Histórias em Quadrinhos • DS.art.br

Daniel Pereira dos Santos


Discussão

Mais um post imenso. Gosto disso – é muito mais divertido (e fácil) escrever um monte de besteiras do que produzir quadrinhos.

Como sou uma pessoa muito ocupada, vez ou outra entro nesses espaços que permitem trocas de opinião (sobre quadrinhos, obviamente). São lugares onde se permutam novidades, se expressam opiniões ou ainda, dividem experiências. Como é comum a nossa raça, vez ou outra, surge um (ou mais criaturas) que gosta de… apimentar a discussão. Ou simplesmente travá-la, mesmo – de qualquer forma, “entra rachando” (ui!). Há os mais variados motivos e razões para isto – mas ego é sua força motriz, com certeza. Uma forma de se afirmar que existe e que se é importante. Eu me divirto muito com esse tipo de coisa. Tem sempre um ou outro indivíduo (nunca ninguém famoso ou conhecido – apenas um zé ninguém como eu) que larga tantas pérolas, num espaço tão curto de mensagens, que não há como não se estourar de tanto rir. Gosto tanto que decidi compilar um conjunto de frases, afirmações que parodiam situações comuns a quem participa de grupos de discussão, fórum, ou qualquer rede social de nossos dias. Infelizmente essa paródia por vezes se aproxima demais da realidade, o que não as torna tão engraçadas assim… Sinceramente, espero que você não (se) reconheça (em) nenhuma destas frases…

  1. O papel do autor (argumentista e/ou ilustrador) é editar – ter uma visão do todo: de vendas/mercado, de distribuição etc. Onde já se viu um escritor curtir escrever ou um desenhista gostar de desenhar? São uns cabeças ocas!!!
  2. Você produz (desenha/escreve) bem – mas nada além disso! Por que você não vira editor?
  3. É muito imbecil um autor, que sabe produzir, precisar de um editor, que sabe editar.
  4. Vocês são tão retardados que só querem ser subservientes (escravos) de alguém! Trabalhem prá mim que eu mostrarei a verdade!
  5. Nunca vi coisa mais idiota: se o cara não consegue publicar, cria um site para mostrar seu trabalho e ficar se masturbando com ele – eu jamais faria isto! Ah – aproveitando: visitem meu blog, que tem capítulo novo do meu projeto!
  6. O objetivo desses caras é trabalhar para os outros – não pensam em desenvolver seu próprio universo e ficar rico como eu fiquei!
  7. Não é questão de publicar o seu universo, é fazer algo que dê certo, pros leitores e editores – que dê grana!
  8. Pô – vocês só pensam em dinheiro!
  9. Autor brasileiro é burro – não quer ganhar dinheiro – só quer alcançar o “sonho de ganhar grana”!
  10. O sonho não é ganhar dinheiro com seu trabalho! Sonho é conseguir viver do seu trabalho! Vocês não entendem?
  11. Brasileiro só quer fama – por que ele vai ser querer ser reconhecido lá fora ao invés de não ser reconhecido aqui? Um absurdo!
  12. Esse pessoal só quer dinheiro – por que ele vai ganhar grana lá fora e não aqui, que não recebe nada?
  13. Publicar onde pagam não é motivo de orgulho. Quero ver é fazer isso aqui, onde não pagam nada!
  14. Sim. Eu poderia estar publicando lá fora, ganhando uma boa grana com meu trabalho (desenhos/textos/personagens) e viver bem com isso. Mas não. Prefiro ter uma vida difícil, sem ganhar nada nem conseguir publicar, porque… porque… porque eu adoro meu país.
  15. Tá certo que o capitalismo é soma da ganância de todos, que se revela niveladora do mercado, mas onde fica a ideologia? Vocês só querem dinheiro, dinheiro! Não pensam em algo maior! Na criação de um mercado tupiniquim: no bem comum, seus parvos!! Enquanto pensam, comprem minhas histórias em quadrinhos.
  16. Minha filosofia é: não publicar nada, falar de tudo e de todos prá caramba, viver na pindaiba e me achar a última bolachinha recheada do pacote.
  17. Eu sei como fazer – todas as respostas, tenho toda uma vida bem sucedida, olha o que eu produzi e vendi na última década – sou uma unanimidade nacional.
  18. Ah. Não quero sucesso, nem fama. Minha religião não permite. Só quero ser reconhecido por todos e vender prá caramba.
  19. Pow! Se conseguiu ser publicado no estrangeiro, por que não publicou aqui antes? Que burrice! As editoras pagam dez vezes menos aqui!
  20. Essas editoras incompetentes esperam um autor nacional ser publicado e fazer sucesso no exterior para então publicar aqui! Que estupidez! Só porque elas pagam quatro vezes menos o que gastariam para publicar o sujeito originalmente aqui, não é desculpa! Menos ainda por ter um trabalho já testado e aprovado por um mercado muito maior que o nosso!
  21. Claro que comparar vendas e aceitação de obras infantis e humorísticas com gibis de heróis, mangás etc faz todo o sentido! Eles têm todo um histórico nacional de mesma aceitação e vendas, diabos! Olha só os últimos dez, vinte anos: Turma da Mônica vende até menos que Vertigo!
  22. Até caixas de fósforo e paracetamol possuem uma forma organizada de produção – eles primeiro vendem no Brasil, para depois exportar! Por que HQ – um item muito mais essencial e de muito maior alcance do que jogos prá PC, não fazem o mesmo?
  23. Vocês são muito manés: pagam quarenta conto por um livro de quadrinhos quando poderiam pagar vinte pila pelo meu livro!
  24. Não faz sentido algum desenhar pros estangeiros! O cara ganha grana por dois, três… até cinco anos e… puff Acabou – vai virar professor de quadrinhos!!! Ele deveria era ficar aqui e não ganhar nada nunca!
  25. Esse pessoal tem que aprender a se editar, investir sua grana e produzir sua própria revista! Eu mesmo corro atrás disso há uma década. Já tenho minha própria e reconhecida editora que distribui nacionalmente minha obra e vivo muito bem disso, obrigado.
  26. Nã há mérito algum em publicar no exterior – lá aceitam tudo, tudo vende e todos ficam ricos e felizes! Não há concorrência e todos se amam.
  27. Autor nacional só segue ele mesmo – sua própria visão das coisas. Um paspalho, com certeza. Ele deveria seguir a minha visão das coisas.
  28. Não quero ser exemplo de nada, quero apenas que sigam minhas idéias. E comprem meu trabalho.
  29. Publicação impressa de HQ é tolice! Editores interessados em tolices, por favor, entrem em contato no private.
  30. Se é tão bom, por que não publicam o trabalho dele?
  31. Publicação por ‘editora’ de fanzine não tem valor nenhum! Bom mesmo são minhas revistas independentes!
  32. Publicou lá porque é amigo do editor! Onde já se viu algo que seja publicado senão por amizade???
  33. Publicou aqui? Quero ver publicar lá fora!
  34. Publicou pela editora estrangeira A? Quero ver publicar pela editora estrangeira B!
  35. Publicar lá fora é baba! Quero ver publicar aqui!
  36. Meus amiguinhos, vocês não acham aquele autor rodeado de puxa-saco, um babaca?
  37. Existe dois tipos de pessoas – as legais que curtem meu trabalho e as insuportáveis, que não sabem o que é bom.
  38. Só detono quem merece! Já viu eu falando mal de mim?
  39. Tenho tamanha capacidade de julgamento na produção de quadrinhos que, ao analisar uma obra, só falo mal do autor.
  40. Ah, sim. O trabalho dele? Não li. Mas nem se compara ao meu.
  41. Sei ser imparcial e comedido, seu puxa-saco filha da…
  42. Como assim… descontrolado? Vai tomar no…
  43. Não publico nada porque sou tão qualificado que nenhuma editora está ao meu nível. Nem os leitores estão!
  44. Abomino gente que se diz fã. Eu jamais vou ter fãs! Abomino esse tipo de pessoas ou mesmo a fama! Só quero gente que compre sempre meu trabalho.
  45. A galera delira quando detono alguém! Uma porrada de gente aplaude de pé!!! Infelizmente os que acomponham meu trabalho, é apenas um ou outro delirante.
  46. Aliás… por que todo mundo divulga as porcarias que eu falo ou escrevo e não as porcarias que eu produzo?
  47. Já consegui falar mal de todo mundo! Agora só falta conseguir todo mundo falar bem de mim!
  48. O que você já fez pelo quadrinho nacional? O que você fez? Nada! Enquanto eu, nos últimos dez anos eu já… eu… fiz! Eu fiz!
  49. Nã-nã-nã! Não me venha dar idéias que não sejam minhas. Muito menos uma que contrarie as minhas ou os meus interesses.
  50. Olha – o objetivo aqui não é publicar livros de HQ. Ao menos não um que eu não coordene, edite e participe.
  51. Claro, você pode se unir a nós para alavancar juntos nossos trabalhos – o meu e dos meus amigos. Aqueles três ali do canto.
  52. Não sou dissimulado coisa nenhuma! Claro que eu posso ser um filha da… com você e dar uma de cara legal com os outros. Normal.
  53. Vamos ser democráticos – nada de chefes! Mas aqui dentro quem manda sou eu e quem contrariar, tá fora.
  54. Não me interessa o que os outros acham! Nem me importa o que dizem! Onde já se viu dar bola prá isso dentro de um grupo?
  55. Meu, estamos em um grupo de discussão, então quando eu falo tu tem duas opções: ou ficar quieto ou cair fora. Todo mundo que tá aqui dentro concorda com isso!

