Histórias em Quadrinhos • DS.art.br

Daniel Pereira dos Santos

História de Ninar

3 exposições sagazes e comedidas

História de Ninar

Um conto de Jeffrey Whitmore
Adaptado para HQ online por Daniel Pereira dos Santos


Nothing to Lose • I

Writter: A. MoraesArtist: DS • English version: A. Moraes • Revision: Hector Lima

The best webcomic ever! :D

Next update? Friday – 01.30.2009

Presente de Natal

Modo exibimento ON.

Foi meio de surpresa quando soube que a revista eletrônica O Grito elencou uma lista com os “30 melhores quadrinhos (de 2008), definidos assim por quem melhor movimenta os títulos no mercado – os críticos”.

Qual a surpresa? Estou nela.

Os (28!) criticos de quadrinhos convidados para compor a lista foram: Andrea Pereira, André Dib, Carol Almeida, Claudio Yuge, Diego Figueira, Eduardo Nasi, Germano Rabello, Guilherme Kroll, Hector Lima, Heitor Pitombo, Ivan Carlos, Jota Silvestre, Lidianne Andrade, Luiz Augusto Sá, Matheus Moura, Michelle Ramos, Pablo Casado, Paulo Floro, Paulo Ramos, Renato Pedro, Ricardo Malta, Sandra Monte, Sidney Gusman, Sílvio Alexandre, Talles Colatino, Telio Navega, Tiago Castro e Wellington Srbek.

Dos trinta mencionados pela crítica, oito são nacionais e fui o único com um fanzine (indepentende, autoral, blábláblá) a figurar na lista. O Gibizada também fez sua lista e tive minha pontinha por lá.

Agradeço pela lembrança. Deixaram uma criança inacreditavelmente feliz neste Natal. E, na boa – se você não gostou de uma lista dessas, tenho que concordar contigo – pois é inacreditável que um fanzine feito no interior do Rio Grande do Sul esteja no meio de gigantes… mas, pô, prova que vale a pena sonhar. E todos sonhamos.

Se eu já era difícil de aturar, imagina agora… vou ter que comprar um espelho maior.

Fico muito feliz que Muertos tenha agradado alguns! Muito obrigado a todos que gastaram seu tempo lendo esta HQ e feliz Natal!!! O meu já está prá lá de feliz, ao menos :D

Modo exibimento OFF.

Hm.

Modo exibimento ON. (Mais um pouquinho, vai?)

Dando nome aos bois. Ou quase.

Por onde começar?

  • Estive em Sampa nesta última semana que passou. No sábado passado houveram os aniversários da Livraria HQ Mix e do Quarto Mundo.
  • Conheci trocentas pessoas ao mesmo tempo. O que foi ótimo. Minutos de conversa com cada um. O que foi uma pena. Realmente é em São Paulo que as coisas acontecem.
  • Impressionante a gentileza e atenção que recebi de todos. Todos, sem exceção alguma, foram muito legais. É engraçado encontrar com o pessoal do Quarto Mundo ao vivo – gente que só se conhece por e-mails e mensagens via rede. Valeu conhecê-los, galera! Tanta gente talentosa que gostaria de ter conversado mais! Espero que se repita outra reunião em breve.
  • A coisa foi tanta que até o Oggh (disfarçado, com medo de ser apedrejado) apareceu.
  • César Freitas da HQ & Cia é um louco – na próxima visita faço questão da presença dele na mesa para tomar cerveja e discutir os bairrismos (dele, é claro – huahua). Edu Fernandes nunca mais vai querer me ver na frente – não com uma caneta para emprestar, ao menos.
  • No pouco tempo que tinha (as horas voaram!!!) conheci pessoalmente o Rodrigo Soldado. Confirmou-se minha suspeita de quão inteligente e visionário ele é. Questão de tempo (infelizmente sempre maior que desejamos) para que seja reconhecido.
  • Até cruzei com o sr. Fábio Moon – e como bom fã nerd, fui cumprimentá-lo pelo excelente trabalho que realiza (só conheço as obras que ele publicou aqui no país). Ele me olhou com um ar um tanto incrédulo (“será que este psicopata vai me matar?”).
  • Lourenço Mutarelli chegou com uma garrafinha de uísque – o que prova que ele só pode ser um bom sujeito.
  • Rafael Grampá é o típico gaúcho. Possui uma cara séria que deve intimidar muita gente. Com poucas palavras dele, vi que é um sujeito do bem e bastante atencioso. Parabéns pelo seu trabalho inquestionável em MD, Grampá.
  • Enfim, gostaria de ter falado muito, muito mais com todos.
  • Não pude ir a festa do Quarto Mundo – morei alguns anos em São Paulo e meus amigos locais foram lá para me ver no curto período que fiquei na cidade, então não podia deixá-los na mão e fui jantar com eles. Mas outras oportunidades virão, com certeza, para me juntar ao quadrinhistas com mais calma, por mais tempo.
  • O grande destaque ao meu ver foi Gualberto Costa – o proprietário da livraria HQ Mix. Esse cara impressiona. Você não sabe o que é alguém apaixonado pelo que faz até falar com ele. Voltei no Domingo à livraria HQ Mix e ele, exausto, ainda teve energia para dar uma atenção tremenda prá mim. Muito, muito gentil, muito, muito legal. Obrigado pela recepção, Gual.
  • Agradeço também a todos que ajudaram na divulgação do evento de lançamento (e) de Muertos. São eles: Amauri de Paula do Quadrinho.com, Augusto Paim da CABRUUM, Cadu Simões no Quarto Mundo, Cesar e Edu da HQ & Cia, Danilo Beyruth do Evilking, Eudes Honorato do Rapadura Açucarada, Hector Lima e o Goma de Mascar, Homero Pivotto Jr. do Diário de Santa Maria, Levi Trindade da Wizmania (não tenho a revista, mas sei que saiu uma página inteira sobre Muertos), Marcelo De Franceschi e a galera do DACOM, Paulo Floro e a revista O Grito, Renato Lebeau do Impulso HQ, Renato Rosatti do Infernotícias, Rodrigo Galhano da Reviews de Histórias em Quadrinhos, Rodrigo Leão do Nóis na Tira, Tiago Castro do Blog Insônia, Victor Maia do I’m a rock. Espero não ter deixado ninguém de fora – caso o tenha, avise que vou atualizando.
  • Obrigado a todos que foram. A todos que falaram comigo. Desculpe se fui breve ou aéreo – mas estava tonto com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo.

