Sem achismos sobre o quadrinho nacional
Já que o pessoal que curte HQ não lê mais que um parágrafo de texto, vou aproveitar e xingar todo o universo. Todo mundo curte um bafafá e este tipo de coisa dá ibope (no caso, acessos). Alguém mais atento pode perceber que o xingamento é como atirar pedra no telhado do vizinho, tendo seu próprio telhado de vidro. Mas eu vejo que é mais como cuspir prá cima.
- O quadrinhista nacional adora chorar pela falta de retorno, de reconhecimento. Realmente, é uma linha de raciocínio engraçada.
- Não há reconhecimento, porque não há público interessado. Se não há leitor, então não há mercado. Havendo mercado, haveria dinheiro, que move a bagaça, que interessa a todos (viver de quadrinhos, se você está confuso), que cria a competição e que por, fim também gera reconhecimento.
- Dos melhores, é claro.
- Por que não há público leitor interessado? Bom é porque as histórias em quadrinhos nacionais ou são muito ruins ou não objetivam o leitor médio, a maioria. Escolha o que seu ego deixar.
- Há a desculpa da distribuição também, se você quiser. Mas com internet hoje em dia… onde o que gera interesse, queima feito rastilho de pólvora… Você vai precisar de um ego muito bem treinado para se enganar desta forma.
- Ah, sim. A desculpa dos enlatados inundando as bancas, não cola mais. Lamento.
- Cada vez sê lê menos? Fato. Cada vez se lê menos em suportes e mídias tradicionais? É uma tendência.
- A desculpa de ter que trabalhar para se sustentar e não poder se dedicar aos quadrinhos é por demais válida.
- Só não me vem chorando depois que ninguém tem interesse pelo seu parco trabalho.
- É dá ou desce.
- Suspeito que a maior parte dos autores nacionais que tiveram destaque nestes dez anos passados, viviam com os pais ou alguém os sustentava, de alguma forma. Sem problemas – eu queria estar nesta fatia!
- Como não existe mercado, não há salários e produção contínua, nem amadurecimento por parte do autor. Sem amadurecimento, a obra do cara não cresce em leitores.
- Baita círculo vicioso.
- Complicadíssimo sair dele – mais fácil é se iludir e se achar um Frank Miller ou um desenhista qualquer que você curte.
- Mas no mundo real, quem decide isso são os leitores – não aqueles seus dez amigos, não você. Se você não tem leitores suficientes… Well. Ficamos restritos a autores apaixonados/amadores que não pensam seu trabalho de forma mais comercial (até porque ela não existe). Quem vai culpá-los?
- Para crescer como autor, a coisa vai ter que ser por amor. Por um bom tempo. Até achar o caminho: leitores. Lamento.
- Amar é não pedir nada em troca. Muito menos reconhecimento.
- O álbum de histórias em quadrinhos brasileiras que mais vendeu nos últimos anos deve ter alcançado, uns dois mil exemplares. O autor deve ter ganho entre 8 e 12 mil reais. Há quem diga que mal vendeu quinhentos exemplares. E até me destilaram que ele topou publicar de graça (espero sinceramente que não seja verdade)!
- É um trabalho de um ano ou mais. É normal um trabalho destes, no Brasil, levar três anos de produção. Alguns demoram até cinco anos.
- Agora pegue o que ele ganhou e divida pelo tempo de trabalho. É. Qualquer desenhista razoável ganha mais que isso em uma agência de publicidade, escritório de design ou produtora de vídeo. Mesmo as furrecas. E por mais escravizado que ele seja nestes lugares, é menos trabalho que um projeto destes. Claro, não estou escrevendo agora sobre realização pessoal.
- Na última década não devem ter havido cinco autores nacionais que alcançaram metade deste marco – em vendas e valores. Estou desconsiderando, obviamente, obras infantis/humorísticas e vendas para o Estado.
- O(s) autor(es) que consegue lançar um livro, o faz(em) por interesse próprio – está a fim de contar as histórias deles, não aquelas que seriam assimiladas por uma grande massa. Não vejo absolutamente nada de errado nisso. Eu mesmo queria poder fazer isso.
- Histórias autorais são nichos, uma parcela que existe dentro dos tipos existentes de quadrinhos. Cada um objetiva o que quer. E tem o retorno que merece. O interessante é que trabalhos autorais são normalmente uma minoria, dentro do universo/mercado de publicações nos quadrinhos – mas no Brasil são a supremacia atual do que é publicado, quando se refere a autores nacionais. Ah, sim. Não existe mercado, então estamos apostando na elite que compra quadrinhos. O que acho um bom negócio, não extamente uma boa idéia.
- Culpa das editoras? O investimento para lançar um autor brasileiro nacionalmente é muito maior que comprar quadrinhos estrangeiros. E com muito mais riscos. Vocês comprariam um gibi do Alan Moore, Grant Morrison ou do Daniel Mané?
- Claro que há politicagem na publicação e em editoras. Em que mundo você vive? Existe politicagem até na compra e venda de carnes, pro açougue mais fuleiro. Você não vai fugir dela, em nenhuma área. Mas com um trabalho acima da média, você fura a politicagem.
- As editoras são livres para fazerem o que quiserem – vivemos em um estado capitalista, se você ainda não percebeu.
- A saber (tem muita gente que nem faz idéia do que é o capitalismo), este regime basicamente permite que você trabalhe no que quiser, ganhe o quanto puder e gaste esta grana no que der na telha. Obviamente, há leis que gerenciam e limitam esse monstro, como em qualquer regime – então não seja mala. Injusto? Com certeza – tudo feito pelo homem é. Mas prefiro este regime a um que limita no que você pode trabalhar, até quanto vai ganhar e não deixar gastar no que quiser.
