Gueto
187.000.000 = 100% (população brasileira)
18.700.000 = 10% (a grande São Paulo)
1.870.000 = 1% (cidade de Curitiba)
187.000 = 0,1% (leitores da turma da mônica)
18.700 = 0,01% (provavelmente a maior venda de gibis não-humor nem infantil)
1.870 = 0,001% (o máximo que um autor brasileiro vende em um ano)
975 = 0,0005% (tiragem de zines auto-publicados – mas nunca vendidos)
Bom… quando você (se) perguntar por que não existe mercado brasileiro de HQs… quando você acha que é grande coisa sendo um (pseudo) autor importante de quadrinhos nacionais…
Bueno… lembre-se destes números.
Oubapo
Um tempo atrás o sr. Grampá escreveu sobre a Oubapo. Rafael Grampá possui grande cobertura da mídia (merecidamente, é um desenhista ímpar) e o que ele fala/escreve queima pelos rastilhos digitais de nossas vidas. A saber, a Oubapo (em resumida e infeliz conceituação) é uma proposta de experimentação utilizando quadrinhos como suporte. Ou uma brincadeira mesmo – com sua linguagem.
Cerca de um ano atrás fui convidado a participar da ‘regional Oubapo’ aqui da américa latina . Recusei.
A responsabilidade de fazer uma página de exercício mensal pareceu demais pro meu (parco) tempo livre. Considerando a quantidade de páginas que fiz desde o convite, estava certo em não aceitar: eu ia furar.
Este site está completando um ano de atualização razoavelmente constante. Desde então passei por várias fases: da suspeita à constatação. Da euforia à frustração. Busco atualmente uma certa resignação. Praticamente uma doença. Há um ano atrás eu sabia que o mercado brasileiro era brabo e inexistia – só não sabia quão brabo era… e o quanto inexistia.
Há um ano atrás acreditava que os maiores artistas do país, publicados por editoras eram de alguma forma remunerados e possuiam vendas minimamente expressivas. Hoje sei que não. Antes era um objetivo a ser alcançado: aprimorar-se para ser um dos melhores, publicar e ganhar algum. Hoje sei que isso inexiste. Os melhores não ganham nada. Os melhores não vendem nada. Então não há objetivo, não há pelo que correr – nada para se ir atrás. Não há como se viver disso, minimamente. Arte? Prazer pelo fazer o que se gosta? Isso é conversê de quem já tem o seu garantido, de jovens, solitários ou hippies. Não sou entre nehum destes.
Acho lamentável que os quadrinhos nacionais tenham se tornado isso: um passatempo. Ou mesmo um “desejo de expressão”. HQs deveriam ser livres. Acessíveis. Em quaisquer nichos, estilos ou finalidades. Acessíveis para quem as lê e para quem deseja fazê-las. Mas… não é assim. Histórias em quadrinhos, ao menos por aqui, tornaram-se um objeto de luxo. Para pessoas cool, para quem tem tempo livre ou grana (dá no mesmo). Não é o meu caso. Estou levando este site o quanto posso, mas perdendo qualquer objetivo, meu tempo livre começa a clamar por algo que me dê algum retorno. Coisas que os quadrinhos jamais darão, a não ser alguma satisfação pessoal que me é muito cara – em ambíguos sentidos. Não sei dizer ao certo se um dia abandonarei por completo o (não) ofício dos quadrinhos amadores, mas com certeza tenho de reduzir drasticamente meu tempo dedicado a ele. Desintoxicar. Acabar com este vício.
Um conselho (e como todo bom conselho, inútil): se você for jovem, com tempo livre ou mesmo alguém em boa condição financeira, faça quadrinhos. Muitos. Tantos quanto você puder. Corra atrás do sonho. Até quase morrer, se for preciso. Porque se você tem chance agora, talvez consiga trabalhar com isso algum dia. E a melhor coisa do mundo é fazer HQ.
Porque se você for adulto e tiver de se sustentar, você terá menos tempo para brincar.
Fico terrivelmente frustrado, magoado e infeliz com isto. Assim como as histórias em quadrinhos no Brasil, a Oubapo é para quem pode.
Não para quem quer.
Nada a dizer
Por mais incrível que pareça, a história em quadrinhos online Nada a Perder foi atualizada.
Praticamente um baluarte dos quadrinhos nacionais!
(Esta foi ótima!)
Hã… era isso.
Onde estão os escritores?
Ontem gastei uma grana do caramba.
Comprei 7 livros de histórias em quadrinhos nacionais.
O desenhos de todos os quadrinhos estavam – no meu gosto pessoal, na média ou acima dela. Apenas um dos ilustradores me decepcionou.
Agora, o que me assustou foi a qualidade dos textos. Não achei nenhum soberbo. Os melhores eram ou bons ou bonzinhos. Nada de muito bom ou ainda excelente e a maioria estava era meia boca, prá ser bem sincero. Sem falar dos preços – inacreditavelmente salgados. Poucas dezenas de páginas e muitas dezenas de Reais é pedir demais pro vivente. Se ainda fossem obras geniais, passava.
Não sou bobo e não vou dar nome aos bois, até porque o objetivo disto aqui é ser meu espaço pessoal e não sou crítico profissional. Mas na boa, fiquei bem desapontado com a qualidade dos argumentos. Faltaram conflitos pessoais, tramas mais elaboradas ou mesmo liçõezinhas de moral – pontos que acho cruciais numa HQ. Ou mesmo numa história, simplesmente.
Onde estão os roteiristas nacionais? De excelentes desenhistas estamos lotados, mas e escritores?
O interessante é que fui em busca da ‘crítica especializada’ sobre todas as obras que adquiri – e foi aí que tomei um susto maior ainda. Acho que na boa dezena de sites – ou mais, que olhei sobre estes livros, apenas um ou outro teceu comentários menos elogiosos sobre determinado trabalho – ou mesmo sobre o preço. O restante simplesmente enalteceu todas as edições que comprei, dizendo que eram a última bolachinha recheada do pacote. O engraçado é que aqueles sites que fazem resenhas também sobre os independentes, são mais realistas (sóbrios?) em suas críticas quando o trabalho não é um “livro publicado por editora”.
Perá lá! Posso não ser um profissional da área, mas passo longe de ser bobo – assim como todo leitor que paga mais de trinta reais por um livro. Esses ‘críticos profissionais’ devem ter mais cuidado na hora de escrever suas opiniões sobre quadrinhos nacionais ou este e aquele lançamento… não é porque estamos em um momento de expansão editorial tupiniquim que tudo são rosas.
Acho melhor as editorias começarem a cuidar melhor dos escritores e obras nacionais/autorais que publicam, senão isso tudo não vai passar de fogo rasteiro e a ressaca vai ser enorme.
Acho melhor a crítica parar de babar sobre os trabalhos em livros só por serem brasileiros, senão vai ficar mal falada.
E pior: assim como os livros de HQ nacional, deixar de ser lida.