Até a próxima!

Como fazer quadrinhos

Este post vai ser grande. Prepare-se. Se eu estou avisando – já que sempre escrevo demais, você deveria levar a sério. Fazer HQ não é moleza, então por que você achar que dicas de como fazê-la seriam? É até bom. Faz a concorrência desistir no início.

Vou procurar emprego de cão farejador da polícia. Fuçando a internet encontrei esta preciosidade do sr. Hector Lima – criador do Major. (É uma pena que não conseguirei comprar uma versão impressa da edição desta revista…).

No texto ele expõe com a sagacidade da experiência dicas para os roteiristas, escritores e argumentistas que querem fazer suas histórias em quadrinhos e ainda viver disso. Foca bastante a questão prática objetivando o profissionalismo e a publicação por editoras. Escreve claramente e sem rodeios – apresenta muito de sua opinião pessoal, sem frescuras, e somente por isto deve ter sido a melhor lista de dicas a respeito de como escrever uma HQ que já li.

Acesse e leia agora: como ser roteirista de HQ em 15 passos.

Aproveitando o excelente tema, vou fazer uma proposta completamente baseada (copiada) de seu pontos, mas voltada a desenhistas de quadrinhos. Como desenhar uma HQ. Não sou profissional e não creio que um dia me torne um. Então minha opinião é prá lá de suspeita porque não vivo de HQ, mas a idéia insana de tentar fazer ao menos um projeto totalmente voltado ao mercado, à publicação por editoras, começa a passar pela minha mente. Estes pontos – os mesmos do sr. Lima, são minha visão pessoal. Não possuem validade alguma como afirmação definitiva. Mas até aí… quem tem algo que seja definitivo? Vejo que este texto seja mais voltado a quem está ‘começando’, ou mesmo àquele que está a um passo de começar a ganhar grana com quadrinhos. Não falo sobre cursos de HQ, mas é proposital – quero retornar ao tema no futuro. Outrossim, como o próprio sr. Lima escreveu, gostaria de ter lido estes tópicos dez anos atrás.

REGRAS ABSOLUTAS PARA SE TORNAR UM DESENHISTA DE HQs

  • Você só será desenhista de HQs desenhando. Lamento.
  • Você só será desenhista de HQs desenhando muito, por muito tempo – por vezes anos, sem retorno algum. Você terá de desenvolver seu próprio método de paciência e controle de frustrações. Lamento.
  • Você só será desenhista de HQs desenhando muito mais que sua preguiça queria e muito menos do que você precisa. Terá de criar por sua conta a rotina, prazos e objetivos – a maior inimiga de um desenhista é a não-prática. Lendo HQ ou vendo ilustrações excelentes não torna você um desenhista melhor. Lamento.
  • Provavelmente há poucas coisas/profissões tão chatas quanto ser desenhista de HQ. Cada página leva horas. Às vezes dias. E uma história sempre tem muitas páginas. Lamento.