- Então depende de você, e apenas de você, correr atrás do prejuízo. Você quer? É contigo – corre atrás. Chorar, lamento, não adianta. Não vão te dar (ou comprar) teu gibizinho, só porque você quer. Ninguém se interessa por choradeira – agora, por um trabalho bem feito, é possível. Quem decide o que é bom, pode até ser você – mas quem paga pelo seu trabalho é o leitor, então… bom, deixa prá lá.
- Agora, se você quer imprimir (ou participar de) um gibi e ninguém está interessado em bancar, por menor que seja o valor ou a tiragem, não existe a possibilidade do trabalho… não for bom? Enviei Muertos a umas três editoras – nenhuma se interessou. Gosto de pensar que o desenho não estava a altura da história, mas resigno-me ao fato que meu trabalho não teria boa aceitação – não venderia o suficiente para valer a pena.
- Incrível também como o quadrinhista brasileiro acha que o caminho é conseguir verba pública.
- Quer dizer… pode até ser – prever o futuro é estupidez. Acho bem legal o Estado colocar HQs na escolas, como meio narrativo ou ainda, educacional.
- Mas me pergunto: se não há interesse por parte da iniciativa privada (entenda-se: de uns poucos) colocar dinheiro em um projeto destes porque não há público, mercado etc e não haveria retorno, por quê seria correto torrar grana da união (entenda-se: de todo mundo) em algo assim?
- Há quanto tempo isso é feito no cinema nacional mesmo? Quantos destes projetos se pagaram?
- Ah! Aquele projeto se pagou? Então não precisa de verba pública, ora bolas!!!
- Aindassim, a desculpa de ajudar, de ser uma iniciativa, é válida.
- Mas é isso, uma iniciativa: uma coisa é capacitar, auxiliar inicialmente para que depois se caminhe com as próprias pernas. Outra é sustentar, viciando no investimento sem cobranças, objetivos e responsabilidades. Sem rodinhas, por favor, a certeza do futuro está em pedalar sozinho.
- Não há almoço grátis – alguém está pagando por ele. E se está pagando, tem de ter retorno, senão é insustentável.
- Enquanto isso, vou me inscrever em algum edital também.
- Distribuição. Grande problema.
- Envolve muita grana, muito risco. Coisa que ninguém sensato faria. Ricos e idealistas são poucos hoje em dia. Isso existe mais em mercados caóticos. Estamos em uma economia estável e muito bem calculada sobre custos/benefícios.
- O Brasil já teve uma economia caótica. Curioso como nessa época haviam tiragens tão altas, não?
- Eu sempre me pergunto como conseguiram abandonar (ou eliminar) tantos leitores entre as décadas de sessenta e oitenta. Não consigo nem imaginar um boa resposta sobre isto, por mais que me esforce.
- O negócio é internet, distribuição alternativa, segmentada, associada a pequenos distribuidores de produtos variados e semelhantes (ou nem sempre). Juntar-se a outros e trocar figurinhas. Sofrido. Demorado.
- O trabalho autoral independente imprime em gráfica as suas revistas – de quinhentos a mil exemplares. Estas cópias podem demorar anos para escoarem, atualmente. Muito trabalho, muito tempo. Tem que estar a fim. Não acho o melhor caminho, mas pode dar certo, tendo saco, tempo e grana. Com sorte, muita sorte, você empata ou tem pouco prejuízo.
- Animador?
- Super-heróis (brasileiros). Tema delicado. Não tenho nada contra. Sério.
- Não há dúvida que para, efetivamente viver de quadrinhos – por mais que poucos meses ou anos, você tem que criar seu universo, seus personagens (heróis, mangá, infantil, etc). Mas sempre algumas coisas me vêm à mente quanto a isto… e elas se aplicam a qualquer temática, estilo etc – vou usar ‘heróis’ porque sempre leio muito sobre isso.
- Muitos choram que as editoras não tem interesse nesse tipo de coisa. Será? Ok – você faz gibi de heróis… mas desenha como o Marc Silvestri? Olha o ego…
- Ah, desenha igual? Tudo bem, eles não querem o Marc Silvestri, porque eles já tem o Marc Silvestri. E sai muito mais barato que você. E é provável que ele seja mais conhecido também…
- Sinceridade: por que alguém se interessaria num personagem (brasileiro ou não) com os poderes do Super-Homem, com a roupa do Spawn com as histórias do X-Men? Bom, você talvez até goste deste tipo de coisa, sem problema – é um mundo livre. Uma coisa é usar o deus grego Morpheus outra é usar o personagem/histórias criadas por Gaiman no Sandman.
- Já eu, preferiria os originais.
- Aí vem a questão. Você é original? Eu não sou.
- É muito difícil ser original. Precisa de muito trabalho, muito tempo e nenhuma choradeira. É mais fácil usar a estepe de outros (personagens, histórias etc) e chorar. Ou fingir que é original. Os estrangeiros mesmo vivem se ‘inspirando’ entre eles – não é uma característica regional, não se preocupe. Lá fora, quando a cópia dá certo, usualmente é porque seus autores já são famosos e possuem seu séquito que os sustentem.
- No fim eu não choro (mais). Estou nessa de HQB há menos de um ano, mas aprendi bastante. Parei de chorar.
- Quadrinhos, no Brasil, é passatempo.
- Como croché, artesanato, quebra-cabeça de 10 mil peças… a maioria dos caras que fazem quadrinhos no Brasil trabalha com outra coisa e quando dá, faz um quadrinho ou outro.
