Histórias em Quadrinhos • DS.art.br

Daniel Pereira dos Santos

História de Ninar

3 exposições sagazes e comedidas

História de Ninar

Um conto de Jeffrey Whitmore
Adaptado para HQ online por Daniel Pereira dos Santos


Apático

Interessante voltar a escrever aqui.

(Aprendi – desde cedo, que, quando alguém diz que algo é interessante pode ser qualquer coisa – menos interessante).

Interessante a apatia que me toma.

Não tenho interesse algum sobre quadrinhos. Ou quase qualquer coisa. Enfim.

É interessante como nos jogamos a desconhecidos com a finalidade de REconhecimento.

E, no fim, nem isso se consegue. HQ no Brasil? Não há leitores nem para o Batman, coitado. Imagina o resto. Eisner com tiragem de cinco mil e encalhando? Bagaceiro dizendo que já vendeu mais que o dobro disso e ganhando prêmio? Mauríco de Souza ovacionado (dono de pastelaria que, a pau e corda, credita seu autores-robôs no expediente)? Psst. Elogios para todos os lados. Tem que ter muito amigo/gente-que-quer-também-produzir. Mas leitor que é bom… Comecei a ler HQ com o MSP também – e, com certeza, é uma indústria que funciona e que pouco se pode criticar. MAS é uma empresa defendendo o seu – and just that. Também vejo pretensas ceblebridades digitais que se rodeiam de amigos que também almejam ser ‘conhecidos do meio HQ brasileira’. Não me dá desgosto, nojo ou mesmo (o que deveria) vergonha alheia. Apenas desinteresse. Um bando de desenho/história/HQ chata bajulado por gente ‘descolada’ esperando que também, um dia, seja bajulada. Gente ‘do movimento’. Muitas aspas. Pouco conteúdo. Não vejo em blogs, fóruns, twitters e orkuts da vida o pessoal escrevendo: “que legal aquilo lá, leiam”. Aliás, até vejo… mas depois tu descobre que é cupincha do tal ‘autor’. É autor retwittando um mísero apoio comprometido. Tsk.

Estranho ter um blog na internet. Tantas vozes dizendo o que está certo e o que está errado (estou incluso nessa?), quando não se há certeza de coisa alguma. Tanta gente dizendo quem é o culpado (estou incluso nessa?), onde não há crime. Procurando e apontando salvação (estou incluso nessa?) quando sequer há danação. Bom mesmo são os que trabalham pro estrangeiro – não falam nada, até porque representam o que fazem pelo país. Hilário os malas-contra-HQ-brasileira – gente que queria fazer, mas não tem capacidade alguma prá isso, mas inveja suficiente prá ter um blog (estou incluso nessa?).

Mas não se engane: há bons e honestos trabalhos aí fora. E genuinante brasileiros, por incrível que pareça. Tem editora que ou tem muita sorte ou está fazendo o dever de casa. Não dou o nome as cobras pelo simples fato que, ainda que os leia, também sou fanzineiro e aí minha opinião se torna ainda mais escrota e sem validade que a tua. Então, deixa estar.

Aos que entram por aqui buscando informação sem sequer possuir interesse, paciência ou mesmo capacidade de leitura, meus sinceros vai se foder. Aos amigos, estou vivo e feliz, obrigado.

A vida continua. Fora da internet, acredite se quiser. E ainda nela (internet ou vida afora) talvez eu não tenha nada a dizer. Talvez já tenha dito. Talvez nunca diga nada. Melhor é o silêncio.

Apenas meu ego não deixa que delete este blog. Mas estamos dialogando. Enquanto isso, escrevo este tipo de texto prá te trazer ao meu inferno. Seja bem-vindo.

Meus prá têm acento. Interessantíssimo, como já disse.

Matriz • Preâmbulo

Tenho um monstro na minha frente. Ele me encara há meio ano, quieto e ameaçador como qualquer monstro realmente perigoso. Esperando pelo bote certeiro. Fatal.

Não tenho como fugir dele.

O monstro é obviamente uma história. Um conto escrito pela minha mãe, a meu pedido.

Sem entrar em detalhes, o conto usa como alicerce uma passagem da (nossa) história brasileira.

Apesar de tê-lo solicitado, não gosto de HQs que usam este artifício: história (do Brasil). Os resultados pelos quais cruzei são enfadonhos, na imensa maioria. É difícil ser imparcial. É difícil ser universal.

Quadrinhos brasileiros que li, quando utilizam fundamentos históricos, tendem a ser panfletários. Desta ideologia ou daquele grupo. Imprecisos e enganadores, apresentam-se através de um recorte parcial – de uma leitura pessoal que se deseja difundir, como se fossem o definitivo – o passado. Vestindo a intimidadora pele de aconteceu assim, é verdade, isso é história, acabam por levar seus leitores ao erro, à ignorância – que será perpetrada por estes. Esta mentira, ou no máximo uma realidade selecionada, é um perigo. Uma recrutadora de mais pequenas verdades e grandes mentiras. Pior ainda são histórias em quadrinhos didáticas – neutras e superficiais. Chatas. Tem muito disso sendo produzido no país – de olho nas licitações e compras do governo. Pobre país… o que fazemos (ou deixamos fazer) dele! Sem falar nos quadrinhos, que podem ficar estigmatizados como suporte narrativo leviano – tolo e raso, pelas novas gerações de leitores surgidos das escolas.

Outro grande perigo é o bairrismo. Ou regionalismo, para ser politicamente correto. Não me identifico com quadrinhos de cangaceiros, por exemplo. Não em sua maioria. E acredito que o pessoal do norte e nordeste não deva se identificar com os pampas gaúchos, também. Acho muito chato essas HQs pregadoras de que o país é a Amazônia ou a Caatinga. O brasileiro é cordial entre si, mas não vejo em nós uma identidade unificadora muito maior que nossa língua. Elencar uma parte do país para contar uma história em quadrinhos é se isolar do todo. De nós mesmos.

Um trabalho que considero ímpar neste sentido é Chibata! João Cândido e a Revolta que Abalou o Brasil. Claro que a história é mais urbana, mais contemporânea e isso ajuda. Mas vejo uma neutralidade invejável considerando tudo que escrevi: o livro não pesou mais para este lado (político) ou aquele. Não caiu na armadilha de ser regional (e podia muito bem ter sido). E se não fora perfeitamente preciso é porque se preocupou em contar os dramas de suas personagens. E não contar a história da história (…). É um bom modelo para se iniciar um trabalho que tem como estopim o nosso passado.

O conto está ali. Parado. Tenho medo de enfrentá-lo, pois facilmente ele me engoliria.

É viver

Decidi participar do Nossas Expressões. A saber: é um evento organizado pelo grêmio estudantil da universidade federal daqui – seu objetivo é apresentar a produção contemporânea da cultura local. Seria uma oportunidade a mais de, sacumé, exibição (no sentido egocêntrico de ser). Pensei imprimir Nada a Perder em um A3 e entregar à comissão, para que ela exponha onde ela quiser expor (parece que os trabalhos terão vários locais de exposição, cidade afora).

