Apático
Interessante voltar a escrever aqui.
(Aprendi – desde cedo, que, quando alguém diz que algo é interessante pode ser qualquer coisa – menos interessante).
Interessante a apatia que me toma.
Não tenho interesse algum sobre quadrinhos. Ou quase qualquer coisa. Enfim.
É interessante como nos jogamos a desconhecidos com a finalidade de REconhecimento.
E, no fim, nem isso se consegue. HQ no Brasil? Não há leitores nem para o Batman, coitado. Imagina o resto. Eisner com tiragem de cinco mil e encalhando? Bagaceiro dizendo que já vendeu mais que o dobro disso e ganhando prêmio? Mauríco de Souza ovacionado (dono de pastelaria que, a pau e corda, credita seu autores-robôs no expediente)? Psst. Elogios para todos os lados. Tem que ter muito amigo/gente-que-quer-também-produzir. Mas leitor que é bom… Comecei a ler HQ com o MSP também – e, com certeza, é uma indústria que funciona e que pouco se pode criticar. MAS é uma empresa defendendo o seu – and just that. Também vejo pretensas ceblebridades digitais que se rodeiam de amigos que também almejam ser ‘conhecidos do meio HQ brasileira’. Não me dá desgosto, nojo ou mesmo (o que deveria) vergonha alheia. Apenas desinteresse. Um bando de desenho/história/HQ chata bajulado por gente ‘descolada’ esperando que também, um dia, seja bajulada. Gente ‘do movimento’. Muitas aspas. Pouco conteúdo. Não vejo em blogs, fóruns, twitters e orkuts da vida o pessoal escrevendo: “que legal aquilo lá, leiam”. Aliás, até vejo… mas depois tu descobre que é cupincha do tal ‘autor’. É autor retwittando um mísero apoio comprometido. Tsk.
Estranho ter um blog na internet. Tantas vozes dizendo o que está certo e o que está errado (estou incluso nessa?), quando não se há certeza de coisa alguma. Tanta gente dizendo quem é o culpado (estou incluso nessa?), onde não há crime. Procurando e apontando salvação (estou incluso nessa?) quando sequer há danação. Bom mesmo são os que trabalham pro estrangeiro – não falam nada, até porque representam o que fazem pelo país. Hilário os malas-contra-HQ-brasileira – gente que queria fazer, mas não tem capacidade alguma prá isso, mas inveja suficiente prá ter um blog (estou incluso nessa?).
Mas não se engane: há bons e honestos trabalhos aí fora. E genuinante brasileiros, por incrível que pareça. Tem editora que ou tem muita sorte ou está fazendo o dever de casa. Não dou o nome as cobras pelo simples fato que, ainda que os leia, também sou fanzineiro e aí minha opinião se torna ainda mais escrota e sem validade que a tua. Então, deixa estar.
Aos que entram por aqui buscando informação sem sequer possuir interesse, paciência ou mesmo capacidade de leitura, meus sinceros vai se foder. Aos amigos, estou vivo e feliz, obrigado.
A vida continua. Fora da internet, acredite se quiser. E ainda nela (internet ou vida afora) talvez eu não tenha nada a dizer. Talvez já tenha dito. Talvez nunca diga nada. Melhor é o silêncio.
Apenas meu ego não deixa que delete este blog. Mas estamos dialogando. Enquanto isso, escrevo este tipo de texto prá te trazer ao meu inferno. Seja bem-vindo.
Meus prá têm acento. Interessantíssimo, como já disse.
CBR
Há muito eu tô devendo essa.
Minhas HQs estão disponíveis para download no formato CBR. Em cada página correspondente há o link prá (adoro prá – com acento) baixar a história em quadrinhos pro seu computador.
O leitor de arquivos CBR é o CD Display – aqui você consegue ele.
Muita gente falou, sugeriu e me escreveu para que eu fizesse isso. Agora foi. Agradeço a todos pelo apoio.
Hora de voltar para o limbo.
Sem achismos sobre o quadrinho nacional
Já que o pessoal que curte HQ não lê mais que um parágrafo de texto, vou aproveitar e xingar todo o universo. Todo mundo curte um bafafá e este tipo de coisa dá ibope (no caso, acessos). Alguém mais atento pode perceber que o xingamento é como atirar pedra no telhado do vizinho, tendo seu próprio telhado de vidro. Mas eu vejo que é mais como cuspir prá cima.
- O quadrinhista nacional adora chorar pela falta de retorno, de reconhecimento. Realmente, é uma linha de raciocínio engraçada.
- Não há reconhecimento, porque não há público interessado. Se não há leitor, então não há mercado. Havendo mercado, haveria dinheiro, que move a bagaça, que interessa a todos (viver de quadrinhos, se você está confuso), que cria a competição e que por, fim também gera reconhecimento.
- Dos melhores, é claro.
- Por que não há público leitor interessado? Bom é porque as histórias em quadrinhos nacionais ou são muito ruins ou não objetivam o leitor médio, a maioria. Escolha o que seu ego deixar.
- Há a desculpa da distribuição também, se você quiser. Mas com internet hoje em dia… onde o que gera interesse, queima feito rastilho de pólvora… Você vai precisar de um ego muito bem treinado para se enganar desta forma.
- Ah, sim. A desculpa dos enlatados inundando as bancas, não cola mais. Lamento.
- Cada vez sê lê menos? Fato. Cada vez se lê menos em suportes e mídias tradicionais? É uma tendência.
- A desculpa de ter que trabalhar para se sustentar e não poder se dedicar aos quadrinhos é por demais válida.
- Só não me vem chorando depois que ninguém tem interesse pelo seu parco trabalho.
- É dá ou desce.
- Suspeito que a maior parte dos autores nacionais que tiveram destaque nestes dez anos passados, viviam com os pais ou alguém os sustentava, de alguma forma. Sem problemas – eu queria estar nesta fatia!
