Não desenhe. Quadrinize*.
Há cinco meses eu cruzei com este conto:
Bedtime Story by Jeffrey Whitmore
“Careful, honey, it’s loaded,” he said, re-entering the bedroom.
Her back rested against the headboard. “This for your wife?”
“No. Too chancy. I’m hiring a professional.”
“How about me?”
He smirked. “Cute. But who’d be dumb enough to hire a lady hit man?”
She wet her lips, sighting along the barrel. “Your wife.”
Tentei fazê-lo desta forma, desta e também desta.
Hoje, de mau humor, decidi fazer e terminar essa porcaria (porcaria o meu trabalho porque o conto é ótimo) da forma que eu podia. Meu tempo já era.
Enfim. Acho que não sou o único que passa por isso – é bastante comum eu encontrar “projetos que mudarão o mundo dos quadrinhos” que não passam de esboços ou maravilhosas ilustrações. HQ que é bom… Eu entendo, eu entendo. Também passo por isso. Mas pensando um pouco se você tem interesse em se divertir contando histórias em quadrinhos (online ou não) o importante é fazer – passar a mensagem. O humor já descobriu isso faz tempo e – mais recentemente, anda levando isso à ponta da faca – quantas webcomics você conhece que são ótimas e desenhadas com palitinhos, usam fotos etc?
A não ser que você intente trabalhar com isso, vá se divertir e pare de desenhar – quadrinize.
Eis a HQ online História de Ninar. espero que se divirta lendo. Eu me diverti fazendo.
*Podia (ou pode) ser quadrinhize. Mas acho feio prá caceta.
Alma gaúcha

Mais uma ilustração digital. Feita há um ano atrás. Talvez um pouco mais. Ou um pouco menos?
As marcas d’água foram aplicadas porque é um trabalho – ahan, profissional, pago. Favor não ficar utilizando por aí fazfavor (essa gauchada não tem limites… nem pouca vergonha)!
Como dizem pelos pampas daqui… barbaridade, tchê! Bagual (ou bagualeza)!
Hm. Será que se escreve bagualesa com S?
Caiu na rede…
- Os melhores desenhistas e escritores do país, decidiram se (re)unir para tentar a sorte no estrangeiro: Inkshot – a nata dos quadrinhos brasileiros.
- Belíssimo trabalho de Pedro Franz com a história em quadrinhos Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo. Aliás… vale a pena também dar uma olhada geral no blog do projeto.
- Os passarinhos, de Estevão Ribeiro.
- Vicente Cardoso nos apresenta sua webcomic Gangue Zero.
- Compre a HQ Katita – de Anita Costa Prado, leve uma pen drive.
- Neste site vemos algumas HQs online de Victor Freundt (e Bruno Bispo). Os mesmos da série SEIS que continua firme e forte.
- Aprenda a fazer ilustração digital com o Akira Sanoki.
- Tenho que aprender a fazer ilustrações sem objetivo como o Fernando Torelly.
Sábado dos Meus Amores
Não serei hipócrita: Sábado dos Meus Amores é para poucos.
Ou ainda mais honesto: tive dificuldade em ler este trabalho de Marcello Quintanilha (quando considero algo complexo, meu ego julga que a maioria também achará).
A começar pela arte. Vigorosa e minuciosamente pesquisada, Quintanilha me leva a um passado melancólico de cores difusas. O cuidado é recompensado, a representação é tamanha que me senti como se estivesse lá. E é justamente aí que considero uma obra ímpar em nossas terras. O autor tem um controle sobre seu trabalho que pouco se vê: cada personagem tem personalidade própria, cada história uma voz única. Raríssimo de se encontrar.
Todas as HQs possuem um recorte preciso, elegante e incômodo da realidade. Uma realidade que finje-se não existir. Seja em em lugares lúgubres comuns a grandes centros, seja na passagem de um circo por uma cidade qualquer ou ainda na mais distante praia esquecida pelo almejado temido ‘desenvolvimento’. Vejo até um certo humor no livro, que desdenha de nossas crendices, tolices e outros ices. Confronta a beleza da ingenuidade com o assombro da ignorância.
O conto que finaliza o livro resume bem estas dualidades: no mesmo ambiente há uma multidão em êxtase enquanto logo alí, ao lado, pode-se morrer por pequenos egoísmos e grandes intolerâncias. Sozinho em um descampado. A solução é correr à realidade, mesmo que medíocre – para salvar nossas vidas.
Guardei o livro na estante, aguardando pela próxima dose de realidade. Espero que eu esteja em forma para correr bastante.
Sem achismos sobre o quadrinho nacional
Já que o pessoal que curte HQ não lê mais que um parágrafo de texto, vou aproveitar e xingar todo o universo. Todo mundo curte um bafafá e este tipo de coisa dá ibope (no caso, acessos). Alguém mais atento pode perceber que o xingamento é como atirar pedra no telhado do vizinho, tendo seu próprio telhado de vidro. Mas eu vejo que é mais como cuspir prá cima.
- O quadrinhista nacional adora chorar pela falta de retorno, de reconhecimento. Realmente, é uma linha de raciocínio engraçada.
- Não há reconhecimento, porque não há público interessado. Se não há leitor, então não há mercado. Havendo mercado, haveria dinheiro, que move a bagaça, que interessa a todos (viver de quadrinhos, se você está confuso), que cria a competição e que por, fim também gera reconhecimento.
- Dos melhores, é claro.
- Por que não há público leitor interessado? Bom é porque as histórias em quadrinhos nacionais ou são muito ruins ou não objetivam o leitor médio, a maioria. Escolha o que seu ego deixar.
- Há a desculpa da distribuição também, se você quiser. Mas com internet hoje em dia… onde o que gera interesse, queima feito rastilho de pólvora… Você vai precisar de um ego muito bem treinado para se enganar desta forma.
- Ah, sim. A desculpa dos enlatados inundando as bancas, não cola mais. Lamento.