OS 15 PONTOS (E MEIO) PARA SER UM DESENHISTA DE HQ

  1. Leia livros. Sério. A leitura de livros além de estimular raciocínio, força sua imaginação. Ao ler um livro, você tem que construir visualmente o que se passa naqueles letrinhas insuportáveis. E imaginação visual é tudo para um desenhista. Maior é o desenhista quanto mais próximo de sua imaginação ele de fato consegue transpor ao papel. Como consegue isto? Praticando – vá desenhar.
  2. Veja filmes. A proximidade entre cinema e HQ é óbvia e exaustivamente levantada por todos. A vantagem é que ela traz referências visuais que somente esta mídia permite – cenários, efeitos visuais, maquiagens, tecnologias. Tudo isso vira referência para você. O que eu faço com estas referências? Pratique – vá desenhar.
  3. Consuma Moda e Arte. Seja vendo maquinários, bens de consumo, embalagens, imagens de livros de design e ilustração. Isto vai virando uma poderosa biblioteca de informações para seu cérebro poder cruzar os dados e fazer surgir em você um artista com estilo próprio e reconhecido. Como conseguir virar um artista referencial? Praticando – vá desenhar.
  4. Interaja com as pessoas. Não adianta você ‘consumir’ tamanha informação e não levantar outras visões, outras perspectivas. Não adianta você só praticar fechado no seu mundinho. Veja como são as outras pessoas – visualmente, e como elas agem – psicologicamente. Depois disso? Pratique – vá desenhar.
  5. Tenha curiosidade pelo que está acontecendo. Conhecer o mundo a sua volta é essencial. As notícias vigentes, para poder retratar o mundo a sua volta – sejam idéias, cenários ou mesmo pessoas. Você faz uma HQ brasileira que parece se passar em Nova Iorque? Ter um conhecimento sobre história (humana/da arte) muitas vezes é fundamental para se criar uma história que tenha embasamento suficiente para que o leitor acredite nela. Você deve ter veracidade com a realidade/proposta que está desenhando. Como alcançar isto? Praticando – vá desenhar.
  6. Uma HQ é algo entre um livro e o teatro, cinema ou TV. Estude a tal metalinguagem dos quadrinhos. Instintivamente você vai utilizá-la, mas é uma boa ter os conceitos fortes sobre o que é uma história em quadrinhos e como ela funciona. Ninguém sabe tudo e é muito provável que se surpreendas com o que estudares, descobrindo novos métodos e truques. O que diabos você vai fazer isto? Pratique – vá desenhar.
  7. HQ é Arte Sequencial. Muito do ponto acima sobre metalinguagem da HQ. Você tem de saber casar o texto com o desenho – ritmo, diagramação, balões/caixas de texto. Lembre-se que nem tudo que está no roteiro precisa estar escrito na página. Não se preocupe com o estilo que desenhas nem a técnica ou material que utilizas. Com o tempo e habilidade necessária, você naturalmente terá as respostas para isto. Não é um pincel com pêlo de castor ou uma Wacom que fará de você um grande artista – e sim seu treino, muito esforço… e tempo. É a habilidade do desenhista em descrever visualmente numa linha de tempo o que o escritor fez, que o torna alguém de destaque. Se consegue isto de um jeito: praticando – vá desenhar. Mesmo que comece com caneta BIC imitando o Deodato.
  8. Mostre pro escritor o que ele precisa ver. Por mais descrita que sejam as cenas de cada quadro, espera-se de um desenhista mais referências visuais que o escritor. Surpreenda seja com mais detalhes que os descritos ou mesmo outras tomadas. Ou ainda com uma visão completamente diferente e inovadora do texto. O charme de um ilustrador de primeiro nível está em trazer elementos a mais ao roteiro – mostrar como desenhar quadrinhos. Como? Pratique – vá desenhar.