Fui no site, baixei a inscrição e comecei a preenchê-la. Beleza. Nome, endereço, e-mail etc. O último item tinha a seguinte pergunta:

Você faz seu trabalho pra quê? Pra quêm?

Intrigante. Fui ver o regulamento – lá estava esclarecido que o não preenchimento da questão anularia a inscrição. Deus do céu! Eu não sei quem elaborou essa questão mas devo meu parabéns a ela. Mais direto ao ponto impossível. Acredito que esse é o enigma da esfinge de quem produz.

Neste ritmo, tenho certeza absoluta, que a pergunta da próxima edição do Nossas Expressões será: qual é o sentido da vida?

INTERLÚDIO

Tenho uma mente fértil. Do tipo chão adubado com esterco de galinha.

Um dia eu e minha mente fértil fomos a um evento imaginário de quadrinhos. Lá tinham seus leitores imaginários, vendedores imaginários e autores imaginários. Por fim um autor (imaginário, é claro), se aproximou e perguntou:

- Tu é o cara de Santa Maria, certo? O do Muertos.

Sorri, com meu sorriso amarelo (eu fumo prá caramba) contumaz e confirmei, discretamente. Ele continuou, em nossa conversa imaginária:

- Então cara, estou lançando minha revista independente também. Tu vai ver que ela vai ser sucesso. Já tô bem conhecido no país e tô com em contato com várias editoras – vou ser o próximo autor nacional famoso. Tu tem que ver os desenhos irados que eu tô fazendo!

Minha mente fértil retrucou – em pensamento, é claro.

- Muertos é um fanzine impresso em gráfica – só isso. Que diabos é uma revista independente?

Ela continuou me atormentando:

- Sucesso? Que sucesso? HQ brasileira vende menos que pneu recauchutado. Ninguém lê essas porcarias – pega o exemplo daquele autor nacional famoso, ele nunca ganhou nada com isso. Apesar de ser muito bom, nunca vendeu mais que poucas centenas de edições. Aliás – alguém no Brasil já ganhou algum dinheiro com histórias em quadrinhos?

Quando pensei que minha mente fértil ia me deixar em paz, ela arrematou:

- Desenhos irados? Porra! E a droga da história?

Olhei para o autor imaginário ao meu lado e retruquei:

- Com certeza. Vejo que você já tem tudo planejado.

E fui andar à volta. Minutos depois um segundo autor imaginário se aproximou de mim. Este era um autor nacional imaginário famoso, um grandão da atualidade. Perguntou:

- Tu é o cara do Muertos?

Respondi que não. Que eu sequer existia – que era fruto da imaginação dele – e fui embora.

Olhando prá trás percebi que muitos amadores, como eu, se (auto) elegem como a esperança do país, na (futura) produção nacional de quadrinhos. Pior: muita gente aposta neles. Que o Criador nos proteja se isso se tornar realidade.

FIM DO INTERLÚDIO

Como Édipo meia boca, respondi à desafiadora questão:

Sou apenas mais um que conta histórias. Para quem quiser ouvir.

Mas era mentira. Até hoje não sei porque eu faço o que eu faço. Ou prá quem (meus prá sempre têm  acento). Ego é uma resposta óbvia e não me satisfaz. Enquanto não sei porquê, continuo fazendo.

Mas já estou pronto para responder, na ponta da língua, a pergunta seguinte – ano que vem.

Discussão

Mais um post imenso. Gosto disso – é muito mais divertido (e fácil) escrever um monte de besteiras do que produzir quadrinhos.

Como sou uma pessoa muito ocupada, vez ou outra entro nesses espaços que permitem trocas de opinião (sobre quadrinhos, obviamente). São lugares onde se permutam novidades, se expressam opiniões ou ainda, dividem experiências. Como é comum a nossa raça, vez ou outra, surge um (ou mais criaturas) que gosta de… apimentar a discussão. Ou simplesmente travá-la, mesmo – de qualquer forma, “entra rachando” (ui!). Há os mais variados motivos e razões para isto – mas ego é sua força motriz, com certeza. Uma forma de se afirmar que existe e que se é importante. Eu me divirto muito com esse tipo de coisa. Tem sempre um ou outro indivíduo (nunca ninguém famoso ou conhecido – apenas um zé ninguém como eu) que larga tantas pérolas, num espaço tão curto de mensagens, que não há como não se estourar de tanto rir. Gosto tanto que decidi compilar um conjunto de frases, afirmações que parodiam situações comuns a quem participa de grupos de discussão, fórum, ou qualquer rede social de nossos dias. Infelizmente essa paródia por vezes se aproxima demais da realidade, o que não as torna tão engraçadas assim… Sinceramente, espero que você não (se) reconheça (em) nenhuma destas frases…