- Como não existe mercado, não há salários e produção contínua, nem amadurecimento por parte do autor. Sem amadurecimento, a obra do cara não cresce em leitores.
- Baita círculo vicioso.
- Complicadíssimo sair dele – mais fácil é se iludir e se achar um Frank Miller ou um desenhista qualquer que você curte.
- Mas no mundo real, quem decide isso são os leitores – não aqueles seus dez amigos, não você. Se você não tem leitores suficientes… Well. Ficamos restritos a autores apaixonados/amadores que não pensam seu trabalho de forma mais comercial (até porque ela não existe). Quem vai culpá-los?
- Para crescer como autor, a coisa vai ter que ser por amor. Por um bom tempo. Até achar o caminho: leitores. Lamento.
- Amar é não pedir nada em troca. Muito menos reconhecimento.
- O álbum de histórias em quadrinhos brasileiras que mais vendeu nos últimos anos deve ter alcançado, uns dois mil exemplares. O autor deve ter ganho entre 8 e 12 mil reais. Há quem diga que mal vendeu quinhentos exemplares. E até me destilaram que ele topou publicar de graça (espero sinceramente que não seja verdade)!
- É um trabalho de um ano ou mais. É normal um trabalho destes, no Brasil, levar três anos de produção. Alguns demoram até cinco anos.
- Agora pegue o que ele ganhou e divida pelo tempo de trabalho. É. Qualquer desenhista razoável ganha mais que isso em uma agência de publicidade, escritório de design ou produtora de vídeo. Mesmo as furrecas. E por mais escravizado que ele seja nestes lugares, é menos trabalho que um projeto destes. Claro, não estou escrevendo agora sobre realização pessoal.
- Na última década não devem ter havido cinco autores nacionais que alcançaram metade deste marco – em vendas e valores. Estou desconsiderando, obviamente, obras infantis/humorísticas e vendas para o Estado.
- O(s) autor(es) que consegue lançar um livro, o faz(em) por interesse próprio – está a fim de contar as histórias deles, não aquelas que seriam assimiladas por uma grande massa. Não vejo absolutamente nada de errado nisso. Eu mesmo queria poder fazer isso.
- Histórias autorais são nichos, uma parcela que existe dentro dos tipos existentes de quadrinhos. Cada um objetiva o que quer. E tem o retorno que merece. O interessante é que trabalhos autorais são normalmente uma minoria, dentro do universo/mercado de publicações nos quadrinhos – mas no Brasil são a supremacia atual do que é publicado, quando se refere a autores nacionais. Ah, sim. Não existe mercado, então estamos apostando na elite que compra quadrinhos. O que acho um bom negócio, não extamente uma boa idéia.
- Culpa das editoras? O investimento para lançar um autor brasileiro nacionalmente é muito maior que comprar quadrinhos estrangeiros. E com muito mais riscos. Vocês comprariam um gibi do Alan Moore, Grant Morrison ou do Daniel Mané?
- Claro que há politicagem na publicação e em editoras. Em que mundo você vive? Existe politicagem até na compra e venda de carnes, pro açougue mais fuleiro. Você não vai fugir dela, em nenhuma área. Mas com um trabalho acima da média, você fura a politicagem.
- As editoras são livres para fazerem o que quiserem – vivemos em um estado capitalista, se você ainda não percebeu.
- A saber (tem muita gente que nem faz idéia do que é o capitalismo), este regime basicamente permite que você trabalhe no que quiser, ganhe o quanto puder e gaste esta grana no que der na telha. Obviamente, há leis que gerenciam e limitam esse monstro, como em qualquer regime – então não seja mala. Injusto? Com certeza – tudo feito pelo homem é. Mas prefiro este regime a um que limita no que você pode trabalhar, até quanto vai ganhar e não deixar gastar no que quiser.
- Então depende de você, e apenas de você, correr atrás do prejuízo. Você quer? É contigo – corre atrás. Chorar, lamento, não adianta. Não vão te dar (ou comprar) teu gibizinho, só porque você quer. Ninguém se interessa por choradeira – agora, por um trabalho bem feito, é possível. Quem decide o que é bom, pode até ser você – mas quem paga pelo seu trabalho é o leitor, então… bom, deixa prá lá.
- Agora, se você quer imprimir (ou participar de) um gibi e ninguém está interessado em bancar, por menor que seja o valor ou a tiragem, não existe a possibilidade do trabalho… não for bom? Enviei Muertos a umas três editoras – nenhuma se interessou. Gosto de pensar que o desenho não estava a altura da história, mas resigno-me ao fato que meu trabalho não teria boa aceitação – não venderia o suficiente para valer a pena.
- Incrível também como o quadrinhista brasileiro acha que o caminho é conseguir verba pública.
- Quer dizer… pode até ser – prever o futuro é estupidez. Acho bem legal o Estado colocar HQs na escolas, como meio narrativo ou ainda, educacional.
- Mas me pergunto: se não há interesse por parte da iniciativa privada (entenda-se: de uns poucos) colocar dinheiro em um projeto destes porque não há público, mercado etc e não haveria retorno, por quê seria correto torrar grana da união (entenda-se: de todo mundo) em algo assim?
- Há quanto tempo isso é feito no cinema nacional mesmo? Quantos destes projetos se pagaram?
- Ah! Aquele projeto se pagou? Então não precisa de verba pública, ora bolas!!!
- Aindassim, a desculpa de ajudar, de ser uma iniciativa, é válida.
- Mas é isso, uma iniciativa: uma coisa é capacitar, auxiliar inicialmente para que depois se caminhe com as próprias pernas. Outra é sustentar, viciando no investimento sem cobranças, objetivos e responsabilidades. Sem rodinhas, por favor, a certeza do futuro está em pedalar sozinho.
