Histórias em Quadrinhos • DS.art.br

Silêncio, por favor.


Gueto

187.000.000 = 100% (população brasileira)
18.700.000 = 10% (a grande São Paulo)
1.870.000 = 1% (cidade de Curitiba)
187.000 = 0,1% (leitores da turma da mônica)
18.700 = 0,01% (provavelmente a maior venda de gibis não-humor nem infantil)
1.870 = 0,001% (o máximo que um autor brasileiro vende em um ano)
975 = 0,0005% (tiragem de zines auto-publicados – mas nunca vendidos)

Bom… quando você (se) perguntar por que não existe mercado brasileiro de HQs… quando você acha que é grande coisa sendo um (pseudo) autor importante de quadrinhos nacionais…

Bueno… lembre-se destes números.

Paguem pelos quadrinhos nacionais!

Marcus Ramone, do Universo HQ, escreveu um texto a respeito da realidade dos quadrinhos brasileiros. Achei legal o texto. Como ele mesmo escreveu, seu artigo não ambicionou cobrir todos os pontos relativos ao tema – o que seria não impraticável, mas muito longo e demasiadamente chato.

O que, obviamente, eu adoro ser: verborrágico e inconveniente. Como (infelizmente) não tenho âmbitos de ser cool ou comercial (até porque não existe âmbito comercial nestas bandas e ser cool é muito chato) e se tem um site na internet prá escrever abobrinhas, pego minhas pedras do chão.

Interessou-me que, lendo seu texto, não fora levantado um questionamento que considero relevante: por que “o que se vê é muito, muito trabalho ruim“? A partir deste questionamento decidi escrever este ‘pequeno’ texto.

Antes de mais nada, vou expor alguns pre(con)ceitos:

  1. Este texto desconsidera obras infantis e de humor. Na prática, estas são os únicos trabalhos remunerados em nosso país (charges/cartuns, tirinhas e até quadrinhos nesta temática) – porque são os que vendem. Quem geram interesse do público leitor. Quer viver de HQ no Brasil? Beleza. É bom que seu trabalho se enquadre nessas áreas.
  2. Há sim um preconceito por parte do leitor por material brasileiro – e pertinente: ele normalmente possui qualidade questionável. Mas o leitor brasileiro de HQ não possui resistência alguma a um bom trabalho (no estilo/temática que ele está acostumado a ler), seja a nacionalidade que for. O difícil talvez seja os parcos bons trabalhos (autorais, independentes, amadores etc.) nacionais encontrarem o leitor de determinado segmento. As tiragens são irrisórias, a distribuição é uma caca. E pode ser uma ótima HQ com elfos, mas se o cara curtir super-herói, é bem provável que não vai curtir anõezinhos de jardim – e vice-versa em seus diversos estilos e temas. Some isso tudo ao preço de livros de quadrinhos, absolutamente fora da realidade brasileira, que já se percebe o tamanho do problema.
  3. As editoras são empresas. Empresas objetivam auferir lucro. É um negócio, ora bolas, não uma missão religiosa! As vendas e o mercado nacional de gibis são pequenos, muito pequenos. Está dentro do ridículo, considerando o tamanho continental de nosso país. Pegue as maiores vendas (talvez um pouco acima de vinte mil cópias), versus a quantidade de revistas (que possuem a imensa tiragem de cinco mil cópias) e verá que a média é horripilante. Livros de HQ possuem tiragem menor ainda. E vendem ainda mais lentamente. É nessa realidade que as empresas têm que pagar seus funcionários e tirar o seu. É mais negócio pagar por uma obra de fora, já aprovada em mercados estrangeiros sólidos, que geram vários contratos paralelos, do que pagar mais caro por um autor nacional (sim, é mais barato comprar trabalhos de fora) desconhecido e sem merchandising algum.
  4. O objetivo aqui é falar de obras nacionais, publicadas aqui – seja fanzine, independente, livros etc. O que tenho visto da opinião do leitor na internet é que um cara que quiser viver de quadrinhos, deve ser desenhista da Marvel, da DC, Image etc. Não um contador de histórias, utilizando como suporte a narrativa dos quadrinhos. Não. Ele deve objetivar desenhar para fora do país. “É estupidez querer ficar aqui”. E pior que está coberto de razão. O que levanta outro ponto: o leitor lê (e paga) sem preconceito material estrangeiro, mas estranha um brasileiro querer publicar… bem… no Brasil – e viver disso… em seu próprio país!!! Contar suas histórias aos seus. Incrível o (leitor) brasileiro não exigir (você leu certo) produção própria. Na verdade isso fala muito sobre o que somos, mas OK – não é o objetivo desse texto também.

