Histórias em Quadrinhos • DS.art.br

Daniel Pereira dos Santos


A vingança dos derrotados!

Marko Adjaric, do Neorama dos Quadrinhos, mandou um link prá cá – especificamente para este texto. Êba!

Curiosamente, ele associou ao link o seguinte questionamento: colocar suas HQs online piora sua sensação de derrota?

Opa. Ambíguo.

Como um bom e velho telecurso 2000, vamos pensar um pouco. Ou melhor: olhar pro passado e no que temos hoje.

Sou do tempo de fanzines impressos em xerox. Yap. Iniciozinho da década de 90. Era um saco ter um zine. Não pelo zine, mas pela comunicação entre zineiros e interessados. Você pode até não acreditar, mas não existia internet na época. Toda comunicação era muito lenta e o alcance, muito limitado. Não fosse pelo trabalho incansável de Edgard Guimarães (cuja recompensa é impossível, tamanha grandiosidade e generosidade do seu esforço) com o Informativo de Quadrinhos Independentes, acredito que sequer existiria algo.

A saber: o IQI (posteriormente QI) é um fanzine (que existe até hoje) que divulga, gratuitamente, todas as edições (fanzines ou não) recebidas – do país inteiro. Não somente de HQs, vale lembrar. Isso há mais de dez anos. Edgard é o cara entre os caras.

Bom, onde quero chegar é que, na época, um fanzine de sucesso, alcançava uma venda de 50 exemplares (para outros fanzineiros obviamente). Ou seja: seu trabalho tinha um alcance a, no máximo, 300 pessoas. Claro que fanzines, feitos em (grandes) capitais com distribuição local, poderiam alcançar números muito, mas muito, mais expressivos. Mas fora do seu gueto não ‘vendiam’ nada. Comecei com o Informativo Perry Rhodan, junto ao meu irmão Alexandre e (segundo ele) o IPR teve seu ápice com 110 assinantes. Somos do interior do Rio Grande do sul, caso não saibas. Posteriormente tive meu zine de quadrinhos e, segundo me recordo, ele nunca obteve 30 compradores. TRINTA! E era bem bom.

Bom². Com a internet tudo mudou (sério?). A tecnologia chegou e temos hoje ‘revistas independentes’ com excelente acabamento gráfico e impressão de mil exemplares ou mais. Impressionante. Certo que muitas encalham, poucas esgotam e que sua venda é lenta que nem corrida de caramujo. Mas elas existem e crescem a cada dia. Mas interessante é perceber que HQs nacionais ‘profissionais’ (publicadas por editoras que fujam da temática humor/infantil) não possuem uma tiragem com expressividade muito maior. Apesar de estarmos numa ‘explosão’ da HQ nacional, inclusive com reimpressão de títulos (será que isso aconteceu antes nos últimos vinte anos?), as vendas destes livros de quadrinhos ainda é tímida. Mas estamos muito bem, acredito. Como jamais estivemos. A HQB caminha para as livrarias e temos de dar-nos por feliz em estar conquistando um nicho. O primeiro, talvez. Espero que não o último.

Ioqueco? Bom… aonde quero chegar é que publicar HQs na rede é um excelente negócio, se parar para pensar. Seja lá qual for sua finalidade – se divertir, profissionalizar-se etc, HQ online é uma oportunidade ao alcance de todos. Mesmo que você tenha 50 acessos por dia ou mês, comparativamente, você pode até ser mais lido (e conhecido) que muito autor publicado por editora. E um alcance impensável há pouco mais de uma década. O Quarto Mundo publica, religiosamente, uma página de HQ por dia e já deve ter (um chute no escuro – eu não tenho idéia) uns 2.000 visitantes ao dia – senão o dobro disso. Muertos, depois de um ano, já rendeu por aqui mais de duzentos mil visitas, com mais de meio mihão de páginas visitadas. Ou seja: mesmo que apenas 1% sejam visitantes únicos e tenham lido o trabalho, é uma exposição excelente ao seu material. Não é à toa que sites e blogs de HQ pipocam mais e mais a cada dia. E isso é ótimo. Seja na qualidade e finalidade que for. Os ‘melhores’ (que tiverem mais sinergia com o público) se destacarão, com certeza – mas espero que todos se divirtam!

Liçãozinha do dia: webcomics são um bom começo e podem render ótimos negócios. Já que estamos em um excelente momento editorial impresso, você pode aproveitar a rede para se mostrar ao mundo. Se um dia você pretende publicar ‘oficialmente’, não há lugar melhor para experimentar e ver reações dos leitores. Ainda que incerta e cheia de perigos, a rede permite retornos específicos e mensuráveis. E o contato com possíveis/prováveis leitores é muito mais próximo, rápido e barato do que em publicações impressas.

Se você quiser, faça-o sem medo.

Prá que e prá quem?

Escrevo sobre um objetivo complexo quando se fala de quadrinhos no Brasil. Em nosso amado país salve salve não há para onde ir. Não há onde publicar e muito obter sustento disso. Até onde sei, nas últimas décadas, todos os autores que obtiveram algum destaque, possuiam alguma fonte que os permitiam trabalhar a finco em seus álbuns. Que paixão! Acho que se eu tivesse grana, ficava só enchendo a cara e não fazia nada.

De volta. Destinado a mero passatempo (não por que se quer, mas é pelo que se pode), os quadrinhos amadores dificilmente passarão disto. É uma área que exige muito, muito esforço, horas de vôo. Continuamente. Competir sua atenção com o ganha-pão é, obviamente, infrutífero. Ou contraproducente, tornando o crescimento lento, cheio de perigos e desistências. Dizer que se deve viver a arte é coisa prá quem não tem contas atrasadas – ou de hipócritas mesmo.

Todavia, ao colocarmos nossos trabalhos na web, queremos atenção (como qualquer blog sobre qualquer assunto na internet – o nosso, no caso, é HQ). Esse interesse em ser lido, perigosamente, pode tomar um crescente e acaba por trazer questionamentos ao seu autor. O que fazer. Como. Prá onde. Parece ser fácil responder, mas na prática é impossível. Como não envolve dinheiro, não existe um parâmetro confiável de ‘onde acertou’, ou quanto. Pode ter as ferramentas de estatísticas que for (e eu as tenho), você nunca sabe de fato o quanto foi… bem, lido. E aceito.