- Cada vez sê lê menos? Fato. Cada vez se lê menos em suportes e mídias tradicionais? É uma tendência.
- A desculpa de ter que trabalhar para se sustentar e não poder se dedicar aos quadrinhos é por demais válida.
- Só não me vem chorando depois que ninguém tem interesse pelo seu parco trabalho.
- É dá ou desce.
- Suspeito que a maior parte dos autores nacionais que tiveram destaque nestes dez anos passados, viviam com os pais ou alguém os sustentava, de alguma forma. Sem problemas – eu queria estar nesta fatia!
- Como não existe mercado, não há salários e produção contínua, nem amadurecimento por parte do autor. Sem amadurecimento, a obra do cara não cresce em leitores.
- Baita círculo vicioso.
- Complicadíssimo sair dele – mais fácil é se iludir e se achar um Frank Miller ou um desenhista qualquer que você curte.
- Mas no mundo real, quem decide isso são os leitores – não aqueles seus dez amigos, não você. Se você não tem leitores suficientes… Well. Ficamos restritos a autores apaixonados/amadores que não pensam seu trabalho de forma mais comercial (até porque ela não existe). Quem vai culpá-los?
- Para crescer como autor, a coisa vai ter que ser por amor. Por um bom tempo. Até achar o caminho: leitores. Lamento.
- Amar é não pedir nada em troca. Muito menos reconhecimento.
- O álbum de histórias em quadrinhos brasileiras que mais vendeu nos últimos anos deve ter alcançado, uns dois mil exemplares. O autor deve ter ganho entre 8 e 12 mil reais. Há quem diga que mal vendeu quinhentos exemplares. E até me destilaram que ele topou publicar de graça (espero sinceramente que não seja verdade)!
- É um trabalho de um ano ou mais. É normal um trabalho destes, no Brasil, levar três anos de produção. Alguns demoram até cinco anos.
- Agora pegue o que ele ganhou e divida pelo tempo de trabalho. É. Qualquer desenhista razoável ganha mais que isso em uma agência de publicidade, escritório de design ou produtora de vídeo. Mesmo as furrecas. E por mais escravizado que ele seja nestes lugares, é menos trabalho que um projeto destes. Claro, não estou escrevendo agora sobre realização pessoal.
- Na última década não devem ter havido cinco autores nacionais que alcançaram metade deste marco – em vendas e valores. Estou desconsiderando, obviamente, obras infantis/humorísticas e vendas para o Estado.
- O(s) autor(es) que consegue lançar um livro, o faz(em) por interesse próprio – está a fim de contar as histórias deles, não aquelas que seriam assimiladas por uma grande massa. Não vejo absolutamente nada de errado nisso. Eu mesmo queria poder fazer isso.
- Histórias autorais são nichos, uma parcela que existe dentro dos tipos existentes de quadrinhos. Cada um objetiva o que quer. E tem o retorno que merece. O interessante é que trabalhos autorais são normalmente uma minoria, dentro do universo/mercado de publicações nos quadrinhos – mas no Brasil são a supremacia atual do que é publicado, quando se refere a autores nacionais. Ah, sim. Não existe mercado, então estamos apostando na elite que compra quadrinhos. O que acho um bom negócio, não extamente uma boa idéia.
- Culpa das editoras? O investimento para lançar um autor brasileiro nacionalmente é muito maior que comprar quadrinhos estrangeiros. E com muito mais riscos. Vocês comprariam um gibi do Alan Moore, Grant Morrison ou do Daniel Mané?
- Claro que há politicagem na publicação e em editoras. Em que mundo você vive? Existe politicagem até na compra e venda de carnes, pro açougue mais fuleiro. Você não vai fugir dela, em nenhuma área. Mas com um trabalho acima da média, você fura a politicagem.
- As editoras são livres para fazerem o que quiserem – vivemos em um estado capitalista, se você ainda não percebeu.
- A saber (tem muita gente que nem faz idéia do que é o capitalismo), este regime basicamente permite que você trabalhe no que quiser, ganhe o quanto puder e gaste esta grana no que der na telha. Obviamente, há leis que gerenciam e limitam esse monstro, como em qualquer regime – então não seja mala. Injusto? Com certeza – tudo feito pelo homem é. Mas prefiro este regime a um que limita no que você pode trabalhar, até quanto vai ganhar e não deixar gastar no que quiser.
- Então depende de você, e apenas de você, correr atrás do prejuízo. Você quer? É contigo – corre atrás. Chorar, lamento, não adianta. Não vão te dar (ou comprar) teu gibizinho, só porque você quer. Ninguém se interessa por choradeira – agora, por um trabalho bem feito, é possível. Quem decide o que é bom, pode até ser você – mas quem paga pelo seu trabalho é o leitor, então… bom, deixa prá lá.
- Agora, se você quer imprimir (ou participar de) um gibi e ninguém está interessado em bancar, por menor que seja o valor ou a tiragem, não existe a possibilidade do trabalho… não for bom? Enviei Muertos a umas três editoras – nenhuma se interessou. Gosto de pensar que o desenho não estava a altura da história, mas resigno-me ao fato que meu trabalho não teria boa aceitação – não venderia o suficiente para valer a pena.
- Incrível também como o quadrinhista brasileiro acha que o caminho é conseguir verba pública.
- Quer dizer… pode até ser – prever o futuro é estupidez. Acho bem legal o Estado colocar HQs na escolas, como meio narrativo ou ainda, educacional.
- Mas me pergunto: se não há interesse por parte da iniciativa privada (entenda-se: de uns poucos) colocar dinheiro em um projeto destes porque não há público, mercado etc e não haveria retorno, por quê seria correto torrar grana da união (entenda-se: de todo mundo) em algo assim?
- Há quanto tempo isso é feito no cinema nacional mesmo? Quantos destes projetos se pagaram?
- Ah! Aquele projeto se pagou? Então não precisa de verba pública, ora bolas!!!
- Aindassim, a desculpa de ajudar, de ser uma iniciativa, é válida.
