Dando nome aos bois. Ou quase.
Por onde começar?
- Estive em Sampa nesta última semana que passou. No sábado passado houveram os aniversários da Livraria HQ Mix e do Quarto Mundo.
- Conheci trocentas pessoas ao mesmo tempo. O que foi ótimo. Minutos de conversa com cada um. O que foi uma pena. Realmente é em São Paulo que as coisas acontecem.
- Impressionante a gentileza e atenção que recebi de todos. Todos, sem exceção alguma, foram muito legais. É engraçado encontrar com o pessoal do Quarto Mundo ao vivo – gente que só se conhece por e-mails e mensagens via rede. Valeu conhecê-los, galera! Tanta gente talentosa que gostaria de ter conversado mais! Espero que se repita outra reunião em breve.
- A coisa foi tanta que até o Oggh (disfarçado, com medo de ser apedrejado) apareceu.
- César Freitas da HQ & Cia é um louco – na próxima visita faço questão da presença dele na mesa para tomar cerveja e discutir os bairrismos (dele, é claro – huahua). Edu Fernandes nunca mais vai querer me ver na frente – não com uma caneta para emprestar, ao menos.
- No pouco tempo que tinha (as horas voaram!!!) conheci pessoalmente o Rodrigo Soldado. Confirmou-se minha suspeita de quão inteligente e visionário ele é. Questão de tempo (infelizmente sempre maior que desejamos) para que seja reconhecido.
- Até cruzei com o sr. Fábio Moon – e como bom fã nerd, fui cumprimentá-lo pelo excelente trabalho que realiza (só conheço as obras que ele publicou aqui no país). Ele me olhou com um ar um tanto incrédulo (“será que este psicopata vai me matar?”).
- Lourenço Mutarelli chegou com uma garrafinha de uísque – o que prova que ele só pode ser um bom sujeito.
- Rafael Grampá é o típico gaúcho. Possui uma cara séria que deve intimidar muita gente. Com poucas palavras dele, vi que é um sujeito do bem e bastante atencioso. Parabéns pelo seu trabalho inquestionável em MD, Grampá.
- Enfim, gostaria de ter falado muito, muito mais com todos.
- Não pude ir a festa do Quarto Mundo – morei alguns anos em São Paulo e meus amigos locais foram lá para me ver no curto período que fiquei na cidade, então não podia deixá-los na mão e fui jantar com eles. Mas outras oportunidades virão, com certeza, para me juntar ao quadrinhistas com mais calma, por mais tempo.
- O grande destaque ao meu ver foi Gualberto Costa – o proprietário da livraria HQ Mix. Esse cara impressiona. Você não sabe o que é alguém apaixonado pelo que faz até falar com ele. Voltei no Domingo à livraria HQ Mix e ele, exausto, ainda teve energia para dar uma atenção tremenda prá mim. Muito, muito gentil, muito, muito legal. Obrigado pela recepção, Gual.
- Agradeço também a todos que ajudaram na divulgação do evento de lançamento (e) de Muertos. São eles: Amauri de Paula do Quadrinho.com, Augusto Paim da CABRUUM, Cadu Simões no Quarto Mundo, Cesar e Edu da HQ & Cia, Danilo Beyruth do Evilking, Eudes Honorato do Rapadura Açucarada, Hector Lima e o Goma de Mascar, Homero Pivotto Jr. do Diário de Santa Maria, Levi Trindade da Wizmania (não tenho a revista, mas sei que saiu uma página inteira sobre Muertos), Marcelo De Franceschi e a galera do DACOM, Paulo Floro e a revista O Grito, Renato Lebeau do Impulso HQ, Renato Rosatti do Infernotícias, Rodrigo Galhano da Reviews de Histórias em Quadrinhos, Rodrigo Leão do Nóis na Tira, Tiago Castro do Blog Insônia, Victor Maia do I’m a rock. Espero não ter deixado ninguém de fora – caso o tenha, avise que vou atualizando.