Com o passar das estações, você percebe que mesmo tendo ultrapassado milhares de visitantes, você não sabe qual a receptividade do seu trabalho. Não havendo retorno financeiro, é inevitável que você deixe de se importar com ela. O caminho amador é belíssimo, mas suicida quando não há pr’aonde ir. E é tolice esperar outra coisa – no planeta inteiro, apenas dois países e meio (o meio é a França, sempre a França coitada…) conseguem gerar interesse suficiente a ponto de sustentar seus artistas de quadrinhos. Quem mandou se apaixonar por uma hidra? Então tudo se torna intimista, dentro da satisfação pessoal. Perigoso. Quando der. O que der. Da forma que interessa a cada autor.

Aperfeiçoar-se?

Trófeu HQ Mix 2009

Caraca. Uma boa notícia a todo aquele fanzineiro que não mora em capital nem possui um networking digno de nota. Apesar do zé mané aqui não conhecer ninguém e morar no raio que o parta, 20 quilômetros depois que Judas perdeu as botas, estou na lista indicada do Troféu HQ Mix deste ano. Publicação Independente Especial. Quem diria que eu e meu irmão iríamos tão longe. Se nós conseguimos, com certeza, você fará melhor. Nunca desista. Nunca se renda.

Boa sorte a todos nós (se nós levarmos, prometo nunca mais mentir na minha vida) e parabéns aos vencedores. Segue a lista de pré-indicados (os quais não há obrigatoriedade de voto – vale ressaltar).

Desenhista Nacional

Desenhista Estrangeiro

Roteirista Nacional

Roteirista Estrangeiro

  • Alan Moore (“Promethea” – Pixel)
  • Ai Yazawa (“Nana” – JBC)
  • Brian Wood (“DMZ” – Panini; “Local” – Devir)
  • Charles Burns (“Black Hole” – Conrad)
  • David B. (“Epiléptico” – Conrad)
  • Geoff Johns (“Lanterna Verde”; “JSA” – Panini)
  • Grant Morrison (“Grandes Astros Superman” – Panini)

Desenhista Revelação

Roteirista Revelação


Ilustrador Nacional

Tira Nacional

Web Quadrinhos

Publicação Infanto-Juvenil

Publicação de Clássico

Publicação de Humor

Publicação Mix

Publicação Erótica

Publicação de Aventura/Terror/ Ficção

Edição Especial Nacional

Edição Especial Estrangeira

Publicação Independente de Autor

Publicação Independente de Grupo

Publicação Independente Especial

Publicação de Tiras

Publicação de Charges

Publicação de Cartuns

Livro Teórico

Projeto Editorial

Adaptação para Outro Veículo

  • Aline (tevê)
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas (cinema)
  • O Caderno da Morte – Death Note (teatro)
  • A Noite dos Palhaços Mudos (teatro)
  • Homem de Ferro (cinema)
  • Persépolis (cinema)
  • Hellboy II – O Exército Dourado (cinema)

Adaptação para os Quadrinhos

Mídia sobre Quadrinhos

Editora do ano

E se não levar, paro de fazer quadrinhos. Huehuehue.

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Pelo direito de ser amador

Uma febre recente que se espalha por orkuts, twitters, blogs e fóruns internet afora é a de falar mal do quadrinho nacional. Até sites especializados começam a destilar um pouco sobre o assunto. É até compreensível. Ultimamente tem havido uma avalanche de publicações nacionais e de sites com seus criadores pedindo por um pouco de atenção. Nada mais nornal que uma reação a isso.

Malham mesmo. Com fervor e sem pudor. Então é o caso de ir às bancas para avaliar se as HQs são tão ruins quanto comentadas.

Epa.

Não existe NENHUMA publicação brasileira (que não seja humor ou infantil) em bancas. Então, peraí… o que estão tão fervorosamente criticando ?

Fanzines. Ou os atualmente ditos ‘independentes’. Publicações sem âmbitos profissionais e comerciais. Sério. A que ponto chegamos.

Suas justificativas são semelhantes (assim como os insultos gratuitos): o de melhorar o cenário nacional. Que cenário? Sinceramente me pergunto como podem chegar a tal conclusão detonando o trabalho alheio da forma que o fazem. Obviamente é somente para chamar atenção “me leiam, eu existo”. Outro ponto engraçado que merece registro é que estes ‘criticos’ nunca falam das obras publicadas no Brasil – os livros de quadrinhos. Provavelmente por medo de ir contra peixe grande, as editoras (normalmente quem critica também quer publicar e não corre o risco de se queimar).

Escrevem de tudo: que seus autores são responsáveis pela inexistência de mercado, que não aceitam críticas, que seus trabalhos são porcos, não buscam aperfeiçoamento, que falta originalidade, que são covardes… ou seja, tudo o que se esperar de um profissional.

Esclareço: um profissional é aquele que possui ofício rotineiro e é remunerado para isso. Já o amador, faz… por paixão. Por gostar tanto de HQ que, nas horas vagas (sim, porque ele não ganha um centavo com isso – ele tem outro emprego para se sustentar), produz seu desenhinho, seus quadrinhos. É um passatempo. Um hobby. Faz quando pode, do melhor jeito que dá.

Mas até disso reclamam: que hoje todo mundo faz quadrinhos no Brasil por hobby. Novamente, nada mais esperado: ninguém ganha porcaria nenhuma fazendo HQ por estas bandas – esperar o que? Uma enxurrada de trabalhos com qualidade ímpar? Eu fico tão puto com tamanha falta de discernimento (e educação) que até criei um resumão:

O Brasil é um país tão coitado, mas tão coitado que…
…esquecem que os criticados são fanzines!!! Revistas sem finalidades comerciais que não ambicionam mais que a diversão de seus autores! Não vêem diferença alguma numa revista impressa no fundo do quintal com um gibi do Batman!!!

O Brasil é um país tão coitado, mas tão coitado que…
…esquecem que NÃO EXISTEM revistas profissionais em bancas para serem criticadas! No máximo livros de quadrinhos que objetivam narrativas mais autorais.

O Brasil é um país tão coitado, mas tão coitado que…
…comparam obras internacionais, bem remuneradas a autores nacionais que jamais são pagos (por editoras!) e que, por isso, não têm como se sustentar de HQ e se aprimorar no ofício dos quadrinhos.

O Brasil é um país tão coitado, mas tão coitado que…
…pedem qualificação do artista, quando na verdade, são necessários meses/anos de exercício diário para isso – e para que? Vai trabalhar aonde? Prá ganhar quanto? Por quanto tempo? Vai viver de quê neste período de exercício?

O Brasil é um país tão coitado, mas tão coitado que…
…os críticos são OUTROS FANZINEIROS FRUSTRADOS, que possuem um trabalho absolutamente sem relevância como o dos criticados. E que fazem exatamente tudo que falam para não fazerem.