- Não há almoço grátis – alguém está pagando por ele. E se está pagando, tem de ter retorno, senão é insustentável.
- Enquanto isso, vou me inscrever em algum edital também.
- Distribuição. Grande problema.
- Envolve muita grana, muito risco. Coisa que ninguém sensato faria. Ricos e idealistas são poucos hoje em dia. Isso existe mais em mercados caóticos. Estamos em uma economia estável e muito bem calculada sobre custos/benefícios.
- O Brasil já teve uma economia caótica. Curioso como nessa época haviam tiragens tão altas, não?
- Eu sempre me pergunto como conseguiram abandonar (ou eliminar) tantos leitores entre as décadas de sessenta e oitenta. Não consigo nem imaginar um boa resposta sobre isto, por mais que me esforce.
- O negócio é internet, distribuição alternativa, segmentada, associada a pequenos distribuidores de produtos variados e semelhantes (ou nem sempre). Juntar-se a outros e trocar figurinhas. Sofrido. Demorado.
- O trabalho autoral independente imprime em gráfica as suas revistas – de quinhentos a mil exemplares. Estas cópias podem demorar anos para escoarem, atualmente. Muito trabalho, muito tempo. Tem que estar a fim. Não acho o melhor caminho, mas pode dar certo, tendo saco, tempo e grana. Com sorte, muita sorte, você empata ou tem pouco prejuízo.
- Animador?
- Super-heróis (brasileiros). Tema delicado. Não tenho nada contra. Sério.
- Não há dúvida que para, efetivamente viver de quadrinhos – por mais que poucos meses ou anos, você tem que criar seu universo, seus personagens (heróis, mangá, infantil, etc). Mas sempre algumas coisas me vêm à mente quanto a isto… e elas se aplicam a qualquer temática, estilo etc – vou usar ‘heróis’ porque sempre leio muito sobre isso.
- Muitos choram que as editoras não tem interesse nesse tipo de coisa. Será? Ok – você faz gibi de heróis… mas desenha como o Marc Silvestri? Olha o ego…
- Ah, desenha igual? Tudo bem, eles não querem o Marc Silvestri, porque eles já tem o Marc Silvestri. E sai muito mais barato que você. E é provável que ele seja mais conhecido também…
- Sinceridade: por que alguém se interessaria num personagem (brasileiro ou não) com os poderes do Super-Homem, com a roupa do Spawn com as histórias do X-Men? Bom, você talvez até goste deste tipo de coisa, sem problema – é um mundo livre. Uma coisa é usar o deus grego Morpheus outra é usar o personagem/histórias criadas por Gaiman no Sandman.
- Já eu, preferiria os originais.
- Aí vem a questão. Você é original? Eu não sou.
- É muito difícil ser original. Precisa de muito trabalho, muito tempo e nenhuma choradeira. É mais fácil usar a estepe de outros (personagens, histórias etc) e chorar. Ou fingir que é original. Os estrangeiros mesmo vivem se ‘inspirando’ entre eles – não é uma característica regional, não se preocupe. Lá fora, quando a cópia dá certo, usualmente é porque seus autores já são famosos e possuem seu séquito que os sustentem.
- No fim eu não choro (mais). Estou nessa de HQB há menos de um ano, mas aprendi bastante. Parei de chorar.
- Quadrinhos, no Brasil, é passatempo.
- Como croché, artesanato, quebra-cabeça de 10 mil peças… a maioria dos caras que fazem quadrinhos no Brasil trabalha com outra coisa e quando dá, faz um quadrinho ou outro.
- Por que eu não fui fazer croché?
- Vendo a bagaça como passatempo, você não cria ilusões – ser amado, premiado, remunerado blábláblá. Não criando ilusões, você não se desilude.
- Tem muita gente que faz desta forma (um passatempo). Como um bom passatempo, você faz e joga prá dentro da gaveta.
- Não há como ter idéia do tamanho, quantidade ou qualidades de HQs feitas assim – elas não saem da gaveta, lembra?
- Todavia há gente que possui tamanha paixão (leia-se ego) que gosta de mostrar o que faz. Mostra para encontrar seus iguais, para ser elogiado, para ter maior conhecimento da existência do seu trabalho. Normal. Busque sites/blogs de artesanato na internet.
- Este site é um exemplo disso.
- Há aqueles que não somente satisfeitos em ter um site, propagam pelos mais diversos meios digitais sua existência (olha eu de novo). Querem que suas histórias sejam mais conhecidas. É a velha máxima: qual o sentido de contar histórias senão para alguém ouvir? E também querem mais elogios, óbvio. Faz parte da brincadeira. Já que, dinheiro que é bom…
- O problema é que de toda ação, vem uma reação (sic). E esta reação pode ser… nada. Nenhum acesso, nada de links, nadica de nada.
- O que significa isso? Que você está a frente do seu tempo? Pode ser. Que você é um incompreendido? Com toda a certeza do mundo. Mas – se o seu interesse é ser compreendido, lido, sai de baixo da cama, pare de chorar e faça algo que gere interesse, acessos e links. Ou não. Ah: ter leitores das porcarias que você escreve sobre o trabalho alheio e não leitores da porcaria do trabalho que você escreve/desenha, acredite – não é um bom negócio…
- Mas cada um vive na realidade que lhe convém ser mais feliz.
- A propósito: pare de ler isso aqui e vá ler as HQs que eu fiz!
- Por favor?
- Pelamorde…?
- Outra reação possível é a opinião alheia. Ela é sempre bem-vinda quando positiva e um um desastre quando negativa? Muito pelo contrário.
- Melhor um carrasco que te decapita a um ‘amigo’ que faz você queimar lentamente na fogueira. Dói mais, ao meu ver. É muita presunção achar que todos irão amar o que você faz. E pior ainda é destratar aquele que – educadamente, diz que não gostou do seu trabalho.