  1. O papel do autor (argumentista e/ou ilustrador) é editar – ter uma visão do todo: de vendas/mercado, de distribuição etc. Onde já se viu um escritor curtir escrever ou um desenhista gostar de desenhar? São uns cabeças ocas!!!
  2. Você produz (desenha/escreve) bem – mas nada além disso! Por que você não vira editor?
  3. É muito imbecil um autor, que sabe produzir, precisar de um editor, que sabe editar.
  4. Vocês são tão retardados que só querem ser subservientes (escravos) de alguém! Trabalhem prá mim que eu mostrarei a verdade!
  5. Nunca vi coisa mais idiota: se o cara não consegue publicar, cria um site para mostrar seu trabalho e ficar se masturbando com ele – eu jamais faria isto! Ah – aproveitando: visitem meu blog, que tem capítulo novo do meu projeto!
  6. O objetivo desses caras é trabalhar para os outros – não pensam em desenvolver seu próprio universo e ficar rico como eu fiquei!
  7. Não é questão de publicar o seu universo, é fazer algo que dê certo, pros leitores e editores – que dê grana!
  8. Pô – vocês só pensam em dinheiro!
  9. Autor brasileiro é burro – não quer ganhar dinheiro – só quer alcançar o “sonho de ganhar grana”!
  10. O sonho não é ganhar dinheiro com seu trabalho! Sonho é conseguir viver do seu trabalho! Vocês não entendem?
  11. Brasileiro só quer fama – por que ele vai ser querer ser reconhecido lá fora ao invés de não ser reconhecido aqui? Um absurdo!
  12. Esse pessoal só quer dinheiro – por que ele vai ganhar grana lá fora e não aqui, que não recebe nada?
  13. Publicar onde pagam não é motivo de orgulho. Quero ver é fazer isso aqui, onde não pagam nada!
  14. Sim. Eu poderia estar publicando lá fora, ganhando uma boa grana com meu trabalho (desenhos/textos/personagens) e viver bem com isso. Mas não. Prefiro ter uma vida difícil, sem ganhar nada nem conseguir publicar, porque… porque… porque eu adoro meu país.
  15. Tá certo que o capitalismo é soma da ganância de todos, que se revela niveladora do mercado, mas onde fica a ideologia? Vocês só querem dinheiro, dinheiro! Não pensam em algo maior! Na criação de um mercado tupiniquim: no bem comum, seus parvos!! Enquanto pensam, comprem minhas histórias em quadrinhos.
  16. Minha filosofia é: não publicar nada, falar de tudo e de todos prá caramba, viver na pindaiba e me achar a última bolachinha recheada do pacote.
  17. Eu sei como fazer – todas as respostas, tenho toda uma vida bem sucedida, olha o que eu produzi e vendi na última década – sou uma unanimidade nacional.
  18. Ah. Não quero sucesso, nem fama. Minha religião não permite. Só quero ser reconhecido por todos e vender prá caramba.
  19. Pow! Se conseguiu ser publicado no estrangeiro, por que não publicou aqui antes? Que burrice! As editoras pagam dez vezes menos aqui!
  20. Essas editoras incompetentes esperam um autor nacional ser publicado e fazer sucesso no exterior para então publicar aqui! Que estupidez! Só porque elas pagam quatro vezes menos o que gastariam para publicar o sujeito originalmente aqui, não é desculpa! Menos ainda por ter um trabalho já testado e aprovado por um mercado muito maior que o nosso!
  21. Claro que comparar vendas e aceitação de obras infantis e humorísticas com gibis de heróis, mangás etc faz todo o sentido! Eles têm todo um histórico nacional de mesma aceitação e vendas, diabos! Olha só os últimos dez, vinte anos: Turma da Mônica vende até menos que Vertigo!
  22. Até caixas de fósforo e paracetamol possuem uma forma organizada de produção – eles primeiro vendem no Brasil, para depois exportar! Por que HQ – um item muito mais essencial e de muito maior alcance do que jogos prá PC, não fazem o mesmo?
  23. Vocês são muito manés: pagam quarenta conto por um livro de quadrinhos quando poderiam pagar vinte pila pelo meu livro!
  24. Não faz sentido algum desenhar pros estangeiros! O cara ganha grana por dois, três… até cinco anos e… puff Acabou – vai virar professor de quadrinhos!!! Ele deveria era ficar aqui e não ganhar nada nunca!
  25. Esse pessoal tem que aprender a se editar, investir sua grana e produzir sua própria revista! Eu mesmo corro atrás disso há uma década. Já tenho minha própria e reconhecida editora que distribui nacionalmente minha obra e vivo muito bem disso, obrigado.
  26. Nã há mérito algum em publicar no exterior – lá aceitam tudo, tudo vende e todos ficam ricos e felizes! Não há concorrência e todos se amam.
  27. Autor nacional só segue ele mesmo – sua própria visão das coisas. Um paspalho, com certeza. Ele deveria seguir a minha visão das coisas.
  28. Não quero ser exemplo de nada, quero apenas que sigam minhas idéias. E comprem meu trabalho.
  29. Publicação impressa de HQ é tolice! Editores interessados em tolices, por favor, entrem em contato no private.
  30. Se é tão bom, por que não publicam o trabalho dele?
  31. Publicação por ‘editora’ de fanzine não tem valor nenhum! Bom mesmo são minhas revistas independentes!
  32. Publicou lá porque é amigo do editor! Onde já se viu algo que seja publicado senão por amizade???
  33. Publicou aqui? Quero ver publicar lá fora!
  34. Publicou pela editora estrangeira A? Quero ver publicar pela editora estrangeira B!
  35. Publicar lá fora é baba! Quero ver publicar aqui!
  36. Meus amiguinhos, vocês não acham aquele autor rodeado de puxa-saco, um babaca?
  37. Existe dois tipos de pessoas – as legais que curtem meu trabalho e as insuportáveis, que não sabem o que é bom.
  38. Só detono quem merece! Já viu eu falando mal de mim?
  39. Tenho tamanha capacidade de julgamento na produção de quadrinhos que, ao analisar uma obra, só falo mal do autor.
  40. Ah, sim. O trabalho dele? Não li. Mas nem se compara ao meu.
  41. Sei ser imparcial e comedido, seu puxa-saco filha da…
  42. Como assim… descontrolado? Vai tomar no…
  43. Não publico nada porque sou tão qualificado que nenhuma editora está ao meu nível. Nem os leitores estão!
  44. Abomino gente que se diz fã. Eu jamais vou ter fãs! Abomino esse tipo de pessoas ou mesmo a fama! Só quero gente que compre sempre meu trabalho.
  45. A galera delira quando detono alguém! Uma porrada de gente aplaude de pé!!! Infelizmente os que acomponham meu trabalho, é apenas um ou outro delirante.
  46. Aliás… por que todo mundo divulga as porcarias que eu falo ou escrevo e não as porcarias que eu produzo?
  47. Já consegui falar mal de todo mundo! Agora só falta conseguir todo mundo falar bem de mim!
  48. O que você já fez pelo quadrinho nacional? O que você fez? Nada! Enquanto eu, nos últimos dez anos eu já… eu… fiz! Eu fiz!
  49. Nã-nã-nã! Não me venha dar idéias que não sejam minhas. Muito menos uma que contrarie as minhas ou os meus interesses.
  50. Olha – o objetivo aqui não é publicar livros de HQ. Ao menos não um que eu não coordene, edite e participe.
  51. Claro, você pode se unir a nós para alavancar juntos nossos trabalhos – o meu e dos meus amigos. Aqueles três ali do canto.
  52. Não sou dissimulado coisa nenhuma! Claro que eu posso ser um filha da… com você e dar uma de cara legal com os outros. Normal.
  53. Vamos ser democráticos – nada de chefes! Mas aqui dentro quem manda sou eu e quem contrariar, tá fora.
  54. Não me interessa o que os outros acham! Nem me importa o que dizem! Onde já se viu dar bola prá isso dentro de um grupo?
  55. Meu, estamos em um grupo de discussão, então quando eu falo tu tem duas opções: ou ficar quieto ou cair fora. Todo mundo que tá aqui dentro concorda com isso!

Esse é um post hermético prá caramba. Talvez só quem participa de redes sociais, fóruns, grupos ou listas de discussão consiga entender… Se você nunca viu isso, sorte sua – mas é possível ter ouvido algo parecido numa conversa de bar. Se você não frequenta comunidades muito… abertas, um aviso: tenha estômago forte se quiser participar. São normalmente pessoas muito jovens que largam estas pérolas. Desvirtuam a discussão e começam uma quebra-de-braço interminável e aborrecida para convencer o outro que sua versão, digo, visão da realidade é a correta.

Vocês sabem como são os jovens, têm a síndrome de salvador: ou precisam ser seguidos ou seguir alguém.

Eu já sai da adolescência faz tempo.

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Sem achismos sobre o quadrinho nacional

Já que o pessoal que curte HQ não lê mais que um parágrafo de texto, vou aproveitar e xingar todo o universo. Todo mundo curte um bafafá e este tipo de coisa dá ibope (no caso, acessos). Alguém mais atento pode perceber que o xingamento é como atirar pedra no telhado do vizinho, tendo seu próprio telhado de vidro. Mas eu vejo que é mais como cuspir prá cima.

