Venda de gibis
Então você fez um fanzine, uma edição independente, uma revista em quadrinhos. Ou seria uma graphic novel? Independentemente do suporte e acabamento é um gibi, porra! Desculpe pelo ‘porra’. Não escrevo mais ‘porra’. Vamos chamá-lo de gibi de quadrinhos, por conveniência. É o nome mais curto para digitar. Gibi.
Fizeste teu gibi e agora quer vendê-lo. Anunciou até no estimado idolatrado salve salve Quadrinhos Independentes, do grande Edgard Guimarães. Vendeu cinco exemplares. Não satisfeito com a saída do gibi, entrou em contato com uma porrada de outros zineiros. Mandou trinta cartas. Para se certificar, ainda entrou para o universo digital e enviou mais cinquenta e-mails. Depois de tudo isso você alcançou a inacreditável venda de vinte e cinco edições da sua revista independente.
Você tenta se matar.
Mas não desiste. Digamos que você tenha tido uma preocupação maior com acabamento e a imprimiu em offset, capa colorida bonitaça, mil exemplares. Gastou aquela nota. Começou a divulgar na internet coisa e tal. Dali três meses você já tem uma cota de vendas impressionantes: cento e cinquenta exemplares vendidos. Você está saltitante. Ao menos até perceber que sua lista de contatos com outros autores possui a exata quantidade de gibis vendidos.
Depressão.
Reação: você tem que “furar a bolha”. Alcançar o leitor. Vai na banca do seu coração, na comic shop mais perto e naquela livraria que o dono é seu amigo – coloca vinte cópias em cada estabelecimento. Semana após semana você retorna aos pontos de venda para perceber que não vendeu um único exemplar. Após sofridos dois meses, seu amigo-dono-da-livraria já está puto que você não tira aquela tranqueira de lá. Você deprimido retira todos seus zines dos locais de venda. Após o terceiro mês, é claro. Até que não foi tão mal. Vendeu oito exemplares. Em três meses.
Por uma iluminação digna dos maiores santos – até porque são todos loucos, você percebe seu erro desde o início. Falta distribuição! Uma andorinha não faz o verão e três bancas não completam sua coleção. Já que torrou grana imprimindo mil exemplares, o que é um punzinho (gostaram do punzinho?) para quem agora está contratando uma distribuidora? Para mil exemplares, como a distribuidora que é camarada sua, vai cobrar apenas 50% do preço da capa. Nesta quantidade eles normalmente cobram 55%, 60%. Ah. Adiantados. E lá vai seu gibi com distribuição para todo estado. Hã? País? Melhor ainda. Ahn…? Ok. País, mas só capitais.
Passam-se mais três meses. Das mil revistas, você vendeu duzentos e vinte e duas. Foi bem até. A distribuidora, já puta da cara contigo (porque todas as bancas, comic shops e livrarias querem se livrar daquele lixo faz uns sessenta dias – imagina um gibi ficar mais de um mês em uma banca!) exige que você decida se vai querer só as capas das revistas ou vai pagar o reembolso, para tê-las inteiras. Você, quebrado, não tem opção. Dali três semanas você recebe aquela maçaroca de capas.
Após um mês sem falar com ninguém, você decide trabalhar com outra coisa. Publicidade, design… sei lá. Qualquer coisa. Quando perguntado – pelo resto da vida, o que deu errado, você sempre responderá que “não há mercado”.
Apesar das bancas – abarrotadas de HQ, dizerem o contrário…
Mas então o que deu errado? Não sei. Mas posso levantar três pontos que percebi e que vejo pouco sendo falado sobre a decisão na compra de um leitor de quadrinhos. Podem ser um ou mais destes pontos, que levam alguém a comprar sua edição. São eles:
- A editora é conhecida. Poucos comprarão algo da ds.art.br comics. E provavelmente quem o fizer, deverá ser outro autor – mesmo que amador (desenhista, escritor etc). Mas muitos se arriscariam a gastar seu rico dinheirinho se o que estiver por trás é uma grande editora.
- O autor é conhecido. Um Zé Mané como eu não vende. Mas um Alan Moore impresso em papel jornal pela ds.art.br-comics-fundo-de-quintal vende às pampas.
- O obra é conhecida. Um Zé Mané como eu continua não vendendo. Mas um Zé Mané que teve boa acolhida pela mídia especializada, vai dar mais saída que prostituta (eu escrevi prostituta…) a dé reau.
Há ainda aquela possibilidade de a revista ser tão boa, mas tão boa – normalmente em desenhos (pobres roteiristas), que acaba vendendo. Mas é um ponto que não elenco como principal, pois sofre de muitas variantes. Primeiro é julgar a qualidade – quem faz isso é o leitor que compra, não você, autor. Afinal o objetivo é venda, então qualidade é encontrar saída para seu trabalho. O que usualmente conflita com o “faço o que gosto”. Ou “quero”. Ou ainda: “sei fazer”.