Esse é um post hermético prá caramba. Talvez só quem participa de redes sociais, fóruns, grupos ou listas de discussão consiga entender… Se você nunca viu isso, sorte sua – mas é possível ter ouvido algo parecido numa conversa de bar. Se você não frequenta comunidades muito… abertas, um aviso: tenha estômago forte se quiser participar. São normalmente pessoas muito jovens que largam estas pérolas. Desvirtuam a discussão e começam uma quebra-de-braço interminável e aborrecida para convencer o outro que sua versão, digo, visão da realidade é a correta.

Vocês sabem como são os jovens, têm a síndrome de salvador: ou precisam ser seguidos ou seguir alguém.

Eu já sai da adolescência faz tempo.

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Sem achismos sobre o quadrinho nacional

Já que o pessoal que curte HQ não lê mais que um parágrafo de texto, vou aproveitar e xingar todo o universo. Todo mundo curte um bafafá e este tipo de coisa dá ibope (no caso, acessos). Alguém mais atento pode perceber que o xingamento é como atirar pedra no telhado do vizinho, tendo seu próprio telhado de vidro. Mas eu vejo que é mais como cuspir prá cima.

  1. O quadrinhista nacional adora chorar pela falta de retorno, de reconhecimento. Realmente, é uma linha de raciocínio engraçada.
  2. Não há reconhecimento, porque não há público interessado. Se não há leitor, então não há mercado. Havendo mercado, haveria dinheiro, que move a bagaça, que interessa a todos (viver de quadrinhos, se você está confuso), que cria a competição e que por, fim também gera reconhecimento.
  3. Dos melhores, é claro.
  4. Por que não há público leitor interessado? Bom é porque as histórias em quadrinhos nacionais ou são muito ruins ou não objetivam o leitor médio, a maioria. Escolha o que seu ego deixar.
  5. Há a desculpa da distribuição também, se você quiser. Mas com internet hoje em dia… onde o que gera interesse, queima feito rastilho de pólvora… Você vai precisar de um ego muito bem treinado para se enganar desta forma.
  6. Ah, sim. A desculpa dos enlatados inundando as bancas, não cola mais. Lamento.
  7. Cada vez sê lê menos? Fato. Cada vez se lê menos em suportes e mídias tradicionais? É uma tendência.
  8. A desculpa de ter que trabalhar para se sustentar e não poder se dedicar aos quadrinhos é por demais válida.
  9. Só não me vem chorando depois que ninguém tem interesse pelo seu parco trabalho.
  10. É dá ou desce.
  11. Suspeito que a maior parte dos autores nacionais que tiveram destaque nestes dez anos passados, viviam com os pais ou alguém os sustentava, de alguma forma. Sem problemas – eu queria estar nesta fatia!
  12. Como não existe mercado, não há salários e produção contínua, nem amadurecimento por parte do autor. Sem amadurecimento, a obra do cara não cresce em leitores.
  13. Baita círculo vicioso.
  14. Complicadíssimo sair dele – mais fácil é se iludir e se achar um Frank Miller ou um desenhista qualquer que você curte.
  15. Mas no mundo real, quem decide isso são os leitores – não aqueles seus dez amigos, não você. Se você não tem leitores suficientes… Well. Ficamos restritos a autores apaixonados/amadores que não pensam seu trabalho de forma mais comercial (até porque ela não existe). Quem vai culpá-los?
  16. Para crescer como autor, a coisa vai ter que ser por amor. Por um bom tempo. Até achar o caminho: leitores. Lamento.
  17. Amar é não pedir nada em troca. Muito menos reconhecimento.
  18. O álbum de histórias em quadrinhos brasileiras que mais vendeu nos últimos anos deve ter alcançado, uns dois mil exemplares. O autor deve ter ganho entre 8 e 12 mil reais. Há quem diga que mal vendeu quinhentos exemplares. E até me destilaram que ele topou publicar de graça (espero sinceramente que não seja verdade)!
  19. É um trabalho de um ano ou mais. É normal um trabalho destes, no Brasil, levar três anos de produção. Alguns demoram até cinco anos.
  20. Agora pegue o que ele ganhou e divida pelo tempo de trabalho. É. Qualquer desenhista razoável ganha mais que isso em uma agência de publicidade, escritório de design ou produtora de vídeo. Mesmo as furrecas. E por mais escravizado que ele seja nestes lugares, é menos trabalho que um projeto destes. Claro, não estou escrevendo agora sobre realização pessoal.
  21. Na última década não devem ter havido cinco autores nacionais que alcançaram metade deste marco – em vendas e valores. Estou desconsiderando, obviamente, obras infantis/humorísticas e vendas para o Estado.
  22. O(s) autor(es) que consegue lançar um livro, o faz(em) por interesse próprio – está a fim de contar as histórias deles, não aquelas que seriam assimiladas por uma grande massa. Não vejo absolutamente nada de errado nisso. Eu mesmo queria poder fazer isso.
  23. Histórias autorais são nichos, uma parcela que existe dentro dos tipos existentes de quadrinhos. Cada um objetiva o que quer. E tem o retorno que merece. O interessante é que trabalhos autorais são normalmente uma minoria, dentro do universo/mercado de publicações nos quadrinhos – mas no Brasil são a supremacia atual do que é publicado, quando se refere a autores nacionais. Ah, sim. Não existe mercado, então estamos apostando na elite que compra quadrinhos. O que acho um bom negócio, não extamente uma boa idéia.
  24. Culpa das editoras? O investimento para lançar um autor brasileiro nacionalmente é muito maior que comprar quadrinhos estrangeiros. E com muito mais riscos. Vocês comprariam um gibi do Alan Moore, Grant Morrison ou do Daniel Mané?
  25. Claro que há politicagem na publicação e em editoras. Em que mundo você vive? Existe politicagem até na compra e venda de carnes, pro açougue mais fuleiro. Você não vai fugir dela, em nenhuma área. Mas com um trabalho acima da média, você fura a politicagem.
  26. As editoras são livres para fazerem o que quiserem – vivemos em um estado capitalista, se você ainda não percebeu.
  27. A saber (tem muita gente que nem faz idéia do que é o capitalismo), este regime basicamente permite que você trabalhe no que quiser, ganhe o quanto puder e gaste esta grana no que der na telha. Obviamente, há leis que gerenciam e limitam esse monstro, como em qualquer regime – então não seja mala. Injusto? Com certeza – tudo feito pelo homem é. Mas prefiro este regime a um que limita no que você pode trabalhar, até quanto vai ganhar e não deixar gastar no que quiser.
  28. Então depende de você, e apenas de você, correr atrás do prejuízo. Você quer? É contigo – corre atrás. Chorar, lamento, não adianta. Não vão te dar (ou comprar) teu gibizinho, só porque você quer. Ninguém se interessa por choradeira – agora, por um trabalho bem feito, é possível. Quem decide o que é bom, pode até ser você – mas quem paga pelo seu trabalho é o leitor, então… bom, deixa prá lá.