Primeiramente esclareço que o ofício de quadrinhos é moroso. Muito trabalhoso, muito demorado. Não confunda com ‘apenas desenhar’. Não estou falando de fazer páginas e mais páginas de gente se enchendo de porrada ou parecendo ser gostosa para se alcançar uma cópia técnica do desenhista sensação do momento. Falo de contar histórias, bem contadas. Isso demanda tempo. Experiência. Um autor nacional, com cinco, dez anos de ‘carreira’, tem o quê? Cinquenta páginas produzidas? Talvez cem. Em quanto tempo se consegue isso num mercado consolidado e remunerado que tanto amam comparar? Um mês? Quatro meses? Por que o autor nacional tem um portfólio tão pequeno? Porque o brasileiro é vagabundo?

Todo mundo se acha um Neil Gaiman (mais a frente vou retomar esta que nossos escritores são ruins) ou aquele baita desenhista. Entretanto da concepção à produção, percebe-se que as ideias não são tão bem lapidadas: o trabalho final sempre fica aquém da expectativa inicial. Somente com o exercício interrupto que nossa criatividade se molda perto da realidade, do resultado. Senhores: isso em qualquer área da produção humana. Acontece que lá, em mercados normalmente comparados ao nosso, produzir quadrinhos é profissão. Então o jovem mancebo quadrinhista busca aperfeiçoamento para poder viver disso, vencer a concorrência, ter seu lugar ao Sol. E aí ele produz, por muito tempo, com muito tempo – isso porque sabe que pode ser recompensado por isso. Aqui, não. Nem os caras que têm editora por trás recebem algo que os sustente. Então chega um momento na vida (em nosso país pobre), que o autor tem de buscar seu sustento, seu ganha-pão para pagar as contas. E os quadrinhos ficam em segundo plano. Um hobby. Quando dá, do jeito que dá. Tenha isso em mente: quando dá, do jeito que dá. Nada de quantidade nem continuidade. E lá se vai, esgoto abaixo, a possibilidade de aprimoramento (autocrítica) e amadurecimento da produção por parte do autor. Ressalto: é hobby por falta de perspectiva, não por opção. Tem gente que não admite isso – que o que fazemos por aqui é hobby. Chegam ao ponto de afirmar que se isso fosse verdade, não faríamos sites/blogs/fotologs por diversão, mostrando nosso (duvidoso) trabalho. Bom… não é necessário ter muito mais que um neurônio para perceber que, se isso fosse verdade, não existiriam 99,99% dos blogs na internet. Ou sites pessoais de artesanato e crochê (prá citar algo que MUITA gente faz). Espaços de paixões particulares. Para quem quiser ver.

Incrível também como isso normalmente não é aceito por muitos leitores de quadrinhos: que só existe bons e contínuos trabalhos (em quantidade satisfatória), porque há mercado. Porque se paga por bons trabalhos. Se existe profissionalismo é porque… bem, se retribui por ele. Para cobrar algo você tem que pagar por isso. Em qualquer área, em qualquer profissão. Como qualquer emprego. Pense em qualquer produto/serviço que é bom. Porque ele é assim? Porque existe mercado – há grana envolvida, e assim, a competição para se conseguir a maior fatia possível dessa bufunfa. Alguns já citaram que mesmo o mercado estrangeiro teve um início difícil e tal. Mas para ter uma noção da diferença de realidades, o que se pagava há cinquenta anos, nestes trabalhos primevos lá fora, é até mais do que se paga hoje, a um autor nacional. Feia a coisa. Escrevem que quem é bom, é bom de qualquer jeito – e é fato: temos excelentes obras onde seus autores não tiveram remuneração, mas são esparsas e praticamente desconhecidas. Já toda a obra estrangeira que um leitor pôs a mão foi remunerada. Então me pergunto contra o que há a comparação, se ela não é válida?

