Histórias em Quadrinhos • DS.art.br

Daniel Pereira dos Santos


Bolo Podre

A Desilusão, a Verdade e algumas xícaras de café surgiu num fim-de-semana que… bom, não tinha nada para fazer. Queria uma HQ curta para testar técnicas de traço que ainda não havia feito… sabia que seria complicado, então não quis me delongar muito.

Podia ter feito eu mesmo algum poeminha, viagem visual/textual, mas não optei por este caminho. Sempre há escritores demais para desenhistas de menos. Fui à cata de um texto na internet e… tomei um susto.

Na prática, não existem argumentos online. Nada de roteiros na internet, voltados para histórias em quadrinhos. Até levantei a questão em um ou outro fórum da vida e as respostas foram parecidas: é muito fácil plagiar um texto alheio. Mais que um desenho, ao menos.

Inegável, mas… pensando um pouco… e os livros que temos contato? Filmes? Eles não podem ser… hã, também base para idéias? Eles não estão aí? Pues.

Estou falando de textos para HQs de poucas páginas, não um novo Watchmen. Inclusive, considerando a realidade, é pouco provável que – principalmente na rarefeita produção amadora brasileira, surja um novo Watchmen desta forma – ao contrário que o autor pode (se) achar. Se surgir, o brilhante escritor não terá dificuldades em encontrar um parceiro rapidamente, não se preocupe.

Falo (escrevo) de colocar textos online pelo simples motivo de contrapartida. Explico: é comum um argumentista topar com um desenhista na rede e enviar o recado – não quer fazer uma história minha? Clássico. Ele sabe o que esperar do desenhista, já este, não. Seria legal um artista encontrar um texto na rede, que ele curta e escreva pro escritor: gostei, posso desenhar?

Foi o que eu fiz. Enquanto espaços virtuais para argumentos de HQs são rarefeitos, fui atrás de sites com contos online. Eles são milhares. Milhões, mundialmente? Será que possuem esta preocupação de serem copiados? Com certeza. A ponto de travar e divulgar sua produção? Com toda certeza, não.

Encontrei por fim o site de Alexandre Simas Dias. Gostei bastante de Bolo Podre. Escrevi para ele. Muito atencioso, deu liberdade de adaptação do seu texto para uma banda desenhada (ele é de Portugal, diga-se de passagem). Fico grato a ele por tamanha atenção e voto de confiança. Mudei seu título apenas para reduzir ao máximo o recurso de falas, balões etc. É interessante perceber que um pequeno conto de poucas palavras, deu origem a tantos quadros e duas páginas de desenho. Se for colocar seus roteiros online, pense em HQs de diversos tamanhos, para aumentar sua chance de parcerias.

Adoro a internet. Pode ser lugar de baixaria e perda de tempo, mas também é de produção e confluência de idéias. E idéias são metais que se confundem.

Ou algo assim.