- Mas é isso, uma iniciativa: uma coisa é capacitar, auxiliar inicialmente para que depois se caminhe com as próprias pernas. Outra é sustentar, viciando no investimento sem cobranças, objetivos e responsabilidades. Sem rodinhas, por favor, a certeza do futuro está em pedalar sozinho.
- Não há almoço grátis – alguém está pagando por ele. E se está pagando, tem de ter retorno, senão é insustentável.
- Enquanto isso, vou me inscrever em algum edital também.
- Distribuição. Grande problema.
- Envolve muita grana, muito risco. Coisa que ninguém sensato faria. Ricos e idealistas são poucos hoje em dia. Isso existe mais em mercados caóticos. Estamos em uma economia estável e muito bem calculada sobre custos/benefícios.
- O Brasil já teve uma economia caótica. Curioso como nessa época haviam tiragens tão altas, não?
- Eu sempre me pergunto como conseguiram abandonar (ou eliminar) tantos leitores entre as décadas de sessenta e oitenta. Não consigo nem imaginar um boa resposta sobre isto, por mais que me esforce.
- O negócio é internet, distribuição alternativa, segmentada, associada a pequenos distribuidores de produtos variados e semelhantes (ou nem sempre). Juntar-se a outros e trocar figurinhas. Sofrido. Demorado.
- O trabalho autoral independente imprime em gráfica as suas revistas – de quinhentos a mil exemplares. Estas cópias podem demorar anos para escoarem, atualmente. Muito trabalho, muito tempo. Tem que estar a fim. Não acho o melhor caminho, mas pode dar certo, tendo saco, tempo e grana. Com sorte, muita sorte, você empata ou tem pouco prejuízo.
- Animador?
- Super-heróis (brasileiros). Tema delicado. Não tenho nada contra. Sério.
- Não há dúvida que para, efetivamente viver de quadrinhos – por mais que poucos meses ou anos, você tem que criar seu universo, seus personagens (heróis, mangá, infantil, etc). Mas sempre algumas coisas me vêm à mente quanto a isto… e elas se aplicam a qualquer temática, estilo etc – vou usar ‘heróis’ porque sempre leio muito sobre isso.
- Muitos choram que as editoras não tem interesse nesse tipo de coisa. Será? Ok – você faz gibi de heróis… mas desenha como o Marc Silvestri? Olha o ego…
- Ah, desenha igual? Tudo bem, eles não querem o Marc Silvestri, porque eles já tem o Marc Silvestri. E sai muito mais barato que você. E é provável que ele seja mais conhecido também…
- Sinceridade: por que alguém se interessaria num personagem (brasileiro ou não) com os poderes do Super-Homem, com a roupa do Spawn com as histórias do X-Men? Bom, você talvez até goste deste tipo de coisa, sem problema – é um mundo livre. Uma coisa é usar o deus grego Morpheus outra é usar o personagem/histórias criadas por Gaiman no Sandman.
- Já eu, preferiria os originais.
- Aí vem a questão. Você é original? Eu não sou.
- É muito difícil ser original. Precisa de muito trabalho, muito tempo e nenhuma choradeira. É mais fácil usar a estepe de outros (personagens, histórias etc) e chorar. Ou fingir que é original. Os estrangeiros mesmo vivem se ‘inspirando’ entre eles – não é uma característica regional, não se preocupe. Lá fora, quando a cópia dá certo, usualmente é porque seus autores já são famosos e possuem seu séquito que os sustentem.
- No fim eu não choro (mais). Estou nessa de HQB há menos de um ano, mas aprendi bastante. Parei de chorar.
- Quadrinhos, no Brasil, é passatempo.
- Como croché, artesanato, quebra-cabeça de 10 mil peças… a maioria dos caras que fazem quadrinhos no Brasil trabalha com outra coisa e quando dá, faz um quadrinho ou outro.
- Por que eu não fui fazer croché?
- Vendo a bagaça como passatempo, você não cria ilusões – ser amado, premiado, remunerado blábláblá. Não criando ilusões, você não se desilude.
- Tem muita gente que faz desta forma (um passatempo). Como um bom passatempo, você faz e joga prá dentro da gaveta.
- Não há como ter idéia do tamanho, quantidade ou qualidades de HQs feitas assim – elas não saem da gaveta, lembra?
- Todavia há gente que possui tamanha paixão (leia-se ego) que gosta de mostrar o que faz. Mostra para encontrar seus iguais, para ser elogiado, para ter maior conhecimento da existência do seu trabalho. Normal. Busque sites/blogs de artesanato na internet.
- Este site é um exemplo disso.
- Há aqueles que não somente satisfeitos em ter um site, propagam pelos mais diversos meios digitais sua existência (olha eu de novo). Querem que suas histórias sejam mais conhecidas. É a velha máxima: qual o sentido de contar histórias senão para alguém ouvir? E também querem mais elogios, óbvio. Faz parte da brincadeira. Já que, dinheiro que é bom…
- O problema é que de toda ação, vem uma reação (sic). E esta reação pode ser… nada. Nenhum acesso, nada de links, nadica de nada.
- O que significa isso? Que você está a frente do seu tempo? Pode ser. Que você é um incompreendido? Com toda a certeza do mundo. Mas – se o seu interesse é ser compreendido, lido, sai de baixo da cama, pare de chorar e faça algo que gere interesse, acessos e links. Ou não. Ah: ter leitores das porcarias que você escreve sobre o trabalho alheio e não leitores da porcaria do trabalho que você escreve/desenha, acredite – não é um bom negócio…
- Mas cada um vive na realidade que lhe convém ser mais feliz.
- A propósito: pare de ler isso aqui e vá ler as HQs que eu fiz!
- Por favor?
- Pelamorde…?
- Outra reação possível é a opinião alheia. Ela é sempre bem-vinda quando positiva e um um desastre quando negativa? Muito pelo contrário.