Normalmente quem faz curso de desenho, se aperfeiçoa, ambiciona trabalhar no exterior – raro são os que possuem tempo/grana para isso e ficam por aqui, produzindo seus trabalhos, sem ganhar nada. Por amor. Ou seja: eles não produzem fanzines nem HQs – fazem desenho, querem viver disso e como ninguém paga nada por aqui, vão trabalhar fora. Estamos num país muito, muito podre – é natural esta escolha. Acho que alguns leitores de histórias em quadrinhos (hoje, um produto de luxo, para poucos) acham que estão no primeiro mundo, onde todo mundo pode pagar as contas fazendo o que quer.

Claro que todos gostariam de publicar. Todos querem ser elogiados, premiados e reconhecidos. Suas histórias e desenhos são suas paixões. Em que mundo esses detratores vivem? Não no humano, com certeza.

Gosto de jogar futebol nas quartas-feiras, depois do trabalho. Tenho a obrigação de me tornar um profissional por causa disso? Ou parar de jogar com os amigos porque não sou tão bom ou não desejo me tornar um profissional?

Já tiraram qualquer possibilidade de um autor nacional se sustentar com quadrinhos neste país. Não deixe que tirem também o prazer de podermos ao menos brincar um pouco com as HQs.

Viva la résistance!

Bolo Podre

A Desilusão, a Verdade e algumas xícaras de café surgiu num fim-de-semana que… bom, não tinha nada para fazer. Queria uma HQ curta para testar técnicas de traço que ainda não havia feito… sabia que seria complicado, então não quis me delongar muito.

Podia ter feito eu mesmo algum poeminha, viagem visual/textual, mas não optei por este caminho. Sempre há escritores demais para desenhistas de menos. Fui à cata de um texto na internet e… tomei um susto.

Na prática, não existem argumentos online. Nada de roteiros na internet, voltados para histórias em quadrinhos. Até levantei a questão em um ou outro fórum da vida e as respostas foram parecidas: é muito fácil plagiar um texto alheio. Mais que um desenho, ao menos.

Inegável, mas… pensando um pouco… e os livros que temos contato? Filmes? Eles não podem ser… hã, também base para idéias? Eles não estão aí? Pues.

Estou falando de textos para HQs de poucas páginas, não um novo Watchmen. Inclusive, considerando a realidade, é pouco provável que – principalmente na rarefeita produção amadora brasileira, surja um novo Watchmen desta forma – ao contrário que o autor pode (se) achar. Se surgir, o brilhante escritor não terá dificuldades em encontrar um parceiro rapidamente, não se preocupe.

Falo (escrevo) de colocar textos online pelo simples motivo de contrapartida. Explico: é comum um argumentista topar com um desenhista na rede e enviar o recado – não quer fazer uma história minha? Clássico. Ele sabe o que esperar do desenhista, já este, não. Seria legal um artista encontrar um texto na rede, que ele curta e escreva pro escritor: gostei, posso desenhar?

Foi o que eu fiz. Enquanto espaços virtuais para argumentos de HQs são rarefeitos, fui atrás de sites com contos online. Eles são milhares. Milhões, mundialmente? Será que possuem esta preocupação de serem copiados? Com certeza. A ponto de travar e divulgar sua produção? Com toda certeza, não.

Encontrei por fim o site de Alexandre Simas Dias. Gostei bastante de Bolo Podre. Escrevi para ele. Muito atencioso, deu liberdade de adaptação do seu texto para uma banda desenhada (ele é de Portugal, diga-se de passagem). Fico grato a ele por tamanha atenção e voto de confiança. Mudei seu título apenas para reduzir ao máximo o recurso de falas, balões etc. É interessante perceber que um pequeno conto de poucas palavras, deu origem a tantos quadros e duas páginas de desenho. Se for colocar seus roteiros online, pense em HQs de diversos tamanhos, para aumentar sua chance de parcerias.

Adoro a internet. Pode ser lugar de baixaria e perda de tempo, mas também é de produção e confluência de idéias. E idéias são metais que se confundem.

Ou algo assim.

Sem achismos sobre o quadrinho nacional

Já que o pessoal que curte HQ não lê mais que um parágrafo de texto, vou aproveitar e xingar todo o universo. Todo mundo curte um bafafá e este tipo de coisa dá ibope (no caso, acessos). Alguém mais atento pode perceber que o xingamento é como atirar pedra no telhado do vizinho, tendo seu próprio telhado de vidro. Mas eu vejo que é mais como cuspir prá cima.