  1. O quadrinhista nacional adora chorar pela falta de retorno, de reconhecimento. Realmente, é uma linha de raciocínio engraçada.
  2. Não há reconhecimento, porque não há público interessado. Se não há leitor, então não há mercado. Havendo mercado, haveria dinheiro, que move a bagaça, que interessa a todos (viver de quadrinhos, se você está confuso), que cria a competição e que por, fim também gera reconhecimento.
  3. Dos melhores, é claro.
  4. Por que não há público leitor interessado? Bom é porque as histórias em quadrinhos nacionais ou são muito ruins ou não objetivam o leitor médio, a maioria. Escolha o que seu ego deixar.
  5. Há a desculpa da distribuição também, se você quiser. Mas com internet hoje em dia… onde o que gera interesse, queima feito rastilho de pólvora… Você vai precisar de um ego muito bem treinado para se enganar desta forma.
  6. Ah, sim. A desculpa dos enlatados inundando as bancas, não cola mais. Lamento.
  7. Cada vez sê lê menos? Fato. Cada vez se lê menos em suportes e mídias tradicionais? É uma tendência.
  8. A desculpa de ter que trabalhar para se sustentar e não poder se dedicar aos quadrinhos é por demais válida.
  9. Só não me vem chorando depois que ninguém tem interesse pelo seu parco trabalho.
  10. É dá ou desce.
  11. Suspeito que a maior parte dos autores nacionais que tiveram destaque nestes dez anos passados, viviam com os pais ou alguém os sustentava, de alguma forma. Sem problemas – eu queria estar nesta fatia!
  12. Como não existe mercado, não há salários e produção contínua, nem amadurecimento por parte do autor. Sem amadurecimento, a obra do cara não cresce em leitores.
  13. Baita círculo vicioso.
  14. Complicadíssimo sair dele – mais fácil é se iludir e se achar um Frank Miller ou um desenhista qualquer que você curte.
  15. Mas no mundo real, quem decide isso são os leitores – não aqueles seus dez amigos, não você. Se você não tem leitores suficientes… Well. Ficamos restritos a autores apaixonados/amadores que não pensam seu trabalho de forma mais comercial (até porque ela não existe). Quem vai culpá-los?
  16. Para crescer como autor, a coisa vai ter que ser por amor. Por um bom tempo. Até achar o caminho: leitores. Lamento.
  17. Amar é não pedir nada em troca. Muito menos reconhecimento.
  18. O álbum de histórias em quadrinhos brasileiras que mais vendeu nos últimos anos deve ter alcançado, uns dois mil exemplares. O autor deve ter ganho entre 8 e 12 mil reais. Há quem diga que mal vendeu quinhentos exemplares. E até me destilaram que ele topou publicar de graça (espero sinceramente que não seja verdade)!
  19. É um trabalho de um ano ou mais. É normal um trabalho destes, no Brasil, levar três anos de produção. Alguns demoram até cinco anos.
  20. Agora pegue o que ele ganhou e divida pelo tempo de trabalho. É. Qualquer desenhista razoável ganha mais que isso em uma agência de publicidade, escritório de design ou produtora de vídeo. Mesmo as furrecas. E por mais escravizado que ele seja nestes lugares, é menos trabalho que um projeto destes. Claro, não estou escrevendo agora sobre realização pessoal.
  21. Na última década não devem ter havido cinco autores nacionais que alcançaram metade deste marco – em vendas e valores. Estou desconsiderando, obviamente, obras infantis/humorísticas e vendas para o Estado.
  22. O(s) autor(es) que consegue lançar um livro, o faz(em) por interesse próprio – está a fim de contar as histórias deles, não aquelas que seriam assimiladas por uma grande massa. Não vejo absolutamente nada de errado nisso. Eu mesmo queria poder fazer isso.
  23. Histórias autorais são nichos, uma parcela que existe dentro dos tipos existentes de quadrinhos. Cada um objetiva o que quer. E tem o retorno que merece. O interessante é que trabalhos autorais são normalmente uma minoria, dentro do universo/mercado de publicações nos quadrinhos – mas no Brasil são a supremacia atual do que é publicado, quando se refere a autores nacionais. Ah, sim. Não existe mercado, então estamos apostando na elite que compra quadrinhos. O que acho um bom negócio, não extamente uma boa idéia.
  24. Culpa das editoras? O investimento para lançar um autor brasileiro nacionalmente é muito maior que comprar quadrinhos estrangeiros. E com muito mais riscos. Vocês comprariam um gibi do Alan Moore, Grant Morrison ou do Daniel Mané?
  25. Claro que há politicagem na publicação e em editoras. Em que mundo você vive? Existe politicagem até na compra e venda de carnes, pro açougue mais fuleiro. Você não vai fugir dela, em nenhuma área. Mas com um trabalho acima da média, você fura a politicagem.
  26. As editoras são livres para fazerem o que quiserem – vivemos em um estado capitalista, se você ainda não percebeu.
  27. A saber (tem muita gente que nem faz idéia do que é o capitalismo), este regime basicamente permite que você trabalhe no que quiser, ganhe o quanto puder e gaste esta grana no que der na telha. Obviamente, há leis que gerenciam e limitam esse monstro, como em qualquer regime – então não seja mala. Injusto? Com certeza – tudo feito pelo homem é. Mas prefiro este regime a um que limita no que você pode trabalhar, até quanto vai ganhar e não deixar gastar no que quiser.
  28. Então depende de você, e apenas de você, correr atrás do prejuízo. Você quer? É contigo – corre atrás. Chorar, lamento, não adianta. Não vão te dar (ou comprar) teu gibizinho, só porque você quer. Ninguém se interessa por choradeira – agora, por um trabalho bem feito, é possível. Quem decide o que é bom, pode até ser você – mas quem paga pelo seu trabalho é o leitor, então… bom, deixa prá lá.
  29. Agora, se você quer imprimir (ou participar de) um gibi e ninguém está interessado em bancar, por menor que seja o valor ou a tiragem, não existe a possibilidade do trabalho… não for bom? Enviei Muertos a umas três editoras – nenhuma se interessou. Gosto de pensar que o desenho não estava a altura da história, mas resigno-me ao fato que meu trabalho não teria boa aceitação – não venderia o suficiente para valer a pena.
  30. Incrível também como o quadrinhista brasileiro acha que o caminho é conseguir verba pública.
  31. Quer dizer… pode até ser – prever o futuro é estupidez. Acho bem legal o Estado colocar HQs na escolas, como meio narrativo ou ainda, educacional.
  32. Mas me pergunto: se não há interesse por parte da iniciativa privada (entenda-se: de uns poucos) colocar dinheiro em um projeto destes porque não há público, mercado etc e não haveria retorno, por quê seria correto torrar grana da união (entenda-se: de todo mundo) em algo assim?