- Melhor um carrasco que te decapita a um ‘amigo’ que faz você queimar lentamente na fogueira. Dói mais, ao meu ver. É muita presunção achar que todos irão amar o que você faz. E pior ainda é destratar aquele que – educadamente, diz que não gostou do seu trabalho.
- Claro que há de se separar o joio do trigo. A opinião pode ser ofensiva e desnecessária e isso não é opinião: é xingamento. Chamar o cara de idiota, imbecil (para não cair nos termos de baixo calão), torna a crítica muito pessoal e completamente irrelevante.
- Já vi boas resenhas (nem sempre tão positivas) de trabalhos que se estragaram por chamarem o autor de panaca… ou algo pior. É comum confundir o trabalho e o autor. É comum ter mais gente disposta a escrever mal de alguém ou algo do que encontrar um disposto a apoiar. Apoio dá mais trabalho, é comprometedor e pode ser vexatório. Destruir é rápido e indolor.
- Gostar ou não gostar sem dizer porquê complica tudo e tem de ser mágico para entender uma opinião, tirar o melhor proveito dela. Boa ou ruim. Mas ouça/leia de qualquer forma. Sempre.
- Se forem opiniões negativas, não fique arrasado, não desista, não desanime. Se quiseres começar a ter retornos mais positivos, muito pelo contrário: faça melhor. Faça mais. Traga uma resposta no seu trabalho. Não em respostas à opinião. Mas isso depende de você e do que você quer. Você pode inclusive se cercar de amigos que só te querem bem e nunca o criticam de fato. Qual o problema nisso?
- O caminho que for, dane-se o mundo. Siga o caminho que te faz feliz.
- Tem gente mais doente ainda que busca a crítica especializada. Manda seus trabalhos a jornalistas, revistas e sites.
- Tipo eu.
- Antes de mais nada – não são os desenhistas ou escritores uns babacas convencidos. Uns exibidos insuportáveis. Como escrevi dia destes no Orkut, quando estamos entre nossos pares, tentamos sempre parecer mais que somos – nos mais diversos aspectos pelos mais estranhos motivos. Cerceando pelo tema (área de atuação), é só olhar qualquer encontro de professores, engenheiros, advogados, administradores, médicos, publicitários etc. Percebe-se um certo ódio e arrogância entre colegas de profissão. O ego não cabe apenas aos quadrinistas (eu prefiro quadrinhistas – de quadriNHos), ele é natural, uma característica da condição humana.
- Voltando. Essa crítica pode vir (o cara publicar no site, revista, jornal etc) ou não. Se não vier, quer dizer que você não se encaixa no perfil da publicação (o Omelete não é o inimigo – eles publicam o que querem, pô!) ou o seu trabalho… bom, você sempre pode recorrer à lógica da raposa, onde as uvas estão verdes. Aliás – só o fato de se dar ao trabalho ao apresentar alguma análise de um trabalho suspeito como o meu, como aconteceu em Muertos, é prova que há o interesse dela (a crítica) em alavancar nossos próprios criadores. Nenhum crítico é obrigado a ceder espaço com material brasileiro. Não se esqueça disso nem dos que o fazem.
- Acho muito complicado criticar. Tanto que parei com meus achismos sobre outros trabalhos. A crítica especializada, o jornalista, tem o dever de equilibrar valores, julgá-los e apresentar de forma inteligível, justificada e interessante.
- Duvido que alguém tenha lido até aqui, mas este texto é um exemplo claro disto: eu não sei fazer isso.
- Na verdade acredito que muito poucos sabem – mesmo entre os ditos críticos.
- E é complicadíssimo, ao crítico, falar de HQB. Ele não lê isso, normalmente. E quando leêm é mais complicado ainda – (os bons críticos) provavelmente sabem decor e salteado tudo que escrevi aqui. E aí tudo se torna relativo.
- Daí surge a crítica ‘chapa branca’. O que é um baita pepino – pode atrapalhar mais que ajudar por simplesmente tendenciar o leitor ao erro e a decepção. Decepção esta que ele vai, para sempre, associar ao quadrinho nacional.
- Uma coisa é divulgar. Outra é falar bem por falar – apenas por ser HQ brasileira. Há também as iniciativas opostas – que pensam ser válidas por humilharem as outras. Ao meu ver, aquele que se considera crítico/resenhista ‘profissional’ não pode produzir quadrinhos. Ao também fazer HQ, toda sua visão fica comprometida e é comum que suas críticas sejam aplicadas… a eles mesmos! O crítico que escreve sobre você hoje é aquele que te convidou pruma parceria ontem (e você não pôde aceitar seja qual motivo for): bom, eu não queria estar na tua pele.
- Criticar não é puxar o saco. Também não é falar mal. É interpretação. E muito poucos conseguem interpretar coisa alguma. Eu já vi de tudo: inclusive crítica escrita por gente que não leu o trabalho analisado.
- Sério.
- Sim. Há muita picaretagem no meio. Amigos dos amigos. Ego. Eu sei: é impossível fugir do ego (ele serve entre tantas outras coisas, como ferramenta para ter a consciência de que… bom, se existe). Ele é humano e em boa parte, responsável por avanços, evoluções, insurreições ou revoluções. O que é bom.
- Mas há o ego prejudical, malicioso. Aquele pelo qual se usa os outros apenas para se dar bem, pelo qual se fala mal do alheio, para colocar alguém para baixo e fechar portas que nada interessariam ao detrator.
- Isso é normal em um mercado – competição e tals. Mas… não existe mercado! Ninguém ganha grana e todos perdem com este tipo de atitude! Falar mal do cara ao lado, que faz quadrinhos nacionais – existindo tão poucos leitores, é falar mal sobre as HQs nacionais! Então acho engraçado. Hilário.
- Ajudem-se. Amem-se. Daniel para presidente (ou autor de livros de auto-ajuda)!