- Claro que há de se separar o joio do trigo. A opinião pode ser ofensiva e desnecessária e isso não é opinião: é xingamento. Chamar o cara de idiota, imbecil (para não cair nos termos de baixo calão), torna a crítica muito pessoal e completamente irrelevante.
- Já vi boas resenhas (nem sempre tão positivas) de trabalhos que se estragaram por chamarem o autor de panaca… ou algo pior. É comum confundir o trabalho e o autor. É comum ter mais gente disposta a escrever mal de alguém ou algo do que encontrar um disposto a apoiar. Apoio dá mais trabalho, é comprometedor e pode ser vexatório. Destruir é rápido e indolor.
- Gostar ou não gostar sem dizer porquê complica tudo e tem de ser mágico para entender uma opinião, tirar o melhor proveito dela. Boa ou ruim. Mas ouça/leia de qualquer forma. Sempre.
- Se forem opiniões negativas, não fique arrasado, não desista, não desanime. Se quiseres começar a ter retornos mais positivos, muito pelo contrário: faça melhor. Faça mais. Traga uma resposta no seu trabalho. Não em respostas à opinião. Mas isso depende de você e do que você quer. Você pode inclusive se cercar de amigos que só te querem bem e nunca o criticam de fato. Qual o problema nisso?
- O caminho que for, dane-se o mundo. Siga o caminho que te faz feliz.
- Tem gente mais doente ainda que busca a crítica especializada. Manda seus trabalhos a jornalistas, revistas e sites.
- Tipo eu.
- Antes de mais nada – não são os desenhistas ou escritores uns babacas convencidos. Uns exibidos insuportáveis. Como escrevi dia destes no Orkut, quando estamos entre nossos pares, tentamos sempre parecer mais que somos – nos mais diversos aspectos pelos mais estranhos motivos. Cerceando pelo tema (área de atuação), é só olhar qualquer encontro de professores, engenheiros, advogados, administradores, médicos, publicitários etc. Percebe-se um certo ódio e arrogância entre colegas de profissão. O ego não cabe apenas aos quadrinistas (eu prefiro quadrinhistas – de quadriNHos), ele é natural, uma característica da condição humana.
- Voltando. Essa crítica pode vir (o cara publicar no site, revista, jornal etc) ou não. Se não vier, quer dizer que você não se encaixa no perfil da publicação (o Omelete não é o inimigo – eles publicam o que querem, pô!) ou o seu trabalho… bom, você sempre pode recorrer à lógica da raposa, onde as uvas estão verdes. Aliás – só o fato de se dar ao trabalho ao apresentar alguma análise de um trabalho suspeito como o meu, como aconteceu em Muertos, é prova que há o interesse dela (a crítica) em alavancar nossos próprios criadores. Nenhum crítico é obrigado a ceder espaço com material brasileiro. Não se esqueça disso nem dos que o fazem.
- Acho muito complicado criticar. Tanto que parei com meus achismos sobre outros trabalhos. A crítica especializada, o jornalista, tem o dever de equilibrar valores, julgá-los e apresentar de forma inteligível, justificada e interessante.
- Duvido que alguém tenha lido até aqui, mas este texto é um exemplo claro disto: eu não sei fazer isso.
- Na verdade acredito que muito poucos sabem – mesmo entre os ditos críticos.
- E é complicadíssimo, ao crítico, falar de HQB. Ele não lê isso, normalmente. E quando leêm é mais complicado ainda – (os bons críticos) provavelmente sabem decor e salteado tudo que escrevi aqui. E aí tudo se torna relativo.
- Daí surge a crítica ‘chapa branca’. O que é um baita pepino – pode atrapalhar mais que ajudar por simplesmente tendenciar o leitor ao erro e a decepção. Decepção esta que ele vai, para sempre, associar ao quadrinho nacional.
- Uma coisa é divulgar. Outra é falar bem por falar – apenas por ser HQ brasileira. Há também as iniciativas opostas – que pensam ser válidas por humilharem as outras. Ao meu ver, aquele que se considera crítico/resenhista ‘profissional’ não pode produzir quadrinhos. Ao também fazer HQ, toda sua visão fica comprometida e é comum que suas críticas sejam aplicadas… a eles mesmos! O crítico que escreve sobre você hoje é aquele que te convidou pruma parceria ontem (e você não pôde aceitar seja qual motivo for): bom, eu não queria estar na tua pele.
- Criticar não é puxar o saco. Também não é falar mal. É interpretação. E muito poucos conseguem interpretar coisa alguma. Eu já vi de tudo: inclusive crítica escrita por gente que não leu o trabalho analisado.
- Sério.
- Sim. Há muita picaretagem no meio. Amigos dos amigos. Ego. Eu sei: é impossível fugir do ego (ele serve entre tantas outras coisas, como ferramenta para ter a consciência de que… bom, se existe). Ele é humano e em boa parte, responsável por avanços, evoluções, insurreições ou revoluções. O que é bom.
- Mas há o ego prejudical, malicioso. Aquele pelo qual se usa os outros apenas para se dar bem, pelo qual se fala mal do alheio, para colocar alguém para baixo e fechar portas que nada interessariam ao detrator.
- Isso é normal em um mercado – competição e tals. Mas… não existe mercado! Ninguém ganha grana e todos perdem com este tipo de atitude! Falar mal do cara ao lado, que faz quadrinhos nacionais – existindo tão poucos leitores, é falar mal sobre as HQs nacionais! Então acho engraçado. Hilário.
- Ajudem-se. Amem-se. Daniel para presidente (ou autor de livros de auto-ajuda)!
- Eu tenho predileção por HQB – não fosse não escreveria tanto sobre, nem compraria tanto material nacional. Tenho admiração e respeito por tamanha paixão e heroísmo numa luta inglória e sem medalhas. Fico impressionado quando alguém – sem ganhar um tostão ainda por cima, surpreende com um trabalho de qualidade ímpar. E curto fazer também minhas historinhas, é óbvio. Ali, quando dá. Na manha.