- Por que eu não fui fazer croché?
- Vendo a bagaça como passatempo, você não cria ilusões – ser amado, premiado, remunerado blábláblá. Não criando ilusões, você não se desilude.
- Tem muita gente que faz desta forma (um passatempo). Como um bom passatempo, você faz e joga prá dentro da gaveta.
- Não há como ter idéia do tamanho, quantidade ou qualidades de HQs feitas assim – elas não saem da gaveta, lembra?
- Todavia há gente que possui tamanha paixão (leia-se ego) que gosta de mostrar o que faz. Mostra para encontrar seus iguais, para ser elogiado, para ter maior conhecimento da existência do seu trabalho. Normal. Busque sites/blogs de artesanato na internet.
- Este site é um exemplo disso.
- Há aqueles que não somente satisfeitos em ter um site, propagam pelos mais diversos meios digitais sua existência (olha eu de novo). Querem que suas histórias sejam mais conhecidas. É a velha máxima: qual o sentido de contar histórias senão para alguém ouvir? E também querem mais elogios, óbvio. Faz parte da brincadeira. Já que, dinheiro que é bom…
- O problema é que de toda ação, vem uma reação (sic). E esta reação pode ser… nada. Nenhum acesso, nada de links, nadica de nada.
- O que significa isso? Que você está a frente do seu tempo? Pode ser. Que você é um incompreendido? Com toda a certeza do mundo. Mas – se o seu interesse é ser compreendido, lido, sai de baixo da cama, pare de chorar e faça algo que gere interesse, acessos e links. Ou não. Ah: ter leitores das porcarias que você escreve sobre o trabalho alheio e não leitores da porcaria do trabalho que você escreve/desenha, acredite – não é um bom negócio…
- Mas cada um vive na realidade que lhe convém ser mais feliz.
- A propósito: pare de ler isso aqui e vá ler as HQs que eu fiz!
- Por favor?
- Pelamorde…?
- Outra reação possível é a opinião alheia. Ela é sempre bem-vinda quando positiva e um um desastre quando negativa? Muito pelo contrário.
- Melhor um carrasco que te decapita a um ‘amigo’ que faz você queimar lentamente na fogueira. Dói mais, ao meu ver. É muita presunção achar que todos irão amar o que você faz. E pior ainda é destratar aquele que – educadamente, diz que não gostou do seu trabalho.
- Claro que há de se separar o joio do trigo. A opinião pode ser ofensiva e desnecessária e isso não é opinião: é xingamento. Chamar o cara de idiota, imbecil (para não cair nos termos de baixo calão), torna a crítica muito pessoal e completamente irrelevante.
- Já vi boas resenhas (nem sempre tão positivas) de trabalhos que se estragaram por chamarem o autor de panaca… ou algo pior. É comum confundir o trabalho e o autor. É comum ter mais gente disposta a escrever mal de alguém ou algo do que encontrar um disposto a apoiar. Apoio dá mais trabalho, é comprometedor e pode ser vexatório. Destruir é rápido e indolor.
- Gostar ou não gostar sem dizer porquê complica tudo e tem de ser mágico para entender uma opinião, tirar o melhor proveito dela. Boa ou ruim. Mas ouça/leia de qualquer forma. Sempre.
- Se forem opiniões negativas, não fique arrasado, não desista, não desanime. Se quiseres começar a ter retornos mais positivos, muito pelo contrário: faça melhor. Faça mais. Traga uma resposta no seu trabalho. Não em respostas à opinião. Mas isso depende de você e do que você quer. Você pode inclusive se cercar de amigos que só te querem bem e nunca o criticam de fato. Qual o problema nisso?
- O caminho que for, dane-se o mundo. Siga o caminho que te faz feliz.
- Tem gente mais doente ainda que busca a crítica especializada. Manda seus trabalhos a jornalistas, revistas e sites.
- Tipo eu.
- Antes de mais nada – não são os desenhistas ou escritores uns babacas convencidos. Uns exibidos insuportáveis. Como escrevi dia destes no Orkut, quando estamos entre nossos pares, tentamos sempre parecer mais que somos – nos mais diversos aspectos pelos mais estranhos motivos. Cerceando pelo tema (área de atuação), é só olhar qualquer encontro de professores, engenheiros, advogados, administradores, médicos, publicitários etc. Percebe-se um certo ódio e arrogância entre colegas de profissão. O ego não cabe apenas aos quadrinistas (eu prefiro quadrinhistas – de quadriNHos), ele é natural, uma característica da condição humana.
- Voltando. Essa crítica pode vir (o cara publicar no site, revista, jornal etc) ou não. Se não vier, quer dizer que você não se encaixa no perfil da publicação (o Omelete não é o inimigo – eles publicam o que querem, pô!) ou o seu trabalho… bom, você sempre pode recorrer à lógica da raposa, onde as uvas estão verdes. Aliás – só o fato de se dar ao trabalho ao apresentar alguma análise de um trabalho suspeito como o meu, como aconteceu em Muertos, é prova que há o interesse dela (a crítica) em alavancar nossos próprios criadores. Nenhum crítico é obrigado a ceder espaço com material brasileiro. Não se esqueça disso nem dos que o fazem.
- Acho muito complicado criticar. Tanto que parei com meus achismos sobre outros trabalhos. A crítica especializada, o jornalista, tem o dever de equilibrar valores, julgá-los e apresentar de forma inteligível, justificada e interessante.
- Duvido que alguém tenha lido até aqui, mas este texto é um exemplo claro disto: eu não sei fazer isso.