  1. O quadrinhista nacional adora chorar pela falta de retorno, de reconhecimento. Realmente, é uma linha de raciocínio engraçada.
  2. Não há reconhecimento, porque não há público interessado. Se não há leitor, então não há mercado. Havendo mercado, haveria dinheiro, que move a bagaça, que interessa a todos (viver de quadrinhos, se você está confuso), que cria a competição e que por, fim também gera reconhecimento.
  3. Dos melhores, é claro.
  4. Por que não há público leitor interessado? Bom é porque as histórias em quadrinhos nacionais ou são muito ruins ou não objetivam o leitor médio, a maioria. Escolha o que seu ego deixar.
  5. Há a desculpa da distribuição também, se você quiser. Mas com internet hoje em dia… onde o que gera interesse, queima feito rastilho de pólvora… Você vai precisar de um ego muito bem treinado para se enganar desta forma.
  6. Ah, sim. A desculpa dos enlatados inundando as bancas, não cola mais. Lamento.
  7. Cada vez sê lê menos? Fato. Cada vez se lê menos em suportes e mídias tradicionais? É uma tendência.
  8. A desculpa de ter que trabalhar para se sustentar e não poder se dedicar aos quadrinhos é por demais válida.
  9. Só não me vem chorando depois que ninguém tem interesse pelo seu parco trabalho.
  10. É dá ou desce.
  11. Suspeito que a maior parte dos autores nacionais que tiveram destaque nestes dez anos passados, viviam com os pais ou alguém os sustentava, de alguma forma. Sem problemas – eu queria estar nesta fatia!
  12. Como não existe mercado, não há salários e produção contínua, nem amadurecimento por parte do autor. Sem amadurecimento, a obra do cara não cresce em leitores.
  13. Baita círculo vicioso.
  14. Complicadíssimo sair dele – mais fácil é se iludir e se achar um Frank Miller ou um desenhista qualquer que você curte.
  15. Mas no mundo real, quem decide isso são os leitores – não aqueles seus dez amigos, não você. Se você não tem leitores suficientes… Well. Ficamos restritos a autores apaixonados/amadores que não pensam seu trabalho de forma mais comercial (até porque ela não existe). Quem vai culpá-los?
  16. Para crescer como autor, a coisa vai ter que ser por amor. Por um bom tempo. Até achar o caminho: leitores. Lamento.
  17. Amar é não pedir nada em troca. Muito menos reconhecimento.
  18. O álbum de histórias em quadrinhos brasileiras que mais vendeu nos últimos anos deve ter alcançado, uns dois mil exemplares. O autor deve ter ganho entre 8 e 12 mil reais. Há quem diga que mal vendeu quinhentos exemplares. E até me destilaram que ele topou publicar de graça (espero sinceramente que não seja verdade)!
  19. É um trabalho de um ano ou mais. É normal um trabalho destes, no Brasil, levar três anos de produção. Alguns demoram até cinco anos.
  20. Agora pegue o que ele ganhou e divida pelo tempo de trabalho. É. Qualquer desenhista razoável ganha mais que isso em uma agência de publicidade, escritório de design ou produtora de vídeo. Mesmo as furrecas. E por mais escravizado que ele seja nestes lugares, é menos trabalho que um projeto destes. Claro, não estou escrevendo agora sobre realização pessoal.
  21. Na última década não devem ter havido cinco autores nacionais que alcançaram metade deste marco – em vendas e valores. Estou desconsiderando, obviamente, obras infantis/humorísticas e vendas para o Estado.
  22. O(s) autor(es) que consegue lançar um livro, o faz(em) por interesse próprio – está a fim de contar as histórias deles, não aquelas que seriam assimiladas por uma grande massa. Não vejo absolutamente nada de errado nisso. Eu mesmo queria poder fazer isso.
  23. Histórias autorais são nichos, uma parcela que existe dentro dos tipos existentes de quadrinhos. Cada um objetiva o que quer. E tem o retorno que merece. O interessante é que trabalhos autorais são normalmente uma minoria, dentro do universo/mercado de publicações nos quadrinhos – mas no Brasil são a supremacia atual do que é publicado, quando se refere a autores nacionais. Ah, sim. Não existe mercado, então estamos apostando na elite que compra quadrinhos. O que acho um bom negócio, não extamente uma boa idéia.
  24. Culpa das editoras? O investimento para lançar um autor brasileiro nacionalmente é muito maior que comprar quadrinhos estrangeiros. E com muito mais riscos. Vocês comprariam um gibi do Alan Moore, Grant Morrison ou do Daniel Mané?
  25. Claro que há politicagem na publicação e em editoras. Em que mundo você vive? Existe politicagem até na compra e venda de carnes, pro açougue mais fuleiro. Você não vai fugir dela, em nenhuma área. Mas com um trabalho acima da média, você fura a politicagem.
  26. As editoras são livres para fazerem o que quiserem – vivemos em um estado capitalista, se você ainda não percebeu.
  27. A saber (tem muita gente que nem faz idéia do que é o capitalismo), este regime basicamente permite que você trabalhe no que quiser, ganhe o quanto puder e gaste esta grana no que der na telha. Obviamente, há leis que gerenciam e limitam esse monstro, como em qualquer regime – então não seja mala. Injusto? Com certeza – tudo feito pelo homem é. Mas prefiro este regime a um que limita no que você pode trabalhar, até quanto vai ganhar e não deixar gastar no que quiser.
  28. Então depende de você, e apenas de você, correr atrás do prejuízo. Você quer? É contigo – corre atrás. Chorar, lamento, não adianta. Não vão te dar (ou comprar) teu gibizinho, só porque você quer. Ninguém se interessa por choradeira – agora, por um trabalho bem feito, é possível. Quem decide o que é bom, pode até ser você – mas quem paga pelo seu trabalho é o leitor, então… bom, deixa prá lá.
  29. Agora, se você quer imprimir (ou participar de) um gibi e ninguém está interessado em bancar, por menor que seja o valor ou a tiragem, não existe a possibilidade do trabalho… não for bom? Enviei Muertos a umas três editoras – nenhuma se interessou. Gosto de pensar que o desenho não estava a altura da história, mas resigno-me ao fato que meu trabalho não teria boa aceitação – não venderia o suficiente para valer a pena.
  30. Incrível também como o quadrinhista brasileiro acha que o caminho é conseguir verba pública.
  31. Quer dizer… pode até ser – prever o futuro é estupidez. Acho bem legal o Estado colocar HQs na escolas, como meio narrativo ou ainda, educacional.
  32. Mas me pergunto: se não há interesse por parte da iniciativa privada (entenda-se: de uns poucos) colocar dinheiro em um projeto destes porque não há público, mercado etc e não haveria retorno, por quê seria correto torrar grana da união (entenda-se: de todo mundo) em algo assim?