- Mas precisamos nos unir de alguma forma, sem iniciativas demagogas, falácias ou meias verdades.
- Não precisamos de salvadores. Precisamos de uma visão maior, sobre o todo, que deve ser construída em conjunto. E bons trabalhos que falem por si.
- Jamais escreva algo sobre o que expus – ou da forma que fiz. Você acaba por ganhar muitos desafetos.
- Mas… e aí? Por que nunca deu certo? Não nos falta sermos mais honestos e abrirmos nossas portas? Para não repetirmos mais os mesmos erros? Não nos falta auto-crítica? O que é outro ponto interessante: não podemos nos criticar? Ter opiniões? Mesmo que diferentes? Você pode ter uma visão diferente da minha e, respeitando-me, não vai se tornar meu inimigo, acredite.
- Eu na verdade vou ficar de olho em você, bem de perto. E prezá-lo como alguém (no mínimo, ao menos) que tenta, que pensa. Claro – isso se você tiver algo a dizer, além de xingar os outros. Ou de tramar retaliações por baixo dos panos, entre seus pares.
- Nenhum destes pontos acima são indiscutíveis, confirmáveis ou criveis. São meus achismos, até agora. Posso mudar de opinião amanhã. Faço isso o tempo todo. Tenho a ilusão que corro à busca de amadurecimento. Ego, com certeza.
- Duvido que alguém leia isto. Muito grande. Nem eu leria. Quem está interessado? Nem eu estou!
Ok, esta última é mentira. Mais uma, entre 100.
Decifra-me ou não te leio
Eu tenho uma quantidade de acessos absurda. Ao menos para a média de sites de quadrinhos. Eu acho, ao menos. Não – não é um milhão por dia. Eu sou apenas um babaca desconhecido. Agradeço a todos que visitam o babaca desconhecido que vos escreve.
Abri este site prá publicar 10 Centavos online. E abandonei. Voltei (mais de ano depois?) com Muertos. Depois de Muertos o site alcançou uma quantidade de visitantes diários que anteriormente só alcançava em 3, 4 meses.
Com Nada a Perder, está sendo maior ainda a visitação. Não confunda visitas com pageview/páginas visitadas/hits. Pesquise no Google para saber qual a diferença. É capaz de dobrar a quantidade de visitantes com a HQ do sr. A. Moraes (mérito do sr. Moraes).
Hum. E daí? Quero me exibir? Cadê os números? Onde estão as provas?
Do início. Fiz 10 Centavos e Muertos por passatempo. Diversão. Queria ser visto por mais gente que as versões impressas permitiriam, claro, e por isso fiz o site – mas a realidade que me trazia ao chão, apontava que não seria muito mais que isso. E, em Muertos, até que foi. Antes que me joguem pedras sobre exibimento, quem não quer ser notado sequer fala. Ou escreve. E muito menos desenha.
Todavia, lentamente, comecei a levar a sério a parada. E o primeiro ponto destoante que percebi foi a quantidade de comentários a cada página publicada. Ok, o Google Analytics (uso 3 sistemas de estatísticas diferentes – sou um doente, eu sei) me avisa quantas pessoas vieram, prá onde foram e por quanto tempo ficaram – ele até compara com sites de perfis semelhantes. Está tudo um mar de rosas segundo o Google.
Mas e os comentários?
A quantidade de comentários não batem com a quantidade de acessos e tempo que o leitor fica aqui pelo site – e mais uma vez, agradeço a você por isso. Não, não espero que escrevam: “você é ótimo”, “é o melhor trabalho que já li” ou megalomanias do tipo. Mas percebi a falta do “li”, do “ok”, do “legal saber que seu trabalho existe” (é uma bela duma porcaria, mas existe). Ou mesmo as pedradas – “que porcaria”, “nunca vi algo tão ruim” etc para manter um determinado verniz social. Pessoal, vocês podem não gostar de detrminado trabalho, mas expor suas opniões em baixo calão é se rebaixar mais que o trabalho porco que você odiou.
Fui olhar à volta.
Vejo que muito do que é publicado por aí – impresso ou digital, é feito no amor, na paixão. Inclua-me aqui. E como tal, encontram outros enamorados que acabam por se juntar em tamanha paixão não-correspondida. E daí pululam os comentários nos fotologs, blogs e sites da vida: “ótimo”, “fantástico”, “você é o cara”. O pessoal que comenta são outros ‘produtores’ (escritores, desenhistas, editores etc). E mais que amigos, são seus parceiros na produção – no fim, estes são responsáveis por boa parte do cara continuar trabalhando feito um camelo, sem ganhar nada, fazendo suas histórias em quadrinhos por puro prazer. Tenho absoluta certeza que todos estes colegas que comentam não são apenas lembrados, mas também estão na preces diárias de cada “dono de um site”. Estão nas minhas preces, ao menos.
Mas… e o ‘apenas leitor’? Aquele que não produz HQ e acabou no seu site, para ler seu trabalho? Onde estão seu comentários de “primeirão”? Eu mesmo pouco comento em sites alheios, então não espero que façam diferente de mim. Mas este tipo de comentário é importante se você começa a levar a coisa a sério. Eu não levo – mas algo em meu espírito começa a principiar o contrário. O ‘apenas leitor’ possui peso fundamental. Se não há comentários de vocês (ou deles – agora me confundi) significa que você (ou eu, no caso) está no caminho errado. Porque nem o trabalho de dizer que estava ruim, seu leitor quis escrever no site, post etc.
E aí – você está nos quadrinhos por ego ou por alcançar leitores do seu trabalho? Leitores das histórias que você conta. Em quadrinhos.
Bom, seja qual for meu caminho, obviamente estou no errado.