- Na verdade acredito que muito poucos sabem – mesmo entre os ditos críticos.
- E é complicadíssimo, ao crítico, falar de HQB. Ele não lê isso, normalmente. E quando leêm é mais complicado ainda – (os bons críticos) provavelmente sabem decor e salteado tudo que escrevi aqui. E aí tudo se torna relativo.
- Daí surge a crítica ‘chapa branca’. O que é um baita pepino – pode atrapalhar mais que ajudar por simplesmente tendenciar o leitor ao erro e a decepção. Decepção esta que ele vai, para sempre, associar ao quadrinho nacional.
- Uma coisa é divulgar. Outra é falar bem por falar – apenas por ser HQ brasileira. Há também as iniciativas opostas – que pensam ser válidas por humilharem as outras. Ao meu ver, aquele que se considera crítico/resenhista ‘profissional’ não pode produzir quadrinhos. Ao também fazer HQ, toda sua visão fica comprometida e é comum que suas críticas sejam aplicadas… a eles mesmos! O crítico que escreve sobre você hoje é aquele que te convidou pruma parceria ontem (e você não pôde aceitar seja qual motivo for): bom, eu não queria estar na tua pele.
- Criticar não é puxar o saco. Também não é falar mal. É interpretação. E muito poucos conseguem interpretar coisa alguma. Eu já vi de tudo: inclusive crítica escrita por gente que não leu o trabalho analisado.
- Sério.
- Sim. Há muita picaretagem no meio. Amigos dos amigos. Ego. Eu sei: é impossível fugir do ego (ele serve entre tantas outras coisas, como ferramenta para ter a consciência de que… bom, se existe). Ele é humano e em boa parte, responsável por avanços, evoluções, insurreições ou revoluções. O que é bom.
- Mas há o ego prejudical, malicioso. Aquele pelo qual se usa os outros apenas para se dar bem, pelo qual se fala mal do alheio, para colocar alguém para baixo e fechar portas que nada interessariam ao detrator.
- Isso é normal em um mercado – competição e tals. Mas… não existe mercado! Ninguém ganha grana e todos perdem com este tipo de atitude! Falar mal do cara ao lado, que faz quadrinhos nacionais – existindo tão poucos leitores, é falar mal sobre as HQs nacionais! Então acho engraçado. Hilário.
- Ajudem-se. Amem-se. Daniel para presidente (ou autor de livros de auto-ajuda)!
- Eu tenho predileção por HQB – não fosse não escreveria tanto sobre, nem compraria tanto material nacional. Tenho admiração e respeito por tamanha paixão e heroísmo numa luta inglória e sem medalhas. Fico impressionado quando alguém – sem ganhar um tostão ainda por cima, surpreende com um trabalho de qualidade ímpar. E curto fazer também minhas historinhas, é óbvio. Ali, quando dá. Na manha.
- Mas precisamos nos unir de alguma forma, sem iniciativas demagogas, falácias ou meias verdades.
- Não precisamos de salvadores. Precisamos de uma visão maior, sobre o todo, que deve ser construída em conjunto. E bons trabalhos que falem por si.
- Jamais escreva algo sobre o que expus – ou da forma que fiz. Você acaba por ganhar muitos desafetos.
- Mas… e aí? Por que nunca deu certo? Não nos falta sermos mais honestos e abrirmos nossas portas? Para não repetirmos mais os mesmos erros? Não nos falta auto-crítica? O que é outro ponto interessante: não podemos nos criticar? Ter opiniões? Mesmo que diferentes? Você pode ter uma visão diferente da minha e, respeitando-me, não vai se tornar meu inimigo, acredite.
- Eu na verdade vou ficar de olho em você, bem de perto. E prezá-lo como alguém (no mínimo, ao menos) que tenta, que pensa. Claro – isso se você tiver algo a dizer, além de xingar os outros. Ou de tramar retaliações por baixo dos panos, entre seus pares.
- Nenhum destes pontos acima são indiscutíveis, confirmáveis ou criveis. São meus achismos, até agora. Posso mudar de opinião amanhã. Faço isso o tempo todo. Tenho a ilusão que corro à busca de amadurecimento. Ego, com certeza.
- Duvido que alguém leia isto. Muito grande. Nem eu leria. Quem está interessado? Nem eu estou!
Ok, esta última é mentira. Mais uma, entre 100.
Quadrinhos dominicais
- Se não puder vencê-los, confunda-os. Mais uma tira dos senhores A. Moraes e J. Okada.
- Ontem falei com Jesus. Novamente. Tenho que parar com isso. Não tenho mais idade prá ter amigo imaginário.
- Graças a esta nova lei, você não anda mais dirigindo? Seus problemas acabaram! Quadrinhos do senhor Dario Velasco.
- Jesus – aquele maldito materialista capitalista de direita sem vergonha, me forçou a comprar A Casa ao Lado.
- Quem diria… HQs do Sinfest em português!
- Tá bom. Jesus não me obrigou a nada. Se bem que sempre tenta me enfiar goela a baixo algum gibi de heróis. Mas fujo que nem o diabo da cruz.
- - Para onde foram todos? O que aconteceu com o Mundo?
- Foi cancelado!
- O quê?
- A audiência estava muito baixa e os produtores resolveram cancelá-lo.
- Cancelaram o Mundo?
- Pois é, acontece!
- E quem é você?
