Histórias em Quadrinhos • DS.art.br

Daniel Pereira dos Santos


VIP or RIP?

E dentro em breve será o QI do Edgard Guimarães que partirá. Semana passada escrevi sobre ele. Sincronicidade? Recebi ontem o nonagésimo oitavo número. É a primeira vez que Edgard fala abertamente sobre o que acontecerá após o derradeiro número cem.

É intrigante perceber como os zineiros neste país, em dezessete anos de existência do Quadrinhos Independentes, nunca conseguiram se organizar a ponto de ter uma produção crescente ou que interessasse à massa. O que sucedeu – segundo o próprio Edgard, foi o contrário. Nem mesmo os ditos produtores de ‘cultura’ (e eles adoram dizer isso) se interessam pela produção alheia, alternativa ou auto publicada. Interessante como a leitura infantil vai de vento em popa. “Não leio nada, meu filho, mas (sei que) é importante ler”. (!!!). Peraí, melhor: ??? Aliás…que diabos o podcast do Diego Mainardi está fazendo aqui?

Na década de 60 éramos ‘eu existo’. Em 70 foi ‘nós somos’. Na de 80 era ‘eu importo’. Em 90, ‘nós não sabemos’. Agora é ‘não ligo’.  Nosso interesse em entretenimento hoje se restringe a 140 caracteres e vídeos esclarecedores. E que não se paguem por eles. Mesmo que roubado de um 4shared da vida ou um torrent na esquina. Quem ainda paga por música?

É uma tendência curiosa, esse esfarelamento – essa asfixia por falta de interesse e consideração. O mainstream dos quadrinhos (americanos) acabará por morrer? Viraremos todos fanzineiros (traduza por não-remunerados)? O próximo lema é ‘eu gostaria de ser’?

Quero ver essa. Já estou aqui, dentro do camarote, assistindo a bagaça. Desde que use poucas palavras. Ou que não tenha mais de 60 segundos de duração.