No hay camino, se hace camino al andar
Ontem fui no lançamento do Powertrio aqui em Santa Maria.
Achei engraçado por duas razões.
Engraçado acontecer uma coisas destas por aqui (no fim-do-mundo). E porque quando fui a São Paulo deixar minhas cópias de Muertos por lá, o pessoal do Powertrio também lançava sua edição no mesmo dia.
Antes da venda das edições no Santa Maria Shopping, teve uma palestra com seus criadores, Rafael Albuquerque, Eduardo Medeiros e Mateus Santolouco. Eu não fui na palestra (só na churrascada depois). Devem ter falado de sua história e de seus sonhos. Alguns deles desenha(ra)m para editoras de quadrinhos do mercado norte-americano, e ao contrário do que algum incauto possa pensar, acho isto louvável.
Louvável porque desenhar pros estaites não é moleza. É preciso disciplina, uma força de vontade inabalável e um cuidado técnico exaustivo. Enfim, é preciso muito trabalho (à beira do escravizante, mas muito bem recompensado). E pouca conversinha.
Acho que falta isso ao mercado nacional. Menos trelêlê e mais mão-na-massa. Não é fácil o que vejo de gente criticando os outros (eu, inclusive?) e, como verdadeiros messias, apontando o caminho da salvação. Fizeram algum trabalho na vida (olha eu aqui) e se acham os caras. Todos mostram a direção (eu de novo?), porém poucos – ou quase ninguém, andam por esta trilha. Salvar o mundo? O mundo não precisa ser salvo.
Mas ele pode ser mudado. Com trabalho. E não com donos-da-verdade e seus blábláblá.
Não olhe prá mim, sou café-com-leite. E cara de pau.
Onde estão os escritores?
Ontem gastei uma grana do caramba.
Comprei 7 livros de histórias em quadrinhos nacionais.
O desenhos de todos os quadrinhos estavam – no meu gosto pessoal, na média ou acima dela. Apenas um dos ilustradores me decepcionou.
Agora, o que me assustou foi a qualidade dos textos. Não achei nenhum soberbo. Os melhores eram ou bons ou bonzinhos. Nada de muito bom ou ainda excelente e a maioria estava era meia boca, prá ser bem sincero. Sem falar dos preços – inacreditavelmente salgados. Poucas dezenas de páginas e muitas dezenas de Reais é pedir demais pro vivente. Se ainda fossem obras geniais, passava.
Não sou bobo e não vou dar nome aos bois, até porque o objetivo disto aqui é ser meu espaço pessoal e não sou crítico profissional. Mas na boa, fiquei bem desapontado com a qualidade dos argumentos. Faltaram conflitos pessoais, tramas mais elaboradas ou mesmo liçõezinhas de moral – pontos que acho cruciais numa HQ. Ou mesmo numa história, simplesmente.
Onde estão os roteiristas nacionais? De excelentes desenhistas estamos lotados, mas e escritores?
O interessante é que fui em busca da ‘crítica especializada’ sobre todas as obras que adquiri – e foi aí que tomei um susto maior ainda. Acho que na boa dezena de sites – ou mais, que olhei sobre estes livros, apenas um ou outro teceu comentários menos elogiosos sobre determinado trabalho – ou mesmo sobre o preço. O restante simplesmente enalteceu todas as edições que comprei, dizendo que eram a última bolachinha recheada do pacote. O engraçado é que aqueles sites que fazem resenhas também sobre os independentes, são mais realistas (sóbrios?) em suas críticas quando o trabalho não é um “livro publicado por editora”.
Perá lá! Posso não ser um profissional da área, mas passo longe de ser bobo – assim como todo leitor que paga mais de trinta reais por um livro. Esses ‘críticos profissionais’ devem ter mais cuidado na hora de escrever suas opiniões sobre quadrinhos nacionais ou este e aquele lançamento… não é porque estamos em um momento de expansão editorial tupiniquim que tudo são rosas.
Acho melhor as editorias começarem a cuidar melhor dos escritores e obras nacionais/autorais que publicam, senão isso tudo não vai passar de fogo rasteiro e a ressaca vai ser enorme.
Acho melhor a crítica parar de babar sobre os trabalhos em livros só por serem brasileiros, senão vai ficar mal falada.
E pior: assim como os livros de HQ nacional, deixar de ser lida.
Quadrinhofilia
Ah. É realmente um prazer receber uma edição destas em casa. Maior ainda é ler um trabalho tão bem feito, com tamanho cuidado e edição. E olha que Quadrinhofilia é a coleção de histórias mortas, “de gaveta”, do sr José Aguiar – como ele mesmo expôs, mas que não foram feitas para este fim.
Sorte do leitor.
A edição é um requinte por si só – com direito a páginas para divisão das histórias e diagramação caprichada. Visualmente perfeita. Os quadrinhos são muito, muito bons. Li e reli – tanto as HQs quanto seus textos introdutórios e conclusivos.
Passei por um ou outro trabalho do sr. Aguiar, mas de fato não o havia marcado como fiz agora. Nesta edição ele faz um compêndio de suas histórias em quadrinhos da última década. Em tantos belos e diversos estilos e temas. Um mesmo homem. Seja narrando histórias sozinho ou muito bem acompanhado – com Fernanda Baukat, Abs Moraes, Gian Danton ou ainda adaptando obra de Sabrina Lopes, todos os quadrinhos tem o comprometimento de passar seu recado, em seus respectivos estilos e técnicas.
Nas cerca de oitenta páginas nos debatemos com um José Aguiar solto, misterioso, fantasioso, erótico, biográfico, divertido, reflexivo, questionador ou simplesmente viajante (graças ao bom pai, não muito deste útlimo). As HQs focam diversos objetivos e, a cada um, o sr. Aguiar nos mostra uma faceta sua com uma arte específica e a preocupação de tornar seus traços condizentes com a história que está contando.
