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Daniel Pereira dos Santos


Troféu HQMIX

Hojé é o dia da entrega do HQMIX – como li outro dia, “o Oscar dos quadrinhos brasileiros”. Estaria mais prá Eisner, mas a analogia vai me servir para este texto. Outro dia expunha sobre esta premiação, advindo de uma pseudo conversa com o senhor Jerônimo Souza. Ele tinha discordâncias em alguns pontos e eu o convenci que o concurso era legítimo e justo. Bem, mudei de idéia. Enquanto ele que era ‘contra’ (pero no mucho) o prêmio, está em São Paulo (não, ele não levou nada também), eu que era a favor estou aqui, em Santa Maria.

Entenda, acredito que o HQ Mix – ao menos neste ano que acompanhei de perto, foi o prêmio mais organizado, divulgado e abrangente que já vi no país. Fez o melhor compêndio que já vi sobre o que foi publicado no ano passado – até 10 Centavos estava lá. Também acho bárbaro a questão da votação ser fechada através de gente convidada – segundo eles, cerca de dois mil votantes. Todavia levanto aqui pontos relevantes para que a premiação tenha uma disputa ainda mais acirrada, justa e legítima.

Não quero nem polêmica nem encher o saco – pois nesta crítica já exponho inclusive propostas sobre como (e o que) poderia ser melhorado – ou seja, é uma opinião honesta, com a melhor das intenções de fazer com que este já reconhecido prêmio tenha ainda mais valor e retorno a todos seus participantes. Foco estas sugestões obviamente no mercado nacional e os independentes. Não sou de forma alguma contra premiar um escritor ou desenhista estrangeiro, mas se ainda não percebeste, escrevo neste site sobre o que é de criação/produção nacional e – graças a conjuntura, independente.

Os pontos são dois e são simples:

  1. Você sabe em quem está votando?
    É engraçado, mas não acredito que a imensa maioria das pessoas que votam, conheçam todos os concorrentes. Chamam de Oscar, mas os que votam no Oscar conhecem os filmes envolvidos, até porque são praticamente obrigados a isto. Por que diabos acham que um concurso sério – na área que for, tem de ser diferente? Eu sei é humanamente impossível conhecer e/ou adquirir tudo. Mas acho que poderia se inverter da média de conhecimento dos votantes de 20% das obras existentes para 80%. Fácil, fácil. Como? Internet. Tenho a absoluta certeza que todos envolvidos que concorrem aos prêmios, colocariam na internet de bom grado – e gratuitamente, seu trabalho para que os votantes tomassem conhecimento dos mesmos. Ou seja – um pequeno e simples sistema que permitiria o artista carregar seu trabalho e onde o votante teria acesso ao mesmo, na faixa, para avaliar os projetos existentes daquele ano. Fácil, rápido, indolor. Querendo, até ajudo a montar o sistema – sério!
  2. Quem vigia os vigilantes?
    Para dar legitimidade a determinado concurso, é necessário transparência aos indicados. Achei soberba a lista dos ‘pré-selecionados’. Completa e minuciosa. Agora o que ninguém me explicou é como chegaram na última meia dúzia (7?) de concorrentes finais ’sugeridos’ (qualquer um poderia ser votado – inclusive os pré-selecionados). Com uma lista de votantes com “mais de dois mil profissionais da área das artes gráficas em todo o Brasil”, é incompreensível que determinado grupo – pequeno, sugira quem pode ser votado… dá margem a muita coisa esta lista ‘aconselhada’. Inclusive os que montam estes indicados sofrem – acredito, do ponto anterior. Vejo como ideal, uma votação em dois turnos – como uma velha, boa e democrática eleição. A meia dúzia (são sete!) mais votada, vai para o ’segundo turno’. Se apenas metade dos 2 mil votantes participasse, já era um bom negócio. Trabalheira? Imagina o Oscar então – que são centenas de filmes e cada um com uma hora e meia de duração…

Não creio que isto gere qualquer coisa, mas coloquei meus 10 Centavos (infâme…) na fogueira. Minha intenção aqui – reforço, não é incomodar, mas sim de contribuir para que tenhamos premiações cada vez mais disputadas, transparentes e com maior alcance à população – que é o interesse de todos.