Mas… peraí – quer dizer que todo o quadrinhista que faz alguma coisa neste país é (perdeu) prayboy? Ah, sim – escrevi errado de propósito. A resposta é simples: não. Os álbuns que atualmente têm sido publicados em nosso país têm sido um esforço inacreditável de seus criadores. Sem serem igualmente remunerados. Eu nem arrisco mensurar o que tiveram de abdicar pela sua paixão. Mas sei seu seus nomes. E os respeito. Mais até: os venero. Mas é isso: estamos destinados a poucos e desconhecidos heróis solitários. Ok – já li muito que na Europa é parecido, mas… bem… a Europa possui estabilidade financeira melhor, caso não saiba. Lá, há muito mais gente que se pode dar ao luxo disso. No Brasil, não. Repito: no Brasil, absurdamente, infelizmente, não. E aí acabam os sonhos de 99% dos jovens quadrinhistas nacionais.

Interlúdio
Aproveitando esta questão de que quadrinhistas que continuam a produzir possuem condição econômica estável…
É engraçado como no Brasil ter grana é motivo de vergonha e escárnio. Quer dizer… todos querem ter dinheiro, mas desfazem, invejam e atacam quem já o tem… somos todos muito, muito engraçados.
Fim do interlúdio

Lamentável que, com 50 anos de HQ (é mais, eu sei) sempre recorremos aos mesmos, em uma discussão. Tipo… quantas HQs são publicadas mensalmente nos EUA? Cem? Trezentas? Seiscentas revistas? Quantos artistas estão envolvidos nestas edições hoje em dia? E nas produções dos últimos… há… cinco anos? Dez? Vinte anos? Mas, bacanas que somos, recorremos às exceções daqueles cinco ou seis nomes sempre citados como brilhantes autores de quadrinhos. Com uma monstruosa e interrupta produção destas, em meio século, surgiram cinco ou dez nomes ‘indiscutíveis’. Porque então esperar do Brasil um grande roteirista se, em mercados muito maiores, mal e mal se consegue um ou outro? A produção (em quantidade) em um mês nos EUA é maior do que é publicado em dez anos, por aqui. Sinceramente não entendo.

Até escrevem por aí que Moore seria Moore mesmo sem ganhar. Bom, meus queridos Nostradamus de plantão, eu não sei se seria feito algo que merecesse destaque em nosso país, se os artistas daqui fossem remunerados. Neste texto ensaio do porquê não existir muita coisa pela qual o leitor chore de prazer ao lê-las. Mas assim como é fato que não fizemos algo que tenha parado o planeta, tudo que tenha o feito (parado o planeta, cabeção), fora criado através de (boa e contínua) remuneração. N E N H U M trabalho que você citar, fugirá disso. Se Moore seria Moore sem ser pago? Eu sei lá – isso nunca aconteceu. Se você é tão certeiro em previsões do futuro (SE isso, SE aquilo), não perca seu tempo: aposte na mega sena e seja feliz.

Resumindo – coisa que devia ter feito desde o início: não haverá uma quantidade ou continuidade de trabalhos (considerados bons?), que satisfaça a grande parcela de leitores, enquanto não houver remuneração (segura) para seus autores (nacionais). E não teremos isto porque a venda de HQs nacionais (e gibis como um todo) beiram o inacreditável, de tão pequenas. Estamos, muito provavelmente, na melhor fase de todos os tempos em publicação de obras nacionais por editoras – livros. Aproveitemos isto! Mas deve-se ter em mente que excelentes autores nacionais (publicados por por editora) têm tiragem de mil a três mil exemplares e… encalham! Para termos bons trabalhos, ficamos na dependência de quadrinhistas em condição financeira favorável (ou tempo disponível), qualificação artística eficiente e uma paixão ardente. Complicado. Raro. E isso não se limita a quadrinhos e sim a boa parcela de áreas e profissões por aqui – mas especialmente aquelas ligadas à cultura e entretenimento. Apenas um reflexo da pobreza de nosso país.