  33. Há quanto tempo isso é feito no cinema nacional mesmo? Quantos destes projetos se pagaram?
  34. Ah! Aquele projeto se pagou? Então não precisa de verba pública, ora bolas!!!
  35. Aindassim, a desculpa de ajudar, de ser uma iniciativa, é válida.
  36. Mas é isso, uma iniciativa: uma coisa é capacitar, auxiliar inicialmente para que depois se caminhe com as próprias pernas. Outra é sustentar, viciando no investimento sem cobranças, objetivos e responsabilidades. Sem rodinhas, por favor, a certeza do futuro está em pedalar sozinho.
  37. Não há almoço grátis – alguém está pagando por ele. E se está pagando, tem de ter retorno, senão é insustentável.
  38. Enquanto isso, vou me inscrever em algum edital também.
  39. Distribuição. Grande problema.
  40. Envolve muita grana, muito risco. Coisa que ninguém sensato faria. Ricos e idealistas são poucos hoje em dia. Isso existe mais em mercados caóticos. Estamos em uma economia estável e muito bem calculada sobre custos/benefícios.
  41. O Brasil já teve uma economia caótica. Curioso como nessa época haviam tiragens tão altas, não?
  42. Eu sempre me pergunto como conseguiram abandonar (ou eliminar) tantos leitores entre as décadas de sessenta e oitenta. Não consigo nem imaginar um boa resposta sobre isto, por mais que me esforce.
  43. O negócio é internet, distribuição alternativa, segmentada, associada a pequenos distribuidores de produtos variados e semelhantes (ou nem sempre). Juntar-se a outros e trocar figurinhas. Sofrido. Demorado.
  44. O trabalho autoral independente imprime em gráfica as suas revistas – de quinhentos a mil exemplares. Estas cópias podem demorar anos para escoarem, atualmente. Muito trabalho, muito tempo. Tem que estar a fim. Não acho o melhor caminho, mas pode dar certo, tendo saco, tempo e grana. Com sorte, muita sorte, você empata ou tem pouco prejuízo.
  45. Animador?
  46. Super-heróis (brasileiros). Tema delicado. Não tenho nada contra. Sério.
  47. Não há dúvida que para, efetivamente viver de quadrinhos – por mais que poucos meses ou anos, você tem que criar seu universo, seus personagens (heróis, mangá, infantil, etc). Mas sempre algumas coisas me vêm à mente quanto a isto… e elas se aplicam a qualquer temática, estilo etc – vou usar ‘heróis’ porque sempre leio muito sobre isso.
  48. Muitos choram que as editoras não tem interesse nesse tipo de coisa. Será? Ok – você faz gibi de heróis… mas desenha como o Marc Silvestri? Olha o ego…
  49. Ah, desenha igual? Tudo bem, eles não querem o Marc Silvestri, porque eles já tem o Marc Silvestri. E sai muito mais barato que você. E é provável que ele seja mais conhecido também…
  50. Sinceridade: por que alguém se interessaria num personagem (brasileiro ou não) com os poderes do Super-Homem, com a roupa do Spawn com as histórias do X-Men? Bom, você talvez até goste deste tipo de coisa, sem problema – é um mundo livre. Uma coisa é usar o deus grego Morpheus outra é usar o personagem/histórias criadas por Gaiman no Sandman.
  51. Já eu, preferiria os originais.
  52. Aí vem a questão. Você é original? Eu não sou.
  53. É muito difícil ser original. Precisa de muito trabalho, muito tempo e nenhuma choradeira. É mais fácil usar a estepe de outros (personagens, histórias etc) e chorar. Ou fingir que é original. Os estrangeiros mesmo vivem se ‘inspirando’ entre eles – não é uma característica regional, não se preocupe. Lá fora, quando a cópia dá certo, usualmente é porque seus autores já são famosos e possuem seu séquito que os sustentem.
  54. No fim eu não choro (mais). Estou nessa de HQB há menos de um ano, mas aprendi bastante. Parei de chorar.
  55. Quadrinhos, no Brasil, é passatempo.
  56. Como croché, artesanato, quebra-cabeça de 10 mil peças… a maioria dos caras que fazem quadrinhos no Brasil trabalha com outra coisa e quando dá, faz um quadrinho ou outro.
  57. Por que eu não fui fazer croché?
  58. Vendo a bagaça como passatempo, você não cria ilusões – ser amado, premiado, remunerado blábláblá. Não criando ilusões, você não se desilude.
  59. Tem muita gente que faz desta forma (um passatempo). Como um bom passatempo, você faz e joga prá dentro da gaveta.
  60. Não há como ter idéia do tamanho, quantidade ou qualidades de HQs feitas assim – elas não saem da gaveta, lembra?
  61. Todavia há gente que possui tamanha paixão (leia-se ego) que gosta de mostrar o que faz. Mostra para encontrar seus iguais, para ser elogiado, para ter maior conhecimento da existência do seu trabalho. Normal. Busque sites/blogs de artesanato na internet.
  62. Este site é um exemplo disso.
  63. Há aqueles que não somente satisfeitos em ter um site, propagam pelos mais diversos meios digitais sua existência (olha eu de novo). Querem que suas histórias sejam mais conhecidas. É a velha máxima: qual o sentido de contar histórias senão para alguém ouvir? E também querem mais elogios, óbvio. Faz parte da brincadeira. Já que, dinheiro que é bom…
  64. O problema é que de toda ação, vem uma reação (sic). E esta reação pode ser… nada. Nenhum acesso, nada de links, nadica de nada.
  65. O que significa isso? Que você está a frente do seu tempo? Pode ser. Que você é um incompreendido? Com toda a certeza do mundo. Mas – se o seu interesse é ser compreendido, lido, sai de baixo da cama, pare de chorar e faça algo que gere interesse, acessos e links. Ou não. Ah: ter leitores das porcarias que você escreve sobre o trabalho alheio e não leitores da porcaria do trabalho que você escreve/desenha, acredite – não é um bom negócio…
  66. Mas cada um vive na realidade que lhe convém ser mais feliz.
  67. A propósito: pare de ler isso aqui e vá ler as HQs que eu fiz!
  68. Por favor?
  69. Pelamorde…?
  70. Outra reação possível é a opinião alheia. Ela é sempre bem-vinda quando positiva e um um desastre quando negativa? Muito pelo contrário.
  71. Melhor um carrasco que te decapita a um ‘amigo’ que faz você queimar lentamente na fogueira. Dói mais, ao meu ver. É muita presunção achar que todos irão amar o que você faz. E pior ainda é destratar aquele que – educadamente, diz que não gostou do seu trabalho.
  72. Claro que há de se separar o joio do trigo. A opinião pode ser ofensiva e desnecessária e isso não é opinião: é xingamento. Chamar o cara de idiota, imbecil (para não cair nos termos de baixo calão), torna a crítica muito pessoal e completamente irrelevante.
  73. Já vi boas resenhas (nem sempre tão positivas) de trabalhos que se estragaram por chamarem o autor de panaca… ou algo pior. É comum confundir o trabalho e o autor. É comum ter mais gente disposta a escrever mal de alguém ou algo do que encontrar um disposto a apoiar. Apoio dá mais trabalho, é comprometedor e pode ser vexatório. Destruir é rápido e indolor.