- Obrigado a todos que foram. A todos que falaram comigo. Desculpe se fui breve ou aéreo – mas estava tonto com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo.
Até a próxima!
31 comentários!
Pessoal…
Nem sei como começar isto. Sei que muito mais gente participou do que eu imaginava… agradeço sinceramente por isto. Por fim optei por sortear quatro edições tamanha participação! Os ganhadores foram Fernando Martinez (comentário #2), Rafael Rato (comentário #10), Glaydson Gomes (comentário #12) e Von DEWS! (comentário #31). Obrigado a todos participantes e aos ganhadores, espero que apreciem a edição, ela foi feita com carinho e muito esmero.
Tive mais que o dobro de comentários, em pedidos. Nem fiz o ‘lançamento’ oficial e Muertos está teoricamente esgotada. Mais gente ainda tem pedido para reservar… daqui a pouco vou ter mais reservas do que edições prá vender. Huehuehue. Como disse, venderei poucas cópias, então infelizmente não tenho como reservar revistas. Então quem pagar primeiro, leva… lamento, pessoal.
Mas ainda existe a chance de você levar uma edição de Muertos “de grátis” (gratuitamente…).
Sério?
Yap.
O pessoal da .20 – rolando dados de vinte lados, está sortando SEIS (sim, você leu certo, 6) edições de Muertos aos participantes que melhor desenvolverem uma proposta de marca para o site deles.
O que você tá esperando? Simbora prá lá, cabeção!
O Circo de Lucca
Circo de Lucca | Dezembro de 2007 | 136 páginas | 16,5cm x 24cm | capa colorida e miolo… às vezes também
LuCCA. JoZZ.
Na primeira cruzada que tive com esta edição, ela não me atraiu muito. Canalha como sou, vejo antes desenho que coração. Os traços estavam todos lá, em uma mesma história, misturados em técnica e estilo. Páginas coloridas e outras PB. Esquisito. O problema prá mim nem era tanto a qualidade técnica das ilustrações, mas sim que elas beiravam muito ao cômico. Tinha algo de Estranhos no Paraíso no traço, o que me deixou confuso e sendo uma obra brasileira, inseguro. Devir??? Realmente, muito esquisito. Infelizmente talvez seja o que muitos podem pensar ao folhear este lançamento – o que é uma pena.
Semanas depois acabei lendo uma resenha sobre o livro no Quarto Mundo. E meu preconceito ignorante se foi, substituido pela urgência em adquirir o exemplar. Corri para a banca, esperançoso que ainda estivesse lá. Estava. Após ter lido, agradeço aos céus que não a tivessem vendido. Mas espero sinceramente que venda muito e – se estiver me lendo, que seja um dos agraciados pela leitura de tão belo trabalho.
O livro brinca com o tema de biografia e isto me deixou intrigado. Autobiografia? O projeto vem da conclusão de curso em Desenho Industrial, que Jozz frequentou, e tem como idéia a narrativa da personagem Lucca em fazer uma história em quadrinhos. A personagem cursa Desenho Industrial. O texto revira a metalinguagem dos quadrinhos – imagine alguns dos tópicos dos livros de McCloud e Eisner cruzando por uma HQ, mas com a orientação do autor/personagem para contar uma história. E que história!
(Metalinguagem da HQ? Putz Essa doeu. Deve ter rolado cada papo cabeça no desenvolvimento deste trabalho… zulivre.)
A história é leve, rápida e – enquanto somos levados junto com o autor/personagem na criação de seu trabalho, é muito divertida de se ler. Divertida sem ter aquele humor besta facinho. Trata muito do cotidiano do desenhista/escritor/roteirista e aí que fico me perguntando o quanto de Jozz tem em Lucca. Mas com certeza muito de Lucca ficou em Jozz. Claramente vemos no decorrer de toda a HQ o esforço e dedicação do autor na produção deste trabalho. As horas de desenho, o sacrifício em desenvolver hercúleo, inteligente e sensível projeto. Imagino a percepção sobre quadrinhos que Jozz deve ter ganho ao finalizar o Circo de Lucca. Uma percepção compartilhada a todos que a lerem.