  33. Há quanto tempo isso é feito no cinema nacional mesmo? Quantos destes projetos se pagaram?
  34. Ah! Aquele projeto se pagou? Então não precisa de verba pública, ora bolas!!!
  35. Aindassim, a desculpa de ajudar, de ser uma iniciativa, é válida.
  36. Mas é isso, uma iniciativa: uma coisa é capacitar, auxiliar inicialmente para que depois se caminhe com as próprias pernas. Outra é sustentar, viciando no investimento sem cobranças, objetivos e responsabilidades. Sem rodinhas, por favor, a certeza do futuro está em pedalar sozinho.
  37. Não há almoço grátis – alguém está pagando por ele. E se está pagando, tem de ter retorno, senão é insustentável.
  38. Enquanto isso, vou me inscrever em algum edital também.
  39. Distribuição. Grande problema.
  40. Envolve muita grana, muito risco. Coisa que ninguém sensato faria. Ricos e idealistas são poucos hoje em dia. Isso existe mais em mercados caóticos. Estamos em uma economia estável e muito bem calculada sobre custos/benefícios.
  41. O Brasil já teve uma economia caótica. Curioso como nessa época haviam tiragens tão altas, não?
  42. Eu sempre me pergunto como conseguiram abandonar (ou eliminar) tantos leitores entre as décadas de sessenta e oitenta. Não consigo nem imaginar um boa resposta sobre isto, por mais que me esforce.
  43. O negócio é internet, distribuição alternativa, segmentada, associada a pequenos distribuidores de produtos variados e semelhantes (ou nem sempre). Juntar-se a outros e trocar figurinhas. Sofrido. Demorado.
  44. O trabalho autoral independente imprime em gráfica as suas revistas – de quinhentos a mil exemplares. Estas cópias podem demorar anos para escoarem, atualmente. Muito trabalho, muito tempo. Tem que estar a fim. Não acho o melhor caminho, mas pode dar certo, tendo saco, tempo e grana. Com sorte, muita sorte, você empata ou tem pouco prejuízo.
  45. Animador?
  46. Super-heróis (brasileiros). Tema delicado. Não tenho nada contra. Sério.
  47. Não há dúvida que para, efetivamente viver de quadrinhos – por mais que poucos meses ou anos, você tem que criar seu universo, seus personagens (heróis, mangá, infantil, etc). Mas sempre algumas coisas me vêm à mente quanto a isto… e elas se aplicam a qualquer temática, estilo etc – vou usar ‘heróis’ porque sempre leio muito sobre isso.
  48. Muitos choram que as editoras não tem interesse nesse tipo de coisa. Será? Ok – você faz gibi de heróis… mas desenha como o Marc Silvestri? Olha o ego…
  49. Ah, desenha igual? Tudo bem, eles não querem o Marc Silvestri, porque eles já tem o Marc Silvestri. E sai muito mais barato que você. E é provável que ele seja mais conhecido também…
  50. Sinceridade: por que alguém se interessaria num personagem (brasileiro ou não) com os poderes do Super-Homem, com a roupa do Spawn com as histórias do X-Men? Bom, você talvez até goste deste tipo de coisa, sem problema – é um mundo livre. Uma coisa é usar o deus grego Morpheus outra é usar o personagem/histórias criadas por Gaiman no Sandman.
  51. Já eu, preferiria os originais.
  52. Aí vem a questão. Você é original? Eu não sou.
  53. É muito difícil ser original. Precisa de muito trabalho, muito tempo e nenhuma choradeira. É mais fácil usar a estepe de outros (personagens, histórias etc) e chorar. Ou fingir que é original. Os estrangeiros mesmo vivem se ‘inspirando’ entre eles – não é uma característica regional, não se preocupe. Lá fora, quando a cópia dá certo, usualmente é porque seus autores já são famosos e possuem seu séquito que os sustentem.
  54. No fim eu não choro (mais). Estou nessa de HQB há menos de um ano, mas aprendi bastante. Parei de chorar.
  55. Quadrinhos, no Brasil, é passatempo.
  56. Como croché, artesanato, quebra-cabeça de 10 mil peças… a maioria dos caras que fazem quadrinhos no Brasil trabalha com outra coisa e quando dá, faz um quadrinho ou outro.
  57. Por que eu não fui fazer croché?
  58. Vendo a bagaça como passatempo, você não cria ilusões – ser amado, premiado, remunerado blábláblá. Não criando ilusões, você não se desilude.
  59. Tem muita gente que faz desta forma (um passatempo). Como um bom passatempo, você faz e joga prá dentro da gaveta.
  60. Não há como ter idéia do tamanho, quantidade ou qualidades de HQs feitas assim – elas não saem da gaveta, lembra?
  61. Todavia há gente que possui tamanha paixão (leia-se ego) que gosta de mostrar o que faz. Mostra para encontrar seus iguais, para ser elogiado, para ter maior conhecimento da existência do seu trabalho. Normal. Busque sites/blogs de artesanato na internet.
  62. Este site é um exemplo disso.
  63. Há aqueles que não somente satisfeitos em ter um site, propagam pelos mais diversos meios digitais sua existência (olha eu de novo). Querem que suas histórias sejam mais conhecidas. É a velha máxima: qual o sentido de contar histórias senão para alguém ouvir? E também querem mais elogios, óbvio. Faz parte da brincadeira. Já que, dinheiro que é bom…
  64. O problema é que de toda ação, vem uma reação (sic). E esta reação pode ser… nada. Nenhum acesso, nada de links, nadica de nada.
  65. O que significa isso? Que você está a frente do seu tempo? Pode ser. Que você é um incompreendido? Com toda a certeza do mundo. Mas – se o seu interesse é ser compreendido, lido, sai de baixo da cama, pare de chorar e faça algo que gere interesse, acessos e links. Ou não. Ah: ter leitores das porcarias que você escreve sobre o trabalho alheio e não leitores da porcaria do trabalho que você escreve/desenha, acredite – não é um bom negócio…
  66. Mas cada um vive na realidade que lhe convém ser mais feliz.
  67. A propósito: pare de ler isso aqui e vá ler as HQs que eu fiz!
  68. Por favor?
  69. Pelamorde…?
  70. Outra reação possível é a opinião alheia. Ela é sempre bem-vinda quando positiva e um um desastre quando negativa? Muito pelo contrário.
  71. Melhor um carrasco que te decapita a um ‘amigo’ que faz você queimar lentamente na fogueira. Dói mais, ao meu ver. É muita presunção achar que todos irão amar o que você faz. E pior ainda é destratar aquele que – educadamente, diz que não gostou do seu trabalho.
  72. Claro que há de se separar o joio do trigo. A opinião pode ser ofensiva e desnecessária e isso não é opinião: é xingamento. Chamar o cara de idiota, imbecil (para não cair nos termos de baixo calão), torna a crítica muito pessoal e completamente irrelevante.
  73. Já vi boas resenhas (nem sempre tão positivas) de trabalhos que se estragaram por chamarem o autor de panaca… ou algo pior. É comum confundir o trabalho e o autor. É comum ter mais gente disposta a escrever mal de alguém ou algo do que encontrar um disposto a apoiar. Apoio dá mais trabalho, é comprometedor e pode ser vexatório. Destruir é rápido e indolor.