Há milhares de outras coisas. Eu mesmo não sei a solução. Se soubesse já tava rico vendendo gibi. Nem as editoras grandes sabem. Elas também lançam edições que vendem mal. E muito mais do que elas gostariam.
Toda esta historinha é fictícia. Mas ela já aconteceu muitas e muitas vezes do Oiapoque ao Chuí (aqui do lado). Acho que é um compêndio de um dos assuntos que se discute no fórum do Quarto Mundo: o Quinto Mundo. Há propostas sobre o assunto. Dá uma passada lá.
Vai que no próximo empreendimento você chega até a número dois do seu gibi. Com lucro, é claro.














infeliz por natureza estava matando trabalho no dia 8 de July de 2008 às 12:52 pm
A editora é conhecida?O autor é conhecido?A obra é conhecida? Os três são verdadeiros?
Imagine que eu seja um consumidor, e estou em uma banca, vejo seu zine ou quadrinhos independentes: Você faz a pergunta certa “por que meu zine não vendeu?” então lá vai:
1 – você um autor desconhecido(hehehe!!…), com um fanzine de nome estranho em português(xiii…?), as vezes sem editora, ou com um editora desconhecida(hum?!!!!…) esta concorrendo com MARCAS DE CONFIANÇA DO LEITOR em uma banca ou livraria OK.
Situação:
(A) O marketing, a capa, os desenhos, a arte em geral e as idéias batem de cara com desejos em comum do leitor de um jeito criativo, e sua zine mesmo em preto e branco supera as MARCAS concorrentes. Ou a idéia é tão intrigante que você compra só por curiosidade. VOCÊ É UM dEUS (então vende).
(b) caso você use desenho de garrancho (EH?…), faz uma hq sem publico definido(UH!!!),com uns personagens que não vão com o senso comumPOH!!!..), com idéias que não batem com a da sua comunidade ou publico alvo(UM?…), (com um titulo em português ou coisa do tipo “emotions… o guerreiro”, cruz credo…) sem saber se isso é o que o consumidor gostariam de ler(OH! ñ….),e você sabe como é brasileiro( alem de ter pouco dinheiro) é exigente demais, se você faz um zine de Cavaleiro do zodíaco e faz uma historia super fabulosa bem escrita cheia de reviravoltas e esquece um detalhezinho (XIIII…….) já era(então não vende).
ave maria chei de graça…..(text box ” reze para esse formulario funcionar”)
ps:o que é ps?
Daniel Pereira dos Santos estava matando trabalho no dia 8 de July de 2008 às 1:50 pm
Bem. É mais ou menos o que expus, Infeliz.
Ainda é bom lembrar que coloquei que dos três pontos, somente um pode ser decisivo decisão de compra… mais de um então…
Quanto a história que o cara faz tudo certinho, sem editora, sem nome nem divulgação – é conto da carochinha. Sou ateu e não acredito em papai noel, coelhinho da páscoa nem em presidente da república. Nunca vi isso acontecer ao menos…
PS é abreviação de post script, ou literalmente, após escrita.
Fabio Sliachticas estava matando trabalho no dia 20 de April de 2009 às 9:19 pm
Neste artigo são mencionadas distribuidoras, e é algo que estou procurando! Caso possa me ajudar com um contato ou indicação de alguma distribuidora eu ficaria muito grato.
É para um material pornô com super-heroínas como este que tenho postado no popbaloes:
http://hqadulta.popbaloes.com/recompensa.htm
Já tentei contato com outros sites, mas a galera do quadrinho autoral/artístico/nacionalista insiste em me ignorar (o que pela expressão deles no mercado, parece ser um ótimo sinal).
obrigado
Fabio
Daniel Pereira dos Santos estava matando trabalho no dia 21 de April de 2009 às 7:40 am
Buenas, Fabio. Já respondi sua mensagem por e-mail, mas para não parecer que sou outro a te ignorar, vou postar uma resposta a este seu comentário também!
Para te sentires melhor, todos os “grandões” ou conhecidos me ignoram também!
Por isso desisti de escrever para eles. Acho que o único que ainda insisto em fazer comentários é no site de um autor famoso (q obviamente também me ignora), mas estou tentando parar de fazer isto por lá também.
Primeiramente parabenizo pela qualidade do trabalho (textos, desenhos e cor)! Surpreendente! Qual é sua participação nele?
Quanto a questão de distribuidoras, devo lhe esclarecer que não possuo contato algum, de qq tipo. Moro no interior do interior e de fato não conheço profissionais de editoração ou mesmo distribuição. Sou um amador desconhecido, nada mais coerente.