Mas o panorama é favorável (como nunca foi antes) e espero que frutifique cada vez mais com trabalhos ainda melhores. Se vai colar? Prá onde vamos? Não tenho nenhuma ideia.  Sou apenas um mané que trabalha. Não com quadrinhos, obviamente. Isso porque HQ não paga as minhas contas vencidas.

Lamentavelmente.

Mas curto fazer meus quadrinhos lá de vez em quando e colocá-los na web.

Felizmente.

Mas e o que você tem comprado?

Eu nunca mais falo nada na minha vida. Tá bom, é mentira. Mas com certeza não falo mais coisas do tipo “este é o melhor” ou “foi o melhor” sobre o quadrinho nacional – ‘ainda’ que de HQs independentes. Somente nas últimas semanas tenho recebido materiais impresssionantes que desconhecia – ou conhecia apenas de nome. Como Avenida, Penitente, Schem ha-Mephorash, Alexandria, Quadrinhópole, Cão… sem falar nos que já conhecia, como o Prismarte e o Café Espacial.

Lendo estas edições você encontra obras fantásticas, histórias em quadrinhos de primeiro gabarito e que – lamentavelmente, não são divulgadas ou reconhecidas na mídia como verdadeira expressão cultural que representam. Cultura nossa. Brasileira.

Cheguei a conclusão que não conheço nada do mercado que – infimamente, participo. Penso nestas premiações como o Ângelo Agostini ou mesmo o HQ Mix. Pergunto como selecionam alguém… têm os tão falados mil e duzentos votantes do HQ Mix as obras que citei há pouco? Apenas estas oito revistas que entre as dezenas (centenas?) de obras sugeridas em sua lista? Difícil, considerando as tiragens destas edições e onde o que mais ouço falar de seus editores ou é encalhe ou uma venda muito pequena e demorada. E o Ângelo Agostini, que possui votação aberta? Como escolhem? Pelo nome que lembram, independente da obra referida? Tantos trabalhos valiosos perdidos, esquecidos, nunca conhecidos. Quem não é visto não é lembrado, amigo. Mas a culpa é minha também. E sua.

Quantas revistas compraste? Quantos gibis leu? Às vezes me parece que o mundo independente (fanzines estão aqui também) é um grupo de pessoas gritando: LEIAM MINHA PRODUÇÃO! Mas não lêem a dos outros. Neste famigerado espaço virtual não tenho os milhões de acessos de um Bigorna.net, mas neste último mês são visitas suficientes (e eu agradeço sinceramente a todos vocês, por isso) para esgotar as cópias de boa parte das edições que falei acima.

Agora fica a pergunta: se os editores, escritores e desenhistas não compram a produção do vizinho – e falo em comprar não me vem com escambo, como esperam que o “apenas leitor” compre a deles? Como criar um mercado se não há compra e venda? Viver de HQ como? A mesada dos pais acaba um dia e você não vive de luz solar, amigo. Sei que boa parte compra. Mas será esta boa parte a maioria? Duvido! E sem desculpas. Se há desculpas prá quem produz, imagina a dos que ‘apenas lêem’ – que é o objetivo de toda esta brincadeira.

Se estiver vivo no próximo Ângelo Agostini, vou estar preparado para meu voto. Não por ter uma opinião importante ou que deva ser considerada, mas porque espero ter um bom conhecimento sobre o que foi lançado neste ano. Não vou votar porque é meu amigo nem porque lembro o nome do cara e aquele outro trabalho era legal. Vou votar porque comprei e li o que foi produzido. Acho que você deveria fazer o mesmo.

