois de alguns poucos anos. Ou ganham muito e tem uma equipe por tás para dar suporte.
Mas o que eu queria mesmo são quinze dias de férias e terminar com Muertos.
PS – nunca li tamanha besteira em tão curto espaço. Lamento a choradeira, mas realmente quero terminar Muertos.