Acredito que em São Paulo deva existir pequenos nichos de publicação/entregas. Eu iria atrás de pequenas editoras de livros (deve existir pelo menos uma dezena em Sampa) para ver como eles desovam a produção.
Todavia, quando a questão é ganhar dinheiro com quadrinhos – sejam eles de qualquer espécie que não humor / infantil, sou categórico: procure publicar fora do país.
É provável que HQs eróticas e/ou pornôs possuam o mais forte mercado no Brasil (não tenho nenhum dado disto – é apenas uma impressão) e que se ganha ALGUM dinheiro com isto
(enquanto TODO os outros tipos de publicação, não ganham NADA), mas são valores ínfimos se comparados com o que se ganharias publicando nos EUA, mesmo pela menor editora – sejam quadrinhos de qualquer gênero. Então pense nisso.
Novamente, não conheço editoras estrangeiras além das famosas – mas uma busca no Google deve resolver seu caso – aí é mandar e-mail, amostras do trabalho, ver as propostas e boa noite.
Acredito ser mais rápido receber um retorno, publicar e ser remunerado lá fora do que aqui.
Mas depende do seu intento.
Espero ter te ajudado.
Um grande abraço!
jefferson estava matando trabalho no dia 4 de July de 2009 às 12:44 am
pqp pow infelizmente naum tenho mt tempo para ler td isso q foi postado.
pow mais confesso estar na necessidade de saber mais informaçoes sobre essa obra de edgar guimaraes, ate ia ler tdao mais vejo no inicio e fim q este post esta mais direcionado para a indgnaçao(normal isso) do retorno do pessoal undergrund.
mesmo sabendo como estao peço a compreençao e q me ajudem a ter melhores informaçoes passando alguma fonte ou fornecendo oq sabe sobre essa obra: FANZINES
meu e-mail e csoc.jass@hotmail.com
UM FORTE ABRAÇO
Zeze estava matando trabalho no dia 13 de October de 2009 às 2:13 pm
Olha,
Acho o seguinte. Falta força. Não falta qualidade. E a única forma de fracos se tornarem fortes é através da união. Você pode se unir a um forte ou a vários fracos. E pensar em montar alguma coisa. Por exemplo, uma FEIRA DO ESCRITOR DE QUADRINHOS BRASILEIRO. Se a feira crescer, depois os grandes vão procurar vocês. Mas seria fundamental para mostrar as revistas e, claro, tentar vender.
- feira
- site
- pequena distribuidora
etc.
reunindo pessoas. Basta querer.
Aljoener estava matando trabalho no dia 28 de December de 2009 às 9:22 am
Peso que me ajudem a publicar meu gibi o anjo negro um personagem com muitos mistérios e poderes incríveis, meu sonho é ganhar a vida fazendo desenhos em quadrinhos, só desenhista dês dos 10 anos de idade tenho 19 anos e adoro desenhar, meu maior sonho mesmo é publicar meu gibi na editora Marvel dos estados unidos quem sabe.
marcelo augusto estava matando trabalho no dia 27 de March de 2010 às 6:37 pm
Estou vendendo:> *coleção “mais um super-herói” (1967-1969) o Poderoso Thor (num. 1 ao 21);> *Roy Rogers vol. 1;> *Almanaque do Búfalo Bill p/ 1958 e p/ 1959;> *Robin Hood magazine num. 1 e 3;> *Zorro num. 1 (1962);> *Cavaleiro Fantasma nums. 1, 6 e 21;> *Tarzan extra nums. 1,2,3,5 e 23;> *Tarzan Bi nums. 2,3,4,5,6 (vol.4 eu tenho repetido);> *Coleção “lança de prata” Tarzan nums. 28 ao 39/ 41 ao 44 e 46 (vol.34 eu > tenho rewpetido);> *Tarzan nums. > 4,6,7,8,9,10,11,12,13,14,16,17,18,19,20,21,22,24,25,26,27,36,37,40,48,67,78,80,81,83,84, > 90,94,95,98 (nums.4,7,9,12,17 e 98 tenho repetidos);> *Fantasma (magazine) nums. > 14,22,23,27,46,49,51,52,55,59,62,72,74,76,77,78,79,80,81,82,85,88,89,93,96,97,98,99,100, > 102,106,107,112,113,114,117,119,120,121,122,123,124,125,127,134,139,140,142,145,185,213 > (nums. 82,96,140 tenho repetidos);> *Edição super especial de férias Fantasma num.116;> *Edição especial num.118;> *Almanaque de férias do Fantasma, almanaque do Fantasma para 1963 e > almanaque do Fantasma para 1968.>> Todos em bom estado de conservação.> R$ 2.000,00.> Grato.>