- O Autor, muito prazer. - Tinha tudo prá não gostar da Casa ao Lado. Não, não quero me mudar – estou falando do gibi! Com desenhos cômicos e tals. Cara… beeeem bacana a história em quadrinhos! Do sr. Diogo Cesar e Pablo Mayer. Vale cada centavo. Compra logo a sua, cabeção! Diga-se de passagem, aquele era o acabamento que queria dar em 10 Centavos. Capa com plastificação fosca, couché fosco no miolo… Não rolou… Quem sabe quando terminar a webcomics Muertos…
Venda de gibis
Então você fez um fanzine, uma edição independente, uma revista em quadrinhos. Ou seria uma graphic novel? Independentemente do suporte e acabamento é um gibi, porra! Desculpe pelo ‘porra’. Não escrevo mais ‘porra’. Vamos chamá-lo de gibi de quadrinhos, por conveniência. É o nome mais curto para digitar. Gibi.
Fizeste teu gibi e agora quer vendê-lo. Anunciou até no estimado idolatrado salve salve Quadrinhos Independentes, do grande Edgard Guimarães. Vendeu cinco exemplares. Não satisfeito com a saída do gibi, entrou em contato com uma porrada de outros zineiros. Mandou trinta cartas. Para se certificar, ainda entrou para o universo digital e enviou mais cinquenta e-mails. Depois de tudo isso você alcançou a inacreditável venda de vinte e cinco edições da sua revista independente.
Você tenta se matar.
Mas não desiste. Digamos que você tenha tido uma preocupação maior com acabamento e a imprimiu em offset, capa colorida bonitaça, mil exemplares. Gastou aquela nota. Começou a divulgar na internet coisa e tal. Dali três meses você já tem uma cota de vendas impressionantes: cento e cinquenta exemplares vendidos. Você está saltitante. Ao menos até perceber que sua lista de contatos com outros autores possui a exata quantidade de gibis vendidos.
Depressão.
Reação: você tem que “furar a bolha”. Alcançar o leitor. Vai na banca do seu coração, na comic shop mais perto e naquela livraria que o dono é seu amigo – coloca vinte cópias em cada estabelecimento. Semana após semana você retorna aos pontos de venda para perceber que não vendeu um único exemplar. Após sofridos dois meses, seu amigo-dono-da-livraria já está puto que você não tira aquela tranqueira de lá. Você deprimido retira todos seus zines dos locais de venda. Após o terceiro mês, é claro. Até que não foi tão mal. Vendeu oito exemplares. Em três meses.
Por uma iluminação digna dos maiores santos – até porque são todos loucos, você percebe seu erro desde o início. Falta distribuição! Uma andorinha não faz o verão e três bancas não completam sua coleção. Já que torrou grana imprimindo mil exemplares, o que é um punzinho (gostaram do punzinho?) para quem agora está contratando uma distribuidora? Para mil exemplares, como a distribuidora que é camarada sua, vai cobrar apenas 50% do preço da capa. Nesta quantidade eles normalmente cobram 55%, 60%. Ah. Adiantados. E lá vai seu gibi com distribuição para todo estado. Hã? País? Melhor ainda. Ahn…? Ok. País, mas só capitais.
Passam-se mais três meses. Das mil revistas, você vendeu duzentos e vinte e duas. Foi bem até. A distribuidora, já puta da cara contigo (porque todas as bancas, comic shops e livrarias querem se livrar daquele lixo faz uns sessenta dias – imagina um gibi ficar mais de um mês em uma banca!) exige que você decida se vai querer só as capas das revistas ou vai pagar o reembolso, para tê-las inteiras. Você, quebrado, não tem opção. Dali três semanas você recebe aquela maçaroca de capas.
Após um mês sem falar com ninguém, você decide trabalhar com outra coisa. Publicidade, design… sei lá. Qualquer coisa. Quando perguntado – pelo resto da vida, o que deu errado, você sempre responderá que “não há mercado”.
Apesar das bancas – abarrotadas de HQ, dizerem o contrário…
Mas então o que deu errado? Não sei. Mas posso levantar três pontos que percebi e que vejo pouco sendo falado sobre a decisão na compra de um leitor de quadrinhos. Podem ser um ou mais destes pontos, que levam alguém a comprar sua edição. São eles:
- A editora é conhecida. Poucos comprarão algo da ds.art.br comics. E provavelmente quem o fizer, deverá ser outro autor – mesmo que amador (desenhista, escritor etc). Mas muitos se arriscariam a gastar seu rico dinheirinho se o que estiver por trás é uma grande editora.
- O autor é conhecido. Um Zé Mané como eu não vende. Mas um Alan Moore impresso em papel jornal pela ds.art.br-comics-fundo-de-quintal vende às pampas.
- O obra é conhecida. Um Zé Mané como eu continua não vendendo. Mas um Zé Mané que teve boa acolhida pela mídia especializada, vai dar mais saída que prostituta (eu escrevi prostituta…) a dé reau.
Há ainda aquela possibilidade de a revista ser tão boa, mas tão boa – normalmente em desenhos (pobres roteiristas), que acaba vendendo. Mas é um ponto que não elenco como principal, pois sofre de muitas variantes. Primeiro é julgar a qualidade – quem faz isso é o leitor que compra, não você, autor. Afinal o objetivo é venda, então qualidade é encontrar saída para seu trabalho. O que usualmente conflita com o “faço o que gosto”. Ou “quero”. Ou ainda: “sei fazer”.
Há milhares de outras coisas. Eu mesmo não sei a solução. Se soubesse já tava rico vendendo gibi. Nem as editoras grandes sabem. Elas também lançam edições que vendem mal. E muito mais do que elas gostariam.
