Menos do mesmo
A vida anda meio estranha e o tempo escasso. Nem comento da minha paciência. Por isso a bagaça anda abandonada por aqui. Mas minha vontade de contar histórias (em quadrinhos) continua alta. Ao contrário de ficar chorando as pitangas, estou buscando alternativas para continuar… narrando visualmente. O jeito era desenhar mais rápido… ou desenhar menos. Optei por rascunhar alguns quadrinhos com o mínimo de recursos ‘ilustrativos’ (entenda-se linhas) possíveis… mas ficou… tosco. Solução?
Cor.
Eu sempre colori uma ou outra página das histórias em quadrinhos que ajudei a produzir. Mas nunca me agradei do resultado, então nunca os postei. É difícl eu me agradar. Não me refiro aos outros. A mim mesmo. Mas admito que a cor dá um charme todo especial à criança. Ela, a cor, salva muitos trabalhos ruins (como os meus). Um exemplo do que falo está abaixo – testes com Nada a Perder que nunca passaram disso: testes.

Abaixo outra experimentação, utilizando o mínimo de risquinhos. E apelando para que a colorização me salvasse. Não salvou. Então fui prá outro estilo. Você pode verificar o resultado que adotei presta nova HQ – Um Imbecil Decidido, assinando os feeds, se você se interessar em acompanhá-la.

E viva o Photoshop.
É viver
Decidi participar do Nossas Expressões. A saber: é um evento organizado pelo grêmio estudantil da universidade federal daqui – seu objetivo é apresentar a produção contemporânea da cultura local. Seria uma oportunidade a mais de, sacumé, exibição (no sentido egocêntrico de ser). Pensei imprimir Nada a Perder em um A3 e entregar à comissão, para que ela exponha onde ela quiser expor (parece que os trabalhos terão vários locais de exposição, cidade afora).
Fui no site, baixei a inscrição e comecei a preenchê-la. Beleza. Nome, endereço, e-mail etc. O último item tinha a seguinte pergunta:
Você faz seu trabalho pra quê? Pra quêm?
Intrigante. Fui ver o regulamento – lá estava esclarecido que o não preenchimento da questão anularia a inscrição. Deus do céu! Eu não sei quem elaborou essa questão mas devo meu parabéns a ela. Mais direto ao ponto impossível. Acredito que esse é o enigma da esfinge de quem produz.
Neste ritmo, tenho certeza absoluta, que a pergunta da próxima edição do Nossas Expressões será: qual é o sentido da vida?
INTERLÚDIO
Tenho uma mente fértil. Do tipo chão adubado com esterco de galinha.
Um dia eu e minha mente fértil fomos a um evento imaginário de quadrinhos. Lá tinham seus leitores imaginários, vendedores imaginários e autores imaginários. Por fim um autor (imaginário, é claro), se aproximou e perguntou:
- Tu é o cara de Santa Maria, certo? O do Muertos.
Sorri, com meu sorriso amarelo (eu fumo prá caramba) contumaz e confirmei, discretamente. Ele continuou, em nossa conversa imaginária:
- Então cara, estou lançando minha revista independente também. Tu vai ver que ela vai ser sucesso. Já tô bem conhecido no país e tô com em contato com várias editoras – vou ser o próximo autor nacional famoso. Tu tem que ver os desenhos irados que eu tô fazendo!
Minha mente fértil retrucou – em pensamento, é claro.
- Muertos é um fanzine impresso em gráfica – só isso. Que diabos é uma revista independente?
Ela continuou me atormentando:
- Sucesso? Que sucesso? HQ brasileira vende menos que pneu recauchutado. Ninguém lê essas porcarias – pega o exemplo daquele autor nacional famoso, ele nunca ganhou nada com isso. Apesar de ser muito bom, nunca vendeu mais que poucas centenas de edições. Aliás – alguém no Brasil já ganhou algum dinheiro com histórias em quadrinhos?
