Histórias em Quadrinhos • DS.art.br

Silêncio, por favor.


Menos do mesmo

A vida anda meio estranha e o tempo escasso. Nem comento da minha paciência. Por isso a bagaça anda abandonada por aqui. Mas minha vontade de contar histórias (em quadrinhos) continua alta. Ao contrário de ficar chorando as pitangas, estou buscando alternativas para continuar… narrando visualmente. O jeito era desenhar mais rápido… ou desenhar menos. Optei por rascunhar alguns quadrinhos com o mínimo de recursos ‘ilustrativos’ (entenda-se linhas) possíveis… mas ficou… tosco. Solução?

Cor.

Eu sempre colori uma ou outra página das histórias em quadrinhos que ajudei a produzir. Mas nunca me agradei do resultado, então nunca os postei. É difícl eu me agradar. Não me refiro aos outros. A mim mesmo. Mas admito que a cor dá um charme todo especial à criança. Ela, a cor, salva muitos trabalhos ruins (como os meus). Um exemplo do que falo está abaixo – testes com Nada a Perder que nunca passaram disso: testes.

Abaixo outra experimentação, utilizando o mínimo de risquinhos. E apelando para que a colorização me salvasse. Não salvou. Então fui prá outro estilo. Você pode verificar o resultado que adotei presta nova HQ – Um Imbecil Decididoassinando os feeds, se você se interessar em acompanhá-la.

E viva o Photoshop.

Haiti

Há um ano e meio atrás, graças ao trabalho que fiz na Turma do Ique, fui chamado para um projeto que trataria sobre o Haiti. Era bem na época que muitos soldados brasileiros (inclusive daqui de Santa Maria) estavam na dita missão de paz da ONU. Prá resumir, a idéia era produzir um livro ilustrado com um olhar sobre o local e sua política. Tentaram levantar verba nem lembro de onde, mas – enquanto a grana não vinha, pediram uma imagem para apresentação/venda do trabalho. Como era um projeto meio altruísta, fiz na boa vontade – coisa que um ilustrador profissional (quem vive disso) JAMAIS deve fazer. Saiu a ilustração vetorial + Photoshop (bem Ziraldo, diga-se de passagem) abaixo.

Haiti

Nunca mais tive um retorno sobre este projeto, desde que entreguei este desenho. Nenhuma satisfação ou contato – nem mesmo tomei conhecimento de que fim deu.

Moral da história? Altruísmo não paga as contas e de boas intenções…

Turma do Ique – V

Turma do Ique é uma história quadrinhos institucional feita toda em vetor.

Devo ter decidido fazê-la no Corel porque nunca tinha feito algo assim e porque me parecia difícil. Jovens – tanta energia…Foram mais de 450 mil pontos que editei, um a um. Hoje talvez eu fizesse esse mesmo trabalho com a metade de pontos e o mesmo resultado, mas estava aprendendo na época…

A coloração dos personagens fiz em Corel e a dos fundos em Photoshop. A resolução e o tamanho da imagem nesta (agora) webcomic/HQ online talvez não permitam distinguir, mas em cada fundo (de cada quadrinho de toda história) há a textura de um papel reciclado diferente. Foi uma decisão típica que se faz quando se é estudante.

Hoje… faria tudo de novo, igualzinho. Mas melhor.

Próxima atualização: assine as atualizações daqui, aqui ou aqui e saiba quando sair a próxima página.

Aprenda a desenhar!

Se você desenha, vez ou outra já deve ter ouvido: como aprendo a desenhar? Quais são os materiais que você usa? Que curso você fez? Qual é o sentido da vida?

Seu problemas acabaram! Segue aqui passo-a-passo do meu “processo” e material que utilizo, para sanar de vez questões tão pertinentes:

1. Pego um bloco de notas vagabundo que ganhei de alguma empresa (sim, aqueles pequeninhos que tem uma marquinha d’água).

2. Utilizo alguma caneta esferográfica comum (uma BIC é muito sofisticada para mim) que ganhei de brinde de alguma empresa (sim – aquelas que tem uma marquinha da empresa e que param de funcionar na segunda semana).

3. Faço um elaborado desenho de base, como mostrado abaixo. Demoro um tempão nisso – algo em torno de um a três minutos. Até uma terceira perna surgiu no exemplo abaixo, pois estava em dúvida na posição da personagem.

Esboço

4. Pego o rascunho e digitalizo num scanner sucrilhos – daqueles que custam uma fortuna do tipo R$ 100,00. Scanner sucrilhos era como o Volnei que chamava. É que de é tão vagabundo, você compra um sucrilhos qualquer e dentro vem o scanner. Quem é Volnei?

4.1. Estou fazendo Nada a Perder no formato 30cm x 45cm em 600 DPI. Um exagero, eu sei. Acredito que para trabalhos amadores/independentes/autorais/ruins (chame como quiser) como os meus, você precisa de apenas um quarto desta resolução. Mesmo os profissionais usam metade disso, acho. Sou um exagerado. Como curiosidade, esclareço que o temporário deste arquivo pode chegar a 1Gb, quando a página está concluída. Só faça este tipo de estupidez, se você tiver uma máquina que comporte isso – ou você vai sofrer. Segue abaixo o fomato de página que eu uso. Não esqueça das áreas de “sangramento”. Áreas extras necessárias para impressão, mas que serão perdidas – não coloque informações/desenhos importantes nela. Abaixo duas imagens – o formato da página (o tal do “formato americano”) e um detalhe da área de sangramento (0,5cm) e área principal – o quadrado central, onde usualmente se coloca o texto, informações e desenhos importantes. Este formato e medidas não são ‘oficiais’ – são as que eu uso. Faça um curso para descobrir as medidas exatas. Ou pergunte para um profissional.

5. Eu digitalizo o meu esboço em baixa e depois interpolo (amplio o esboço, mandando a resolução para as cucuias) ao meu bel prazer – é um rascunho, não se esqueça. Faço tudo no Photoshop.

6. Ilustro com uma mesa de desenho digital. Uma tablet. Não, não acho que este tipo de coisa fará de você um desenhista melhor ou pior. A minha é uma Wacom Intuos 3 6×8 (a área útil dela se aproxima de um A5). Posiciono o esboço onde quero na página e mando bala. O resultado está abaixo.

Final

6.1. Não, não faço passos intermediários. Raramente desenho a página inteira – normalmente faço os esboços separados e os encaixo no Photoshop. Mas uso uma guia (storyboard para os sofisticados) de como será a página (dividindo quadros e textos). Abaixo um exemplo para mostrar sua complexidade (caso não indentifiquem – às vezes nem eu entendo meus rabiscos, é a guia desta página).

7. Faço as letras, balões, onomatopéias etc no Corel. Mas você pode fazer no InDesign, Illustrator etc. Ao gosto do freguês.

Tcha-ram! Está pronto! Você já está apto a ser um desenhista profissional (eu não sou, mas você pode virar um). Acho que depois desta aula tão didática e útil, vou virar professor de histórias em quadrinhos.

Aquele velho ditado: quem não sabe fazer, ensina.

PS – para desenhar eu não acho tempo, mas para escrever besteiras… ô!

PS2 – faltou o sentido da vida. Fica prá próxima.