  9. Seja forte, mas flexível. “Isso vai soar extremamente arrogante, mas você é o” desenhista. Ninguém lembra do pobre escritor – apesar dele ser a alma de uma HISTÓRIA em quadrinhos. Abs Moraes já escreveu que o roteiro é uma guia, não a droga do mapa. Ou algo assim. Achando que pode trazer ganho a história, proponha mudanças em como ela pode ser mostrada – é muito bom antes de iniciar o projeto, fazer uma diagramação de quadros e tomadas para discutí-la com o escritor. Também saiba quando seguir o que o texto diz como um bom cachorrinho. Se a HQ não for comprada ou falada (bem), a culpa é do desenhista. Só vão lembrar do pobre escritor se o texto estiver acima da média (detalhe – não falei nem bom nem genial). E é inacreditavelmente difícil escrever uma boa história. Apesar de achar que desenhar é um milhão de vezes mais trabalhoso que escrever, alcançar o mérito de ser um bom desenhista é mais fácil do que ser um bom escritor. De que forma? Praticando – vá desenhar.
  10. Estabeleça prazos para você mesmo e pro escritor. Isto é muito importante. Se você conseguir se planejar quantas HQs você vai fazer em determinado período e que resultado você quer com isto, é meio caminho para se obter sucesso. Percorrer a outra metade é que é dureza. Pratique – vá desenhar.
  11. Experimente. E no final, junte-se a quem pensa como você. Você é livre e está em vantagem. Existem dez bilhões de escritores para cada desenhista. Comece com HQs bem pequenas. Com a experiência, vá aumentando as páginas e a complexidade. Eu nunca peguei um texto “encomendado”. A não ser de um famoso escritor e me dei mal. A culpa não é dele, apenas minha – devia ter aceitado em fazer a HQ só depois de ler o roteiro, jamais tê-lo pedido – insistido, em fazer o que fosse e eu o faria. Primeiro leia e aprove o texto, seja por estilo ou por capacidade – DE FATO, se conseguir desenhá-los. Depois se comprometa a fazê-lo. Com o tempo você vai achar seus parceiros mais frequentes de letras. Tornando-se um profissional habilitado, remunerado, não terá de se preocupar com isto. Só se consegue isto praticando – vá desenhar.
    [adendo] 11.5 – tenha um parceiro por vez, não se comprometa com o que não vai cumprir. O que mais ouço e leio é de escritor chorando que o desenhista pediu um texto e não fez. Tudo fruto da inexperiência – eu mesmo caí nesta, dia destes. Sou a favor da pré-aprovação de roteiros. O escritor que escolhe um desenhista já sabe o que esperar dele (mais ou menos) em relação ao seu desenho. O mesmo não acontece com os desenhistas. O ilustrador que pede uma história ‘no escuro’ a um roteirista que fez uma baita história ontem, pode receber uma bela droga amanhã. A regularidade de qualidade é muito mais fácil de se encontrar em desenhos que textos. Somente procure por outro texto e/ou escritor APÓS finalizar o projeto anterior. Se conseguir isto, meu amigo, você será o próximo _________________ (preencha com o seu artista favorito).
  12. Em último caso, considere pagar um adiantamento pro artista. Esquece. Como disse, você está em vantagem. Talvez isto seja válido se você quiser arriscar seus primeiros passos no mercado profissional, com alguma obra mais autoral entre você e determinado escritor. Mas sei não… Enquanto isto, pratique – vá desenhar.
  13. Saiba pra qual editor mandar sua HQ e como lidar com rejeição. Nunca fiz isto. Achei os pontos do sr. Hector bastante válidos também para desenhistas. Abstenho-me então de escrever a respeito – você continue praticando – vá desenhar.
  14. Saiba contar a sinopse da sua história em poucas palavras. Novamente – o escritor faz umas letrinhas e você pode sofrer por semanas e meses – leia o texto que originou estes tópicos e deixe a cargo do roteirista esta fria enquanto pratique – vá desenhar.
  15. Publique sua HQ, publique muitas HQs, mostre pro mundo que você existe. Concordo com (quase) cada palavra de o sr. Lima escreveu. Sejam fanzines, revistas, livros ou web. Divulgue – mostre sua cara (até para baterem). Todavia acho que o único ponto que discordo do texto original também está aqui: saiba também a diferença entre ser chato e apenas insistente. Prá mim não existe esta diferença. Quando se está iniciando, divulgando em todos os lugares, você sempre vai ser um chato. Agora se o seu trabalho se sobrepor, evoluir a ponto de não precisar mais procurar divulgação ou lugar para publicação, nem insistente você vai ser – você vai ser é remunerado e reconhecido. Praticando, óbvio. Vá desenhar.

Cansou de ler tudo isto? Espero que ainda leias o original.