Quando pensei que minha mente fértil ia me deixar em paz, ela arrematou:
- Desenhos irados? Porra! E a droga da história?
Olhei para o autor imaginário ao meu lado e retruquei:
- Com certeza. Vejo que você já tem tudo planejado.
E fui andar à volta. Minutos depois um segundo autor imaginário se aproximou de mim. Este era um autor nacional imaginário famoso, um grandão da atualidade. Perguntou:
- Tu é o cara do Muertos?
Respondi que não. Que eu sequer existia – que era fruto da imaginação dele – e fui embora.
Olhando prá trás percebi que muitos amadores, como eu, se (auto) elegem como a esperança do país, na (futura) produção nacional de quadrinhos. Pior: muita gente aposta neles. Que o Criador nos proteja se isso se tornar realidade.
FIM DO INTERLÚDIO
Como Édipo meia boca, respondi à desafiadora questão:
Sou apenas mais um que conta histórias. Para quem quiser ouvir.
Mas era mentira. Até hoje não sei porque eu faço o que eu faço. Ou prá quem (meus prá sempre têm acento). Ego é uma resposta óbvia e não me satisfaz. Enquanto não sei porquê, continuo fazendo.
Mas já estou pronto para responder, na ponta da língua, a pergunta seguinte – ano que vem.
Nada a dizer
Por mais incrível que pareça, a história em quadrinhos online Nada a Perder foi atualizada.
Praticamente um baluarte dos quadrinhos nacionais!
(Esta foi ótima!)
Hã… era isso.
Atualizações
Página nova da webcomic Nada a Perder.
A coisa anda lenta pros lados de cá. O tesão de fazer histórias em quadrinhos reduz a cada dia. Mas eu sabia que ia ser assim. Tudo sobre controle. Espero.
Quanto a 2008? Só me resta dizer buenas, 2009!
(Como eu queria estar na praia!)
Decifra-me ou não te leio
Eu tenho uma quantidade de acessos absurda. Ao menos para a média de sites de quadrinhos. Eu acho, ao menos. Não – não é um milhão por dia. Eu sou apenas um babaca desconhecido. Agradeço a todos que visitam o babaca desconhecido que vos escreve.
Abri este site prá publicar 10 Centavos online. E abandonei. Voltei (mais de ano depois?) com Muertos. Depois de Muertos o site alcançou uma quantidade de visitantes diários que anteriormente só alcançava em 3, 4 meses.
Com Nada a Perder, está sendo maior ainda a visitação. Não confunda visitas com pageview/páginas visitadas/hits. Pesquise no Google para saber qual a diferença. É capaz de dobrar a quantidade de visitantes com a HQ do sr. A. Moraes (mérito do sr. Moraes).
Hum. E daí? Quero me exibir? Cadê os números? Onde estão as provas?
Do início. Fiz 10 Centavos e Muertos por passatempo. Diversão. Queria ser visto por mais gente que as versões impressas permitiriam, claro, e por isso fiz o site – mas a realidade que me trazia ao chão, apontava que não seria muito mais que isso. E, em Muertos, até que foi. Antes que me joguem pedras sobre exibimento, quem não quer ser notado sequer fala. Ou escreve. E muito menos desenha.
Todavia, lentamente, comecei a levar a sério a parada. E o primeiro ponto destoante que percebi foi a quantidade de comentários a cada página publicada. Ok, o Google Analytics (uso 3 sistemas de estatísticas diferentes – sou um doente, eu sei) me avisa quantas pessoas vieram, prá onde foram e por quanto tempo ficaram – ele até compara com sites de perfis semelhantes. Está tudo um mar de rosas segundo o Google.
Mas e os comentários?
A quantidade de comentários não batem com a quantidade de acessos e tempo que o leitor fica aqui pelo site – e mais uma vez, agradeço a você por isso. Não, não espero que escrevam: “você é ótimo”, “é o melhor trabalho que já li” ou megalomanias do tipo. Mas percebi a falta do “li”, do “ok”, do “legal saber que seu trabalho existe” (é uma bela duma porcaria, mas existe). Ou mesmo as pedradas – “que porcaria”, “nunca vi algo tão ruim” etc para manter um determinado verniz social. Pessoal, vocês podem não gostar de detrminado trabalho, mas expor suas opniões em baixo calão é se rebaixar mais que o trabalho porco que você odiou.
