Tirado do ducentésimo mundo – o nome do fórum do Quarto Mundo (que na verdade se chama Quinto Mundo), está havendo uma discussão – a longas e lentas penas, uma discussão sobre o lugar e importância do roteirista em uma História em Quadrinhos. A briga ‘tá bem legal, apesar de lenta, muuuuito lenta. Em um mercado inexistente, num país onde não se lê, é obvio que os desenhistas tenham destaque. Por incrível que pareça, acredito que a internet vai resolver isto. É só aparecer alguém com saco e tempo para decidir publicar uma edição séria (pode ser independente e sem retorno finaceiro, nem por isso deixar de ser séria). E muito teeeeempo. Eu vejo a internet para autores nacionais como alguma coisa muito desorganizada (como o mercado?) e lenta.. Entendo porquê. A minoria tem outro emprego para sobreviver – haja paciência (e tempo E saúde) para trabalhar, fazer HQ e ainda participar da internet. A maioria que tem gás e quer fazer algo, é jovem – não começou a pagar as contas ainda e não chegou a sua maturidade de produção (eu não vou chegar nunca). Querem resultados agora, preferencialmente (como todo jovem) sem muito esforço. Quando têm de pagar suas contas – e alí talvez comecem a realmente fazer algum diferencial (graças à experiência ou idade), abandonam os quadrinhos. Talvez este seja até mesmo o meu caso.
A internet – achismo meu, irá proporcionar o meio termo – irá trazer alguém que dirá: temos espaço para x escritores em histórias de x páginas (idem a desenhistas). E dê-lhe tempo para esperar respostas e decidir quem escolher. Este “editor” tem de ser nazista com os textos, e budista com o tempo das respostas, nazista com os desenhos e budista com os desenhistas… o melhor do melhor. Já existem inúmeros esforços para se alcançar isto que estou falando – taí o Quarto Mundo, com edições criteriosas e bem cuidadas. Quantas já não houveram no Brasil – muito antes da internet? Porra, eu mesmo tenho pelo menos meia centena de edições independentes (prá não chamar de fanzines) que eram fodas… faltou continuidade, faltou divulgação. O problema é sempre o alcance – “que sejam poucos”, mas bons (olha a cauda longa). Talvez o Quarto Mundo – e as coisas sempre tem de vir de São Paulo (pobres paulistas), tenha que se preocupar muito em divulgação destas tentativas – e já o fazem. Mas talvez este seja o principal foco.
Querem criar um mercado? Beleza. Querem que ele tenha qualidade – mesmo tendo muito lixo, para que então determinado porcentual seja bom? Melhor ainda. Mas vejo algo pouco falado:
1º – Editores (ou como queiram chamar): cuidem, pelo amor de nosso filhinhos, dos escritores – eles são a alma de uma HISTÓRIA em quadrinhos. CAPS LOCK proposital.
2º – Divulgação: enquanto não houver uma estrutura inteligente e eficaz neste sentido, NÃO HAVERÁ NADA. A mídia tem o poder de levar o conhecimento às pessoas – disso ou daquilo. Graças à ela (mídia/divulgação), é que se consome tanto lixo (eu trabalho com isso). Se o material for bom – perfeito, ele será eternizado. Mas sem a mídia, não será visto (ou lido, no caso) e – lei máxima acima de qualquer Koetler da vida, então não será lembrado.
É isto. Acho que vou escrever mais sobre o tema para ninguém ler. E talvez comece a pensar em apenas editar um fanzine, pensando nos dois pontos que falei. Textos e divulgação de uma forma efetiva.