PS – pelamordemeusfilinhos, eu tenho que aprender a:

  1. escrever ;
  2. escrever menos;
  3. escrever menos besteira;

Penitente #1

Penitente #01 | 2007 | 20 páginas | 17cm x 26cm | capa e miolo coloridos

Recebi a revista independente do Penitente (adoro esta rima) que comprei no Bodega – uma loja de quadrinhos independentes, que muito provavelmente só vende gibis de vocês-sabe-quem. Meu amigo… o que dizer do Penitente? Eu tenho muitas, muitas, muuuuuuuuuuuuuitas ressalvas sobre histórias em quadrinhos de super-heróis. Não de heróis brasileiros – de super-heróis de qualquer nacionalidade. Já disse que tenho MUITAS ressalvas? Pois bem.

Penitente vale a pena ser comprada e lida. São duas histórias na revista. O editor-autor-fazedor-de-cafezinho da revista teve um cuidado exemplar na edição. Com direito a introdução, meiquinhófe, apresentação do processo de criação e por fim uma contracapa vendedora. Preocupação com detalhes. Este é um dos fatores do sucesso de um trabalho – divulgação e distribuição são outros.

As histórias são simples e eficientes. Os desenhos são competentes e a colorização está de acordo. Tem uma boa impressão e achei muito adequado o formato e o papel escolhido – lembrou muito as edições da Cedibra da década de 80 (Badger – acho que era o nome). Não conheço muito o mercado de heróis hoje em dia, mas não creio que tenha mudado vertiginosamente em relação ao meu tempo – os desenhos e qualidade de impressão devem ter ido as alturas (assim como o preço), mas não devem ter havido maiores mudanças que isto. Achei que Penitente não deve a nenhum “número um” de qualquer HQ de heróis – seja a nacionalidade ou editora que for. Mesmo as grandes.

O Junior (um cara que trabalha ao meu lado e passa o dia inteiro lendo webcomics e, egoísta como só ele, não me passa um linkezinho) disse que era igual a Spawn (como se escreve isso?). O próprio autor comenta sobre isso. Tenho a Spawn #1 (e só a #1) e – após ler Penitente, apesar do mote ser paralelo, percebe-se claramente as diferenças. Mas só nas histórias seguintes que veremos para onde o escritor/argumentisa vai enveredar. Gostei da idéia do orar pela alma do cara. Vamos ver.

O que vejo de complicado é a continuidade. Este tipo de gibi tem que ter sequência e regularidade. Todo mês edição nova e de fácil acesso ao leitor. O que acredito ser impossível sendo independente e tendo que ter outro trabalho para pagar as contas no final do mês. Uma pena. Parabéns ao Lobo, porque me conquistou e vou comprar a #2, quando sair.

Muitos dos fanzineiros, que fizeram fanzines, e hoje gostam de se chamar independentes, fizeram quadrinhos de heróis. Eu mesmo me encaixo no perfil. Vejo em Penitente um excelente começo que, fosse jovem, gostaria de fazer parte – pois na revista nota-se claramente o vigor juvenil e a força da personagem. É o tipo de projeto que escreveria pro autor dizendo “sou desenhista e queria desenhar uma HQ do Penitente”.

Gostaria de ser jovem novamente.

Há espaço para ruins que nem eu?

O Quinto Mundo é fantástico. Mesmo eu sendo um pária, Cadu Simões (Homem-Grilo e Nova Hélade, que eu saiba) teve a paciência de responder uma mensagem minha. Sendo um bom leitor, você tem que saber sobre o Quarto Mundo.

Enquanto estou tentando descobrir de quem devo puxar saco, na campanha “o mercado precisa dos 90% ruins”, para entrar no referido grupo, o sr. Simões liberou o Informativo do Quarto Mundo #0. Bacana o informativo. Apresenta o manifesto (!) deles, de essencial leitura, além de um texto sobre o Ângelo Agostini e tiras.