Fui olhar à volta.
Vejo que muito do que é publicado por aí – impresso ou digital, é feito no amor, na paixão. Inclua-me aqui. E como tal, encontram outros enamorados que acabam por se juntar em tamanha paixão não-correspondida. E daí pululam os comentários nos fotologs, blogs e sites da vida: “ótimo”, “fantástico”, “você é o cara”. O pessoal que comenta são outros ‘produtores’ (escritores, desenhistas, editores etc). E mais que amigos, são seus parceiros na produção – no fim, estes são responsáveis por boa parte do cara continuar trabalhando feito um camelo, sem ganhar nada, fazendo suas histórias em quadrinhos por puro prazer. Tenho absoluta certeza que todos estes colegas que comentam não são apenas lembrados, mas também estão na preces diárias de cada “dono de um site”. Estão nas minhas preces, ao menos.
Mas… e o ‘apenas leitor’? Aquele que não produz HQ e acabou no seu site, para ler seu trabalho? Onde estão seu comentários de “primeirão”? Eu mesmo pouco comento em sites alheios, então não espero que façam diferente de mim. Mas este tipo de comentário é importante se você começa a levar a coisa a sério. Eu não levo – mas algo em meu espírito começa a principiar o contrário. O ‘apenas leitor’ possui peso fundamental. Se não há comentários de vocês (ou deles – agora me confundi) significa que você (ou eu, no caso) está no caminho errado. Porque nem o trabalho de dizer que estava ruim, seu leitor quis escrever no site, post etc.
E aí – você está nos quadrinhos por ego ou por alcançar leitores do seu trabalho? Leitores das histórias que você conta. Em quadrinhos.
Bom, seja qual for meu caminho, obviamente estou no errado.
Terceira página de Nada a Perder
Por essa página da webcomic Nada a Perder nem o sr. Moraes esperava. Nem eu esperava. Acesse a HQ online gratuita aqui.
Nada a Perder
Estava lá eu, num belo dia, angustiado por qual próxima HQ começar.
Sei que queria testar novos estilos, voltar as linhas e aos cenários que o alto contraste das histórias em quadrinhos 10 Centavos e Muertos não me permitiam. Queria também me livrar daquela diagramaçãozinha quadradinha e certinha destes dois trabalhos.
Pensei em engatar um novo projeto do tamanho da webcomic Muertos, mas sinceramente não me deu tesão. 40 páginas de HQ online? Blérgh.
Fui em busca de algo menor. Medo. A gente nunca sabe o que pode acontecer numa situação destas. Já escrevi bastante sobre isso. Implorava uma coisa: que o texto já estivesse pronto. Vá que eu não terminasse o projeto, o argumentista (roteirista?) não me mataria por isso. Um escritor (ok, escritor) mandou prontamente o roteiro de uma HQ de oito páginas – o sr. A. Moraes.
Era um argumento/roteiro, daqueles com descrição quadro-a-quadro, que eu tenho pânico de fazer (sempre disse que eu era um beócio com graves limitações).
Exigências dele? Que eu o adaptasse da forma que eu quisesse. Sem restrições. Que tornasse estes quadrinhos tão meus quanto dele. “Arte seqüencial é colaboração”. Palavras dele. O que mais? Nada. Nenhuma observação. Nadica. Aliás, uma: que eu me sentisse à vontade para quaisquer experimentações – e era justamente o que eu buscava.
Assim é muito fácil trabalhar com alguém. Sem exigências, sem promessas. Mantendo a expectativa dentro de nossas realidades. Assim temos todos muito a ganhar.
Ou mesmo nada a perder.














