Eu não sei desenhar!
História. Em quadrinhos. Como se pode ver você não precisa ser um grande ilustrador para narrar algo usando esta linguagem. Mesmo quem não sabe desenhar pode alcançar resultados interessantes. Pode até virar um ‘indie’ cultuado. Que diabos é indie? Se eu consigo, você também consegue. É só se esforçar.
O problema maior é ter saco e tempo, mesmo. Coisas que andam em falta prá mim, admito.
Mais fácil é falar. Ou escrever, no caso.
Infelizmente, para todos nós, fazer é o que conta.
Discussão
Mais um post imenso. Gosto disso – é muito mais divertido (e fácil) escrever um monte de besteiras do que produzir quadrinhos.
Como sou uma pessoa muito ocupada, vez ou outra entro nesses espaços que permitem trocas de opinião (sobre quadrinhos, obviamente). São lugares onde se permutam novidades, se expressam opiniões ou ainda, dividem experiências. Como é comum a nossa raça, vez ou outra, surge um (ou mais criaturas) que gosta de… apimentar a discussão. Ou simplesmente travá-la, mesmo – de qualquer forma, “entra rachando” (ui!). Há os mais variados motivos e razões para isto – mas ego é sua força motriz, com certeza. Uma forma de se afirmar que existe e que se é importante. Eu me divirto muito com esse tipo de coisa. Tem sempre um ou outro indivíduo (nunca ninguém famoso ou conhecido – apenas um zé ninguém como eu) que larga tantas pérolas, num espaço tão curto de mensagens, que não há como não se estourar de tanto rir. Gosto tanto que decidi compilar um conjunto de frases, afirmações que parodiam situações comuns a quem participa de grupos de discussão, fórum, ou qualquer rede social de nossos dias. Infelizmente essa paródia por vezes se aproxima demais da realidade, o que não as torna tão engraçadas assim… Sinceramente, espero que você não (se) reconheça (em) nenhuma destas frases…
- O papel do autor (argumentista e/ou ilustrador) é editar – ter uma visão do todo: de vendas/mercado, de distribuição etc. Onde já se viu um escritor curtir escrever ou um desenhista gostar de desenhar? São uns cabeças ocas!!!
- Você produz (desenha/escreve) bem – mas nada além disso! Por que você não vira editor?
- É muito imbecil um autor, que sabe produzir, precisar de um editor, que sabe editar.
- Vocês são tão retardados que só querem ser subservientes (escravos) de alguém! Trabalhem prá mim que eu mostrarei a verdade!
- Nunca vi coisa mais idiota: se o cara não consegue publicar, cria um site para mostrar seu trabalho e ficar se masturbando com ele – eu jamais faria isto! Ah – aproveitando: visitem meu blog, que tem capítulo novo do meu projeto!
- O objetivo desses caras é trabalhar para os outros – não pensam em desenvolver seu próprio universo e ficar rico como eu fiquei!
- Não é questão de publicar o seu universo, é fazer algo que dê certo, pros leitores e editores – que dê grana!
- Pô – vocês só pensam em dinheiro!
- Autor brasileiro é burro – não quer ganhar dinheiro – só quer alcançar o “sonho de ganhar grana”!
- O sonho não é ganhar dinheiro com seu trabalho! Sonho é conseguir viver do seu trabalho! Vocês não entendem?
- Brasileiro só quer fama – por que ele vai ser querer ser reconhecido lá fora ao invés de não ser reconhecido aqui? Um absurdo!
- Esse pessoal só quer dinheiro – por que ele vai ganhar grana lá fora e não aqui, que não recebe nada?
- Publicar onde pagam não é motivo de orgulho. Quero ver é fazer isso aqui, onde não pagam nada!
- Sim. Eu poderia estar publicando lá fora, ganhando uma boa grana com meu trabalho (desenhos/textos/personagens) e viver bem com isso. Mas não. Prefiro ter uma vida difícil, sem ganhar nada nem conseguir publicar, porque… porque… porque eu adoro meu país.
- Tá certo que o capitalismo é soma da ganância de todos, que se revela niveladora do mercado, mas onde fica a ideologia? Vocês só querem dinheiro, dinheiro! Não pensam em algo maior! Na criação de um mercado tupiniquim: no bem comum, seus parvos!! Enquanto pensam, comprem minhas histórias em quadrinhos.
- Minha filosofia é: não publicar nada, falar de tudo e de todos prá caramba, viver na pindaiba e me achar a última bolachinha recheada do pacote.