  74. Gostar ou não gostar sem dizer porquê complica tudo e tem de ser mágico para entender uma opinião, tirar o melhor proveito dela. Boa ou ruim. Mas ouça/leia de qualquer forma. Sempre.
  75. Se forem opiniões negativas, não fique arrasado, não desista, não desanime. Se quiseres começar a ter retornos mais positivos, muito pelo contrário: faça melhor. Faça mais. Traga uma resposta no seu trabalho. Não em respostas à opinião. Mas isso depende de você e do que você quer. Você pode inclusive se cercar de amigos que só te querem bem e nunca o criticam de fato. Qual o problema nisso?
  76. O caminho que for, dane-se o mundo. Siga o caminho que te faz feliz.
  77. Tem gente mais doente ainda que busca a crítica especializada. Manda seus trabalhos a jornalistas, revistas e sites.
  78. Tipo eu.
  79. Antes de mais nada – não são os desenhistas ou escritores uns babacas convencidos. Uns exibidos insuportáveis. Como escrevi dia destes no Orkut, quando estamos entre nossos pares, tentamos sempre parecer mais que somos – nos mais diversos aspectos pelos mais estranhos motivos. Cerceando pelo tema (área de atuação), é só olhar qualquer encontro de professores, engenheiros, advogados, administradores, médicos, publicitários etc. Percebe-se um certo ódio e arrogância entre colegas de profissão. O ego não cabe apenas aos quadrinistas (eu prefiro quadrinhistas – de quadriNHos), ele é natural, uma característica da condição humana.
  80. Voltando. Essa crítica pode vir (o cara publicar no site, revista, jornal etc) ou não. Se não vier, quer dizer que você não se encaixa no perfil da publicação (o Omelete não é o inimigo – eles publicam o que querem, pô!) ou o seu trabalho… bom, você sempre pode recorrer à lógica da raposa, onde as uvas estão verdes. Aliás – só o fato de se dar ao trabalho ao apresentar alguma análise de um trabalho suspeito como o meu, como aconteceu em Muertos, é prova que há o interesse dela (a crítica) em alavancar nossos próprios criadores. Nenhum crítico é obrigado a ceder espaço com material brasileiro. Não se esqueça disso nem dos que o fazem.
  81. Acho muito complicado criticar. Tanto que parei com meus achismos sobre outros trabalhos. A crítica especializada, o jornalista, tem o dever de equilibrar valores, julgá-los e apresentar de forma inteligível, justificada e interessante.
  82. Duvido que alguém tenha lido até aqui, mas este texto é um exemplo claro disto: eu não sei fazer isso.
  83. Na verdade acredito que muito poucos sabem – mesmo entre os ditos críticos.
  84. E é complicadíssimo, ao crítico, falar de HQB. Ele não lê isso, normalmente. E quando leêm é mais complicado ainda – (os bons críticos) provavelmente sabem decor e salteado tudo que escrevi aqui. E aí tudo se torna relativo.
  85. Daí surge a crítica ‘chapa branca’. O que é um baita pepino – pode atrapalhar mais que ajudar por simplesmente tendenciar o leitor ao erro e a decepção. Decepção esta que ele vai, para sempre, associar ao quadrinho nacional.
  86. Uma coisa é divulgar. Outra é falar bem por falar – apenas por ser HQ brasileira. Há também as iniciativas opostas – que pensam ser válidas por humilharem as outras. Ao meu ver, aquele que se considera crítico/resenhista ‘profissional’ não pode produzir quadrinhos. Ao também fazer HQ, toda sua visão fica comprometida e é comum que suas críticas sejam aplicadas… a eles mesmos! O crítico que escreve sobre você hoje é aquele que te convidou pruma parceria ontem (e você não pôde aceitar seja qual motivo for): bom, eu não queria estar na tua pele.
  87. Criticar não é puxar o saco. Também não é falar mal. É interpretação. E muito poucos conseguem interpretar coisa alguma. Eu já vi de tudo: inclusive crítica escrita por gente que não leu o trabalho analisado.
  88. Sério.
  89. Sim. Há muita picaretagem no meio. Amigos dos amigos. Ego. Eu sei: é impossível fugir do ego (ele serve entre tantas outras coisas, como ferramenta para ter a consciência de que… bom, se existe). Ele é humano e em boa parte, responsável por avanços, evoluções, insurreições ou revoluções. O que é bom.
  90. Mas há o ego prejudical, malicioso. Aquele pelo qual se usa os outros apenas para se dar bem, pelo qual se fala mal do alheio, para colocar alguém para baixo e fechar portas que nada interessariam ao detrator.
  91. Isso é normal em um mercado – competição e tals. Mas… não existe mercado! Ninguém ganha grana e todos perdem com este tipo de atitude! Falar mal do cara ao lado, que faz quadrinhos nacionais – existindo tão poucos leitores, é falar mal sobre as HQs nacionais! Então acho engraçado. Hilário.
  92. Ajudem-se. Amem-se. Daniel para presidente (ou autor de livros de auto-ajuda)!
  93. Eu tenho predileção por HQB – não fosse não escreveria tanto sobre, nem compraria tanto material nacional. Tenho admiração e respeito por tamanha paixão e heroísmo numa luta inglória e sem medalhas. Fico impressionado quando alguém – sem ganhar um tostão ainda por cima, surpreende com um trabalho de qualidade ímpar. E curto fazer também minhas historinhas, é óbvio. Ali, quando dá. Na manha.
  94. Mas precisamos nos unir de alguma forma, sem iniciativas demagogas, falácias ou meias verdades.
  95. Não precisamos de salvadores. Precisamos de uma visão maior, sobre o todo, que deve ser construída em conjunto. E bons trabalhos que falem por si.
  96. Jamais escreva algo sobre o que expus – ou da forma que fiz. Você acaba por ganhar muitos desafetos.
  97. Mas… e aí? Por que nunca deu certo? Não nos falta sermos mais honestos e abrirmos nossas portas? Para não repetirmos mais os mesmos erros? Não nos falta auto-crítica? O que é outro ponto interessante: não podemos nos criticar? Ter opiniões? Mesmo que diferentes? Você pode ter uma visão diferente da minha e, respeitando-me, não vai se tornar meu inimigo, acredite.
  98. Eu na verdade vou ficar de olho em você, bem de perto. E prezá-lo como alguém (no mínimo, ao menos) que tenta, que pensa. Claro – isso se você tiver algo a dizer, além de xingar os outros. Ou de tramar retaliações por baixo dos panos, entre seus pares.
  99. Nenhum destes pontos acima são indiscutíveis, confirmáveis ou criveis. São meus achismos, até agora. Posso mudar de opinião amanhã. Faço isso o tempo todo. Tenho a ilusão que corro à busca de amadurecimento. Ego, com certeza.
  100. Duvido que alguém leia isto. Muito grande. Nem eu leria. Quem está interessado? Nem eu estou!