Banda desenhada

  • Eu procurava por HQs online quando cruzei pelo blog do sr. Nuno “Bongop” Amado – leituras de Banda Desenhada. É interessante a naturalidade com que trata sobre quadrinhos de tão variados estilos e nichos: do “mainstream” ao independente, de trabalhos comerciais ao mais autoral. E isso vindo de todos os países. inclusive o português – de Portugal, de onde ele é.
  • Desconhecia o trabalho português. Sou um ignorante, nunca neguei. Vez ou outra sei sobre alguma HQ européia, mas no fim o mercado de lá é absurdo, imenso e variado (e em línguas também, não se esqueça), para conhecê-lo de fato. No site Divulgando Banda Desenhada, você encontra um conjunto de links e notícias de tirar o chapéu. Continuamente atualizado, há material suficiente lá para se perder por dias. Ou meses. Muita BD online e enorme quantidade de autores nacionais (de lá). Eu começaria pelo post Blogues, Sítios e Portais portugueses com Banda Desenhada – De A a Z. Só alí tem uma lista de links de dar uma canseira no vivente.
  • Ao meu ver isso prova duas coisas: a) falta MUITA coisa ao Brasil ainda. Você pode rir e achar que eu descobri o óbvio, mas só após visitar um zilhão de sites portugueses que percebi a dimensão de como somos terceiro mundo e subdesenvolvidos. Como estamos atrasados e somos pobres. b) falta MUITA coisa aos brasileiros. É incrível a naturalidade dos portugueses em tratar juntamente do autor nacional e estrangeiro (de todo o planeta!). Do amador ao profissional. Do trabalho mais autoral ao comercial. Aqui você consegue enxergar um Omelete falando de HQ online amadora brasileira? Há uma profusão de sites de notícias sobre quadrinhos tão grande quanto nosso país. Se não maior. Detalhe: a população de Portugal é quase a mesma do Rio Grande do sul… que é quase dezoito vezes menor que a brasileira… c) A produção portuguesa é imensa e o Brasil é café com leite – seja impressa ou online. Se trabalha muito mais e se mostra muito mais coisa nas terras de lá que nas terras daqui. Opa. Não eram duas coisas? Depois dizem que os portugueses é que são bobocas – tudo bem, eles dizem o mesmo de nós. Infelizmente começo a concordar com eles, ora pois.
  • Falando nisso, a secura que tenho encontrado de histórias em quadrinhos online tupiniquins é triste. Há o acervo HQ, é claro, com dezenas (centenas?) de trabalhos onlines e os tantos outros que eu mesmo linkei por aqui… mas não estou achando muito mais que isto na web.
  • Há o Viajante Jaum, para não dizerem que não dei nenhum link novo de HQ online. Um pusta trabalho atualizado DIARIAMENTE. Haja gás.
  • Há a revista Ogiva, em PDF para download. Com Anderson Cossa, Gerson Witte, Juliano Botti, Vagner Francisco, Denis Pacher, Greifo, Rai, Alexandre Jubram, Beto Martins e Vanessa.
  • Ricardo Sanchez (que possui excelentes trabalhos em seu site, diga-se de passagem – inclusive uma HQ online), tem contribuído muito ao Quinto Mundo com links sobre o tema. Mas normalmente estrangeiros. Ele já linkou:
  • Kukuburi
  • Dark Horse Presents
  • Kaz Underworld
  • Maakies
  • Kioskerman
  • Autoliniers
  • El blog de Tute
  • ACT-I-VATE
  • No Brasil há muita coisa, sem dúvida. Mas a imensa maioria são tiras e cartuns onde suas mensagens são mais rapidas e simples de serem passadas que numa história em quadrinhos, com x páginas. Muitos podem pensar que é até mesmo característica da internet e leitura em tela, mas não aceito como desculpa para tamanha desproporção e aridez de produção online brasileira.
  • Aliás – percebeste que de todos estes atrasos/empecilhos/problemas sobre o quadrinho nacional que citei, nenhum fala dos leitores de quadrinhos ou editoras – usualmente os culpados pelos independentes da baixa leitura de HQB? Talvez os artistas brasileiros tenham que parar de falar tanto e começar a trabalhar mais.
  • Muita gente discorda de mim, com certeza. A maioria? Talvez. A própria Quadrinho.com – que atualizou seu site e sistema há pouco, publicou ontem um texto de Michelle Ramos sobre a qualidade, dinâmica e diversidade do material daqui. Mas estou falando mais sobre material publicado online, não se esqueçam…
  • O interessante que hoje em dia é mais fácil e barato ter um site de quadrinhos que uma revista impressa independente. E na presença virtual com certeza se alcança mais leitores que a versão física, não há dúvidas…
  • Como viver disso? Seu eu soubesse, já vivia.
  • Aproveitando, Samara convida para o evento Aceita Cultura?, este final de semana, em Minas. Acho que estamos todos precisando, Samara. Saber mais, fazer mais e falar menos.