- Eu tenho predileção por HQB – não fosse não escreveria tanto sobre, nem compraria tanto material nacional. Tenho admiração e respeito por tamanha paixão e heroísmo numa luta inglória e sem medalhas. Fico impressionado quando alguém – sem ganhar um tostão ainda por cima, surpreende com um trabalho de qualidade ímpar. E curto fazer também minhas historinhas, é óbvio. Ali, quando dá. Na manha.
- Mas precisamos nos unir de alguma forma, sem iniciativas demagogas, falácias ou meias verdades.
- Não precisamos de salvadores. Precisamos de uma visão maior, sobre o todo, que deve ser construída em conjunto. E bons trabalhos que falem por si.
- Jamais escreva algo sobre o que expus – ou da forma que fiz. Você acaba por ganhar muitos desafetos.
- Mas… e aí? Por que nunca deu certo? Não nos falta sermos mais honestos e abrirmos nossas portas? Para não repetirmos mais os mesmos erros? Não nos falta auto-crítica? O que é outro ponto interessante: não podemos nos criticar? Ter opiniões? Mesmo que diferentes? Você pode ter uma visão diferente da minha e, respeitando-me, não vai se tornar meu inimigo, acredite.
- Eu na verdade vou ficar de olho em você, bem de perto. E prezá-lo como alguém (no mínimo, ao menos) que tenta, que pensa. Claro – isso se você tiver algo a dizer, além de xingar os outros. Ou de tramar retaliações por baixo dos panos, entre seus pares.
- Nenhum destes pontos acima são indiscutíveis, confirmáveis ou criveis. São meus achismos, até agora. Posso mudar de opinião amanhã. Faço isso o tempo todo. Tenho a ilusão que corro à busca de amadurecimento. Ego, com certeza.
- Duvido que alguém leia isto. Muito grande. Nem eu leria. Quem está interessado? Nem eu estou!
Ok, esta última é mentira. Mais uma, entre 100.
O Circo de Lucca
Circo de Lucca | Dezembro de 2007 | 136 páginas | 16,5cm x 24cm | capa colorida e miolo… às vezes também
LuCCA. JoZZ.
Na primeira cruzada que tive com esta edição, ela não me atraiu muito. Canalha como sou, vejo antes desenho que coração. Os traços estavam todos lá, em uma mesma história, misturados em técnica e estilo. Páginas coloridas e outras PB. Esquisito. O problema prá mim nem era tanto a qualidade técnica das ilustrações, mas sim que elas beiravam muito ao cômico. Tinha algo de Estranhos no Paraíso no traço, o que me deixou confuso e sendo uma obra brasileira, inseguro. Devir??? Realmente, muito esquisito. Infelizmente talvez seja o que muitos podem pensar ao folhear este lançamento – o que é uma pena.
Semanas depois acabei lendo uma resenha sobre o livro no Quarto Mundo. E meu preconceito ignorante se foi, substituido pela urgência em adquirir o exemplar. Corri para a banca, esperançoso que ainda estivesse lá. Estava. Após ter lido, agradeço aos céus que não a tivessem vendido. Mas espero sinceramente que venda muito e – se estiver me lendo, que seja um dos agraciados pela leitura de tão belo trabalho.
O livro brinca com o tema de biografia e isto me deixou intrigado. Autobiografia? O projeto vem da conclusão de curso em Desenho Industrial, que Jozz frequentou, e tem como idéia a narrativa da personagem Lucca em fazer uma história em quadrinhos. A personagem cursa Desenho Industrial. O texto revira a metalinguagem dos quadrinhos – imagine alguns dos tópicos dos livros de McCloud e Eisner cruzando por uma HQ, mas com a orientação do autor/personagem para contar uma história. E que história!
(Metalinguagem da HQ? Putz Essa doeu. Deve ter rolado cada papo cabeça no desenvolvimento deste trabalho… zulivre.)
A história é leve, rápida e – enquanto somos levados junto com o autor/personagem na criação de seu trabalho, é muito divertida de se ler. Divertida sem ter aquele humor besta facinho. Trata muito do cotidiano do desenhista/escritor/roteirista e aí que fico me perguntando o quanto de Jozz tem em Lucca. Mas com certeza muito de Lucca ficou em Jozz. Claramente vemos no decorrer de toda a HQ o esforço e dedicação do autor na produção deste trabalho. As horas de desenho, o sacrifício em desenvolver hercúleo, inteligente e sensível projeto. Imagino a percepção sobre quadrinhos que Jozz deve ter ganho ao finalizar o Circo de Lucca. Uma percepção compartilhada a todos que a lerem.
Leitura obrigatória meninos. E meninas.
Sou formado em Desenho Industrial pela Universidade Federal de Santa Maria. Vi muita gente fazendo seu trabalho de conclusão de curso sobre quadrinhos – não foi meu caso. Eram Scott McClouds prá lá e Will Eisners prá cá. Todos reclamavam que não havia muita bibliografia. No final do livro ainda foi colocado o desenvolvimento teórico, (des)escrito, da TGI. Há boas referências e conceituações a serem exploradas – bem como a própria bibliografia que usou. Se estiverem pensando em trabalhar na sua dissertação de final de curso com histórias em quadrinhos, a leitura do Circo de Lucca é indispensável.
Se quiser trabalhar profissionalmente com HQ, também.
Compre a sua. Visite o site do autor.
* Atualização – 14/07/08
Bom. Aqui não é lugar de resenhas. Eu não faço resenhas. Isto é coisa de crítico e não sou um crítico. O que exponho aqui são meus achismos – minha visão sobre a experiência que tenho ao ler determinada obra. Por isso também não tenho preocupação maior em descrever a obra – seu enredo, desenvolvimento, etc. Como perguntaram, vou colocar algumas palavras extras sobre O Circo de Lucca.