Ok, esta última é mentira. Mais uma, entre 100.

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Troféu HQMIX

Hojé é o dia da entrega do HQMIX – como li outro dia, “o Oscar dos quadrinhos brasileiros”. Estaria mais prá Eisner, mas a analogia vai me servir para este texto. Outro dia expunha sobre esta premiação, advindo de uma pseudo conversa com o senhor Jerônimo Souza. Ele tinha discordâncias em alguns pontos e eu o convenci que o concurso era legítimo e justo. Bem, mudei de idéia. Enquanto ele que era ‘contra’ (pero no mucho) o prêmio, está em São Paulo (não, ele não levou nada também), eu que era a favor estou aqui, em Santa Maria.

Entenda, acredito que o HQ Mix – ao menos neste ano que acompanhei de perto, foi o prêmio mais organizado, divulgado e abrangente que já vi no país. Fez o melhor compêndio que já vi sobre o que foi publicado no ano passado – até 10 Centavos estava lá. Também acho bárbaro a questão da votação ser fechada através de gente convidada – segundo eles, cerca de dois mil votantes. Todavia levanto aqui pontos relevantes para que a premiação tenha uma disputa ainda mais acirrada, justa e legítima.

Não quero nem polêmica nem encher o saco – pois nesta crítica já exponho inclusive propostas sobre como (e o que) poderia ser melhorado – ou seja, é uma opinião honesta, com a melhor das intenções de fazer com que este já reconhecido prêmio tenha ainda mais valor e retorno a todos seus participantes. Foco estas sugestões obviamente no mercado nacional e os independentes. Não sou de forma alguma contra premiar um escritor ou desenhista estrangeiro, mas se ainda não percebeste, escrevo neste site sobre o que é de criação/produção nacional e – graças a conjuntura, independente.

Os pontos são dois e são simples:

  1. Você sabe em quem está votando?
    É engraçado, mas não acredito que a imensa maioria das pessoas que votam, conheçam todos os concorrentes. Chamam de Oscar, mas os que votam no Oscar conhecem os filmes envolvidos, até porque são praticamente obrigados a isto. Por que diabos acham que um concurso sério – na área que for, tem de ser diferente? Eu sei é humanamente impossível conhecer e/ou adquirir tudo. Mas acho que poderia se inverter da média de conhecimento dos votantes de 20% das obras existentes para 80%. Fácil, fácil. Como? Internet. Tenho a absoluta certeza que todos envolvidos que concorrem aos prêmios, colocariam na internet de bom grado – e gratuitamente, seu trabalho para que os votantes tomassem conhecimento dos mesmos. Ou seja – um pequeno e simples sistema que permitiria o artista carregar seu trabalho e onde o votante teria acesso ao mesmo, na faixa, para avaliar os projetos existentes daquele ano. Fácil, rápido, indolor. Querendo, até ajudo a montar o sistema – sério!
  2. Quem vigia os vigilantes?
    Para dar legitimidade a determinado concurso, é necessário transparência aos indicados. Achei soberba a lista dos ‘pré-selecionados’. Completa e minuciosa. Agora o que ninguém me explicou é como chegaram na última meia dúzia (7?) de concorrentes finais ’sugeridos’ (qualquer um poderia ser votado – inclusive os pré-selecionados). Com uma lista de votantes com “mais de dois mil profissionais da área das artes gráficas em todo o Brasil”, é incompreensível que determinado grupo – pequeno, sugira quem pode ser votado… dá margem a muita coisa esta lista ‘aconselhada’. Inclusive os que montam estes indicados sofrem – acredito, do ponto anterior. Vejo como ideal, uma votação em dois turnos – como uma velha, boa e democrática eleição. A meia dúzia (são sete!) mais votada, vai para o ’segundo turno’. Se apenas metade dos 2 mil votantes participasse, já era um bom negócio. Trabalheira? Imagina o Oscar então – que são centenas de filmes e cada um com uma hora e meia de duração…

Não creio que isto gere qualquer coisa, mas coloquei meus 10 Centavos (infâme…) na fogueira. Minha intenção aqui – reforço, não é incomodar, mas sim de contribuir para que tenhamos premiações cada vez mais disputadas, transparentes e com maior alcance à população – que é o interesse de todos.

Shem ha-Mephorash

Shem ha-Mephorash – Uma noite em Staronova | 2006 | 28 págs | 15cm x 23cm | capa duotone (2 cores) e miolo PB

Inacreditável. É a melhor descrição possível para esta edição que comprei no Bodega. Quando recebi, não acreditei. Demorou dois anos para chegar (tá bom, quase duas semanas), mas… tirem as crianças da sala, que vou largar um impropério. Ok, tiraram? Pôtaqueopariô. Isso aqui não pode ser verdade. É bom demais para existir. Impressionante. Eu fico (outro impropério) puto. Como é que não existem revistas deste tipo nas bancas???? Fala sério! você TEM que comprar esta esta história em quadrinhos independente. Com excelente cuidado e acabamento gráfico, uma puta (eu realmente tenho que parar com isto…) história e desenhos absolutamente fenomenais. Este trabalho é extremamente profissional e deixa muita – muita, Vertigo no chinelo.

Fico até deprimido em lembrar de quantos lançamentos de HQ nacionais com distribuição prá todo país que não alcançam a qualidade de Shem ha-Mephorash (Êta nomezinho difícil e impronunciável. Até prá digitar eu me perco). Fico também deprimido por não estar em São Paulo e tomar conhecimento de uma edição destas. OU talvez tenha sido propositalmente feito desta forma, destinado a determinado nicho, como fiz em 10 Centavos… só perguntando aos autores para confirmar. Mas o que talvez me deprima MESMO é pensar que este autores tão qualificados não se sustentem com um trabalho desta magnitude e que não estejam frequentemente em todas as livrarias e bancas a nossa volta.

A história. Feita em apenas uma edição (one-shot), com textos de Marcela Godoy e arte de Sam Hart, nos é apresentada a busca de um lendário Golem anteriormente conjurado (boa esta) pelos… pela família. O texto é muito bem conduzido pela sra. Godoy e desenhado com maestria pelo sr. Hart. O texto e seu ritmo (timming) são fenomenais. A arte… bom… compra e você vai ver.

Acho que a triste lição deste trabalho talvez seja a maldita propaganda, sua divulgação (a não ser que tenha sido feita desta forma propositalmente). Apesar de estar meio afastado do meio quadrinístico na época do lançamento – que nem sei direito quando foi, mas acredito que fora entre final de 2006 e o primeiro semestre de 2007, nunca tinha ouvido falar sobre este fantástico projeto. Mesmo buscando na internet encontrei apenas uma ou outra referência como a do Bigorna e ela não faz jus à edição, ao meu ver.

Por fim a edioração gráfica foi de Octavio Cariello – os autores só andam em má companhia… Uma pena que o site atual da escritora me pareça estar meio jogado às moscas (mas não posso dizer que não entendo o porquê) e o de Sam Hart falta uma HQzinha ou outra online para dar gostinho… mas virei do avesso os sites e valem as visitas, garanto.

