Troféu HQMIX
Hojé é o dia da entrega do HQMIX – como li outro dia, “o Oscar dos quadrinhos brasileiros”. Estaria mais prá Eisner, mas a analogia vai me servir para este texto. Outro dia expunha sobre esta premiação, advindo de uma pseudo conversa com o senhor Jerônimo Souza. Ele tinha discordâncias em alguns pontos e eu o convenci que o concurso era legítimo e justo. Bem, mudei de idéia. Enquanto ele que era ‘contra’ (pero no mucho) o prêmio, está em São Paulo (não, ele não levou nada também), eu que era a favor estou aqui, em Santa Maria.
Entenda, acredito que o HQ Mix – ao menos neste ano que acompanhei de perto, foi o prêmio mais organizado, divulgado e abrangente que já vi no país. Fez o melhor compêndio que já vi sobre o que foi publicado no ano passado – até 10 Centavos estava lá. Também acho bárbaro a questão da votação ser fechada através de gente convidada – segundo eles, cerca de dois mil votantes. Todavia levanto aqui pontos relevantes para que a premiação tenha uma disputa ainda mais acirrada, justa e legítima.
Não quero nem polêmica nem encher o saco – pois nesta crítica já exponho inclusive propostas sobre como (e o que) poderia ser melhorado – ou seja, é uma opinião honesta, com a melhor das intenções de fazer com que este já reconhecido prêmio tenha ainda mais valor e retorno a todos seus participantes. Foco estas sugestões obviamente no mercado nacional e os independentes. Não sou de forma alguma contra premiar um escritor ou desenhista estrangeiro, mas se ainda não percebeste, escrevo neste site sobre o que é de criação/produção nacional e – graças a conjuntura, independente.
Os pontos são dois e são simples:
- Você sabe em quem está votando?
É engraçado, mas não acredito que a imensa maioria das pessoas que votam, conheçam todos os concorrentes. Chamam de Oscar, mas os que votam no Oscar conhecem os filmes envolvidos, até porque são praticamente obrigados a isto. Por que diabos acham que um concurso sério – na área que for, tem de ser diferente? Eu sei é humanamente impossível conhecer e/ou adquirir tudo. Mas acho que poderia se inverter da média de conhecimento dos votantes de 20% das obras existentes para 80%. Fácil, fácil. Como? Internet. Tenho a absoluta certeza que todos envolvidos que concorrem aos prêmios, colocariam na internet de bom grado – e gratuitamente, seu trabalho para que os votantes tomassem conhecimento dos mesmos. Ou seja – um pequeno e simples sistema que permitiria o artista carregar seu trabalho e onde o votante teria acesso ao mesmo, na faixa, para avaliar os projetos existentes daquele ano. Fácil, rápido, indolor. Querendo, até ajudo a montar o sistema – sério! - Quem vigia os vigilantes?
Para dar legitimidade a determinado concurso, é necessário transparência aos indicados. Achei soberba a lista dos ‘pré-selecionados’. Completa e minuciosa. Agora o que ninguém me explicou é como chegaram na última meia dúzia (7?) de concorrentes finais ’sugeridos’ (qualquer um poderia ser votado – inclusive os pré-selecionados). Com uma lista de votantes com “mais de dois mil profissionais da área das artes gráficas em todo o Brasil”, é incompreensível que determinado grupo – pequeno, sugira quem pode ser votado… dá margem a muita coisa esta lista ‘aconselhada’. Inclusive os que montam estes indicados sofrem – acredito, do ponto anterior. Vejo como ideal, uma votação em dois turnos – como uma velha, boa e democrática eleição. A meia dúzia (são sete!) mais votada, vai para o ’segundo turno’. Se apenas metade dos 2 mil votantes participasse, já era um bom negócio. Trabalheira? Imagina o Oscar então – que são centenas de filmes e cada um com uma hora e meia de duração…
Não creio que isto gere qualquer coisa, mas coloquei meus 10 Centavos (infâme…) na fogueira. Minha intenção aqui – reforço, não é incomodar, mas sim de contribuir para que tenhamos premiações cada vez mais disputadas, transparentes e com maior alcance à população – que é o interesse de todos.














Alex Genaro estava matando trabalho no dia 24 de July de 2008 às 12:09 pm
Apesar do meu grande amigo Alex Mir ter sido indicado, eu não confio muito nesses prêmios, assim como não confio no Oscar. Usando um velho clichê, me parece um grande jogo de interesses. Por exemplo, o site do UniversoHq já ganhou o prêmio 8 vezes, e acho difícil que pelo menos um dos colaboradores não seja um dos votantes do prêmio, pois são profissionais da área.
Não menosprezando a competência do UHQ, ainda é um dos sites que mais valoriza o produto nacional, dificilmente se vê outro veículo anunciando quadrinhos feitos por aqui, mas acho que outros merecem uma chance. Quem sabe algo do tipo “Ours Concours” seria mais apropriado.
Bom o que nos resta é aguardar o ano que vem para ver se muda alguma coisa. Pelo menos a “Mundo dos Super-Heróis” deixou a “Wizmania” para trás este ano, isso eu achei legal.
Daniel Pereira dos Santos estava matando trabalho no dia 25 de July de 2008 às 7:22 am
Pues. Pensei em mandar esta mensagemn prá eles… mas… temo que ou me xinguem ou simplesmente não dêem bola… Então, prá que?