Admito que fiquei admirado com as atitudes do sr. Worney Almeida de Souza apresentadas no informativo. Como disse já, o A. Agostini não é ruim, é apenas do público leitor – e se você deseja este tipo de destaque, é melhor correr atrás. Exatamente a proposta do Quarto Mundo. Muito bom. Cadê o #1?

Já não fiquei tão empolgado com sua resposta no fórum para que participar do grupo precisa “…ser convidado por alguém que já faz parte do coletivo.” Ok. É justo. Eles dão motivos muito coerentes a respeito… mas se por acaso se levarem ‘a sério demais’, onde vão ficar os 90% dos ruins? Ou o quarto Mundo surgiu para ser apenas ‘a nata’? Talvez. E – novamente, não há nada de errado nisso…. mas, isto contrapõe outro ponto exposto em seu… em seu… manifesto: “o que mais interessa para o Quarto Mundo…, como é o caso dos quadrinhos independentes, o que importa não é a quantidade, mas a variedade. Ou seja, mais vale termos 100 revistas com tiragem de mil exemplares do que uma única revista com tiragem de 100 mil.” Traduzindo: cuidem do perigo de se tornarem o clube do bolinha ou mudem o estatuto (Já disse que se chama manifesto! Manifesto!!!).

Para aproveitar o post, no site do Nova hélade, o sr. Simões esclarece que “A partir de agosto, acredito, já teremos a publicação das novas histórias.” Estou ancioso. Também pelo Informativo do Quarto Mundo #1 – online.

Em 1995…

…já existiam fanzines.

Já existia o (I)QI – de Edgard Guimarães. O Juvenatrix.

E – porra… existia uma porrada de coisas. Ok – não tinha internet, webcomics – HQs online, mas eu já dava minhas mal traçadas linhas. Elas pioraram, é verdade.

DE QUALQUER FORMA…

Taí um trabalho que fiz com Carlos Henrique e Mário Assis: Pandora.

Mais uma HQ gratuita (de grátis mesmo, como dizem), na faixa. “Pô, ‘cê achava que ia pagar por essa…” Ok. Ok. A vida – meu jovem menino, com diz o velho do saco, é uma caixinha de surpresas.

Muertos… vivos.

Voltando de férias. Da UTI seria mais correto, mas férias são sempre mais divertidas.

Muertos

Postando Muertos. Página por página. No meu ritmo, termino ela antes de completar cinquenta anos.

1999

1999 era o final de tudo. Nessa época acabava tudo (mas há controvérsias). O ano, século, milênio (há controvérsias, já disse). Talvez não muito ciente disso, no meio do meu curso da universidade em 99, decidi também acabar com essa história de fazer alguma coisa além de reclamar, falar mal de de aguma coisa, alguém ou alhures. Ia parar de desenhar. Taí a última história que fiz, antes de Dez Centavos. Aonde? Aqui.

DEZ CENTAVOS

Tentativas anteriores de Dez Centavos

No menu HQ, você encontrará DEZ CENTAVOS. É engraçado esta vida. Pensei que não ia passar no vestibular e quando passei, pensei que jamais me tornaria um designer. Me formei (ô português) dizendo que jamais sairia de Santa Maria. Me mudei (de novo o meu bom português) prá São Paulo antes mesmo de me formar – foi terrível, mas quando já estava me acostumando à cidade, dizendo que jamais ia sair de lá, voltei prá Santa Maria. Voltei e ainda por cima abri uma empresa – uma loucura sob todos aspectos que nunca faria (abrir uma empresa, voltar a Santa Maria ou abrir uma empresa?), juntamente à minha esposa (com certeza todas as opções anterioes os mais engraçadinhos dirão). Neste meio tempo – há uns seis anos atrás, tomei a ferrenha e irrevogável decisão de nunca mais fazer HQ – era muito chato e demorado (ainda é!). E não ganhava nenhum centavo fazendo quadrinhos ainda por cima. Aí está Dez Centavos. Seis anos depois. Atualmente ando dizendo a todos que nunca vou parar de fumar. Essa vida é realmente engraçada.