  29. Agora, se você quer imprimir (ou participar de) um gibi e ninguém está interessado em bancar, por menor que seja o valor ou a tiragem, não existe a possibilidade do trabalho… não for bom? Enviei Muertos a umas três editoras – nenhuma se interessou. Gosto de pensar que o desenho não estava a altura da história, mas resigno-me ao fato que meu trabalho não teria boa aceitação – não venderia o suficiente para valer a pena.
  30. Incrível também como o quadrinhista brasileiro acha que o caminho é conseguir verba pública.
  31. Quer dizer… pode até ser – prever o futuro é estupidez. Acho bem legal o Estado colocar HQs na escolas, como meio narrativo ou ainda, educacional.
  32. Mas me pergunto: se não há interesse por parte da iniciativa privada (entenda-se: de uns poucos) colocar dinheiro em um projeto destes porque não há público, mercado etc e não haveria retorno, por quê seria correto torrar grana da união (entenda-se: de todo mundo) em algo assim?
  33. Há quanto tempo isso é feito no cinema nacional mesmo? Quantos destes projetos se pagaram?
  34. Ah! Aquele projeto se pagou? Então não precisa de verba pública, ora bolas!!!
  35. Aindassim, a desculpa de ajudar, de ser uma iniciativa, é válida.
  36. Mas é isso, uma iniciativa: uma coisa é capacitar, auxiliar inicialmente para que depois se caminhe com as próprias pernas. Outra é sustentar, viciando no investimento sem cobranças, objetivos e responsabilidades. Sem rodinhas, por favor, a certeza do futuro está em pedalar sozinho.
  37. Não há almoço grátis – alguém está pagando por ele. E se está pagando, tem de ter retorno, senão é insustentável.
  38. Enquanto isso, vou me inscrever em algum edital também.
  39. Distribuição. Grande problema.
  40. Envolve muita grana, muito risco. Coisa que ninguém sensato faria. Ricos e idealistas são poucos hoje em dia. Isso existe mais em mercados caóticos. Estamos em uma economia estável e muito bem calculada sobre custos/benefícios.
  41. O Brasil já teve uma economia caótica. Curioso como nessa época haviam tiragens tão altas, não?
  42. Eu sempre me pergunto como conseguiram abandonar (ou eliminar) tantos leitores entre as décadas de sessenta e oitenta. Não consigo nem imaginar um boa resposta sobre isto, por mais que me esforce.
  43. O negócio é internet, distribuição alternativa, segmentada, associada a pequenos distribuidores de produtos variados e semelhantes (ou nem sempre). Juntar-se a outros e trocar figurinhas. Sofrido. Demorado.
  44. O trabalho autoral independente imprime em gráfica as suas revistas – de quinhentos a mil exemplares. Estas cópias podem demorar anos para escoarem, atualmente. Muito trabalho, muito tempo. Tem que estar a fim. Não acho o melhor caminho, mas pode dar certo, tendo saco, tempo e grana. Com sorte, muita sorte, você empata ou tem pouco prejuízo.
  45. Animador?
  46. Super-heróis (brasileiros). Tema delicado. Não tenho nada contra. Sério.
  47. Não há dúvida que para, efetivamente viver de quadrinhos – por mais que poucos meses ou anos, você tem que criar seu universo, seus personagens (heróis, mangá, infantil, etc). Mas sempre algumas coisas me vêm à mente quanto a isto… e elas se aplicam a qualquer temática, estilo etc – vou usar ‘heróis’ porque sempre leio muito sobre isso.
  48. Muitos choram que as editoras não tem interesse nesse tipo de coisa. Será? Ok – você faz gibi de heróis… mas desenha como o Marc Silvestri? Olha o ego…
  49. Ah, desenha igual? Tudo bem, eles não querem o Marc Silvestri, porque eles já tem o Marc Silvestri. E sai muito mais barato que você. E é provável que ele seja mais conhecido também…
  50. Sinceridade: por que alguém se interessaria num personagem (brasileiro ou não) com os poderes do Super-Homem, com a roupa do Spawn com as histórias do X-Men? Bom, você talvez até goste deste tipo de coisa, sem problema – é um mundo livre. Uma coisa é usar o deus grego Morpheus outra é usar o personagem/histórias criadas por Gaiman no Sandman.
  51. Já eu, preferiria os originais.
  52. Aí vem a questão. Você é original? Eu não sou.
  53. É muito difícil ser original. Precisa de muito trabalho, muito tempo e nenhuma choradeira. É mais fácil usar a estepe de outros (personagens, histórias etc) e chorar. Ou fingir que é original. Os estrangeiros mesmo vivem se ‘inspirando’ entre eles – não é uma característica regional, não se preocupe. Lá fora, quando a cópia dá certo, usualmente é porque seus autores já são famosos e possuem seu séquito que os sustentem.
  54. No fim eu não choro (mais). Estou nessa de HQB há menos de um ano, mas aprendi bastante. Parei de chorar.
  55. Quadrinhos, no Brasil, é passatempo.
  56. Como croché, artesanato, quebra-cabeça de 10 mil peças… a maioria dos caras que fazem quadrinhos no Brasil trabalha com outra coisa e quando dá, faz um quadrinho ou outro.
  57. Por que eu não fui fazer croché?
  58. Vendo a bagaça como passatempo, você não cria ilusões – ser amado, premiado, remunerado blábláblá. Não criando ilusões, você não se desilude.
  59. Tem muita gente que faz desta forma (um passatempo). Como um bom passatempo, você faz e joga prá dentro da gaveta.
  60. Não há como ter idéia do tamanho, quantidade ou qualidades de HQs feitas assim – elas não saem da gaveta, lembra?
  61. Todavia há gente que possui tamanha paixão (leia-se ego) que gosta de mostrar o que faz. Mostra para encontrar seus iguais, para ser elogiado, para ter maior conhecimento da existência do seu trabalho. Normal. Busque sites/blogs de artesanato na internet.
  62. Este site é um exemplo disso.
  63. Há aqueles que não somente satisfeitos em ter um site, propagam pelos mais diversos meios digitais sua existência (olha eu de novo). Querem que suas histórias sejam mais conhecidas. É a velha máxima: qual o sentido de contar histórias senão para alguém ouvir? E também querem mais elogios, óbvio. Faz parte da brincadeira. Já que, dinheiro que é bom…
  64. O problema é que de toda ação, vem uma reação (sic). E esta reação pode ser… nada. Nenhum acesso, nada de links, nadica de nada.
  65. O que significa isso? Que você está a frente do seu tempo? Pode ser. Que você é um incompreendido? Com toda a certeza do mundo. Mas – se o seu interesse é ser compreendido, lido, sai de baixo da cama, pare de chorar e faça algo que gere interesse, acessos e links. Ou não. Ah: ter leitores das porcarias que você escreve sobre o trabalho alheio e não leitores da porcaria do trabalho que você escreve/desenha, acredite – não é um bom negócio…
  66. Mas cada um vive na realidade que lhe convém ser mais feliz.
  67. A propósito: pare de ler isso aqui e vá ler as HQs que eu fiz!
  68. Por favor?
  69. Pelamorde…?
  70. Outra reação possível é a opinião alheia. Ela é sempre bem-vinda quando positiva e um um desastre quando negativa? Muito pelo contrário.
  71. Melhor um carrasco que te decapita a um ‘amigo’ que faz você queimar lentamente na fogueira. Dói mais, ao meu ver. É muita presunção achar que todos irão amar o que você faz. E pior ainda é destratar aquele que – educadamente, diz que não gostou do seu trabalho.
