Oubapo
Um tempo atrás o sr. Grampá escreveu sobre a Oubapo. Rafael Grampá possui grande cobertura da mídia (merecidamente, é um desenhista ímpar) e o que ele fala/escreve queima pelos rastilhos digitais de nossas vidas. A saber, a Oubapo (em resumida e infeliz conceituação) é uma proposta de experimentação utilizando quadrinhos como suporte. Ou uma brincadeira mesmo – com sua linguagem.
Cerca de um ano atrás fui convidado a participar da ‘regional Oubapo’ aqui da américa latina . Recusei.
A responsabilidade de fazer uma página de exercício mensal pareceu demais pro meu (parco) tempo livre. Considerando a quantidade de páginas que fiz desde o convite, estava certo em não aceitar: eu ia furar.
Este site está completando um ano de atualização razoavelmente constante. Desde então passei por várias fases: da suspeita à constatação. Da euforia à frustração. Busco atualmente uma certa resignação. Praticamente uma doença. Há um ano atrás eu sabia que o mercado brasileiro era brabo e inexistia – só não sabia quão brabo era… e o quanto inexistia.
Há um ano atrás acreditava que os maiores artistas do país, publicados por editoras eram de alguma forma remunerados e possuiam vendas minimamente expressivas. Hoje sei que não. Antes era um objetivo a ser alcançado: aprimorar-se para ser um dos melhores, publicar e ganhar algum. Hoje sei que isso inexiste. Os melhores não ganham nada. Os melhores não vendem nada. Então não há objetivo, não há pelo que correr – nada para se ir atrás. Não há como se viver disso, minimamente. Arte? Prazer pelo fazer o que se gosta? Isso é conversê de quem já tem o seu garantido, de jovens, solitários ou hippies. Não sou entre nehum destes.
Acho lamentável que os quadrinhos nacionais tenham se tornado isso: um passatempo. Ou mesmo um “desejo de expressão”. HQs deveriam ser livres. Acessíveis. Em quaisquer nichos, estilos ou finalidades. Acessíveis para quem as lê e para quem deseja fazê-las. Mas… não é assim. Histórias em quadrinhos, ao menos por aqui, tornaram-se um objeto de luxo. Para pessoas cool, para quem tem tempo livre ou grana (dá no mesmo). Não é o meu caso. Estou levando este site o quanto posso, mas perdendo qualquer objetivo, meu tempo livre começa a clamar por algo que me dê algum retorno. Coisas que os quadrinhos jamais darão, a não ser alguma satisfação pessoal que me é muito cara – em ambíguos sentidos. Não sei dizer ao certo se um dia abandonarei por completo o (não) ofício dos quadrinhos amadores, mas com certeza tenho de reduzir drasticamente meu tempo dedicado a ele. Desintoxicar. Acabar com este vício.
Um conselho (e como todo bom conselho, inútil): se você for jovem, com tempo livre ou mesmo alguém em boa condição financeira, faça quadrinhos. Muitos. Tantos quanto você puder. Corra atrás do sonho. Até quase morrer, se for preciso. Porque se você tem chance agora, talvez consiga trabalhar com isso algum dia. E a melhor coisa do mundo é fazer HQ.
Porque se você for adulto e tiver de se sustentar, você terá menos tempo para brincar.
Fico terrivelmente frustrado, magoado e infeliz com isto. Assim como as histórias em quadrinhos no Brasil, a Oubapo é para quem pode.
Não para quem quer.
Dando nome aos bois. Ou quase.
Por onde começar?
- Estive em Sampa nesta última semana que passou. No sábado passado houveram os aniversários da Livraria HQ Mix e do Quarto Mundo.
- Conheci trocentas pessoas ao mesmo tempo. O que foi ótimo. Minutos de conversa com cada um. O que foi uma pena. Realmente é em São Paulo que as coisas acontecem.
- Impressionante a gentileza e atenção que recebi de todos. Todos, sem exceção alguma, foram muito legais. É engraçado encontrar com o pessoal do Quarto Mundo ao vivo – gente que só se conhece por e-mails e mensagens via rede. Valeu conhecê-los, galera! Tanta gente talentosa que gostaria de ter conversado mais! Espero que se repita outra reunião em breve.
- A coisa foi tanta que até o Oggh (disfarçado, com medo de ser apedrejado) apareceu.
- César Freitas da HQ & Cia é um louco – na próxima visita faço questão da presença dele na mesa para tomar cerveja e discutir os bairrismos (dele, é claro – huahua). Edu Fernandes nunca mais vai querer me ver na frente – não com uma caneta para emprestar, ao menos.