O Circo de Lucca trata sobre algo que talvez seja familiar a todos que produzem quadrinhos: a criação de uma HQ… que faça diferença! Talvez se aplique mais a escritores (Jozz escreve e desenha a edição), mas com certeza também atinge os desenhistas, que querem seu lugar ao Sol. A trama se desenrola através do cotidiano de Lucca em busca da criação de uma personagem marcante, única – um herói. Sim. Uma personagem pode ser um herói e necessariamente não precisa voar. Imerso na preocupação de produzir um marco nas HQs (exageros incluídos), surge numa daquelas sacadas/insights inexplicáveis algo que insiste em atormentá-lo de forma onírica e engraçada: um palhaço. A trama se desenvolve em um crescente, paralelamente entre o cotidiano do artista e a construção do conceito de o que é um herói: a utilização do tema aplicada aos quadrinhos é que vem toda a brincadeira da metalinguagem genialmente sacada por Jozz. O que é uma HQ e como ela pode ser feita? O entrosamento da narrativa é ágil, muito bem construído e seu final – que obviamente não irei contar, é soberbo. Imperdível, como já disse.
Links de Histórias em Quadrinhos
- Prefácio. Inferno Verde – HQs online da Ligazine.
- DW tem um (outro?) blog.
- Troquei um ou outro e-mail com Emmanuel Thomaz. Recebi dele o Horizonte Zero #1 e #2. Com textos de Marcelo Marat, é impressionante a qualidade deste trabalho. As revistas em PDF podem ser pedidas gratuitamente através do e-mail nitronorato@bol.com.br. Recomendo.
- Aproveitando – o sr. Thomaz trabalhou também no Máscara Noturna, que comprei através do Bodega. Ainda vou falar deste trabalho. Falar bem.
- Essa greve dos correios tá me fodendo. Tou com meia dúzia de coisas no limbo. Se elas virarem pó, vou ficar p da cara. Também querendo fazer novos pedidos, mas… tá louco. Vou deixar passar uma semana depois que retornarem da greve antes de comprar qualquer coisa.
- Adoraria falar mal da estatal (mista?) dos Correios, mas a verdade é que – ao contrário do que ouço e leio, sempre obtive um excelente relacionamento com os Correios, e não tive nenhum extravio nestas mais de trinta revistas que encomendei ultimamente.
- Você já leu as matérias do Pop Balões?
- Interlúdio. Nova. Mais quadrinhos online da Ligazine.
- Novas páginas da bela proposta Diálogo com a Morte.
- Fuçando: Muco Medieval e a A Baleia Adolescente.
- Recebi dois e-mails esta semana perguntando por quê não gosto de tiras. As pessoas gostam de tirinhas, cartuns, estas coisas relacionadas ao humor e que sejam engraçadas. Ainda escreverei sobre isto.
- Não que não goste de humor, só gosto de quadrinhos mais… longos.
- Vou pedir comissão do Pablo Mayer depois desta propaganda toda… Falando nisso – já comprou A Casa ao Lado? Vale a pena.
- Li no Quarto Mundo uma resenha sobre o Circo de Lucca – de Jozz. Admito que cruzei por esta edição na banca. Não me interessei muito (agora o autor me mata) e não comprei. Amanhã será mais um dia de falar com Jesus – desta vez sobre Jozzus. Percebi duas coisas no referido texto: a) eu também sofro dos pontos que falei sobre decisão de compra; b) o sr. Simões escreve mais do que eu.
- Vi os lançamentos do Bodega. Tive atenção especial ao Boca do Inferno #2 – que liberou amostras de páginas, após árdua campanha. Um fato interessante é que a HQ do Laudo – Eles podem voltar, é desenhada sobre o mesmo conto de Cidade Fantasma. Bom. Talvez não há nada de interessante sobre isto, de fato.
- Já escrevi que esta greve dos Correios tá me enervando? Quero comprar Encantarias. Que saco ter que esperar esta greve acabar…
- Posfácio. Alice. Quadrinhos online. Adivinha de quem.
Prismarte
Após alguns atropelos, recebi os Prismartes que comprei no Bodega. #36 e #45. Junto, gentilmente me foi enviado o Informativo do Quarto Mundo #0. José Valcir ainda me anexou uma carta (provavelmente padrão) expondo que estava saltitante por ter adquirido exemplares. Não meninos, ele não escreveu saltitante. E perguntou:
Aproveito a oportunidade e gostaria de saber o que você gostou?
Prismarte #36 | Outubro de 2006 | 32 páginas | 14cm x 20,5cm | capa colorida e miolo P&B
Possui as seguintes HQs:
- O Morro dos Ventos Uivantes com texto de Magno e arte de Bia Selva
- Ciúmes com texto de Leonardo Santana e arte de Milton Estevam
- O Inferno de Acordo (com as histórias cabeludas de Rodrigo) com texto de Bruno Machado e arte de Silvio dB
- O Machado com texto de Abs Morais e Léo Andrade
- O Chamado com texto de Leonardo Santana e arte de Gérson Borges
Ainda conta com o conto (…) Viola de Abs Morais, introdução da edição e contra-capa com divulgação do próximo número. No meu urmiude (humilde, para quem sabe escrever) achismo, os destaques ficam para os pustas (não falei putas) desenhos de Milton Estevam, o bom roteiro de dB e a arte da primeira página de Leo Andrade. Primeira página? Continuando. Todavia o trabalho que mais chamou minha atenção fora o conto de A. Moraes. Muito bom e bem quadrinizável, apesar de não ter gostado muito de sua conclusão. Moraes, em uma idéia simples, dá uma aula de narrativa e construção de diálogos, com parágrafos precisos, palavras bem escolhidas e no ritmo certo. Até me senti meio nostálgico, talvez por ter me identificado de certa forma com o texto.