Toda esta historinha é fictícia. Mas ela já aconteceu muitas e muitas vezes do Oiapoque ao Chuí (aqui do lado). Acho que é um compêndio de um dos assuntos que se discute no fórum do Quarto Mundo: o Quinto Mundo. Há propostas sobre o assunto. Dá uma passada lá.
Vai que no próximo empreendimento você chega até a número dois do seu gibi. Com lucro, é claro.
Alexandria
Eu admito. Quando compro um gibi, eu folheio ele e começo a lê-lo a partir do desenhista que mais me atrai. É. Escritor sofre – sempre dependendo destes malditos e temperamentais desenhistas. A alma de uma HQ é o texto, mas a mundana raça humana (adoro rimas bestas) vê antes carne que coração. Para a felicidade dos escritores eu desisto se a história em quadrinhos melhor desenhada, que elenco como primeira para leitura, não engrena na segunda, terceira página. E assim, vou desordenadamente – de história em história, até terminar de ler a revista inteira. SE – e apenas se, gostei da edição, leio sua introdução, editorial, notas etc.
De antemão, esclareço: Alexandria não é exatamente o tipo de linha que gosto. Ela mistura estilos e temas. Eu gosto de vários estilos e temas – sem nenhum problema. Mas não em uma mesma edição. Sou chato, antiquado e nunca neguei isso. Em Alexandria #1 e #2 temos histórias de foco histórico-filosófico, policiais, textos urbanos, humor cotidiano, fantasia e ficção científica, mangás-medievais e mangás puros. E histórias com continuação. Odeio histórias com continuação em revistas sem periodicidade definida – que é o caso dos independentes. Olhando em volta, sei que a maioria vai dizer: mas isso é uma maravilha. Eu não acho, não em uma revista só. Deve ser por isso que nunca engoli direito a Heavy Metal. Ok. Podem jogar as pedras.
Mas peraí. “Cê dedicou tempo e escreveu toda essa p**** somente para falar mal do trabalhos dos caras?”
Nopes. Justamente pelo contrário. Vou admitir que ainda estava em dúvida em relação a Alexandria – quando decidi ler seu editorial. Mas aí minha insegurança se dissipou em um toque de mágica. Segue um pedacinho do editorial do primeiro número:
Lendo nosso zine esperamos estar compartilhando com você nossas paixões: a literatura, os quadrinhos e tantas outras referências como os animês e o cinema que nos influenciam no gosto de contar histórias.
Caraca. Até senti vergonha do que estava pensando das edições. Aliás… por que diabos exponho nesta m**** de lugar que é meu site estas minhas burrices e erros? Bom. Reli TODO o material de novo (sério!). Cheguei a algumas conclusões:
- Os caras sabem o que fazem – o trabalho está muito acima da maioria e em destaque o sr. Matias Streb. O sr. Streb é um p*** profissional com uma p*** (tou de saco cheio destes asteriscozinhos de merda) arte do c***lho. É uma pena que tenham não tenham usado fotolito para impressão (o Prismarte faz igual) e prejudicou de certa forma vários trabalhos o moiré na impressão (o moioque?). Mas é um ponto intermediário entre o xerox e o offset RTP (?). Custos, eu sei, e concordo que é a melhor solução. Nas capas (com fotolito) eu garanto que vocês irão chorar (de raiva, de inveja) tamanha qualidade de Streb.
- Os caras são muito legais – chamam sua obra de fanzine. Pensei comigo mesmo. Hoje alguns até se ofendem se chamam seus trabalhos de zines. Porra. Estas duas edições dão um banho no zine Dez Centavos que lancei, isso sem comentar meu passado negro – mas me orgulho dele, antes que venham com gracinhas. Os Alexandria dão uma surra em algumas edições que comprei e que possuem todo um caráter profissional de edição, impressão e que exigem ser chamadas “revistas independentes” e jamais fanzines.
Esquece cara. Infelizmente não continuarei comprando algumas revistas independentes que adquiri internet afora, mas vou continuar comprando a revista independente Alexandria. Sim, você leu certo.
Aconselho você a fazer o mesmo, nem que seja para dar seu veredicto através do contato:
artefinal {arroba} ocorreio . com . br ou pelo fotolog deles: http://fotolog.terra.com.br/alexandriaquadrinhos
Penitente #1
Penitente #01 | 2007 | 20 páginas | 17cm x 26cm | capa e miolo coloridos
Recebi a revista independente do Penitente (adoro esta rima) que comprei no Bodega – uma loja de quadrinhos independentes, que muito provavelmente só vende gibis de vocês-sabe-quem. Meu amigo… o que dizer do Penitente? Eu tenho muitas, muitas, muuuuuuuuuuuuuitas ressalvas sobre histórias em quadrinhos de super-heróis. Não de heróis brasileiros – de super-heróis de qualquer nacionalidade. Já disse que tenho MUITAS ressalvas? Pois bem.
Penitente vale a pena ser comprada e lida. São duas histórias na revista. O editor-autor-fazedor-de-cafezinho da revista teve um cuidado exemplar na edição. Com direito a introdução, meiquinhófe, apresentação do processo de criação e por fim uma contracapa vendedora. Preocupação com detalhes. Este é um dos fatores do sucesso de um trabalho – divulgação e distribuição são outros.
As histórias são simples e eficientes. Os desenhos são competentes e a colorização está de acordo. Tem uma boa impressão e achei muito adequado o formato e o papel escolhido – lembrou muito as edições da Cedibra da década de 80 (Badger – acho que era o nome). Não conheço muito o mercado de heróis hoje em dia, mas não creio que tenha mudado vertiginosamente em relação ao meu tempo – os desenhos e qualidade de impressão devem ter ido as alturas (assim como o preço), mas não devem ter havido maiores mudanças que isto. Achei que Penitente não deve a nenhum “número um” de qualquer HQ de heróis – seja a nacionalidade ou editora que for. Mesmo as grandes.