- Eu sei como fazer – todas as respostas, tenho toda uma vida bem sucedida, olha o que eu produzi e vendi na última década – sou uma unanimidade nacional.
- Ah. Não quero sucesso, nem fama. Minha religião não permite. Só quero ser reconhecido por todos e vender prá caramba.
- Pow! Se conseguiu ser publicado no estrangeiro, por que não publicou aqui antes? Que burrice! As editoras pagam dez vezes menos aqui!
- Essas editoras incompetentes esperam um autor nacional ser publicado e fazer sucesso no exterior para então publicar aqui! Que estupidez! Só porque elas pagam quatro vezes menos o que gastariam para publicar o sujeito originalmente aqui, não é desculpa! Menos ainda por ter um trabalho já testado e aprovado por um mercado muito maior que o nosso!
- Claro que comparar vendas e aceitação de obras infantis e humorísticas com gibis de heróis, mangás etc faz todo o sentido! Eles têm todo um histórico nacional de mesma aceitação e vendas, diabos! Olha só os últimos dez, vinte anos: Turma da Mônica vende até menos que Vertigo!
- Até caixas de fósforo e paracetamol possuem uma forma organizada de produção – eles primeiro vendem no Brasil, para depois exportar! Por que HQ – um item muito mais essencial e de muito maior alcance do que jogos prá PC, não fazem o mesmo?
- Vocês são muito manés: pagam quarenta conto por um livro de quadrinhos quando poderiam pagar vinte pila pelo meu livro!
- Não faz sentido algum desenhar pros estangeiros! O cara ganha grana por dois, três… até cinco anos e… puff Acabou – vai virar professor de quadrinhos!!! Ele deveria era ficar aqui e não ganhar nada nunca!
- Esse pessoal tem que aprender a se editar, investir sua grana e produzir sua própria revista! Eu mesmo corro atrás disso há uma década. Já tenho minha própria e reconhecida editora que distribui nacionalmente minha obra e vivo muito bem disso, obrigado.
- Nã há mérito algum em publicar no exterior – lá aceitam tudo, tudo vende e todos ficam ricos e felizes! Não há concorrência e todos se amam.
- Autor nacional só segue ele mesmo – sua própria visão das coisas. Um paspalho, com certeza. Ele deveria seguir a minha visão das coisas.
- Não quero ser exemplo de nada, quero apenas que sigam minhas idéias. E comprem meu trabalho.
- Publicação impressa de HQ é tolice! Editores interessados em tolices, por favor, entrem em contato no private.
- Se é tão bom, por que não publicam o trabalho dele?
- Publicação por ‘editora’ de fanzine não tem valor nenhum! Bom mesmo são minhas revistas independentes!
- Publicou lá porque é amigo do editor! Onde já se viu algo que seja publicado senão por amizade???
- Publicou aqui? Quero ver publicar lá fora!
- Publicou pela editora estrangeira A? Quero ver publicar pela editora estrangeira B!
- Publicar lá fora é baba! Quero ver publicar aqui!
- Meus amiguinhos, vocês não acham aquele autor rodeado de puxa-saco, um babaca?
- Existe dois tipos de pessoas – as legais que curtem meu trabalho e as insuportáveis, que não sabem o que é bom.
- Só detono quem merece! Já viu eu falando mal de mim?
- Tenho tamanha capacidade de julgamento na produção de quadrinhos que, ao analisar uma obra, só falo mal do autor.
- Ah, sim. O trabalho dele? Não li. Mas nem se compara ao meu.
- Sei ser imparcial e comedido, seu puxa-saco filha da…
- Como assim… descontrolado? Vai tomar no…
- Não publico nada porque sou tão qualificado que nenhuma editora está ao meu nível. Nem os leitores estão!
- Abomino gente que se diz fã. Eu jamais vou ter fãs! Abomino esse tipo de pessoas ou mesmo a fama! Só quero gente que compre sempre meu trabalho.
- A galera delira quando detono alguém! Uma porrada de gente aplaude de pé!!! Infelizmente os que acomponham meu trabalho, é apenas um ou outro delirante.
- Aliás… por que todo mundo divulga as porcarias que eu falo ou escrevo e não as porcarias que eu produzo?
- Já consegui falar mal de todo mundo! Agora só falta conseguir todo mundo falar bem de mim!
- O que você já fez pelo quadrinho nacional? O que você fez? Nada! Enquanto eu, nos últimos dez anos eu já… eu… fiz! Eu fiz!
- Nã-nã-nã! Não me venha dar idéias que não sejam minhas. Muito menos uma que contrarie as minhas ou os meus interesses.