Leitura obrigatória meninos. E meninas.
Sou formado em Desenho Industrial pela Universidade Federal de Santa Maria. Vi muita gente fazendo seu trabalho de conclusão de curso sobre quadrinhos – não foi meu caso. Eram Scott McClouds prá lá e Will Eisners prá cá. Todos reclamavam que não havia muita bibliografia. No final do livro ainda foi colocado o desenvolvimento teórico, (des)escrito, da TGI. Há boas referências e conceituações a serem exploradas – bem como a própria bibliografia que usou. Se estiverem pensando em trabalhar na sua dissertação de final de curso com histórias em quadrinhos, a leitura do Circo de Lucca é indispensável.
Se quiser trabalhar profissionalmente com HQ, também.
Compre a sua. Visite o site do autor.
* Atualização – 14/07/08
Bom. Aqui não é lugar de resenhas. Eu não faço resenhas. Isto é coisa de crítico e não sou um crítico. O que exponho aqui são meus achismos – minha visão sobre a experiência que tenho ao ler determinada obra. Por isso também não tenho preocupação maior em descrever a obra – seu enredo, desenvolvimento, etc. Como perguntaram, vou colocar algumas palavras extras sobre O Circo de Lucca.
O Circo de Lucca trata sobre algo que talvez seja familiar a todos que produzem quadrinhos: a criação de uma HQ… que faça diferença! Talvez se aplique mais a escritores (Jozz escreve e desenha a edição), mas com certeza também atinge os desenhistas, que querem seu lugar ao Sol. A trama se desenrola através do cotidiano de Lucca em busca da criação de uma personagem marcante, única – um herói. Sim. Uma personagem pode ser um herói e necessariamente não precisa voar. Imerso na preocupação de produzir um marco nas HQs (exageros incluídos), surge numa daquelas sacadas/insights inexplicáveis algo que insiste em atormentá-lo de forma onírica e engraçada: um palhaço. A trama se desenvolve em um crescente, paralelamente entre o cotidiano do artista e a construção do conceito de o que é um herói: a utilização do tema aplicada aos quadrinhos é que vem toda a brincadeira da metalinguagem genialmente sacada por Jozz. O que é uma HQ e como ela pode ser feita? O entrosamento da narrativa é ágil, muito bem construído e seu final – que obviamente não irei contar, é soberbo. Imperdível, como já disse.
Shem ha-Mephorash
Shem ha-Mephorash – Uma noite em Staronova | 2006 | 28 págs | 15cm x 23cm | capa duotone (2 cores) e miolo PB
Inacreditável. É a melhor descrição possível para esta edição que comprei no Bodega. Quando recebi, não acreditei. Demorou dois anos para chegar (tá bom, quase duas semanas), mas… tirem as crianças da sala, que vou largar um impropério. Ok, tiraram? Pôtaqueopariô. Isso aqui não pode ser verdade. É bom demais para existir. Impressionante. Eu fico (outro impropério) puto. Como é que não existem revistas deste tipo nas bancas???? Fala sério! você TEM que comprar esta esta história em quadrinhos independente. Com excelente cuidado e acabamento gráfico, uma puta (eu realmente tenho que parar com isto…) história e desenhos absolutamente fenomenais. Este trabalho é extremamente profissional e deixa muita – muita, Vertigo no chinelo.
Fico até deprimido em lembrar de quantos lançamentos de HQ nacionais com distribuição prá todo país que não alcançam a qualidade de Shem ha-Mephorash (Êta nomezinho difícil e impronunciável. Até prá digitar eu me perco). Fico também deprimido por não estar em São Paulo e tomar conhecimento de uma edição destas. OU talvez tenha sido propositalmente feito desta forma, destinado a determinado nicho, como fiz em 10 Centavos… só perguntando aos autores para confirmar. Mas o que talvez me deprima MESMO é pensar que este autores tão qualificados não se sustentem com um trabalho desta magnitude e que não estejam frequentemente em todas as livrarias e bancas a nossa volta.