Prismarte #45 | Novembro de 2007 | 40 páginas | 14cm x 20,5cm | capa colorida e miolo P&B
Possui as seguintes HQs:
- Kwi-Uktena com texto de Wilson Vieira, arte de Fred Macêdo e letras de Felipe Lima
- Sutileza da Morte com texto e arte de Rafael Pereira
- Precisa-se com texto e arte de Bira Dantas
- Fuga com texto de Alexandre Lobão e arte de E. C. Nickel
- A Volta do Papa-Figo com texto de Leonardo Santana e arte de Dell Rocha
Figuram em seu conteúdo: editorial, um texto sobre o que pretendem em 2008 e contracapa com divulgação do próximo número. Ainda possui O Pecado um conto de Leonardo Santana e A Loira do Banheiro de Alexandre da Costa. Esta edição surpreende até os mais experientes na leitura do terror. Não saberia destacar alguém aqui – todos os trabalhos estão num nível surpreendente e asseguro, àqueles que adquirem a revista, que não irão se arrepender. A Loira do Banheiro me deixou especialmente perturbado mas todas as parcerias (ou solos) neste número trabalham com extrema habilidade. Tenho comprado aqui e ali lançamentos voltadas ao terror – algumas com alcance nacional, mas levam um banho deste número da Prismarte
O que lhe chamou mais a atenção para adquirir a Prismarte?
Definitivamente o tema de terror. Foi o que me fez comprar estas edições em específico. Sou um aficcionado por terror/horror. A utilização de prévias no Bodega foi decisiva na minha compra. Aconselho a vocês a utilizarem o mesmo recurso no catálogo de vocês, no site da Prismarte.
Onde a conheceu: saite, comentário de alguém?
Conheci anos atrás – através de buscas na internet – não lembro exatamente como, mas me interessou muito. Todavia do conhecimento da existência à compra, foram anos até surgir o Bodega. Aliás – escrevi uma ou outra vez para vocês… mas os formulários sempre davam pau (essas coisas a gente não deve expor na internet, como fiz agora).
Quais são suas perpectivas com nosso trabalho?
Hm. Não entendi. Perspectivas? Acho interessante a proposta atual do Prismarte – de fazerem números ‘temáticos’, mas – também graças a isso, acho difícil manter uma regularidade de leitores. Quem compra terror, compra mangá? Estou sempre atento ao site de vocês. Vamos ver os próximos movimentos.
Se pretende adquirir (outros números) ou fazer assinatura da Prismarte?
Olhei o site de vocês e não encontrei assinaturas. Vocês dispõem de que vantagens aos assinantes? Desconto de quanto?
São respostas que muito nos interessa para construir uma revista sólida e comprometida com o leitor.
E assinou. O sr. Valcir além de gentil é muito humilde. Prismarte JÁ é uma revista sólida e comprometida com o leitor e NÃO precisa de um mané como eu para confirmar isto. Não conheço ninguém no mercado independente que tenha o fôlego e preocupação que esse pessoal têm nas suas já 47 edições (!!!).
Bem impressa e editada, com trabalhos de alto nível, são edições essenciais na coleção de qualquer leitor de quadrinhos que se preze. Compre no Bodega (#36 e #45 que comprei) ou entre em contato diretamente com o pessoal da PADA – Produtora Artística de Desenhistas Associados.
Ah – e peça que coloquem amostras de páginas no catálogo deles! Será que sou o único que insiste com isso? (Só não diz que falei isso, que já tô começando a receber ameaças por encher o saco com isso).
Nanquim Descartável
Nanquim Descartável #1 | Outubro de 2007 | 32 páginas | 17cm x 26cm | capa colorida e miolo P&B
Teoricamente é fácil falar sobre Nanquim Descartável. Fácil porque é uma história em quadrinhos surpreendentemente boa. Só não é fácil por dois motivos: minha incapacidade de entender como se conseguiu chegar a este resultado. O outro motivo é obviamente minha inveja. É brabo falar desse pessoal que nos dá uma camaçada de pau (terminho aqui dos pampas) que você nem sabe de onde vieram os tapas, pontapés e socos.
Sempre fico muito surpreso quando um escritor (e não escritora) escreve sobre o universo feminino.
Conheço muitas HQs feitas por homens que dedicam seus roteiros e contos a personagens femininas, todavia a linha que separa o ridículo/forçado e o natural/suave, normalmente não é bem equilibrada. Porco chauvinista e ignorante que sou, acredito que esta tênue divisão é justamente característica da alma feminina, tão incompreendida pelos homens. É dito que todos os homens são iguais. Bom meninas, Daniel Esteves não é. Vão atrás de Daniel Esteves*! Em Nanquim Descartável ele nos trás “As loucas aventuras de Ju e Sandra” (parace ter saído de chamadas de filmes da sessão da tarde), duas estudantes universitárias que dividem apartamento e se ‘aventuram’ em relações amorosas, trabalhos, festas, estudo e… quadrinhos. Sim, histórias em quadrinhos. Ju (cujo nome não é Juliana), estudante de jornalismo, escreve as histórias enquanto Sandra (cujo nome é Sandra), estudante de artes plásticas, desenha os quadrinhos.
De fato é impressionante o tom de realidade que você encontra neste trabalho. Esteves conseguiu imprimir uma personalidade aos personagens e seus diálogos que não consigo encontrar paralelos no mercado. Se você está pensando em Estranhos no Paraíso, esqueça. Depois de ler Nanquim Descartável vais considerar a obra de Terry Moore caricata e distante. Quem quiser chiar, que leia primeiro o Nanquim antes de abrir o bico. O texto é tão verossímil que parece que estão narrando alguma parte de sua vida cotidiana quando se tem vinte, vinte e poucos anos. E sem aquele lenga-lenga chato e aborrecido que são as chamadas “histórias adultas”. E muito menos aquele humorzinho fácil, senão nem estaria gastando meu tempo escrevendo esse achismo. Impressionante mesmo. Não sabia que podia ser feito isso nem desta forma.
A qualidade gráfica da edição não deixa a desejar – impressa em offset com papel apropriado. Os desenhistas – e eles são muitos, são competentes e percebe-se em todo o projeto um tom profissional e bem planejado. O que é outro destaque da revista. A idéia de misturar desenhistas – mantendo uma certa linha de ilustração, entre páginas apresentadas fora de uma ordem sequencial é fantástica. Contribuem nesta edição Wanderson de Souza, Julio Brilha, Alex Rodrigues, Wagner de Souza, Mário Mancuso, Bira Dantas, Carlos Eduardo com diagramação de Esteves e Rodrigo Priolo.