- Olha – o objetivo aqui não é publicar livros de HQ. Ao menos não um que eu não coordene, edite e participe.
- Claro, você pode se unir a nós para alavancar juntos nossos trabalhos – o meu e dos meus amigos. Aqueles três ali do canto.
- Não sou dissimulado coisa nenhuma! Claro que eu posso ser um filha da… com você e dar uma de cara legal com os outros. Normal.
- Vamos ser democráticos – nada de chefes! Mas aqui dentro quem manda sou eu e quem contrariar, tá fora.
- Não me interessa o que os outros acham! Nem me importa o que dizem! Onde já se viu dar bola prá isso dentro de um grupo?
- Meu, estamos em um grupo de discussão, então quando eu falo tu tem duas opções: ou ficar quieto ou cair fora. Todo mundo que tá aqui dentro concorda com isso!
Esse é um post hermético prá caramba. Talvez só quem participa de redes sociais, fóruns, grupos ou listas de discussão consiga entender… Se você nunca viu isso, sorte sua – mas é possível ter ouvido algo parecido numa conversa de bar. Se você não frequenta comunidades muito… abertas, um aviso: tenha estômago forte se quiser participar. São normalmente pessoas muito jovens que largam estas pérolas. Desvirtuam a discussão e começam uma quebra-de-braço interminável e aborrecida para convencer o outro que sua versão, digo, visão da realidade é a correta.
Vocês sabem como são os jovens, têm a síndrome de salvador: ou precisam ser seguidos ou seguir alguém.
Eu já sai da adolescência faz tempo.
Turma do Ique – I
A Turma do Ique é um centro de convivência que apóia a criança e o adolescente em tratamento contra o câncer. Uma iniciativa da universidade federal daqui, a UFSM (Santa Maria, RS), que existe desde o início da década de noventa. Era 1999 quando o a equipe responsável pelo centro entrou em contato com o curso de Desenho Industrial, em busca de desenhista, a fim de reformular uma espécie de manual que eles tinham feito anos antes. O ‘manual’, era uma história em quadrinhos, que era dado a crianças que sofriam de leucemia ou alguma espécie de câncer e começariam seu tratamento pelo centro. Tinham o objetivo didático de apresentar os principais termos e situações que teriam de enfrentar a partir de então, bem como explicar – de forma sucinta e educacional voltada para os muito jovens, o que era a doença que elas possuiam. HQ e educação. Educação através dos quadrinhos – existe idéia melhor?
Por fim fui escolhido como o ilustrador desta HQ institucional.
Conheçam a Turma do Ique.
Próxima atualização: assine as atualizações daqui, aqui ou aqui e saiba quando sair a próxima página.
Boca do Inferno
Recebi a revista independente – que comprei, Boca do Inferno.
Hum.
Segue divulgação do site do mestre Renato Rosatti – que tem o melhor fanzine de horror do país (Juvenatrix) e Marcelo Milici. Rosatti também mantém o excelente Infernotícias.
O site de horror “Boca do Inferno”, editado por Marcelo Milici, e a “SM Editora”, de José Salles, fizeram uma parceria que resultou no lançamento do número 1 da revista em quadrinhos “Boca do Inferno.Com” (Janeiro de 2008).
A capa é colorida e de autoria do artista Walter Junior, o mesmo ilustrador que fez a página de abertura do “Boca do Inferno”.
Ele também participa com a HQ “Um Coração de Presente”, cuja capa da revista foi inspirada. O restante do conteúdo inclui as HQ´s “Coleção de Naturalista”, nova aventura do Conde Lopo, personagem criado por Marcos T. R. Almeida, “Para o Horror e Além”, de E. Thomaz, e “Hooker Avenger”, com roteiro de José Salles, desenhos de Laudo Ferreira Junior e arte final de OmarViñole.
Ainda tem quatro ilustrações de página inteira de José Nogueira e a coluna “Clássicos do Cinema de Horror”, com uma breve análise de Renato Rosatti sobre o filme “Teatro da Morte” (Theatre of Blood, 1973), com Vincent Price.
São 32 páginas em formato 155 x 218 mm, capa e contra capa coloridas, R$ 3,00 (entrega em mãos) e R$ 5,00 (pelo correio, com frete incluso).
Conta para Depósito:
Caixa Econômica
Juliana Paulon
Agência: 0346
C.Poupança: 013 00401352-6Interessados solicite seu pedido através do formulário abaixo ou direto pelo e-mail, informando o endereço postal completo e confirmando o depósito com informações bancárias
