O Junior (um cara que trabalha ao meu lado e passa o dia inteiro lendo webcomics e, egoísta como só ele, não me passa um linkezinho) disse que era igual a Spawn (como se escreve isso?). O próprio autor comenta sobre isso. Tenho a Spawn #1 (e só a #1) e – após ler Penitente, apesar do mote ser paralelo, percebe-se claramente as diferenças. Mas só nas histórias seguintes que veremos para onde o escritor/argumentisa vai enveredar. Gostei da idéia do orar pela alma do cara. Vamos ver.
O que vejo de complicado é a continuidade. Este tipo de gibi tem que ter sequência e regularidade. Todo mês edição nova e de fácil acesso ao leitor. O que acredito ser impossível sendo independente e tendo que ter outro trabalho para pagar as contas no final do mês. Uma pena. Parabéns ao Lobo, porque me conquistou e vou comprar a #2, quando sair.
Muitos dos fanzineiros, que fizeram fanzines, e hoje gostam de se chamar independentes, fizeram quadrinhos de heróis. Eu mesmo me encaixo no perfil. Vejo em Penitente um excelente começo que, fosse jovem, gostaria de fazer parte – pois na revista nota-se claramente o vigor juvenil e a força da personagem. É o tipo de projeto que escreveria pro autor dizendo “sou desenhista e queria desenhar uma HQ do Penitente”.
Gostaria de ser jovem novamente.
Uma aventura no Bodega
Eu nem sei de onde (ou quando) surgiu isso, mas se propagou como um incêndio. Visitei o Bodega várias vezes até me aventurar a comprar lá. A iniciativa é ótima e por demais de honrada. Reunir em só um espaço a produção nacional em seus mais variados temas sem exclusão de estilos e até mesmo de experiência.
Tanto olhei que acabei por decidir comprar. Fiz o pedido numa sexta-feira de Boca do Inferno #1, Shem ha-Mephorash, Café Espacial #2 e os Avenidas #1 e #2 Prismarte #36 e #45 e o Penitente #1. Vou comentá-los no decorrer da semana, mas vamos ficar agora sobre minha experiência bodeguística.
Paguei o pedido na segunda-feira seguinte a confirmação da compra (que fora enviada no Domingo à noite). Nestas duas semanas que decorreram ainda não recebi o Penitente e o Prismarte. Apesar de estar na espera ainda dos Prismartes e Penitente (peloamordemeusfilhinhos que eu os receba esta semana) e considerar o tempo de recebimento muito longo, acredito que a experiência foi válida e não só pretendo fazer novos pedidos – como já os fiz, ontem – sexta-feira. Ainda assim há algumas coisas que não me agradam muito no site/loja e as coloco aqui até como sincera contribuição de sugestão de melhorias. São elas:
1. A forma de como é feita a transação não é clara. E não vejo porquê não sê-la. Você compra no Bodega, deposita o valor em alguma das contas de Leonardo Santana e ele se encarrega de comunicar os editores, que enviam as edições até você. O Bodega de fato não tem os quadrinhos lá: é apenas um meio de concentrar a produção de quem quiser expor lá e agilizar sua venda. Acho ótimo, somente poderiam deixar isto claro ao comprador. Não sei como funciona a questão de repasse de valores pros editores das revistas compradas, se existem porcentagens para a loja e se existirem, quais são.
2. Não fica claro se qualquer um pode expor seu material lá. É necessário uma pré-aprovação (argh) ou convite (argh²) como no Quarto Mundo?
3. Cálculo de frete. VOcê só recebe o valor total que deverá depositar na confirmação via e-mail de Leonardo Santana. Está certo que ele tem que verificar a disponibilidade das edições com seus editores, mas o valor de frete não aparecer na loja no momento da compra pode trazer desistência da compra ou mesmo desconforto ou embaraço para quem está comprando. O ideal é que se apresente o valor total antes da confirmação da compra, até para que o leitor possa ter o controle e estar ciente de quanto irá gastar antes de finalizar o pedido.
4. Algumas obras não possuem prévias. Não sei até que ponto a loja tem controle disto – ou se é decisão, trabalho dos editores enviarem as imagens das histórias em quadrinhos. Senhores, esta é uma tecla que eu sempre bato: coloquem amostras das HQs. Para orientar o leitor do que está comprando. Seja tema, abordagem, estilo e até qualidade. Não entendo como alguém acha que determinada edição tem mais chances de vender não tendo prévias – seja lá porque razão. Isto parece falta de fé no próprio trabalho. Se for por medo que o leitor ache ruim o trabalho e daí não compre seu gibi, por que estão vendendo? Antes de vender você tem que acreditar no que está vendendo… Eu mesmo decidi não vender 10 Centavos. Hehe.
5. A navegação e o design podia ter uns ajustes… (coisa de dezaimer chato).
A proposta do Bodega é impar. Eu a aplaudo de pé. Deve dar um trabalhão e ser uma encheção de saco cuidar de tantas edições, tantos contatos e pedidos. E ainda por cima não creio que alguém esteja ganhando alguma remuneração substancial por isto. Leonardo Santana está escrevendo seu espaço na história da HQ nacional com tamanha iniciativa e coragem. Parabéns ao sr. Santana. Gostaria de saber qual é a saída ou quantidade de vendas deste tipo de empreendimento. Não creio que alguém fique rico com isto, mas queria ter uma noção do potencial da internet para esta finalidade, nesta área tão específica que é o quadrinho nacional independente. O site da Quadrinhópole está com uma proposta parecida. Vou fazer um pedido para ver como é e posto meu retorno aqui.