  72. Claro que há de se separar o joio do trigo. A opinião pode ser ofensiva e desnecessária e isso não é opinião: é xingamento. Chamar o cara de idiota, imbecil (para não cair nos termos de baixo calão), torna a crítica muito pessoal e completamente irrelevante.
  73. Já vi boas resenhas (nem sempre tão positivas) de trabalhos que se estragaram por chamarem o autor de panaca… ou algo pior. É comum confundir o trabalho e o autor. É comum ter mais gente disposta a escrever mal de alguém ou algo do que encontrar um disposto a apoiar. Apoio dá mais trabalho, é comprometedor e pode ser vexatório. Destruir é rápido e indolor.
  74. Gostar ou não gostar sem dizer porquê complica tudo e tem de ser mágico para entender uma opinião, tirar o melhor proveito dela. Boa ou ruim. Mas ouça/leia de qualquer forma. Sempre.
  75. Se forem opiniões negativas, não fique arrasado, não desista, não desanime. Se quiseres começar a ter retornos mais positivos, muito pelo contrário: faça melhor. Faça mais. Traga uma resposta no seu trabalho. Não em respostas à opinião. Mas isso depende de você e do que você quer. Você pode inclusive se cercar de amigos que só te querem bem e nunca o criticam de fato. Qual o problema nisso?
  76. O caminho que for, dane-se o mundo. Siga o caminho que te faz feliz.
  77. Tem gente mais doente ainda que busca a crítica especializada. Manda seus trabalhos a jornalistas, revistas e sites.
  78. Tipo eu.
  79. Antes de mais nada – não são os desenhistas ou escritores uns babacas convencidos. Uns exibidos insuportáveis. Como escrevi dia destes no Orkut, quando estamos entre nossos pares, tentamos sempre parecer mais que somos – nos mais diversos aspectos pelos mais estranhos motivos. Cerceando pelo tema (área de atuação), é só olhar qualquer encontro de professores, engenheiros, advogados, administradores, médicos, publicitários etc. Percebe-se um certo ódio e arrogância entre colegas de profissão. O ego não cabe apenas aos quadrinistas (eu prefiro quadrinhistas – de quadriNHos), ele é natural, uma característica da condição humana.
  80. Voltando. Essa crítica pode vir (o cara publicar no site, revista, jornal etc) ou não. Se não vier, quer dizer que você não se encaixa no perfil da publicação (o Omelete não é o inimigo – eles publicam o que querem, pô!) ou o seu trabalho… bom, você sempre pode recorrer à lógica da raposa, onde as uvas estão verdes. Aliás – só o fato de se dar ao trabalho ao apresentar alguma análise de um trabalho suspeito como o meu, como aconteceu em Muertos, é prova que há o interesse dela (a crítica) em alavancar nossos próprios criadores. Nenhum crítico é obrigado a ceder espaço com material brasileiro. Não se esqueça disso nem dos que o fazem.
  81. Acho muito complicado criticar. Tanto que parei com meus achismos sobre outros trabalhos. A crítica especializada, o jornalista, tem o dever de equilibrar valores, julgá-los e apresentar de forma inteligível, justificada e interessante.
  82. Duvido que alguém tenha lido até aqui, mas este texto é um exemplo claro disto: eu não sei fazer isso.
  83. Na verdade acredito que muito poucos sabem – mesmo entre os ditos críticos.
  84. E é complicadíssimo, ao crítico, falar de HQB. Ele não lê isso, normalmente. E quando leêm é mais complicado ainda – (os bons críticos) provavelmente sabem decor e salteado tudo que escrevi aqui. E aí tudo se torna relativo.
  85. Daí surge a crítica ‘chapa branca’. O que é um baita pepino – pode atrapalhar mais que ajudar por simplesmente tendenciar o leitor ao erro e a decepção. Decepção esta que ele vai, para sempre, associar ao quadrinho nacional.
  86. Uma coisa é divulgar. Outra é falar bem por falar – apenas por ser HQ brasileira. Há também as iniciativas opostas – que pensam ser válidas por humilharem as outras. Ao meu ver, aquele que se considera crítico/resenhista ‘profissional’ não pode produzir quadrinhos. Ao também fazer HQ, toda sua visão fica comprometida e é comum que suas críticas sejam aplicadas… a eles mesmos! O crítico que escreve sobre você hoje é aquele que te convidou pruma parceria ontem (e você não pôde aceitar seja qual motivo for): bom, eu não queria estar na tua pele.
  87. Criticar não é puxar o saco. Também não é falar mal. É interpretação. E muito poucos conseguem interpretar coisa alguma. Eu já vi de tudo: inclusive crítica escrita por gente que não leu o trabalho analisado.
  88. Sério.
  89. Sim. Há muita picaretagem no meio. Amigos dos amigos. Ego. Eu sei: é impossível fugir do ego (ele serve entre tantas outras coisas, como ferramenta para ter a consciência de que… bom, se existe). Ele é humano e em boa parte, responsável por avanços, evoluções, insurreições ou revoluções. O que é bom.
  90. Mas há o ego prejudical, malicioso. Aquele pelo qual se usa os outros apenas para se dar bem, pelo qual se fala mal do alheio, para colocar alguém para baixo e fechar portas que nada interessariam ao detrator.
  91. Isso é normal em um mercado – competição e tals. Mas… não existe mercado! Ninguém ganha grana e todos perdem com este tipo de atitude! Falar mal do cara ao lado, que faz quadrinhos nacionais – existindo tão poucos leitores, é falar mal sobre as HQs nacionais! Então acho engraçado. Hilário.
  92. Ajudem-se. Amem-se. Daniel para presidente (ou autor de livros de auto-ajuda)!
  93. Eu tenho predileção por HQB – não fosse não escreveria tanto sobre, nem compraria tanto material nacional. Tenho admiração e respeito por tamanha paixão e heroísmo numa luta inglória e sem medalhas. Fico impressionado quando alguém – sem ganhar um tostão ainda por cima, surpreende com um trabalho de qualidade ímpar. E curto fazer também minhas historinhas, é óbvio. Ali, quando dá. Na manha.
  94. Mas precisamos nos unir de alguma forma, sem iniciativas demagogas, falácias ou meias verdades.
  95. Não precisamos de salvadores. Precisamos de uma visão maior, sobre o todo, que deve ser construída em conjunto. E bons trabalhos que falem por si.
  96. Jamais escreva algo sobre o que expus – ou da forma que fiz. Você acaba por ganhar muitos desafetos.
  97. Mas… e aí? Por que nunca deu certo? Não nos falta sermos mais honestos e abrirmos nossas portas? Para não repetirmos mais os mesmos erros? Não nos falta auto-crítica? O que é outro ponto interessante: não podemos nos criticar? Ter opiniões? Mesmo que diferentes? Você pode ter uma visão diferente da minha e, respeitando-me, não vai se tornar meu inimigo, acredite.
  98. Eu na verdade vou ficar de olho em você, bem de perto. E prezá-lo como alguém (no mínimo, ao menos) que tenta, que pensa. Claro – isso se você tiver algo a dizer, além de xingar os outros. Ou de tramar retaliações por baixo dos panos, entre seus pares.
  99. Nenhum destes pontos acima são indiscutíveis, confirmáveis ou criveis. São meus achismos, até agora. Posso mudar de opinião amanhã. Faço isso o tempo todo. Tenho a ilusão que corro à busca de amadurecimento. Ego, com certeza.
  100. Duvido que alguém leia isto. Muito grande. Nem eu leria. Quem está interessado? Nem eu estou!