Lá pelo meio da revista eu já estava preocupado – faltavam datas de cada HQ e alguma informação a mais sobre todo este trabalho. Ao concluir a leitura de todas as histórias em quadrinhos, fui gratificado: no fechamento da revista o autor traz um texto sobre todo o projeto e sua produção. Bom que ele não ficou chorando ou se lamentando do mercado brasileiro e coisas comuns a editoriais da produção nacional. Inclusive há uma HQ neste livro que fala justamente sobre isto – beirando à genialidade, vai surpreender todo aquele que acredita entender alguma coisa do mercado nacional de quadrinhos. Eu, ao menos, ainda estou refletindo a respeito da história.
Inicia o pósfácio sobre seu trabalho largando “de que adiantam se não chegam aos olhos dos leitores?” – sem lamúrias, como este recorte possa parecer, lá no meio admite que “10 anos atrás, eu perseguia a idéia de produzir algo com cerca de 80 páginas de quadrinhos”.
Para a minha sorte, José Aguiar conseguiu.
Avenida
Avenida #01 e #02 | Março e Julho de 2007 | 32 páginas | 17cm x 25cm | capa colorida e miolo preto & branco
André, Rui e Wellington.
Três amigos. Gostam de quadrinhos e decidem fazer uma revista. O que fazer, como fazer? Qual abordagem?
Acho que fora este o ponto de partida do independente Avenida. Ou ainda como a primeira edição apresenta:
Seja bem-vindo a Avenida. Seria um lugar comum se não fosse os acontecimentos e histórias que o tempo deixou para trás, as pessoas que nela vêm e vão diariamente, os segredos e mistérios guardados atrás de cada parede e em cada esquina.
Há mais de quinze anos atrás, meu irmão – Alexandre, entrou no “ramo de fanzines”. Acabei indo junto. E lá se foram o Informativo Perry Rhodan, (não lembro o nome do meu outro zine, acho que era) Fã Zine e Caos. As coisas eram simples, porém mais trabalhosas na edição de um exemplar. Tinha um doisoitomeia, era tudo na base de redução de xerox e as cópias não ultrapassavam trinta ou cinquenta cópias. Hm. Acho que o IPR passou disso.
Hoje, com a revista independente Avenida, vejo como as coisas mudaram. Mesmo tendo comprado nas últimas semanas mais de dez (apenas dez?) edições independentes, Avenida se destaca também em seu cuidado gráfico. Explica-se: Wellington trabalha no meio da produção gráfica, por mais que ele deva (re)negar isso. Com impressão, papel e design ímpares – Avenida já deixa, de largada, a maioria das edições que se encontra em bancas no chinelo. E pode botar as grandes editoras na lista. Das edições que tenho aqui, é a mais primorosa e requintada no seu acabamento. E isso, senhores, vende.
Sem querer estragar nenhuma surpresa maior, posso adiantar que a proposta da revista é que cada um dos três autores possam contar suas histórias, nos seus próprios estilos, mas que tenham algum entrelaçamento entre suas obras. Achei muito bem sacado e excelentemente resolvido.
Rui Silveira nos apresenta no primeiro número uma introdução da proposta do projeto, em um magestral texto com desenhos muito, muito bem cuidados. No segundo número vem com uma HQ que continua na brincadeira do mote da edição. Achei legal demais. Quando você chega no segundo número você já saca como funciona e é simplesmente divertido e empolgante ler a revista.
Wellington Marçal nos apresenta seu personagem Primo Biu. Os desenhos são muito bons, mas vou ser sincero: não gosto muito de humor. Não sou crítico e apenas exponho neste espaço minha opinião inválida e pessoal. Primo Biu possui excelentes desenhos e uma narrativa rápida e engraçada. Mas no humor eu sou mais daquele sarcástico, politicamente incorreto e mal humorado (ou ainda humor negro, optando chamar desta forma).
André Caliman. Escreve e desenha nos dois números. Virei fã do sr. Caliman. Comprei Quadrinhópole também – ele está lá. Vou falar mais adiante destas edições. Li o Undeadman inteiro (o arco que foi feito ao menos). E estou admirado que como ele escreve bem nas HQs do Avenida, além de seu desenho solto e pessoal. Na minha visão ele consegue se destacar numa edição de primeiro nível que é o Avenida. Apresenta José Silva – uma história em quadrinhos no ritmo policial meio clichezão na medida exata – com direito a suicídios, mortes, máfia, traições e conspirações. Bota f***! Bom demais. Agora… ser história em quadrinhos com final a ser concluído também é f***!
O que me deixa nos nervos é estas histórias com continuação. No fim tive o azar de não conhecer – ou não comprar, o Avenida antes. Mas também sorte porque logo, logo, tem o #3 que poderei adquirir. Agora imagina o pobre leitor que leu a história do José Silva, há um ano atrás e nem sabe o que aconteceu com o coitado. Ele deve odiar profundamente o Caliman por isso. Eu odiaria. Mas entendo que complicaria a proposta e a edição como um todo.
Minha nota não é 10. É 11. Se um leitor não muito acostumado com o quadrinho alternativo, independente, perguntasse qual revista eu indicaria para que começasse a ler este tipo de revista, aconselharia os Avenidas. Fácil.
Se não gostar, pode vir tirar satisfações comigo.
Mas e o que você tem comprado?
Eu nunca mais falo nada na minha vida. Tá bom, é mentira. Mas com certeza não falo mais coisas do tipo “este é o melhor” ou “foi o melhor” sobre o quadrinho nacional – ‘ainda’ que de HQs independentes. Somente nas últimas semanas tenho recebido materiais impresssionantes que desconhecia – ou conhecia apenas de nome. Como Avenida, Penitente, Schem ha-Mephorash, Alexandria, Quadrinhópole, Cão… sem falar nos que já conhecia, como o Prismarte e o Café Espacial.