  74. Gostar ou não gostar sem dizer porquê complica tudo e tem de ser mágico para entender uma opinião, tirar o melhor proveito dela. Boa ou ruim. Mas ouça/leia de qualquer forma. Sempre.
  75. Se forem opiniões negativas, não fique arrasado, não desista, não desanime. Se quiseres começar a ter retornos mais positivos, muito pelo contrário: faça melhor. Faça mais. Traga uma resposta no seu trabalho. Não em respostas à opinião. Mas isso depende de você e do que você quer. Você pode inclusive se cercar de amigos que só te querem bem e nunca o criticam de fato. Qual o problema nisso?
  76. O caminho que for, dane-se o mundo. Siga o caminho que te faz feliz.
  77. Tem gente mais doente ainda que busca a crítica especializada. Manda seus trabalhos a jornalistas, revistas e sites.
  78. Tipo eu.
  79. Antes de mais nada – não são os desenhistas ou escritores uns babacas convencidos. Uns exibidos insuportáveis. Como escrevi dia destes no Orkut, quando estamos entre nossos pares, tentamos sempre parecer mais que somos – nos mais diversos aspectos pelos mais estranhos motivos. Cerceando pelo tema (área de atuação), é só olhar qualquer encontro de professores, engenheiros, advogados, administradores, médicos, publicitários etc. Percebe-se um certo ódio e arrogância entre colegas de profissão. O ego não cabe apenas aos quadrinistas (eu prefiro quadrinhistas – de quadriNHos), ele é natural, uma característica da condição humana.
  80. Voltando. Essa crítica pode vir (o cara publicar no site, revista, jornal etc) ou não. Se não vier, quer dizer que você não se encaixa no perfil da publicação (o Omelete não é o inimigo – eles publicam o que querem, pô!) ou o seu trabalho… bom, você sempre pode recorrer à lógica da raposa, onde as uvas estão verdes. Aliás – só o fato de se dar ao trabalho ao apresentar alguma análise de um trabalho suspeito como o meu, como aconteceu em Muertos, é prova que há o interesse dela (a crítica) em alavancar nossos próprios criadores. Nenhum crítico é obrigado a ceder espaço com material brasileiro. Não se esqueça disso nem dos que o fazem.
  81. Acho muito complicado criticar. Tanto que parei com meus achismos sobre outros trabalhos. A crítica especializada, o jornalista, tem o dever de equilibrar valores, julgá-los e apresentar de forma inteligível, justificada e interessante.
  82. Duvido que alguém tenha lido até aqui, mas este texto é um exemplo claro disto: eu não sei fazer isso.
  83. Na verdade acredito que muito poucos sabem – mesmo entre os ditos críticos.
  84. E é complicadíssimo, ao crítico, falar de HQB. Ele não lê isso, normalmente. E quando leêm é mais complicado ainda – (os bons críticos) provavelmente sabem decor e salteado tudo que escrevi aqui. E aí tudo se torna relativo.
  85. Daí surge a crítica ‘chapa branca’. O que é um baita pepino – pode atrapalhar mais que ajudar por simplesmente tendenciar o leitor ao erro e a decepção. Decepção esta que ele vai, para sempre, associar ao quadrinho nacional.
  86. Uma coisa é divulgar. Outra é falar bem por falar – apenas por ser HQ brasileira. Há também as iniciativas opostas – que pensam ser válidas por humilharem as outras. Ao meu ver, aquele que se considera crítico/resenhista ‘profissional’ não pode produzir quadrinhos. Ao também fazer HQ, toda sua visão fica comprometida e é comum que suas críticas sejam aplicadas… a eles mesmos! O crítico que escreve sobre você hoje é aquele que te convidou pruma parceria ontem (e você não pôde aceitar seja qual motivo for): bom, eu não queria estar na tua pele.
  87. Criticar não é puxar o saco. Também não é falar mal. É interpretação. E muito poucos conseguem interpretar coisa alguma. Eu já vi de tudo: inclusive crítica escrita por gente que não leu o trabalho analisado.
  88. Sério.
  89. Sim. Há muita picaretagem no meio. Amigos dos amigos. Ego. Eu sei: é impossível fugir do ego (ele serve entre tantas outras coisas, como ferramenta para ter a consciência de que… bom, se existe). Ele é humano e em boa parte, responsável por avanços, evoluções, insurreições ou revoluções. O que é bom.
  90. Mas há o ego prejudical, malicioso. Aquele pelo qual se usa os outros apenas para se dar bem, pelo qual se fala mal do alheio, para colocar alguém para baixo e fechar portas que nada interessariam ao detrator.
  91. Isso é normal em um mercado – competição e tals. Mas… não existe mercado! Ninguém ganha grana e todos perdem com este tipo de atitude! Falar mal do cara ao lado, que faz quadrinhos nacionais – existindo tão poucos leitores, é falar mal sobre as HQs nacionais! Então acho engraçado. Hilário.
  92. Ajudem-se. Amem-se. Daniel para presidente (ou autor de livros de auto-ajuda)!
  93. Eu tenho predileção por HQB – não fosse não escreveria tanto sobre, nem compraria tanto material nacional. Tenho admiração e respeito por tamanha paixão e heroísmo numa luta inglória e sem medalhas. Fico impressionado quando alguém – sem ganhar um tostão ainda por cima, surpreende com um trabalho de qualidade ímpar. E curto fazer também minhas historinhas, é óbvio. Ali, quando dá. Na manha.
  94. Mas precisamos nos unir de alguma forma, sem iniciativas demagogas, falácias ou meias verdades.
  95. Não precisamos de salvadores. Precisamos de uma visão maior, sobre o todo, que deve ser construída em conjunto. E bons trabalhos que falem por si.
  96. Jamais escreva algo sobre o que expus – ou da forma que fiz. Você acaba por ganhar muitos desafetos.
  97. Mas… e aí? Por que nunca deu certo? Não nos falta sermos mais honestos e abrirmos nossas portas? Para não repetirmos mais os mesmos erros? Não nos falta auto-crítica? O que é outro ponto interessante: não podemos nos criticar? Ter opiniões? Mesmo que diferentes? Você pode ter uma visão diferente da minha e, respeitando-me, não vai se tornar meu inimigo, acredite.
  98. Eu na verdade vou ficar de olho em você, bem de perto. E prezá-lo como alguém (no mínimo, ao menos) que tenta, que pensa. Claro – isso se você tiver algo a dizer, além de xingar os outros. Ou de tramar retaliações por baixo dos panos, entre seus pares.
  99. Nenhum destes pontos acima são indiscutíveis, confirmáveis ou criveis. São meus achismos, até agora. Posso mudar de opinião amanhã. Faço isso o tempo todo. Tenho a ilusão que corro à busca de amadurecimento. Ego, com certeza.
  100. Duvido que alguém leia isto. Muito grande. Nem eu leria. Quem está interessado? Nem eu estou!