Ok, esta última é mentira. Mais uma, entre 100.

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Dia do Quadrinho Nacional

Duas coisas:

No próximo Sábado (31/01/09 partir das 16h), na cidade de Rio Grande – RS, haverá uma comemoração ao dia do quadrinho nacional no Ponto de Cultura Artestação (entrada do balneário Cassino – Rio Grande – RS). Estarei lá ofertando Café Espacial e Quadrinhópole. Passe por lá e trocaremos umas idéias. Mais aqui.
O grande jornalista Paulo Ramos (eu sou uma puxa saco mesmo…) convida a todos para enviarem seus trabalhos ao seu excelente Blog dos Quadrinhos (Ok. Um grande puxa saco). O objetivo é divulgar sites e blogs de quadrinhos nacionais. Mais aqui.

25º Prêmio Angelo Agostini 2008

Mais um AA da AQC-ESP. Estive lendo a respeito, falando a respeito e pensando a respeito do Angelo Agostini.

Hora de escrever a respeito.

É interessante como se levantam dúvidas a respeito desta ou daquela premiação – não estou falando só do AA ou mesmo do HQ Mix – mas de todo o tipo de concurso, prêmio etc. Eu mesmo, com telhado de vidro, já joguei minhas pedras. Estupidez, eu sei – pensei até em apagar os posts, já que não concordo mais com estas opiniões passadas, mas gosto de demonstrar como sou ignorante. Gosto de pensar que evoluo com isso.