Trabalho com internet e estou pensando em formas de ajudar a sanar estes pontos acima apresentados e outros que não coloquei. Não sou do Quarto Mundo, mas desejo efetivamente colaborar com o desenvolvimento do mercado nacional. A venda é um dos seus pontos cruciais. Mas quando tiver isso mais formatado e real – acho que leva ainda uns noventa dias, apresento o que tenho em mente.
Há espaço para ruins que nem eu?
O Quinto Mundo é fantástico. Mesmo eu sendo um pária, Cadu Simões (Homem-Grilo e Nova Hélade, que eu saiba) teve a paciência de responder uma mensagem minha. Sendo um bom leitor, você tem que saber sobre o Quarto Mundo.
Enquanto estou tentando descobrir de quem devo puxar saco, na campanha “o mercado precisa dos 90% ruins”, para entrar no referido grupo, o sr. Simões liberou o Informativo do Quarto Mundo #0. Bacana o informativo. Apresenta o manifesto (!) deles, de essencial leitura, além de um texto sobre o Ângelo Agostini e tiras.
Admito que fiquei admirado com as atitudes do sr. Worney Almeida de Souza apresentadas no informativo. Como disse já, o A. Agostini não é ruim, é apenas do público leitor – e se você deseja este tipo de destaque, é melhor correr atrás. Exatamente a proposta do Quarto Mundo. Muito bom. Cadê o #1?
Já não fiquei tão empolgado com sua resposta no fórum para que participar do grupo precisa “…ser convidado por alguém que já faz parte do coletivo.” Ok. É justo. Eles dão motivos muito coerentes a respeito… mas se por acaso se levarem ‘a sério demais’, onde vão ficar os 90% dos ruins? Ou o quarto Mundo surgiu para ser apenas ‘a nata’? Talvez. E – novamente, não há nada de errado nisso…. mas, isto contrapõe outro ponto exposto em seu… em seu… manifesto: “o que mais interessa para o Quarto Mundo…, como é o caso dos quadrinhos independentes, o que importa não é a quantidade, mas a variedade. Ou seja, mais vale termos 100 revistas com tiragem de mil exemplares do que uma única revista com tiragem de 100 mil.” Traduzindo: cuidem do perigo de se tornarem o clube do bolinha ou mudem o estatuto (Já disse que se chama manifesto! Manifesto!!!).
Para aproveitar o post, no site do Nova hélade, o sr. Simões esclarece que “A partir de agosto, acredito, já teremos a publicação das novas histórias.” Estou ancioso. Também pelo Informativo do Quarto Mundo #1 – online.
Em 1995…
…já existiam fanzines.
Já existia o (I)QI – de Edgard Guimarães. O Juvenatrix.
E – porra… existia uma porrada de coisas. Ok – não tinha internet, webcomics – HQs online, mas eu já dava minhas mal traçadas linhas. Elas pioraram, é verdade.
DE QUALQUER FORMA…
Taí um trabalho que fiz com Carlos Henrique e Mário Assis: Pandora.
Mais uma HQ gratuita (de grátis mesmo, como dizem), na faixa. “Pô, ‘cê achava que ia pagar por essa…” Ok. Ok. A vida – meu jovem menino, com diz o velho do saco, é uma caixinha de surpresas.
Coisas que li
Fun Home
Em bom carioquês: caraca, maluco! Fazia muitos (muitos mesmo) anos que eu não lia algo tão bom. Mais uma prova da importância da história e do ritmo como ela é contada – porra, a gente não precisa de provas, precisa é de conscientização. Considero (quem diabos sou eu?) um marco nas histórias em quadrinhos adultas. E o desenho não importa – o que importa é uma boa e bem contada história (agora criei guerra).
Alison Bechdel é uma menina qua não se identifica com o padrão estereotipado que mulheres devem se vestir de rosa e brincar de casinha. Na verdade quem gosta de brincar de casinha é o pai dela – sério. Bruce Bechdel (o pai) possui um controle rígido sobre os filhos e o seu prazer é reconstruir uma velha casa vitoriana – onde moram, em seus menores e mais fidedignos detalhes. Além de professor de literatura em uma pequena cidade do interior ele possui outro afazer, herdado de sua família: cuidar da funerária da cidade (daí Fun Home). Em uma obra biográfica daquelas que nos deixa desconfortável, Alison nos apresenta sua infância de traumas e fobias em um ambiente literário fantástico – cheio de cultura e intimidação no relacionamento entre ela e seu pai. Ainda que absurdamente completo de referências textuais a diversos autores, a leitura obrigatória deste livro – que gibi o que!!!, é leve e muito rápida. Absolutamente perfeito. Adendo: impressionante é o cuidado do traço de Alison – mesmo não sendo técnico, possui acurada preocupação com sua realidade. Vai comprar logo, cabeção que a edição ainda por cima é de primeira, muito bem cuidada.
Da Conrad: “Eleito o livro do ano em 2006 pela revista Time, figurou na lista de livros mais vendidos do The New York Times e faturou diversos prêmios (entre eles, o Eisner Awards de Melhor Não-Ficção).”
Muertos… vivos.
Voltando de férias. Da UTI seria mais correto, mas férias são sempre mais divertidas.