A história. Feita em apenas uma edição (one-shot), com textos de Marcela Godoy e arte de Sam Hart, nos é apresentada a busca de um lendário Golem anteriormente conjurado (boa esta) pelos… pela família. O texto é muito bem conduzido pela sra. Godoy e desenhado com maestria pelo sr. Hart. O texto e seu ritmo (timming) são fenomenais. A arte… bom… compra e você vai ver.
Acho que a triste lição deste trabalho talvez seja a maldita propaganda, sua divulgação (a não ser que tenha sido feita desta forma propositalmente). Apesar de estar meio afastado do meio quadrinístico na época do lançamento – que nem sei direito quando foi, mas acredito que fora entre final de 2006 e o primeiro semestre de 2007, nunca tinha ouvido falar sobre este fantástico projeto. Mesmo buscando na internet encontrei apenas uma ou outra referência como a do Bigorna e ela não faz jus à edição, ao meu ver.
Por fim a edioração gráfica foi de Octavio Cariello – os autores só andam em má companhia… Uma pena que o site atual da escritora me pareça estar meio jogado às moscas (mas não posso dizer que não entendo o porquê) e o de Sam Hart falta uma HQzinha ou outra online para dar gostinho… mas virei do avesso os sites e valem as visitas, garanto.
O que você ainda está fazendo aqui? Vai lá no Bodega – ou entre em contato com os autores (pelos seus respectivos sites), e compra logo a sua edição!
Eu digo que os gaúchos são revoltados…
Jerônimo de Souza continua arquitetando sua revolta contra a tal premiação. Acho besteira se preocupar com isto, dane-se esta ou outra votação… Esse pessoal deveria estar preocupado em ganhar dinheiro com HQ e viver disso, se gostam tanto… e não se incomodar com troféuzinho! Medalha é bom porque ajuda a te alavancar, mas acredito ser uma consequência, não um objetivo. Enfim. Ele escreveu: “Uma lista de discussão ou um abaixo- assinado: qual é a melhor forma de protestar contra a exclusão dos gaúchos?” Bom. Elenco aqui alguns possíveis e prováveis motivos para as publicações gaúchas não terem aparecido no tal concurso para serem votadas – pode ser um ou mais motivos listados a seguir:
- ninguém têm os ditos exemplares da produção gaúcha deste período; os gaúchos não tiveram vendas e/ou distribuições eficientes – ou ao menos prá quem eles tinham que ter vendido /distribuído (os que votam);
- ninguém sabe que existiu determinado lançamento/obra gaúcha; os gaúchos não obtiveram (não conseguiram, não tentaram) destaque nos meios de comunicação – inclua internet aqui, de forma suficiente para serem considerados na votação; ou ao menos prá quem eles tinham que ter falado/escrito (os que votam); li dia destes no Quinto Mundo algo mais ou menos assim – se a obra não é divulgada nem vendida, ela não existe;
- até conhecem o trabalho gaúcho… mas não é tudo isso; apenas os melhores são (pré)selecionados para serem votados; talvez os gaúchos tenham sido simplesmente ruins mesmo ou não estavam à altura dos selecionados – ou ao menos não subornaram quem importa (os que votam).
Troque “gaúcho” por determinado trabalho, artista etc. hehe. Bom, particularmente eu vi um ou outro trabalho que deveria constar na lista, mas acredito que não estava lá por algum(ns) dos pontos acima. E outros que não entendo como foram parar lá, mas na verdade até sei porquê: por algum(ns) dos pontos acima. : )
É isso. Não queimem a bandeira brasileira, amiguinhos.