Voltando. Sinto que na verdade toda premiação é, de certa forma, injusta. E ao mesmo tempo, inquestionável. O que mais leio é que, tanto o Angelo Agostini quanto o HQ Mix (e aqui só me refiro ao obscuro mercado nacional inexistente), só elegem os amigos, as rodinhas, o grupo queridinho da vez. Concordo, mas ao contrário do que se possa concluir, acho isto justíssimo.

Antes de justificar, imagine a seguinte situação: uma premiação fechada – com um juri selecionado e com regras claras do que e como será o julgamento (não, nenhum dos dois maiores prêmios nacionais de quadrinhos possuem estas características). Você deve conhecer um ou outro concurso assim – não escrevo agora só de quadrinhos. É usual neste tipo de evento ter também o “juri popular”. Pode ser loucura minha, mas raramente vejo a escolha do juri “oficial” casar com a dos apreciadores (o popular) de qualquer objeto julgado. Por que?

Voltando de novo. Eu realmente acredito que o Angelo Agostini e o HQ Mix elejam aqueles trabalhos que seus autores possuam mais contatos, divulgação, entrosamento com seu público e círculo de trabalho. Estes “amigos” que votam, não necessariamente na melhor obra, são pessoas que leram seu trabalho, que tiveram afinidade com ele ou com o próprio autor – ou mesmo lembram do nome do cara pela sua longa jornada de trabalho sem ganhar um centavo com isto. É errado isso? Eu não acho – os autores que já levaram algum prêmio, de uma forma ou de outra, batalharam para isto. Talvez os melhores trabalhos – sob um ponto de vista qualquer, não levem esta ou aquela medalha (e se preocupar com isto é besteira), mas não levar um Angelo Agostini é prova que não estão em sintonia com determinado público leitor  – ou não o suficiente ainda para ser o mais votado.

No Angelo Agostini todos podem participar – gente comum que não fora seletamente convidada nem faz parte de um juri oficial. Você e eu. E todos nossos amigos!

Cara – e isso pode ser besta prá caramba, mas como é bom poder participar e ter amigos!

Segue a cédula de votação do 25º Prêmio Angelo Agostini 2008, copiada e colada do Bigorna. Prestigie, vote, boa sorte e parabéns aos futuros ganhadores!

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Em fevereiro de 2009 realizaremos o 25º Dia do Quadrinho Nacional, com a entrega do Prêmio Angelo Agostini. Podem participar todo quadrinhista (profissional ou amador), estudioso, colecionador ou aficionado pelo Quadrinho nacional, basta preencher a cédula e enviar para a caixa postal da AQC-ESP, para os endereços eletrônicos: votacao@aqc-esp.com.br e angeloagostini@bigorna.net, até 05 de janeiro de 2009 (se não quiser ou não souber, não há a necessidade de votar em todos os itens). Feita a apuração, os vitoriosos serão homenageados, com direito a uma exposição, troféu e muita badalação. O resultado final e o local da festa serão divulgados no final de janeiro em revistas, em jornais de circulação nacional, no site da AQC-ESP, no site Bigorna.net e no QI.

Os critérios
Existem seis categorias no Prêmio Angelo Agostini. Na categoria Mestres do Quadrinho Nacional deve se votar em TRÊS artistas que tenham se dedicado aos Quadrinhos, pelo menos nos últimos vinte e cinco anos.
A lista de grandes profissionais que podem ser lembrados e votados para o prêmio de Mestre do Quadrinho Nacional é a seguinte:

DÉCADA de 50: Fernando Lisboa.
DÉCADA de 60: José Meneses, Mario Jaci, Luiz Meri, Kazuhiro, Wilson Fernandes, Dag Lemos, Manoel Ferreira, Maria das Graças Maldonado, Marcos Maldonado, Francisco de Assis, Nilzon Azevedo, Lucaz, Edmo Rodrigues, Fernando Almeida, Josmar Fevereiro, Edgard de Sousa, Antonio Martins, Manuel Nunes, Joseval e Clip Pop.
DÉCADA de 70 e 80: Osvaldo Sequetin, Nelson Padrella, Wanderley Felipe, Ailton Elias, Eduardo Vetillo, Bira Câmara, Altair Gelattti, Sebastião Seabra, Deodato Filho, Gustavo Machado, Rodval Mathias, Itamar Borges, Mozart Couto, Watson Portela, Emir Ribeiro, Alain Voss, Henrique Magalhães, Sergio Morettini, Julio Emílio Braz, Franco de Rosa, Novaes, Toninho Lima, Elmano, E. C. Nickel, Cesar Lobo, Francisco Vilachã, e Pedro Mauro Moreno.
FANZINES: José Agenor Ferreira, Aimar Aguiar e Gutemberg.
ESTUDIOSOS: Dagomir Marquezi e Sérgio Augusto.

Evidente que podemos não ter lembrado de algum artista, mas que você considerá-lo para a votação incluindo-o na lista.

Nas categorias de Melhor Desenhista, Melhor Roteirista e Melhor Cartunista deve se apontar qualquer profissional ou amador que esteve em atividade durante o ano de 2008. Procure folhear revistas, consultar coleções e se informar. Não esqueça dos profissionais que desenvolvem seu trabalho nos grandes estúdios, como o de Mauricio de Sousa, que têm seus nomes poucos divulgados. No Melhor Fanzine é considerado o título publicado durante o ano de 2008 (mesmo que exemplar único), que seja caracterizado como fanzine, ou seja, com informações, notícias, resenhas ou notas sobre Quadrinhos. Não confundir com revistas em Quadrinhos independentes, que podem ser votadas na categoria de Melhor Lançamento.

Já no Melhor Lançamento valem todas as publicações com produção de artistas nacionais que tiveram seu número 1, exemplar especial ou número único lançado em 2008, para o mercado brasileiro. Para ajudar a escolha publicamos uma lista de revistas que saíram neste ano. Evidente que podem surgir novos lançamentos e publicações que não estão na lista, nada impede que você vote numa outro exemplar, indicando a editora ou o editor. Finalmente, o Prêmio Jayme Cortez vai para quem tenha incentivado nossa arte através da divulgação, edição, promoção ou qualquer ação que tenha aberto espaço para o Quadrinho nacional, também durante o ano de 2008.

Lista de Lançamentos de 2008
Nessa lista você encontrará o nome do lançamento seguido do nome da editora ou do editor independente. A lista está colocada de maneira aleatória, sem preferência ou favorecimento. Caso você conheça algum outro lançamento que não esteja relacionado, vote nele, indicando a editora ou o autor.