Ok, esta última é mentira. Mais uma, entre 100.

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Buenas 2009

DS diz (31.12.2008 | 23:09):
ainda estou pensando sobre o q perguntaste…
2008
diz (31.12.2008 | 23:15):

bom, ruim ou neutro?
DS
diz (31.12.2008 | 23:21):

sinceramente não sei
2008 diz (31.12.2008 | 23:22):
well, aposto q você nunca teve tantos leitores
2008
diz (31.12.2008 | 23:22):

isso é positivo
DS diz (31.12.2008 | 23:27):
é. fiz um trabalhinho – me livrei de fantasmas e até fui bem aceito. eu acho. no fim a gente sempre tem esperança, mas nunca sabe de verdade
voltei a ler quadrinhos. descobri muitas coisas… aprendi muito
DS diz (31.12.2008 | 23:27):
soube de iniciativas legais e que mesmo nelas nem sempre tudo é tão legal
estamos todos tentando… mas também não precisamos nos matar no processo…
não sei – ficou um gosto meio amargo na boca
DS diz (31.12.2008 | 23:28):
atualmente, não creio que seja possível viver de quadrinhos – mesmo a médio prazo…
2008 diz (31.12.2008 | 23:30):
é
2008 diz (31.12.2008 | 23:31):
mas ainda acho ser possível
2008 diz (31.12.2008 | 23:31):
é um quebra cabeça
DS diz (31.12.2008 | 23:33):
sonhos foram construídos e destruídos
2008 diz (31.12.2008 | 23:35):
você aprendeu muito nestes 6 meses
e no fim, isso que conta
2008 diz (31.12.2008 | 23:35):
isso que me torna bom
DS diz (31.12.2008 | 23:39):
mas no fim… não dá prá viver disso
além disso, tem muito ego de gente que nem paga é e só perde nesta politicagem
estraga a brincadeira. acho que todos perdemos com isso
e aí vem o gosto amargo
2008 diz (31.12.2008 | 23:46):
besteira. politicagem sempre vai existir. em tudo que é lugar
está reclamando porque a politicagem não beneficiou você
e
well, ninguém disse que eu seria fácil ou justo
2008 diz (31.12.2008 | 23:47):
nem que você iria conseguir ganhar a vida fazendo HQ…
DS diz (31.12.2008 | 23:48):
é. você está certo. mas foram ótimos meses, eu admito
DS diz (31.12.2008 | 23:48):
parabéns
2008 diz (31.12.2008 | 23:49):
obrigado
2008 diz (31.12.2008 | 23:52):
planos prá quando o outro chegar?
DS diz (31.12.2008 | 23:53):
Tive algumas idéias. Mas… sem muita esperança, sem muita expectativa. Uma coisa que aprendi com você é que planejamento nesta área de histórias em quadrinhos, no Brasil, é perda de tempo
2008 diz (31.12.2008 | 23:53):
:D
2008 diz (31.12.2008 | 23:57):
bom. Acho que vou nessa
DS diz (31.12.2008 | 23:57):
é. eu vi. vou sentir sua falta
2008 diz (31.12.2008 | 23:58):
estarei sempre na lembrança, DS. vc não admite, mas fui ótimo desta vez. Espero que o outro também o seja
DS diz (31.12.2008 | 23:58):
ok, ok. Obrigado
2008 diz (31.12.2008 | 23:59):
: )
2008 diz (31.12.2008 | 23:59):
hasta!
DS diz (31.12.2008 | 23:59):
adeus 2008
2009 diz (01.01.2009 | 00:01):
buenas DS!

* obrigado ao Rodrigo Soldado que, involuntariamente (e sem saber ou ser consultado), ajudou nisto tudo

Decifra-me ou não te leio

Eu tenho uma quantidade de acessos absurda. Ao menos para a média de sites de quadrinhos. Eu acho, ao menos. Não – não é um milhão por dia. Eu sou apenas um babaca desconhecido. Agradeço a todos que visitam o babaca desconhecido que vos escreve.

Abri este site prá publicar 10 Centavos online. E abandonei. Voltei (mais de ano depois?) com Muertos. Depois de Muertos o site alcançou uma quantidade de visitantes diários que anteriormente só alcançava em 3, 4 meses.

Com Nada a Perder, está sendo maior ainda a visitação. Não confunda visitas com pageview/páginas visitadas/hits. Pesquise no Google para saber qual a diferença. É capaz de dobrar a quantidade de visitantes com a HQ do sr. A. Moraes (mérito do sr. Moraes).

Hum. E daí? Quero me exibir? Cadê os números? Onde estão as provas?

Do início. Fiz 10 Centavos e Muertos por passatempo. Diversão. Queria ser visto por mais gente que as versões impressas permitiriam, claro, e por isso fiz o site – mas a realidade que me trazia ao chão, apontava que não seria muito mais que isso. E, em Muertos, até que foi. Antes que me joguem pedras sobre exibimento, quem não quer ser notado sequer fala. Ou escreve. E muito menos desenha.

Todavia, lentamente, comecei a levar a sério a parada. E o primeiro ponto destoante que percebi foi a quantidade de comentários a cada página publicada. Ok, o Google Analytics (uso 3 sistemas de estatísticas diferentes – sou um doente, eu sei) me avisa quantas pessoas vieram, prá onde foram e por quanto tempo ficaram – ele até compara com sites de perfis semelhantes. Está tudo um mar de rosas segundo o Google.

Mas e os comentários?

A quantidade de comentários não batem com a quantidade de acessos e tempo que o leitor fica aqui pelo site – e mais uma vez, agradeço a você por isso. Não, não espero que escrevam: “você é ótimo”, “é o melhor trabalho que já li” ou megalomanias do tipo. Mas percebi a falta do “li”, do “ok”, do “legal saber que seu trabalho existe” (é uma bela duma porcaria, mas existe). Ou mesmo as pedradas – “que porcaria”, “nunca vi algo tão ruim” etc para manter um determinado verniz social. Pessoal, vocês podem não gostar de detrminado trabalho, mas expor suas opniões em baixo calão é se rebaixar mais que o trabalho porco que você odiou.

Fui olhar à volta.

Vejo que muito do que é publicado por aí – impresso ou digital, é feito no amor, na paixão. Inclua-me aqui. E como tal, encontram outros enamorados que acabam por se juntar em tamanha paixão não-correspondida. E daí pululam os comentários nos fotologs, blogs e sites da vida: “ótimo”, “fantástico”, “você é o cara”. O pessoal que comenta são outros ‘produtores’ (escritores, desenhistas, editores etc). E mais que amigos, são seus parceiros na produção – no fim, estes são responsáveis por boa parte do cara continuar trabalhando feito um camelo, sem ganhar nada, fazendo suas histórias em quadrinhos por puro prazer. Tenho absoluta certeza que todos estes colegas que comentam não são apenas lembrados, mas também estão na preces diárias de cada “dono de um site”. Estão nas minhas preces, ao menos.