O que você ainda está fazendo aqui? Vai lá no Bodega – ou entre em contato com os autores (pelos seus respectivos sites), e compra logo a sua edição!

Uma aventura no Bodega

Eu nem sei de onde (ou quando) surgiu isso, mas se propagou como um incêndio. Visitei o Bodega várias vezes até me aventurar a comprar lá. A iniciativa é ótima e por demais de honrada. Reunir em só um espaço a produção nacional em seus mais variados temas sem exclusão de estilos e até mesmo de experiência.

Tanto olhei que acabei por decidir comprar. Fiz o pedido numa sexta-feira de Boca do Inferno #1, Shem ha-Mephorash, Café Espacial #2 e os Avenidas #1 e #2 Prismarte #36 e #45 e o Penitente #1. Vou comentá-los no decorrer da semana, mas vamos ficar agora sobre minha experiência bodeguística.

Paguei o pedido na segunda-feira seguinte a confirmação da compra (que fora enviada no Domingo à noite). Nestas duas semanas que decorreram ainda não recebi o Penitente e o Prismarte. Apesar de estar na espera ainda dos Prismartes e Penitente (peloamordemeusfilhinhos que eu os receba esta semana) e considerar o tempo de recebimento muito longo, acredito que a experiência foi válida e não só pretendo fazer novos pedidos – como já os fiz, ontem – sexta-feira. Ainda assim há algumas coisas que não me agradam muito no site/loja e as coloco aqui até como sincera contribuição de sugestão de melhorias. São elas:

1. A forma de como é feita a transação não é clara. E não vejo porquê não sê-la. Você compra no Bodega, deposita o valor em alguma das contas de Leonardo Santana e ele se encarrega de comunicar os editores, que enviam as edições até você. O Bodega de fato não tem os quadrinhos lá: é apenas um meio de concentrar a produção de quem quiser expor lá e agilizar sua venda. Acho ótimo, somente poderiam deixar isto claro ao comprador. Não sei como funciona a questão de repasse de valores pros editores das revistas compradas, se existem porcentagens para a loja e se existirem, quais são.

2. Não fica claro se qualquer um pode expor seu material lá. É necessário uma pré-aprovação (argh) ou convite (argh²) como no Quarto Mundo?

3. Cálculo de frete. VOcê só recebe o valor total que deverá depositar na confirmação via e-mail de Leonardo Santana. Está certo que ele tem que verificar a disponibilidade das edições com seus editores, mas o valor de frete não aparecer na loja no momento da compra pode trazer desistência da compra ou mesmo desconforto ou embaraço para quem está comprando. O ideal é que se apresente o valor total antes da confirmação da compra, até para que o leitor possa ter o controle e estar ciente de quanto irá gastar antes de finalizar o pedido.

4. Algumas obras não possuem prévias. Não sei até que ponto a loja tem controle disto – ou se é decisão, trabalho dos editores enviarem as imagens das histórias em quadrinhos. Senhores, esta é uma tecla que eu sempre bato: coloquem amostras das HQs. Para orientar o leitor do que está comprando. Seja tema, abordagem, estilo e até qualidade. Não entendo como alguém acha que determinada edição tem mais chances de vender não tendo prévias – seja lá porque razão. Isto parece falta de fé no próprio trabalho. Se for por medo que o leitor ache ruim o trabalho e daí não compre seu gibi, por que estão vendendo? Antes de vender você tem que acreditar no que está vendendo… Eu mesmo decidi não vender 10 Centavos. Hehe.

5. A navegação e o design podia ter uns ajustes… (coisa de dezaimer chato).

A proposta do Bodega é impar. Eu a aplaudo de pé. Deve dar um trabalhão e ser uma encheção de saco cuidar de tantas edições, tantos contatos e pedidos. E ainda por cima não creio que alguém esteja ganhando alguma remuneração substancial por isto. Leonardo Santana está escrevendo seu espaço na história da HQ nacional com tamanha iniciativa e coragem. Parabéns ao sr. Santana. Gostaria de saber qual é a saída ou quantidade de vendas deste tipo de empreendimento. Não creio que alguém fique rico com isto, mas queria ter uma noção do potencial da internet para esta finalidade, nesta área tão específica que é o quadrinho nacional independente. O site da Quadrinhópole está com uma proposta parecida. Vou fazer um pedido para ver como é e posto meu retorno aqui.

Trabalho com internet e estou pensando em formas de ajudar a sanar estes pontos acima apresentados e outros que não coloquei. Não sou do Quarto Mundo, mas desejo efetivamente colaborar com o desenvolvimento do mercado nacional. A venda é um dos seus pontos cruciais. Mas quando tiver isso mais formatado e real – acho que leva ainda uns noventa dias, apresento o que tenho em mente.

Resposta a um comentário

(Resposta a este comentário)

Julio.

Segundo minhas estatísticas aqui (não tenho os milhões de acessos do Omelete, mas estou bem satisfeito):
- 94% possuem resolução igual ou maior que 1024×768;
- 49% possuem resolução igual ou maior que 1280×800;
- 53% possui algum tipo de banda larga – e outros 27% não fora detectada a velocidade;
- a média de peso – em Kb, de cada imagem ampliada de Sétimo Filho é de 50Kb.

De fato, a internet sofre destas variações e não há como padronizar o resultado para todos. Pensando bem, não só na internet, mas em qualquer coisa existente. Agora, se você está se referindo a formato, realmente tenho que concordar com você. Comentei sobre isto no post http://ds.art.br/constatacoes/.

Fiquei pensando nisto e depois de ter visto o site do Armagem Herética, formulei a proposta de fazer uma história em quadrinhos voltada para web, para a tela do monitor. Colorida. Saiba mais aqui: http://ds.art.br/pintor-meia-tigela-de-primeira-viagem/.

Interlúdio
Diga-se de passagem, o referido site – http://armagem.com/?p=39, deletou o meu comentário de lá. Sacanagem. Inclusive eu havia até os alertado sobre um link quebrado (que eles JÁ consertaram). Pô isso é maldade. Vou tirar todos os links deles daqui. Nã. Brincadeira. Vou ser mais aquele fã não correspondido. Talvez eu não seja tão bom para eles.
Fim do interlúdio

Correção - mal-entedido do comentário excluído foi esclarecido: leia aqui. E aqui.

Pretendo fazer alguns quadros a mais da webcomic Versões e ver se os publico até este findi na seção HQs.

É isto. Estou aberto a sugestões – cores, formatos, textos etc.