Lançamentos de 2008
Ju & Jigá – Marca de Fantasia
Você Sabia? – Marca de Fantasia
F.D.P. #1 – Leonardo Santana
Almanaque Especial Turma do Menino Maluquinho #1 – Globo
O Mensa #1 – Assis Lima
Mesmo Delivery – Desiderata
Blenq #1 – Júpiter II
Quadrante Sul #1 – Denílson Reis
Tempestade Cerebral #1 – Alex Mir
Almanaque Bidu e Mingau #1 – Panini
Rock Animal #1 – Abril
Níquel Náusea, em Boca Fechada Não Entra Mosca – Devir
Encarnação do Demônio – Conrad
Vale-Tudo – Opera Graphica
Macambira e Sua Gente – Marca de Fantasia
Boca do Inferno #1 e 2 – José Salles
O Bom & Velho Faroeste #1 – José Salles
Depois da Meia-Noite #1 a 3 – Laudo Ferreira Jr.
Entidade Zero ½ do Fim – Editora MRD
Graficsex – Charles Souza
O Circo de Lucca – Devir
Tina e os Caçadores de Enigmas #1 – Panini
Virtualzinho #1 – Internauta
Momochico #1 – Panini
Horizonte Zero #1 – Emanuel Thomaz
Informativo Quarto Mundo #0 e 1 – Daniel Esteves
Níquel Náusea, Tédio no Chiqueiro – Devir
Lorde Kramus #1 – Gil Mendes
Parafuso! – Emanuel Thomaz
Penitente #1 – Lorde Lobo
Caricaras #1 – Erico San Juan
Se Deus Fosse Uma Mulher #1 – Michael Kiss
Velta 35 Anos – Emir Ribeiro
Metrópoles – Marca de Fantasia
Happy Slap! – Marca de Fantasia
Chutando Cachorro Morto – Elvis Almeida
Clima #1 – Chagas Lima
Jornal Caricaras – Érico San Juan
Mariazinha em Verso & Prosa – Fabio Turbay
Papo Casal – Ronaldo Rony
Salão de Humor de Volta Redonda – Sec. Mun. Cult. Volta Redonda
The Zoo #1 – Michael Kiss
Almanaque Histórias de Três Páginas Turma da Mônica #1 – Panini
Muertos – Daniel Pereira dos Santos
Senninha e sua Turma #1 – HQM
FanSign #1 – Núcleo de Ilustração e Quadrinhos
O Espetacular Homem-Caveira #1 – Fator RHQ
Murassaki #1 – Cristiane Armezina
Crono 4 #1 – Pedro Yuiti
Níquel Náusea, Minha Mulher é uma Galinha – Devir
Necronauta #1 – Danilo Beyruth
Almanaque Você Sabia? Sítio do Picapau Amarelo #1 – Globo
Plinc – Beto Meneses
Senninha e sua Turma – Ayrton Senna, um Herói Brasileiro – HQM
Icfire #1 – Chagas Lima
Sangue Latino – Grupo PADA
Projeto Leitor #1 – Cristiano Silva
Quadrinhópole – Leonardo Melo
Avenida - André Caliman
Conseqüências – Caio Majado
N’Roll – Roadie Crew Editora
Filé – Editora MRD
Tina Especial  #1 – Panini
Hu-Quan #1 – José Salles
Katita Humor & Malícia – Anita Costa Prado
Lâmia #1 – Roberto Hollanda
Tokyoaki #0 – Vermis
Os Doze Trabalhos da Mônica #1 – Panini
Medley – Editora MRD
O Melhor de Crânio #1 – Francinildo Sena
As Melhores Tiras do Gatão #1 – Edson Gonçalo
Nob – Vinícius Mendel
Patacoadas #1 – José Salles
Turma da Mônica Jovem #1 e 2 – Panini
A Era de Bronze dos Super-Heróis – HQM
Personagens dos Gibis Especial #1 – José Salles
Subversos #1 e 2 – Alexandre Manoel
Tiras de Letra Até Debaixo D’Água – Editora Virgo

Preencha a cédula e envie para nosso endereço: AQC-ESP/ Worney Almeida de Souza Caixa Postal 675 - CEP 01059-970 – São Paulo (SP) ou para os endereços eletrônicos: votacao@aqc-esp.com.br e angeloagostini@bigorna.net (se for enviar por e-mail, copie a cédula completa, cole no e-mail e preencha). O prazo é até 05 de janeiro de 2009. Vote na categoria de Mestres do Quadrinho Nacional em TRÊS nomes e nas outras categorias vote em DOIS nomes, indicando 1º 2º lugares.

Participe e prestigie o Quadrinho nacional e seus artistas!

CÉDULA 25º Prêmio Angelo Agostini 2008 AQC-ESP
MELHOR DESENHISTA DE 2008
MELHOR ROTEIRISTA DE 2008
MELHOR LANÇAMENTO DE 2008
MELHOR FANZINE DE 2008
PRÊMIO JAYME CORTEZ
MELHOR CARTUNISTA DE 2008
MESTRES DO QUADRINHO NACIONAL