Lendo estas edições você encontra obras fantásticas, histórias em quadrinhos de primeiro gabarito e que – lamentavelmente, não são divulgadas ou reconhecidas na mídia como verdadeira expressão cultural que representam. Cultura nossa. Brasileira.
Cheguei a conclusão que não conheço nada do mercado que – infimamente, participo. Penso nestas premiações como o Ângelo Agostini ou mesmo o HQ Mix. Pergunto como selecionam alguém… têm os tão falados mil e duzentos votantes do HQ Mix as obras que citei há pouco? Apenas estas oito revistas que entre as dezenas (centenas?) de obras sugeridas em sua lista? Difícil, considerando as tiragens destas edições e onde o que mais ouço falar de seus editores ou é encalhe ou uma venda muito pequena e demorada. E o Ângelo Agostini, que possui votação aberta? Como escolhem? Pelo nome que lembram, independente da obra referida? Tantos trabalhos valiosos perdidos, esquecidos, nunca conhecidos. Quem não é visto não é lembrado, amigo. Mas a culpa é minha também. E sua.
Quantas revistas compraste? Quantos gibis leu? Às vezes me parece que o mundo independente (fanzines estão aqui também) é um grupo de pessoas gritando: LEIAM MINHA PRODUÇÃO! Mas não lêem a dos outros. Neste famigerado espaço virtual não tenho os milhões de acessos de um Bigorna.net, mas neste último mês são visitas suficientes (e eu agradeço sinceramente a todos vocês, por isso) para esgotar as cópias de boa parte das edições que falei acima.
Agora fica a pergunta: se os editores, escritores e desenhistas não compram a produção do vizinho – e falo em comprar não me vem com escambo, como esperam que o “apenas leitor” compre a deles? Como criar um mercado se não há compra e venda? Viver de HQ como? A mesada dos pais acaba um dia e você não vive de luz solar, amigo. Sei que boa parte compra. Mas será esta boa parte a maioria? Duvido! E sem desculpas. Se há desculpas prá quem produz, imagina a dos que ‘apenas lêem’ – que é o objetivo de toda esta brincadeira.
Se estiver vivo no próximo Ângelo Agostini, vou estar preparado para meu voto. Não por ter uma opinião importante ou que deva ser considerada, mas porque espero ter um bom conhecimento sobre o que foi lançado neste ano. Não vou votar porque é meu amigo nem porque lembro o nome do cara e aquele outro trabalho era legal. Vou votar porque comprei e li o que foi produzido. Acho que você deveria fazer o mesmo.
PS – pelamordemeusfilinhos, eu tenho que aprender a:
- escrever ;
- escrever menos;
- escrever menos besteira;
Penitente #1
Penitente #01 | 2007 | 20 páginas | 17cm x 26cm | capa e miolo coloridos
Recebi a revista independente do Penitente (adoro esta rima) que comprei no Bodega – uma loja de quadrinhos independentes, que muito provavelmente só vende gibis de vocês-sabe-quem. Meu amigo… o que dizer do Penitente? Eu tenho muitas, muitas, muuuuuuuuuuuuuitas ressalvas sobre histórias em quadrinhos de super-heróis. Não de heróis brasileiros – de super-heróis de qualquer nacionalidade. Já disse que tenho MUITAS ressalvas? Pois bem.
Penitente vale a pena ser comprada e lida. São duas histórias na revista. O editor-autor-fazedor-de-cafezinho da revista teve um cuidado exemplar na edição. Com direito a introdução, meiquinhófe, apresentação do processo de criação e por fim uma contracapa vendedora. Preocupação com detalhes. Este é um dos fatores do sucesso de um trabalho – divulgação e distribuição são outros.
As histórias são simples e eficientes. Os desenhos são competentes e a colorização está de acordo. Tem uma boa impressão e achei muito adequado o formato e o papel escolhido – lembrou muito as edições da Cedibra da década de 80 (Badger – acho que era o nome). Não conheço muito o mercado de heróis hoje em dia, mas não creio que tenha mudado vertiginosamente em relação ao meu tempo – os desenhos e qualidade de impressão devem ter ido as alturas (assim como o preço), mas não devem ter havido maiores mudanças que isto. Achei que Penitente não deve a nenhum “número um” de qualquer HQ de heróis – seja a nacionalidade ou editora que for. Mesmo as grandes.
O Junior (um cara que trabalha ao meu lado e passa o dia inteiro lendo webcomics e, egoísta como só ele, não me passa um linkezinho) disse que era igual a Spawn (como se escreve isso?). O próprio autor comenta sobre isso. Tenho a Spawn #1 (e só a #1) e – após ler Penitente, apesar do mote ser paralelo, percebe-se claramente as diferenças. Mas só nas histórias seguintes que veremos para onde o escritor/argumentisa vai enveredar. Gostei da idéia do orar pela alma do cara. Vamos ver.
O que vejo de complicado é a continuidade. Este tipo de gibi tem que ter sequência e regularidade. Todo mês edição nova e de fácil acesso ao leitor. O que acredito ser impossível sendo independente e tendo que ter outro trabalho para pagar as contas no final do mês. Uma pena. Parabéns ao Lobo, porque me conquistou e vou comprar a #2, quando sair.
Muitos dos fanzineiros, que fizeram fanzines, e hoje gostam de se chamar independentes, fizeram quadrinhos de heróis. Eu mesmo me encaixo no perfil. Vejo em Penitente um excelente começo que, fosse jovem, gostaria de fazer parte – pois na revista nota-se claramente o vigor juvenil e a força da personagem. É o tipo de projeto que escreveria pro autor dizendo “sou desenhista e queria desenhar uma HQ do Penitente”.
Gostaria de ser jovem novamente.