Mas… e o ‘apenas leitor’? Aquele que não produz HQ e acabou no seu site, para ler seu trabalho? Onde estão seu comentários de “primeirão”? Eu mesmo pouco comento em sites alheios, então não espero que façam diferente de mim. Mas este tipo de comentário é importante se você começa a levar a coisa a sério. Eu não levo – mas algo em meu espírito começa a principiar o contrário. O ‘apenas leitor’ possui peso fundamental. Se não há comentários de vocês (ou deles – agora me confundi) significa que você (ou eu, no caso) está no caminho errado. Porque nem o trabalho de dizer que estava ruim, seu leitor quis escrever no site, post etc.

E aí – você está nos quadrinhos por ego ou por alcançar leitores do seu trabalho? Leitores das histórias que você conta. Em quadrinhos.

Bom, seja qual for meu caminho, obviamente estou no errado.

Ao fazer histórias em quadrinhos…

eu sempre recordo de coisas que aprendi nestes anos. Seguem as coisas:

  1. Ninguém te obriga a fazer HQs.
  2. Não, você não terá o carro do ano nem beberá aquele bom uísque fazendo histórias em quadrinhos.
  3. Ninguém vira um gênio dos quadrinhos com apenas uma obra (a mídia e a crítica pode até dizer o contrário – mas dá meia década prá ver se o cara é lembrado).
  4. A única forma que conheço para aprender a fazer quadrinhos, é fazendo quadrinhos. E muitos.
  5. Cursos, técnicas e materiais não farão de você um grande quadrinhista.
  6. Ninguém consegue viver de quadrinhos no Brasil (feitos e publicados aqui). Ok, não me venham com a exceção – ela deve existir para confirmar a regra.
  7. Poucos vivem de HQ por mais que uns poucos anos (no mundo inteiro).
  8. Podem haver vários motivos para as HQs (produzidas e vendidas) no Brasil não frutificarem, mas na minha lista não constam nem editores nem leitores. Ou – se constarem, devem ter um peso mínimo ou perto do zero.
  9. Na verdade eu considero os maiores culpados os próprios autores.
  10. Não, não vou justificar este último ponto.
  11. As editoras não são o demônio, apenas querem o maior lucro possível com o menor custo alcançável. Como toda empresa que têm de pagar seus funcionários do próprio bolso. Em qualquer área.
  12. Ninguém é obrigado a gostar do seu trabalho.
  13. Nem as editoras, nem a crítica, nem os leitores são obrigados a falar (bem ou mal) de você. A única forma de ganhar (e manter) seu espaço é pelo seu trabalho. Não importa o que você fala ou pensa.
  14. Ninguém é obrigado a comprar seus fanzines/edições independentes/revistas.
  15. Os leitores compram o que gostam, o que consideram bom (nos seus mais diversos e subjetivos valores de “bom”).
  16. Ok. A distribuição/distribuídores no país é um baita pepino.
  17. O mercado de HQs existe – pode ser pequeno, mas ao olhar uma banca qualquer, os quadrinhos estão lá.
  18. Poucos trabalhos são tão demorados, complexos e desgastantes quanto fazer uma história em quadrinhos.
  19. Vá fazer medicina ou direito. E tenha o carro do ano e aquele bom uísque que você gosta.
  20. O desenho pode ser o corpo de uma HQ. E ele deve ser atraente para a proposta que se escolhe. O primeiro olhar que gera o interesse é o corpo. Mas antes de quadrinhos é história. E a história é a alma de uma HQ. E, na maioria das vezes, amamos e lembramos por toda uma vida da alma, não do corpo. Ok, adolescentes, esqueçam o que eu disse.

Ao recordar todos estes meus estimulantes (pre)conceitos, deixo o lápis de lado e vou ver TV, estudar, ler um livro. Qualquer coisa. Menos desenhar.

Ninguém me obriga a desenhar quadrinhos.

Quadrinhofilia

Ah. É realmente um prazer receber uma edição destas em casa. Maior ainda é ler um trabalho tão bem feito, com tamanho cuidado e edição. E olha que Quadrinhofilia é a coleção de histórias mortas, “de gaveta”, do sr José Aguiar – como ele mesmo expôs, mas que não foram feitas para este fim.

Sorte do leitor.

A edição é um requinte por si só – com direito a páginas para divisão das histórias e diagramação caprichada. Visualmente perfeita. Os quadrinhos são muito, muito bons. Li e reli – tanto as HQs quanto seus textos introdutórios e conclusivos.

Passei por um ou outro trabalho do sr. Aguiar, mas de fato não o havia marcado como fiz agora. Nesta edição ele faz um compêndio de suas histórias em quadrinhos da última década. Em tantos belos e diversos estilos e temas. Um mesmo homem. Seja narrando histórias sozinho ou muito bem acompanhado – com Fernanda Baukat, Abs Moraes, Gian Danton ou ainda adaptando obra de Sabrina Lopes, todos os quadrinhos tem o comprometimento de passar seu recado, em seus respectivos estilos e técnicas.

Nas cerca de oitenta páginas nos debatemos com um José Aguiar solto, misterioso, fantasioso, erótico, biográfico, divertido, reflexivo, questionador ou simplesmente viajante (graças ao bom pai, não muito deste útlimo). As HQs focam diversos objetivos e, a cada um, o sr. Aguiar nos mostra uma faceta sua com uma arte específica e a preocupação de tornar seus traços condizentes com a história que está contando.

Lá pelo meio da revista eu já estava preocupado – faltavam datas de cada HQ e alguma informação a mais sobre todo este trabalho. Ao concluir a leitura de todas as histórias em quadrinhos, fui gratificado: no fechamento da revista o autor traz um texto sobre todo o projeto e sua produção. Bom que ele não ficou chorando ou se lamentando do mercado brasileiro e coisas comuns a editoriais da produção nacional. Inclusive há uma HQ neste livro que fala justamente sobre isto – beirando à genialidade, vai surpreender todo aquele que acredita entender alguma coisa do mercado nacional de quadrinhos. Eu, ao menos, ainda estou refletindo a respeito da história.

Inicia o pósfácio sobre seu trabalho largando “de que adiantam se não chegam aos olhos dos leitores?” – sem lamúrias, como este recorte possa parecer, lá no meio admite que “10 anos atrás, eu perseguia a idéia de produzir algo com cerca de 80 páginas de quadrinhos”.

Para a minha sorte, José Aguiar conseguiu.

Fanzines que recebi¹

Após a distribuição de mais de 300 cópias de Dez Centavos pelo QI – de Edgard Guimarães (bela foto), recebi gentilmente de alguns leitores, seus fanzines ou mesmo revistas/edições independentes em que possuíram alguma participação. Vou listá-las aqui. Hm. Peraí. Vou alí pegar pegar um cigarro na esquina e já volto.