- No pouco tempo que tinha (as horas voaram!!!) conheci pessoalmente o Rodrigo Soldado. Confirmou-se minha suspeita de quão inteligente e visionário ele é. Questão de tempo (infelizmente sempre maior que desejamos) para que seja reconhecido.
- Até cruzei com o sr. Fábio Moon – e como bom fã nerd, fui cumprimentá-lo pelo excelente trabalho que realiza (só conheço as obras que ele publicou aqui no país). Ele me olhou com um ar um tanto incrédulo (“será que este psicopata vai me matar?”).
- Lourenço Mutarelli chegou com uma garrafinha de uísque – o que prova que ele só pode ser um bom sujeito.
- Rafael Grampá é o típico gaúcho. Possui uma cara séria que deve intimidar muita gente. Com poucas palavras dele, vi que é um sujeito do bem e bastante atencioso. Parabéns pelo seu trabalho inquestionável em MD, Grampá.
- Enfim, gostaria de ter falado muito, muito mais com todos.
- Não pude ir a festa do Quarto Mundo – morei alguns anos em São Paulo e meus amigos locais foram lá para me ver no curto período que fiquei na cidade, então não podia deixá-los na mão e fui jantar com eles. Mas outras oportunidades virão, com certeza, para me juntar ao quadrinhistas com mais calma, por mais tempo.
- O grande destaque ao meu ver foi Gualberto Costa – o proprietário da livraria HQ Mix. Esse cara impressiona. Você não sabe o que é alguém apaixonado pelo que faz até falar com ele. Voltei no Domingo à livraria HQ Mix e ele, exausto, ainda teve energia para dar uma atenção tremenda prá mim. Muito, muito gentil, muito, muito legal. Obrigado pela recepção, Gual.
- Agradeço também a todos que ajudaram na divulgação do evento de lançamento (e) de Muertos. São eles: Amauri de Paula do Quadrinho.com, Augusto Paim da CABRUUM, Cadu Simões no Quarto Mundo, Cesar e Edu da HQ & Cia, Danilo Beyruth do Evilking, Eudes Honorato do Rapadura Açucarada, Hector Lima e o Goma de Mascar, Homero Pivotto Jr. do Diário de Santa Maria, Levi Trindade da Wizmania (não tenho a revista, mas sei que saiu uma página inteira sobre Muertos), Marcelo De Franceschi e a galera do DACOM, Paulo Floro e a revista O Grito, Renato Lebeau do Impulso HQ, Renato Rosatti do Infernotícias, Rodrigo Galhano da Reviews de Histórias em Quadrinhos, Rodrigo Leão do Nóis na Tira, Tiago Castro do Blog Insônia, Victor Maia do I’m a rock. Espero não ter deixado ninguém de fora – caso o tenha, avise que vou atualizando.
- Obrigado a todos que foram. A todos que falaram comigo. Desculpe se fui breve ou aéreo – mas estava tonto com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo.
Até a próxima!
Meus heróis
Estou de férias.
Não do trabalho – mas de desenhar HQ… Estou nesta semana verificando se engreno outro trabalho ou não. Tenho até o conto selecionado. E é grande. O que não sei se é bom ou ruim.
De fato, sempre achei que não adianta muito fazer HQ sem que ela seja de alguma forma vista. Um trabalho de gaveta não faz sentido – e na verdade, sendo de gaveta, ele não existe.
Atualmente me pergunto porque faço quadrinhos. Ou por que mantenho este site. Primeiramente era como diversão e passatempo. Atualmente acho que está mais prá um divã. Vou procurar ajuda especializado que ganho dinheiro…
Voltando.
Pensando no próximo projeto, pergunto qual é o meu objetivo atual.
Achei ótimo o texto de encerramento do Quadrinhofilia. Achei ótimo o post do sr. Grampá (aqui o início). Achei ótimo o comentário do sr. Bá no Quinto Mundo.
Resumindo a idéia de todos: se vai fazer, que faça de modo sério, honesto. Esmerado. E que tenha finalidade de publicação – de ser visto. Se não for deste modo… prá que fazer? São meus heróis.
Mais de dez anos atrás eu tinha que decidir se virava (se tentava ser) desenhista de HQ pros americanos ou não. Desenhar super-herói? Optei por não seguir esta trilha e sinceramente não me arrependo. Talvez tenha me faltado visão de tentar fazer o tipo de HQ que eu gosto, mais autoral – mas há mais de dez anos atrás o mercado não era tão segmentado quanto hoje. Mas a culpa é minha, não adianta disfarçar.
Admito que hoje, trabalhando, tentar trilhar este caminho de desenhista é exaustivo. Mas ninguém disse que seria fácil.
E aí? Teria gás para uma HQ com perfil/enfoque profissional? Buscando publicação?
Só o Sombra sabe.