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Banda desenhada

  • Eu procurava por HQs online quando cruzei pelo blog do sr. Nuno “Bongop” Amado – leituras de Banda Desenhada. É interessante a naturalidade com que trata sobre quadrinhos de tão variados estilos e nichos: do “mainstream” ao independente, de trabalhos comerciais ao mais autoral. E isso vindo de todos os países. inclusive o português – de Portugal, de onde ele é.
  • Desconhecia o trabalho português. Sou um ignorante, nunca neguei. Vez ou outra sei sobre alguma HQ européia, mas no fim o mercado de lá é absurdo, imenso e variado (e em línguas também, não se esqueça), para conhecê-lo de fato. No site Divulgando Banda Desenhada, você encontra um conjunto de links e notícias de tirar o chapéu. Continuamente atualizado, há material suficiente lá para se perder por dias. Ou meses. Muita BD online e enorme quantidade de autores nacionais (de lá). Eu começaria pelo post Blogues, Sítios e Portais portugueses com Banda Desenhada – De A a Z. Só alí tem uma lista de links de dar uma canseira no vivente.
  • Ao meu ver isso prova duas coisas: a) falta MUITA coisa ao Brasil ainda. Você pode rir e achar que eu descobri o óbvio, mas só após visitar um zilhão de sites portugueses que percebi a dimensão de como somos terceiro mundo e subdesenvolvidos. Como estamos atrasados e somos pobres. b) falta MUITA coisa aos brasileiros. É incrível a naturalidade dos portugueses em tratar juntamente do autor nacional e estrangeiro (de todo o planeta!). Do amador ao profissional. Do trabalho mais autoral ao comercial. Aqui você consegue enxergar um Omelete falando de HQ online amadora brasileira? Há uma profusão de sites de notícias sobre quadrinhos tão grande quanto nosso país. Se não maior. Detalhe: a população de Portugal é quase a mesma do Rio Grande do sul… que é quase dezoito vezes menor que a brasileira… c) A produção portuguesa é imensa e o Brasil é café com leite – seja impressa ou online. Se trabalha muito mais e se mostra muito mais coisa nas terras de lá que nas terras daqui. Opa. Não eram duas coisas? Depois dizem que os portugueses é que são bobocas – tudo bem, eles dizem o mesmo de nós. Infelizmente começo a concordar com eles, ora pois.
  • Falando nisso, a secura que tenho encontrado de histórias em quadrinhos online tupiniquins é triste. Há o acervo HQ, é claro, com dezenas (centenas?) de trabalhos onlines e os tantos outros que eu mesmo linkei por aqui… mas não estou achando muito mais que isto na web.
  • Há o Viajante Jaum, para não dizerem que não dei nenhum link novo de HQ online. Um pusta trabalho atualizado DIARIAMENTE. Haja gás.
  • Há a revista Ogiva, em PDF para download. Com Anderson Cossa, Gerson Witte, Juliano Botti, Vagner Francisco, Denis Pacher, Greifo, Rai, Alexandre Jubram, Beto Martins e Vanessa.
  • Ricardo Sanchez (que possui excelentes trabalhos em seu site, diga-se de passagem – inclusive uma HQ online), tem contribuído muito ao Quinto Mundo com links sobre o tema. Mas normalmente estrangeiros. Ele já linkou:
  • Kukuburi
  • Dark Horse Presents
  • Kaz Underworld
  • Maakies
  • Kioskerman
  • Autoliniers
  • El blog de Tute
  • ACT-I-VATE
  • No Brasil há muita coisa, sem dúvida. Mas a imensa maioria são tiras e cartuns onde suas mensagens são mais rapidas e simples de serem passadas que numa história em quadrinhos, com x páginas. Muitos podem pensar que é até mesmo característica da internet e leitura em tela, mas não aceito como desculpa para tamanha desproporção e aridez de produção online brasileira.
  • Aliás – percebeste que de todos estes atrasos/empecilhos/problemas sobre o quadrinho nacional que citei, nenhum fala dos leitores de quadrinhos ou editoras – usualmente os culpados pelos independentes da baixa leitura de HQB? Talvez os artistas brasileiros tenham que parar de falar tanto e começar a trabalhar mais.
  • Muita gente discorda de mim, com certeza. A maioria? Talvez. A própria Quadrinho.com – que atualizou seu site e sistema há pouco, publicou ontem um texto de Michelle Ramos sobre a qualidade, dinâmica e diversidade do material daqui. Mas estou falando mais sobre material publicado online, não se esqueçam…
  • O interessante que hoje em dia é mais fácil e barato ter um site de quadrinhos que uma revista impressa independente. E na presença virtual com certeza se alcança mais leitores que a versão física, não há dúvidas…
  • Como viver disso? Seu eu soubesse, já vivia.
  • Aproveitando, Samara convida para o evento Aceita Cultura?, este final de semana, em Minas. Acho que estamos todos precisando, Samara. Saber mais, fazer mais e falar menos.

Mas e o que você tem comprado?

Eu nunca mais falo nada na minha vida. Tá bom, é mentira. Mas com certeza não falo mais coisas do tipo “este é o melhor” ou “foi o melhor” sobre o quadrinho nacional – ‘ainda’ que de HQs independentes. Somente nas últimas semanas tenho recebido materiais impresssionantes que desconhecia – ou conhecia apenas de nome. Como Avenida, Penitente, Schem ha-Mephorash, Alexandria, Quadrinhópole, Cão… sem falar nos que já conhecia, como o Prismarte e o Café Espacial.

Lendo estas edições você encontra obras fantásticas, histórias em quadrinhos de primeiro gabarito e que – lamentavelmente, não são divulgadas ou reconhecidas na mídia como verdadeira expressão cultural que representam. Cultura nossa. Brasileira.

Cheguei a conclusão que não conheço nada do mercado que – infimamente, participo. Penso nestas premiações como o Ângelo Agostini ou mesmo o HQ Mix. Pergunto como selecionam alguém… têm os tão falados mil e duzentos votantes do HQ Mix as obras que citei há pouco? Apenas estas oito revistas que entre as dezenas (centenas?) de obras sugeridas em sua lista? Difícil, considerando as tiragens destas edições e onde o que mais ouço falar de seus editores ou é encalhe ou uma venda muito pequena e demorada. E o Ângelo Agostini, que possui votação aberta? Como escolhem? Pelo nome que lembram, independente da obra referida? Tantos trabalhos valiosos perdidos, esquecidos, nunca conhecidos. Quem não é visto não é lembrado, amigo. Mas a culpa é minha também. E sua.

Quantas revistas compraste? Quantos gibis leu? Às vezes me parece que o mundo independente (fanzines estão aqui também) é um grupo de pessoas gritando: LEIAM MINHA PRODUÇÃO! Mas não lêem a dos outros. Neste famigerado espaço virtual não tenho os milhões de acessos de um Bigorna.net, mas neste último mês são visitas suficientes (e eu agradeço sinceramente a todos vocês, por isso) para esgotar as cópias de boa parte das edições que falei acima.

Agora fica a pergunta: se os editores, escritores e desenhistas não compram a produção do vizinho – e falo em comprar não me vem com escambo, como esperam que o “apenas leitor” compre a deles? Como criar um mercado se não há compra e venda? Viver de HQ como? A mesada dos pais acaba um dia e você não vive de luz solar, amigo. Sei que boa parte compra. Mas será esta boa parte a maioria? Duvido! E sem desculpas. Se há desculpas prá quem produz, imagina a dos que ‘apenas lêem’ – que é o objetivo de toda esta brincadeira.

Se estiver vivo no próximo Ângelo Agostini, vou estar preparado para meu voto. Não por ter uma opinião importante ou que deva ser considerada, mas porque espero ter um bom conhecimento sobre o que foi lançado neste ano. Não vou votar porque é meu amigo nem porque lembro o nome do cara e aquele outro trabalho era legal. Vou votar porque comprei e li o que foi produzido. Acho que você deveria fazer o mesmo.

PS – pelamordemeusfilinhos, eu tenho que aprender a:

  1. escrever ;
  2. escrever menos;
  3. escrever menos besteira;