Queria ter a suavidade e compreensão do mundo que estas meninas possuem ao enfrentar a ‘louca aventura’ da vida.
Para saber mais sobre o trabalho acesse a HQ em Foco – e reclama prá eles lá uma dúzia de páginas de preview (pode dizer que fui eu que pedi). Você vai se surpreender.
*Meninas, já ia esquecendo: ele ainda por cima levou o HQ Mix de Roteirista Revelação.
Café Espacial #2
Revista Café Espacial #02 | 2008 | 60 páginas | 14cm x 21cm | capa colorida e miolo PB
Chegou em minhas mãos o tão aguardado Café Espacial. Tão aguardado porque simplesmente amei o primeiro número. Muito bem feito, muito bem pautado e organizado.
E foi justamente por isto que tomei um susto nesta segunda edição.
Não que ela tenha um conteúdo mal selecionado e nem de longe está desorganizado, pois a Café é apenas independente, não amadora.
Com 60 páginas, este número está 20% maior que o anterior. Mas este crescimento de espaço não fora reservado ao conteúdo referente a HQs. O que aconteceu foi o inverso. No primeiro número foram dedicadas 22 páginas à histórias em quadrinhos o que dá, descontando a capa e contracapa, 50% da edição voltada para a banda desenhada (ora, pois). Nesta edição possuímos 18 páginas de HQ – cerca de 30% da revista.
Se parar para pensar, não há nada de errado nisto. Mas me pergunto o que Sérgio Chaves pensou para tamanha mudança de perfil editorial. Será que ele quis tornar a Café mais aceitável, mais informativa através de seus textos, deixando as HQs em segundo nível de importância? Diria até mais comercial, pois indiscutivelmente revistas (de textos, notícias, artigos) vendem mais do que HQ. Estaria Sérgio Chaves (parece novela mexicana) tentando trazer novos leitores paras as HQs (nacional ou não) utilizando como isca o recurso de uma revista mais textual? Acompanhem os próximos capítulos. Ou não conseguiu colaboradores? Duvido muito disto porque até eu – se tivesse qualidade requerida, gostaria de estar numa revista destas. Talvez o Café Espacial esteja migrando para outro campo: o de informação E HQ, não o de HQ E informação. Sou mais deste último, mas ele não deve se preocupar, pois acredito – olhando qualquer banca, que sou minoria.
Mas vamos ao conteúdo.
O muro de cada um - com um texto introspectivo de Alan Ledo, Eder Saragiotto nos traz uma belíssima arte de uma HQ que tive de ler duas vezes. Tá bom. Três vezes.
Amore lupus – de Bárbara Stracke e Laudo Ferreira. Bárbaro. Apesar de Laudo neste número ter mudado de parceiro para os textos, sua arte continua com vigor e personalidade – até icônica. Daqui uns dias vira um Sr. Colin – este sr. com S maiúsculo; não porque morreu mas porque tenho toda a obra dele que cruzei pela frente. Com um texto competente da sra. Strack achei muito bacana esta HQ. Que o Laudo continue com este tipo e nível de trabalho!
Há ainda os trabalhos em quadrinhos A desmemoriada de Samanta Flôor, A chuva de Mario Cau, e Dorothy de Ebbios. A HQ do senhor Cau dispensa apresentações – de fato, eu já havia lido este trabalho (está online no site do autor) e vocês mesmos podem ver que o sr. Cau é do cauralho (ô trocadilho ruinzinho).
Na antiga revista tiveram textos que não li: sobre as bandas Órfãos do Governo e Biggs – até por isto não comentei a respeito. Não era o tipo que gosto de ler. Adendo: senhores eu leio Scientific American, não leio muita literatura mas me esforço para manter a média de um livro por mês, acompanho uma revista semanal ou outra e ainda assino dois jornais locais para dar um bizu e saber o que anda acontecendo. Ou seja: eu não leio só HQ – mas quando um assunto não me atrai, simplesmente não leio. Surpreendente, não? Hum. Por que porra (sic) estou me justificando? Nesta edição admito que estava meio desanimado a ler suas matérias, mas o fiz até para saber sobre o que se tratam e poder divulgá-las aqui – apesar de não ser meu objetivo escrever aqui nada que não seja HQ, preferencialmente nacional.
Há uma entrevista com Daniel Galera onde afirma que o rótulo webdesigner (projetista web) não existe mais. Estou desrotulado. Um bom conto (quadrinizável) chamado A invenção do fim de Filipe Teixeira e ainda The girl has the taste of paçoca on her lips, de Laudo Ferreira e Dificuldades no relacionamento de Lean Basoli. E para finalizar, do próprio site do Café Espacial “A edição traz também: ilustrações de Lese Pierre; a seção DiaboA4, falando sobre o escritor Lima Barreto e o o mito dos Heróis e Anti-heróis (por Lídia Basoli e Rafael Rodrigues); a seção Mais uma dose (por Talita Prado); a seção Arte revelada, com fotografias de Paula Mello; [...] e na seção Cafeína pura! entrevista com a banda The Dead Rocks (São Carlos/SP), com seu surf music/rock’n’roll alucinante!”
Admito que me senti deslocado – esperava quadrinhos e recebi resenhas, entrevistas, artigos e contos. Sem sombra de dúvida o próximo número irá definir (sem sombra de dúvida o KCT) o perfil da Café Espacial. Talvez o sr. Chaves ainda decida tornar seu Café um lugar de pura experimentação, hora indo prá cá, hora indo prá lá – e novamente, não há nenhum problema nisso. A questão é se ele consegurá manter fiel sua base de leitores. Espero que não demore muito para o terceiro número, que obviamente irei comprar. Mas não gostaria de estar na pele do sr. Chaves tendo tantas opções e escolhas a serem tomadas.














